"TEU PRESTÍGIO É PROPORCIONAL A TUA CONDUTA"

Léo Ribeiro

RETRATO DA SEMANA

RETRATO DA SEMANA
Simplesmente, Luiza.

COMEÇANDO A LIDA BLOGUEIRA COM:

sábado, 21 de julho de 2018

MAIS OU MENOS ASSIM


 
 
 


sexta-feira, 20 de julho de 2018

ATENÇÃO ! COMUNICADO OFICIAL.



O Movimento Tradicionalista Gaúcho comunica que está mantido o calendário de inscrições de piquetes para o Acampamento Farroupilha de Porto Alegre, que acontece de 7 a 20 de setembro no Parque Maurício Sirostsky Sobrinho.
Houve uma reunião, neste início de tarde de sexta-feira, 20 de julho, entre o prefeito de Porto Alegre, Nelson Marchezan, e representantes da Secretaria Municipal de Cultura e do Escritório de Eventos do Município, revertendo a ordem de suspensão das inscrições que havia sido determinada pela manhã.
Assim, as inscrições serão realizadas de 23 a 27 de julho, conforme orientações da notícia disponível neste link:
Atenciosamente
Nairo Callegaro
Presidente do MTG
Sandra Veroneze
Assessoria de Imprensa MTG
Cel e Whatsapp: 51 99370 0619
 
 
 

57 ANOS DA CARTA DE PRINCÍPIOS



A "Carta de Princípios" atualmente em vigor foi aprovada no VIII Congresso Tradicionalista, levado a efeito no período de 20 a 23 de julho de 1961, no CTG "O Fogão Gaúcho" em Taquara, e fixa os seguintes objetivos do Movimento Tradicionalista Gaúcho:

I - Auxiliar o Estado na solução dos seus problemas fundamentais e na conquista do bem coletivo.

II - Cultuar e difundir nossa História, nossa formação social, nosso folclore, enfim, nossa Tradição, como substância basilar da nacionalidade.

III - Promover, no meio do nosso povo, uma retomada de consciência dos valores morais do gaúcho.

IV - Facilitar e cooperar com a evolução e o progresso, buscando a harmonia social, criando a consciência do valor coletivo, combatendo o enfraquecimento da cultura comum e a desagregação que daí resulta.

V - Criar barreiras aos fatores e idéias que nos vem pelos veículos normais de propaganda e que sejam diametralmente opostos ou antagônicos aos costumes e pendores naturais do nosso povo.

VI - Preservar o nosso patrimônio sociológico representado, principalmente, pelo linguajar, vestimenta, arte culinária, forma de lides e artes populares.

VII - Fazer de cada CTG um núcleo transmissor da herança social e através da prática e divulgação dos hábitos locais, noção de valores, princípios morais, reações emocionais, etc.; criar em nossos grupos sociais uma unidade psicológica, com modos de agir e pensar coletivamente, valorizando e ajustando o homem ao meio, para a reação em conjunto frente aos problemas comuns.

VIII - Estimular e incentivar o processo aculturativo do elemento imigrante e seus descendentes.
 
IX - Lutar pelos direitos humanos de Liberdade, Igualdade e Humanidade.

X - Respeitar e fazer respeitar seus postulados iniciais, que têm como característica essencial a absoluta independência de sectarismos político, religioso e racial.

XI - Acatar e respeitar as leis e poderes públicos legalmente constituídos, enquanto se mantiverem dentro dos princípios do regime democrático vigente.

XII - Evitar todas as formas de vaidade e personalismo que buscam no Movimento Tradicionalista veículo para projeção em proveito próprio.

XIII - Evitar toda e qualquer manifestação individual ou coletiva, movida por interesses subterrâneos de natureza política, religiosa ou financeira.

XIV - Evitar atitudes pessoais ou coletivas que deslustrem e venham em detrimento dos princípios da formação moral do gaúcho.

XV - Evitar que núcleos tradicionalistas adotem nomes de pessoas vivas.

XVI - Repudiar todas as manifestações e formas negativas de exploração direta ou indireta do Movimento Tradicionalista.

XVII - Prestigiar e estimular quaisquer iniciativas que, sincera e honestamente, queiram perseguir objetivos correlatos com os do tradicionalismo.

XVIII - Incentivar, em todas as formas de divulgação e propaganda, o uso sadio dos autênticos motivos regionais.

XIX - Influir na literatura, artes clássicas e populares e outras formas de expressão espiritual de nossa gente, no sentido de que se voltem para os temas nativistas.

XX - Zelar pela pureza e fidelidade dos nossos costumes autênticos, combatendo todas as manifestações individuais ou coletivas, que artificializem ou descaracterizem as nossas coisas tradicionais.

XXI - Estimular e amparar as células que fazem parte de seu organismo social.

XXII - Procurar penetrar e atuar nas instituições públicas e privadas, principalmente nos colégios e no seio do povo, buscando conquistar para o Movimento Tradicionalista Gaúcho a boa vontade e a participação dos representantes de todas as classes e profissões dignas.

XXIII - Comemorar e respeitar as datas, efemérides e vultos nacionais e, particularmente o dia 20 de setembro, como data máxima do Rio Grande do Sul.

