NÃO ESPERE SETEMBRO CHEGAR

ADQUIRA AGORA

ENTENDA A SIGNIFICATIVA PARTICIPAÇÃO DA ORDEM MAÇÔNICA NO MOVIMENTO FARROUPILHA

quinta-feira, 14 de junho de 2012

UM CHATO MALHANDO EM FERRO FRIO!

 
Cada cidade, como São Francisco de Paula, tem que potencializar, explorar, e divulgar ao turista, sua cultura própria. 

Se tivesse assinado a coluna abaixo eu seria, novamente, taxado de chato, como aconteceu quando publiquei sobre a falta de autenticidade no 21º Ronco do Bugio, de São Francisco de Paula, tentando, mais uma vez, valorizar nossa cultura. Vejam, então, o que escreveu o reconhecido jornalista e publicitário Alfredo Fredizzi (página 19, de Zero Hora de terça-feira, 12 de junho de 2012) em matéria intitulada REPENSANDO NOSSAS FESTAS POPULARES.

A conclusão a que cheguei após a citada coluna, é que o turista quer ver o que a localidade tem de seu para mostrar, mas os moradores se inclinam por atrações de fora. Ex: quem vem ao Rio Grande do Sul, tem interesse em conhecer nossas tradições, mas nós, gaúchos, não damos muita importância ao que é nativo de nossa terra.  

“Fui a São Francisco de Paula no último final de semana (8, 9 e 10 de junho) e aproveitei para dar uma passadinha na Festa do Pinhão, que acontece na cidade até o dia 17 deste mês. Fazia muito frio. Ao ar livre, um pouco afastado do centro, encontrei várias barracas vendendo pinhão, quentão, malhas, não muito mais que isto, todas semelhantes e quase se repetindo. Em um recanto, ao fundo, um palco onde se apresentava alguns grupos musicais. Fechado, no ginásio esportivo, em uma das noites, um show do Jota Quest.

Imediatamente pensei: o que o Jota Quest e shows do gênero têm a ver com São Chico? Quem vai até lá para assistir um show destes? Tomo esta festa em São Chico para o raciocínio que segue. Fiquei imaginando se os promotores da Festa do Pinhão fizessem uma série de bailes com os conjuntos mais conhecidos da região, como Os Serranos, será que não atrairiam mais gente de fora do município e das proximidades? Conheço muita gente que iriam até a cidade para um bem organizado e divertido baile daqueles estilo “limpa-banco”! Poderiam, ainda, fazer promoções, brincadeiras, inúmeras atividades relacionadas a produção local. O resultado seria mais estimulante e atuaria direto na autoestima dos moradores. Trabalhariam a cultura local, sua preservação e sua difusão – memória e história para as novas gerações.

Nestes dias, passou pela minha cabeça uma infinidade de festas populares que acontecem Estado afora: da bergamota, da laranja, do chimarrão, da uva, do pêssego, disso e daquilo. Todas muito parecidas. Todas trazendo a banda do momento. Todas com barraquinhas com mais ou menos as mesmas coisas para vender. Muitas bem distantes das manifestações culturais de sua aldeia. E as perguntas não me largaram mais. O que está faltando? Idéias? Criatividade? Ousadia? Senso Crítico? Dinheiro? Patrocínios?

É fundamental que alguns municípios repensem suas festas, comemorações e manifestações, a partir de suas raízes, identidades, tradições e potencialidades. É fundamental que os organizadores envolvam a comunidade oferecendo oportunidades para o aprimoramento de idéias e o trabalho em parceria. É fundamental, ainda, que ofereçam ao público festas bonitas, em espaços bem estruturados e organizados, com barracas bem acabadas, exposições de produtos de qualidade, bem apresentados e bem colocados, que despertem o desejo e chamem a atenção das pessoas.

Pulo um oceano inteiro e lembro dos tradicionais bailes que, há décadas, são feitos nos palácios de Viena, na Áustria, para todos dançarem valsas como antigamente. É claro que são realidades muito diferentes. Mas o que chama a atenção é o fato respeitarem e preservarem suas tradições, mostrando aos mais jovens a sua história,o que atrai turistas de todo o canto do mundo.

Precisamos de um olhar mais centrado, de dentro para fora, que descubra as potencialidades culturais que cada região abriga e, muitas vezes, não vê por falta de oportunidade. Por que cada cidade não busca o que tem de mais importante na sua região e reúne cabeças criativas e iluminadas para repensar suas festividades, buscando dar a cada ação uma cara própria? Teremos uma festa mais rica e autêntica que vai revelar com sabedoria e charme a cultura local.”