
E o que nos fez abrir o pala para os lados da Rua da República, na Cidade Baixa, foi o show da intérprete Juliana Spanevello que já vi cantando em festivais mas não tinha, ainda, o privilégio de vê-la em um momento solo. E valeu a pena.
Um espetáculo técnicamente perfeito e emocionalmente contagiante. Um repertório de extremo bom gosto e parcerias (convidados) de levantar platéias, além do ótimo grupo que lhe faz costado.
Juliana Spanevello contraria o ditado de que “santo de casa não faz milagres” pois Faxinal do Soturno, sua querência, estava em peso nas dependências do Tulio Piva, felizes com sua filha mais ilustre. Isto mostra todo o seu valor e o seu carisma. Porto Alegre teve o 19 de abril como uma noite engalanada.
Devo confessar que, no início da minha tendência tradicionalista, não escutava com bons ouvidos mulheres cantando canções gaudérias. Um machismo que hoje, felizmente, não tenho mais. Ao contrário. Gosto demais do trabalho das Mulheres Pampeanas, da Maria Luiza Benitez, da Shana Müller (que lá estava, bonita e gentil como sempre, prestigiando o show da Juliana) e de tantas outras vozes femininas, harmoniosas, sentimentais.
Mal comparando, nossas cantoras gaúchas, de tantos encantos e virtuosidades, são como raios de sol na neblina tensa da nossa musicalidade. São nanquins retintos a versejar o pago numa folha branca que ficou de lado.
Parabéns Juliana Spanevello, sucesso neste retorno tão esperado e, se me permites, vou furar o CD Pampa e Flor de tanto escutar.