XXIV - Lutar para que seja instituído, oficialmente, o Dia do Gaúcho, em paridade de condições com o Dia do Colono e outros "Dias" respeitados publicamente.

XXV - Pugnar pela independência psicológica e ideológica do nosso povo.

XXVI - Revalidar e reafirmar os valores fundamentais da nossa formação, apontando às novas gerações rumos definidos de cultura, civismo e nacionalidade.

XXVII - Procurar o despertamento da consciência para o espírito cívico de unidade e amor à Pátria.

XXVIII - Pugnar pela fraternidade e maior aproximação dos povos americanos.

XXIX - Buscar, finalmente, a conquista de um estágio de força social que lhe dê ressonância nos Poderes Públicos e nas Classes Rio-grandenses para atuar real, poderosa e eficientemente, no levantamento dos padrões de moral e de vida do nosso Estado, rumando, fortalecido, para o campo e homem rural, suas raízes primordiais, cumprindo, assim, sua alta destinação histórica em nossa Pátria.
 
 
 

quinta-feira, 19 de julho de 2018

REPONTANDO DATAS / 19 DE JULHO



Tenente-Coronel Genuíno Olympio de Sampaio


Numa noite do dia 19 de julho, do ano de 1874 morria o tenente-Coronel Genuino, o comandante das forças estaduais nos ataques contra a seita religiosa dos Muckers, uma pequena comunidade alemã situada ao pé do Morro Ferrabrás, no então município de São Leopoldo, hoje Sapiranga. Os Muckers eram liderados pelo casal Jacobina Mentz Maurer que se vestia de preto e dizia falar com Deus e João Jorge Maurer, e foi travado entre 1873-74.
Durante o dia 19 de julho de 1874, o coronel Genuíno com reforços recebidos, inclusive de 150 colonos alemães voluntários, atacou o reduto mucker na casa do casal Maurer. O ataque e reação foram violentos, sendo que morreram 12 homens e 8 mulheres Muckers. Foram presos 6 homens e 36 mulheres e 17 Muckers conseguiram fugir. Durante a noite o acampamento foi atingido por tiros de tocaia disparados de um mato próximo. O Tenente-Coronel Genuino teve cortada com um tiro uma artéria da coxa, vindo a morrer esvaído em sangue, em face de que o médico havia descido o morro com feridos, rumo ao hospital de São Leopoldo. 
 
 

A VIAGEM DE SAINT - HILAIRE AO RS



Resumo 11 - Viagem ao Rio Grande do Sul - Por: Jeandro Garcia
Novembro de 1820 - Auguste de Saint-Hilaire
Os primeiros Gaúchos - Carreiras - Costumes - Onça Pintada
 
 

Com muito pesar deixa Montevidéu, onde uma multidão lhe deu provas de seu acolhimento. Está com uma carroça nova, muito rígida, mas muito pesada que quebra logo em seguida. Ajudado por um camponês a consertar, e ainda ganhou deste mais uma junta de bois, sem aceitar retribuição alguma.
 
A administração portuguesa proibiu a produção charque, para dar tempo dos animais se multiplicarem, em outros tempos eram exportados até 1,5 milhão de peles, fora o contrabando, agora não passa de 25mil para o consumo interno.
 
Seguindo a viagem caem em um atoleiro, lá é ajudado por um camponês que Saint Hilaire o menciona como "gaúcho", que também não aceitou retribuição. uando na verdade é costume da região, entre os mais humildes, aguardar algum pagamento, caso não seja dado com certeza irá pedir.
 
Mais a frente encontra diversos cavaleiros que aguardam para uma corrida de cavalos, algo muito apreciado no Rio Grande também, onde são feitas diversas apostas. Nas cidades do interior os habitantes fazem tudo a cavalo, vão fazer compras, a taberna, buscar água e carne, até mesmo vão a missa.
 
Constata que nada é igual ao ódio que eles conservam em relação ao povo do Rio Grande, e ao que em geral os espanhóis tem dos portugueses. Pretender que este território seja de domínio português é unir dois contrários.
 
As habitações por mais simples que sejam em Minas são muito limpas, já no Rio Grande começam a ser menos cuidadas em lugares mais humildes, mas no interior do Uruguai as casas são extremamente sujas e com mau cheiro. Nota-se que entre os portugueses havia pouca mistura com os locais, mantendo seus valores europeus, mas por aqui os espanhóis se misturaram com índios e outros locais, e seus filhos adquiriram os maus hábitos da maioria, mesmo os não mestiços.
 
Quando não está em uma casa, pede para que façam sua cama na carroça, mas há pouco espaço devido a bagagem, quando pede que lhe façam alguma comida é como se cometesse um roubo, por diversos momentos reclama do péssimo serviço prestado por seus contratados, especialmente aquele que trouxe do Rio de Janeiro, no momento ainda um soldado o acompanha, mas apenas lhe dá mais trabalho e despesas.
 
Em uma família lhe ofereceram o chimarrão ou matesito, estes se alimentam especialmente de porcos selvagens, que antes eram domesticados e agora são caçados a laço.
 
