RETRATO DA SEMANA

RETRATO DA SEMANA
Bandeira do Rio Grande hasteada na chaminé de 92 metros do Shopping Total em Porto Alegre. Foto: Divulgação Shopping Total.

domingo, 15 de agosto de 2021

ESTÁ CUSTANDO A PASSAR

 

Gravura: Léo Ribeiro


Lá se vai um ano e meio desta pandemia que assolou o mundo. Uma das classes mais atingidas foi a dos artistas. Em face da proibição de aglomerações, espetáculos, bailes, festivais, tudo ficou estagnado afastando os ídolos do contato presencial com o seu público. 

Uma das saídas para isto foi as redes sociais, que alguns souberam aproveitar melhor e fizeram do limão a limonada. Muitos poderão dizer que estas (redes sociais) são como tosa de porco, ou seja, muito grito e pouca lã. Talvez seja verdade, economicamente falando, mas foi uma maneira de manter-se em evidência. 

No começo de 2020 a grande sacada foram as lives. Centenas delas aconteceram, muitas com pouca qualidade, outras com um trabalho mais profissional. De início deram algum resultado. Primeiramente os artistas ajudando entidades necessitadas e, depois, ajudando a si próprios, visto que o aguaceiro começava a bater na cintura.  Com o tempo aconteceu a "fadiga dos metais" e hoje poucas desta lives acontecem.

Houve, também, a tentativa dos espetáculos ao estilo dravi-in, aonde o público assistia aos shows no interior dos carros. Não sei por qual motivo tal experiência não progrediu. 

Não vamos nominar artistas que se destacaram neste processo autopromocional através das redes sociais pois periga o esquecimento, e não fazemos referência, aqui, a quem diariamente postava suas fotos, ou relembranças, ou viagens, ou gastronomia, ou desafios sem muito fundamento, ou mesmo utilizava-se de tais meios para polemizar. Nos referimos a quem realizou belos projetos durante a pandemia e os divulgaram com inteligência. Alguns, além do talento, ainda contaram com a sorte como foi o caso do cantor Baitaca que viu um antigo trabalho estourar em meio a crise (Fundo da Grota).   

Neste meio tempo muitos grupos quebraram, artistas venderam instrumentos, outros foram pelear só com o cabo da faca em outras profissões. Não é fácil aguentar o tirão. 

Ao que parece, em razão da vacina, as coisas estão melhorando. O estrago está sendo grande, no bolso e na cabeça, mas o Patrão Velho há de olhar por todos.