Ao entardecer uma onça pintada estava devorando um de seus potros, nem o cão quis chegar perto, estes animais antes eram mais comuns, mas com a redução do gado e o tumulto da guerra tornaram-se raros.
 
 
 

IDENTIDADE GAÚCHA TAMBÉM EM FM


 
 
 

quarta-feira, 18 de julho de 2018

CHASQUES ECO DA TRADIÇÃO / MTG


MTG abre inscrições para Acampamento Farroupilha
 
 
O Movimento Tradicionalista Gaúcho abriu as inscrições para o Acampamento Farroupilha de Porto Alegre, que acontece de 7 a 20 de setembro no parque Maurício Sirotsky Sobrinho. Os piquetes interessados podem comparecer de 23 a 27 de julho na Casa do Gaúcho. O atendimento será das 9h às 11h30min e das 13h às 17h diariamente.
Segundo o presidente do MTG, Nairo Callegaro, os interessados devem apresentar, no momento da inscrição, o alvará de 2017 e a ata de troca de patronagem caso tenha acontecido desde a realização do último acampamento, em 2017. Também devem apresentar projeto cultural a ser realizado durante o evento, tendo como tema O Tropeirismo. Também é necessário apresentar os certificados de dois brigadistas.
A retirada do alvará está prevista para o dia 7 de agosto.
Foto: Eduardo Rocha


MTG realiza Encontro de Chuleadores
 

 
O Movimento Tradicionalista Gaúcho realiza, no dia 19 de agosto, o Encontro de Chuleadores. O evento acontece na sede da entidade, em Porto Alegre, com início às 8h30min.
 
Segundo o presidente, Nairo Callegaro, acontecerá apresentações dos integrantes da equipe de chula de 2018 e também estudo do Regulamento Artístico do MTG, além de apresentação do documento “Diretrizes do Departamento de Chula do MTG 2018, que apresenta informações sobre postura e conduta dos chuleadores, andamento musical, preservação do estilo individual do chuleador, preservação física, entre outros elementos.
 
Mais informações serão apresentadas em breve.

 
Sandra Veroneze
Assessoria de Imprensa MTG
Cel e Whatsapp: 51 99370 0619
 
 
 

É HOJE. AJUDEM O ASILO PADRE CACIQUE!


 
 
 

REPONTANDO DATAS / 18 DE JULHO


Num dia 18 de julho, do ano de 1847, morria Bento Gonçalves da Silva

 
Após o fim da Guerra dos Farrapos o General Bento Gonçalves retornou para as atividades do campo sem interessar-se mais por política. Morreu dois anos depois, no dia 18 de julho de 1847, acometido de pleurisia, deixando viúva Caetana Garcia e oito filhos.
Seus restos mortais inicialmente foram sepultados em Pedras Brancas. No final de 1850, seu filho, Joaquim Gonçalves da Silva exumou os ossos e transferiu para a propriedade de sua família, na estância Cristal, onde permaneceram até setembro de 1893, sob sua guarda. Com a mudança de Joaquim para Bagé, os restos mortais ficaram sob responsabilidade de seu filho Bento Gonçalves da Silva Filho e com o falecimento deste, de sua esposa Maria Tomásia Azambuja.
Em 1900 o último responsável por sua guarda doou os despojos para seu primo, Inácio Xavier de Azambuja, que repassou para intendência municipal de Rio Grande, onde hoje repousam no monumento na praça Tamandaré (foto acima).
 

18 DE JULHO DE 1824

 
CHEGAM AO ESTADO OS COLONOS ALEMÃES
 
Desembarcam em Porto Alegre os primeiros 126 colonos alemães
e que foram levados a Feitoria Velha, atual São Leopoldo.


         Gravura de Pedro Weingäitiner - 1903 - intitulada Ceifa Alemã



 A primeira colonização maciça, após a tentativa feita com os açorianos, ainda no século XVIII, aconteceria, no Rio Grande do Sul, a partir de 1824, quando começaram a chegar os colonos alemães. Nos primeiros cinquenta anos de imigração foram introduzidos entre 20 e 28 mil alemães no Rio Grande, a quase totalidade deles destinados à colonização agrícola.

Essa primeira grande colonização alteraria a ocupação de espaços, levando gente para áreas até então desprezadas. Introduziria também outras grandes modificações. Até então, a classe média brasileira era insignificante, e se concentrava nas cidades. Os colonos alemães iriam formar uma classe de pequenos proprietários e artesãos livres, em uma sociedade dividida entre senhores e escravos.

Como era o Rio Grande do Sul no início da imigração alemã

Apesar dos esforços de ocupação, no início do século XIX o Rio Grande do Sul ainda estava muito isolado, e era enorme a sua área desocupada. Em 1822 existiam em todo o seu território cem mil habitantes (menos de 10% da atual população de Porto Alegre), distribuídos da seguinte maneira:

No Planalto Setentrional havia cerca de 10 mil habitantes, sendo 6.750 na região das Missões e o restante nos Campos de Cima da Serra, na região ao redor de Vacaria. No litoral, entre Torres e Santa Vitória do Palmar estavam 23.960 habitantes (22% da população). Na Depressão Central concentrava-se a maior fatia (36%), graças a Porto Alegre (com 10 mil habitantes) e Rio Pardo (com 3.600). Os restantes 31% estavam espalhados pela Campanha, que contava com 22 mil habitantes.

A economia gaúcha centrava-se na pecuária. Portanto, os campos eram as zonas escolhidas para a ocupação luso-brasileira que, no entanto, não era muito intensa na região dos campos do Planalto. O Rio Grande tinha, em zonas desabitadas, quase toda a sua metade setentrional, compreendendo a zona de floresta na planície à margem dos grandes rios que formam o estuário do Guaíba, a encosta nordeste da Serra e os matos do Alto Uruguai.

As razões dos alemães

Por que os emigrantes alemães pretendiam deixar sua terra? A resposta é simples, e vale também para qualquer outro processo de migração humana: porque esperavam encontrar condições melhores. E, no início do século XIX, não eram boas as condições de vida do camponês alemão.

Assim, dois fatores iriam resultar na emigração. O primeiro era a determinação - ou não - dos estados em deixarem seus súditos emigrarem. O segundo fator que determinava a emigração era a situação econômica da região, em especial a situação da propriedade agrária: emigrava-se mais onde a situação era pior.

Dezenas de colônias no interior e 50 mil imigrantes

A primeira leva de colonos alemães chegou ao Rio Grande do Sul em 1824, tendo desembarcado, em 25 de julho, na colônia de São Leopoldo (antiga Real Feitoria de Linho Cânhamo). A essa leva inicial - composta de 39 pessoas de nove famílias - se seguiram outras e, entre 1824 e 1830 entraram no Rio Grande 5.350 alemães. Depois de 1830 até 1844 a imigração foi interrompida. Entre 1844 e 50 foram introduzidos mais dez mil, e entre 1860 e 1889 outros dez mil.

Entre 1890 e 1914 calcula-se que 17 mil alemães chegaram ao estado. A estimativa geralmente aceita é de que, entre 1824 e 1914, entraram no Rio Grande entre 45 e 50 mil alemães, e que, no total, foram criadas 142 colônias alemãs no estado.
 
 
 

terça-feira, 17 de julho de 2018

REPONTANDO DATAS / 17 DE JULHO


Num dia 17 de julho, do ano de 1983 morria em Porto Alegre um dos mais notáveis tradicionalistas, ou seja, Glaucus Saraiva.

Glaucus Saraiva (de óculos) numa reunião do MTG em Cruz Alta.
 
Glaucus Saraiva da Fonseca nasceu em São Jerônimo, em 24 de dezembro de 1921, e morreu em Porto Alegre, num 17 de julho de 1983, Glaucus Saraiva, também conhecido como Glauco Saraiva, foi um poeta crioulo, tradicionalista, folclorista, historiador, professor, pesquisador, escritor, conferencista, músico, e compositor. 

Era filho mais novo de Álvaro Saraiva da Fonseca e Maria Luiza Saraiva da Fonseca. Teve 07 (sete) irmãos. Deixou uma filha: Maria Luiza Saraiva Soares.

Foi sócio fundador da Estância da Poesia Crioula e do 35 Centro de Tradições Gaúchas, do qual foi o primeiro patrão. Idealizou e tornou realidade o IGTF - Instituto Gaúcho de Tradição e Folclore, órgão vinculado a Secretária de Estado da Cultura, instituído pelo Decreto n.º 23.613, de 27 de dezembro de 1974, tendo sido seu primeiro diretor técnico, o Parque Histórico General Bento Gonçalves da Silva, na Estância do Cristal e o Galpão Crioulo do Palácio Pirati, que pelo Decreto Estadual nº 31.204, de 1º de agosto de 1983, passou a chamar-se Galpão Gaúcho Glaucus Saraiva

Foi professor de folclore do curso de Pós-Graduação da Faculdade de Música Palestrina, professor no Curso de Extensão Universitária da PUC (Folclore na Educação) e no SENAC (Culinária Gauchesca e Usos e Costumes do Sul), e conferencista internacional sobre folclore. Presidiu três congressos tradicionalistas: em Santa Vitória do Palmar (1973), Pelotas (1975) e Passo Fundo (1977). Desenvolveu, também, profunda pesquisa sobre os brinquedos tradicionais das crianças gaúchas, promovendo exposições e publicações a este respeito. Formulou a Carta de Princípios do MTG - Movimento Tradicionalista Gaúcho, o mais importante documento para a fixação da ideologia e dos compromissos tradicionalistas, aprovada no 8º Congresso Tradicionalista, em julho de 1961 em Taquara - RS. Autor da nomenclatura simbólica do tradicionalismo.

Publicou ainda os ensaios “Manual do Tradicionalista” e “Catálogo da Mostra de Folclore Juvenil”. Foi vocalista dos conjuntos “Os Gaudérios” e “Quitandinha Serenaders” entre 1950 e 1955, além de atuar na Rádio Farroupilha e Rádio Nacional do Rio de Janeiro, de 1948 a 1955. Mas sua ligação com a música foi ainda mais profunda deixando registrado grandes clássicos como: Cigarro de Palha, Porongo Velho, Tropereada, O Rum é a Gente que Abre, Casa Grande de Estância (com Luiz Telles), entre outras. Seu poema mais conhecido é chimarrão.


 
 
 
 

segunda-feira, 16 de julho de 2018

ENTREVISTA COM EDSON DUTRA


Recebemos o chasque abaixo do amigo Orlando Torinelli, nosso parceiro jornalista, leitor de nosso blog, lá de São Bento do Sul, nos enviando essa matéria em forma de entrevista que realizou com o grande gaiteiro bonjesuense Edson Dutra. 

Buenas amigo Léo.
Estou te passando entrevista realizada ontem com Edson Dutra para minha coluna Alma de Gaúcho. Se achar interessante pode publicar.
Grande abraço
Orlando Torinelli 
Foto: Eduardo Rocha 


Os Serranos chega a 50 anos de estrada. Conte um pouco dessa trajetória.   

Caro amigo, Torinelli e amigos que nos prestigiam com a leitura! Falar de 50 anos dos SERRANOS, a serem comemorados nesse ano, é falar de luta, de trabalho, de dedicação, de esforços em todos os sentidos. Mas, é também falar de ótimas amizades e relacionamentos sociais, com pessoas que nos ajudaram a chegar até aqui. Com pessoas que se identificaram com nossos ideais tradicionalistas gaúchos. Com os valores que apregoamos, como o respeito aos mais velhos, à família, à natureza, a ética, a moral, aos bons costumes e ao civismo.
 
Sou um grande fã do grupo e vou em muitos fandangos quando o grupo está pela região....como é se apresentar quase sempre com casa cheia? 
 
Uma verdadeira alegria e sinal do prestígio que alcançamos junto a milhares de fãs e amigos. Isso, por si só, nos dá mais responsabilidade, para que OS SERRANOS continuem sua senda de trabalho e sucesso! Respeitando a todos e sempre com muita humildade e gauchismo.
 
Podemos ter a alegria de ver Edson Dutra nos palcos ainda por muito tempo? 
 
O futuro a DEUS pertence, diz a célebre e certeira frase. Depois desses 50 anos de estrada, caberá aos demais colegas levarem a bom termo o trabalho artístico dos SERRANOS. Sei que o farão muito bem.  Quando me der vontade e sobretudo saudade dos palcos, deverei estar presente, mas sem aquele compromisso que sempre tive. Afinal, preciso estar a partir de agora, um pouco mais perto dos meus filhos, mulher, parentes e amigos de sempre. E, claro, dando vasa ao meu esporte preferido, a pesca.
 
O que move o artista que deixa a família e sai viajar toda as semana pelos estados do Sul?   

Vocação, profissionalismo, respeito ao seu público e à emoção das pessoas em relação ao trabalho artístico que é feito.
 
Fale um pouco da juventude que participa dos fandango e cursos de danças gaúchas.  

Jovens valorosos são esses! Eles representam a sequência da tradição gaúcha, que é o repasse de nossos usos e costumes, de uma a outra geração. A esses jovens e a seus familiares, nosso respeito e cumprimentos! Precisamos deles para um país melhor, com estudo, com trabalho, com especializações profissionais, sem vícios e com diversões sadias. 
 
Fale um pouco da atual situação política que vive nosso querido Brasil.  

A situação política está dramática, com o avanço de um discurso e ações voltadas para uma doutrinação de extrema esquerda, na qual muitos jovens são aliciados e enganados por esse “bolivarianismo”, que está sendo apregoado.  Já foram aliciados muitos jovens e famílias de outros países vizinhos como Bolívia, Equador e Venezuela. Vemos a miséria e o caos por lá instalados, em ditaduras que massacram e dominam as suas populações. Essas, desarmadas e iludidas com as migalhas distribuídas por seus algozes, subjugam-se aos seus caprichos e interesses, deixando de lado seus sonhos de progresso, de conquistas e de valores fundamentais para a dignidade humana, como a LIBERDADE, por exemplo. Nosso país, a continuarem os desmandos que vemos e temos, será igual.  Caso não saibamos votar e não reagirmos, seremos dominados por esses maus governantes e falsos líderes. Nos últimos anos, os governos que tivemos aqui, nos mostraram com efetiva competência e maestria, como se faz e pratica a mais cruel e destrutiva CORRUPÇÃO. Esta, quebrou a nossa PETROBRÁS e desviou bilhões de reais, com obras faraônicas inacabadas, com a construção de inúteis estádios de futebol e com a conivência de importantes empresas da construção civil.  Maus políticos enriqueceram às custas do dinheiro público! 
 
Em primeiro lugar rezemos, para que isso seja revertido. Em segundo lugar, vamos eleger pessoas que não sejam corruptas ou denunciadas por esses crimes.
 
O bem vencerá o mal! Fãs e amigos dos Serranos, o país precisa de nós! Façamos nossa parte! Lutemos por um BRASIL, com dignos representantes e com sonhos factíveis para todos nós. Nossa bandeira sempre será verde e amarela, com o azul e branco. JAMAIS VERMELHA E COMUNISTA!!!  
 
Você é a favor do movimento O Sul é meu País? 
 
Poderia, no momento atual, até ser uma boa solução. Mas, quero uma PÁTRIA integrada, justa e perfeita, com todos os irmãos brasileiros unidos e com dignidade. Governados por gente decente.
 
Deixe uma mensagem para os 12 mil assinantes de A Gazeta e que acompanham "Alma de Gaúcho" já a nove anos  e chegando a 20 anos em outros jornais incluindo o extinto "Buenas Chê".

Não esmoreçam, lutemos unidos por um PAÍS nosso! Doutrina comunista não! Aqui, a liberdade tem de ser nosso patrimônio, ao lado de tantos valores que sustentam e orientam a FAMÍLIA CRISTÃ.


 
 
 

domingo, 15 de julho de 2018

ADÃO BUENO SERÁ O HOMENAGEADO


DA 7ª TERTÚLIA MAÇÔNICA DA POESIA CRIOULA
 
Léo Ribeiro (E) e Maxsoel Bastos de Freitas (D)
formalizaram o convite a Adão Bueno (C)
em nome do Fraternidade Gaúcha
 
A partir da segunda edição a Tertúlia Maçônica da Poesia Crioula passou a homenagear um Irmão escolhido por seu trabalho em prol da cultura Sul Rio-grandense. Já foram honrados com esta comenda nomes como Paulinho Pires, Telmo de Lima Freitas, Alcy de Vargas Cheuiche, Jader Moreci Teixeira (Leonardo), Tadeu Martins e Paixão Côrtes.
 
Em sua 7ª edição o festival poético promovido e organizado pelo grupo tradicionalista e piquete Fraternidade Gaúcha, da maçonaria, após alguns nomes apresentados e debatidos, escolheu por unanimidade o bageense Adão Ondino de Moraes Bueno.
 
Adão Bueno labuta pela tradição gaúcha desde os tempos em que era bailarino do inesquecível e inigualável Grupo Folclórico Os Muuripás. Exímio sapateador, executor de bombo legüero, contador de causos, declamador, Bueno espraiou seus conhecimentos para centenas de crianças de diversas escolas do Rio Grande do Sul. 
 
É a primeira vez que um integrante do Grupo Fraternidade Gaúcha é reconhecido e homenageado por seus colegas de atividades tradicionalistas. Isto se deve, além de sua capacidade artística, a sua maneira fraterna, alegre, descontraída, harmônica, de conviver com seus pares.
 
Parabéns ao Grupo pela sábia e oportuna escolha.
 
As homenagens acontecerão durante o festival, no dia 11 de agosto de 2018, no Teatro do Sesc, em Porto Alegre.     
 
 
     
 

sábado, 14 de julho de 2018

A VIAGEM DE SAINT - HILAIRE AO RS - 10


Resumo 10 - Viagem ao Rio Grande do Sul - Por: Jeandro Garcia
Novembro de 1820 - Auguste de Saint-Hilaire
Montevidéu - Costumes locais
 
 
Chega a Montevidéu, com grande dificuldade para arranjar um local para ficar é acolhido por um Padre, depois em uma padaria. Apresentado às autoridades e convidado a conhecer o teatro e assistir a uma peça. Logo após seguem para um baile, onde as mulheres eram muito bonitas e bem vestidas, boas maneiras e delicadas, os homens são apáticos. Refrigerantes eram servidos e ao contrário do Rio Grande onde havia muito exagero, aqui a mesa poderia se pensar que estava posta para meia dúzia de meninos.
 
A cidade possui cerca de 15 mil habitantes, poucos negros e menos ainda mulatos, sendo a cidade mais ativa que conheceu depois do Rio de Janeiro. A maioria são negociantes. A água potável vem da chuva e é armazenada em cisternas.
 
O leite é vendido por meninos, a cavalo, com garrafas de barro amarradas por couros.
 
A gente deste país não manifesta grande interesse político, diferente de sua herança europeia/espanhola.
 
Repara que as crianças são mais ativas e se divertem mais que as brasileiras, mas lhe é avisado sobre as alterações conforme o clima, pois passou pelo Rio Grande no inverno, e agora já se faz novembro.
 
As mulheres da cidade se vestem bem, não se trancam em suas casas e reúnem-se seguidamente em outras casas. São cordiais com os visitantes mas sem afetação, conversam bem e procuram ser agradáveis. Em qualquer nível social possuem graça e delicadeza. Há também pela cidade mulheres mundanas, mas não se oferecem aos homens, como as europeias.
 
Ha um hospital equipado para 50 leitos, feitos de cavaletes, estrado de couro e um colchão pouco grosso. Desde que os portugueses estão em Montevidéu há no hospital um parte para crianças abandonadas, como uma roda na parede, onde são entregues e passadas ao interior, sendo confiadas a amas que os amamentam. No primeiro ano 40 crianças foram trazidas.
 
 
 
 
 
 

sexta-feira, 13 de julho de 2018

O CICLO DOS CARRETEIROS


 gravura de Marciano Schimitz.

Hoje em dia estamos vivenciando um grande número de informações sobre o tropeirismo em face de que tal ciclo foi de fundamental importância para o comércio, o escambo, o abrir de caminhos, as povoações oriundas das pousadas, enfim, de toda a riqueza que cultural que os tropeiros de mulas, de gado, de mercadorias nos legaram. Tal assunto (tropeirismo), com justiça, é o tema oficial das comemorações farroupilhas de 2018. Dois mestres nesta prosa, conhecedores, descendentes de tropeiros, com quem muito estamos aprendendo são o Valter Fraga Nunes e o Marco Aurélio Angeli (Zoreia).
 
Mas tem um ciclo a quem também devemos muito de nosso progresso e que eu gostaria de ter um pouco mais de conhecimento, ou seja, o dos carreteiros. Imagino que veio alguns anos depois da era tropeira, após a abertura das estradas, da fundação de povoamentos, isto é, pegaram um belo legado deixado pelos tropeiros, embora, por algum período, tenham sido concomitantes.
 
Como somos eternos aprendizes vamos buscar as informações e trazer aos leitores um pouco da importância que foi, também, o ciclo dos carreteiros.
 
Conto com a ajuda dos amigos a apreciadores deste periódico gaudério.   



CARRETEIRO
Cléber Mércio

Nem bem desponta a barra da alvorada,
bordando de prateado os pinheirais,
bandos de gralhas gritam nas copadas,
o gado inquieto muge nos currais!
despertam carreteiros nas pousadas;
onde - talvez - não pousem nunca mais...

Eu também fui menino carreteiro
vocês não acreditam pois lhes juro!
de sol a sol perdido nos sendeiros,
muitas vezes tomando mate puro
tendo de dia...a luz do mundo inteiro
tendo de noite...a imensidão do escuro!

De pés no chão, bombachas remendadas,
facão no cinto, porongo na mão,
a palha, o fumo, chaleira queimada
o charque, a trempe, brasas de tição;
solução o carreteiro, uma toada;
gemendo de saudade o coração.

Teu vulto, carreteiro, é conhecido,
teu nome, carreteiro é venerado
teus causos carreteiro! repetidos,
na glorificação do teu passado;
em torno do braseiro, reunidos,
rodeio que o minuano tem parado.

Carreteiro Herói da minha terra!
Bandeirante do pampa estremecido,
abrindo estradas nos campos e serras,
tornaste o teu Rio Grande conhecido
Trabalhador na paz, fiel na guerra,
este rincão te canta agradecido!

Noites de inverno...a imensidão deitada
o gado inquieto muge nos currais...
geme o urutau sentando nas ramadas,
e soluça a juriti nos taquarais!
Despertam carreteiros nas pousadas,
onde talvez - não pousem nunca mais!





E ASSIM CAMINHA A TRADIÇÃO



Será que sem as pesquisas e os repasses de informações de Paixão Côrtes e Barbosa Lessa o nosso  tradicionalismo, o apego a terra sulina e o amor a cultura gaúcha seriam hoje o que são?



O meu cabo de vassoura
é o meu pingo altaneiro.
Quando monto meu cavalo
faço o diabo no terreiro.
 
(Dimas Costa)
 
 
 
 

quinta-feira, 12 de julho de 2018

DOIS GRANDES TRADICIONALISTAS



COMPLETAM 91 ANOS NA DATA DE HOJE

PAIXÃO CÔRTES 
 
 
Nascido a 12 de julho d 1927, em Sant’Ana do Livramento, RS, João Carlos D'Ávila Paixão Côrtes é a figura mais identificada com as tradições do Rio Grande do Sul. Aliás, a tradição e Paixão se confundem, se mesclam, tem uma só personalidade. Paixão, ao lado de Luis Carlos Barbosa Lessa, é considerado o maior folclorista que este terra de São Pedro viu crescer. É precursor de todo este movimento que visa cultuar nossas raízes, pois fez parte do Piquete da Tradição, também chamado do Grupo dos Oito que, em 1947, de acavalo e pilchados a moda gaúcha, acompanharam os restos mortais do General Farrapo David Canabarro pelas ruas de Porto Alegre e, no mesmo ano, criaram a primeira Ronda Crioula, precursora da Semana Farroupilha de hoje, sendo, esses fatos, a fonte inspiradora de tudo o que se percebe agora em se tratando de tradicionalismo.  
 
Paixão Côrtes tem suas origens ligadas á vida pastoril e iniciou muito cedo suas pesquisas folclóricas. No transcorrer dos tempos se viu obrigado a comprar sua própria aparelhagem (gravador, filmadora, máquina fotográfica, etc..) para registrar a cultura popular gauchesca. Deste trabalho resultou um acervo de milhares de slides, centenas de fitas e vídeos, enfim, um arquivo histórico sobre os usos e costumes do povo gaúcho.
 
Sua bibliografia é riquíssima e de suma importância e vai de posar como modelo para o artista Antônio Caringi esculpir a estátua do Laçador até dezenas de livros e discos que serviram de base para os primeiros passos para as centenas de invernadas artísticas por este mundo afora. Impressionantemente seu trabalho, hoje, é pouco considerado pelos "doutos" da tradição.
 
No ano de 1999, quando éramos proprietários do Jornal Boca da Serra, um periódico mensal voltado para a cultura gaúcha, entrevistamos Paixão Côrtes. Notem que suas respostas servem como uma luva para os dias de hoje, 19 anos após.


Boca da Serra – Depois de Paixão Côrtes, poucos ativistas dedicaram-se a pesquisar nosso folclore. Por que são poucos os interessados nesta área? Não há mais nada o que pesquisar?

Paixão Côrtes – Bem. Eu acho é que as pessoas estão mais preocupadas é em festar do que fundamentar. Estão mais voltados para a recreação e o lazer antes de procurar as raízes que deram origem a esses momentos literários, sociais e culturais. Mas eu acho que ainda há muita coisa para se pesquisar. Existem muitas manifestações que estão aí a espera de pessoas preocupadas em revitalizar essas fontes.

Só como informação: em 1950 eu pesquisei a dança jardineira, em Vacaria. Quarenta e quatro anos depois eu vim encontrá-la aqui, em Santo Antônio da Patrulha. Esperei 44 anos para que realmente reconstituíssem com toda a fidelidade. Seria muito mais fácil se eu não tivesse essa preocupação de veracidade e do respeito ás fontes originais como muita gente, irresponsavelmente, anda fazendo por aí. Minha preocupação é essa: reconstituir fielmente para que as novas gerações sejam portadoras da verdadeira raiz nativa riograndense.

Boca da Serra – Sendo o maior estudioso do assunto, como o senhor vê as danças de invernadas artísticas de hoje?

Paixão Côrtes – O que eu acho é o seguinte: as pessoas, as vezes, tem dificuldade de interpretar o que a gente escreve por que não conhecem português. Então, para essas pessoas, torna-se difícil entender o que a gente escreve traduzindo expressões artísticas, coreógrafas, musicais e de vestuário. Como as pessoas acham mais fácil olhar e acrescentar sua opinião pessoal, o que nós estamos vendo aí é uma verdadeira fantasia de vestuário e uma deturpação de temas originais que eu encontrei. Não quero dizer que as danças que eu investiguei sejam as únicas, mas estas, até que me provem o contrário, são as primitivas, as originais.

Hoje é muito comum a modificação, a estilização, a deturpação em razão da falta de documentos da época.

Boca da Serra – Nosso povo gosta muito de prestar homenagens “in memorian”. Que homenagem o senhor gostaria de receber em vida?

Paixão Côrtes – Eu estou recebendo todas as homenagens de pessoas sinceras que comungam com o espírito que me levou a criar, em 1947 o início do movimento tradicionalista através do Departamento de Comunicações do Colégio Júlio de Castilhos e, consequentemente o 35 CTG, que sou um dos fundadores.

A todo o momento eu me reencontro com as novas gerações e isto é um júbilo que a gente carrega pois já com 72 anos mas perfeitamente lúcido e me sentindo espiritualmente jovem, bastante jovem, porque estou dando muitos cursos e dançando continuadamente. Ensino setenta e tantas danças a cada curso que dou, a cada exposição coreográfica que faço aos mirins, juvenis, adultos e o reencontro com xirus veteranos, são momentos de homenagens perenes.

Isto sempre pensei em minha vida: o rever amigos são momentos de glórias, assim como a glória está na preservação original de nossos estudos, no reconhecimento destes trabalhos por parte das novas gerações e na causa maior que é o bem estar de todos nós.
 
estátua de Paixão Côrtes na entrada de Santana do Livramento

ZENO DIAS CHAVES
 
 
Zeno Dias Chaves nasceu no mesmo dia, mês e ano que Paixão Cortes (12/07/1927), mas não param por ai as coincidências, seguiram a mesma trilha, da manutenção das tradições gaúchas. Zeno e Paixão Cortes muito cedo formaram uma grande amizade, ocorrendo o mesmo em relação a Barbosa Lessa.
 
Aos 89 anos, nascido na Fazenda Cerro Colorado, distrito de Seival, interior do município de Caçapava do Sul, Zeno Dias Chaves é casado com Isaura Ferreira Chaves, com quem teve três filhos, depois vieram os sete netos, e os três bisnetos.
 
Iniciou as atividades em 1949, no primeiro encontro com os ex-colegas Antônio Candido Silva Neto, Luiz Carlos Correa da Silva, Robis Pinto, entre outros. Este encontro ocorreu na esquina das Ruas da Praia com Borges de Medeiros, tendo ali a informação do que Paixão Cortes e Barbosa Lessa estavam fazendo. Deste encontro em diante não parou mais.
 
Em Caçapava do Sul, é sócio fundador do CTG Sentinela dos Cerros, onde foi patrão, diretor cultural e artístico e membro de outras patronagens por várias vezes. Sócio fundador e benemérito do CTG Clareira da Mata, CTG Sentinela do Forte, CTG Heróis do Seival, PL Guarda Velha, PL Os Maragatos, CTG Pampa e Querência e também sócio fundador do CTG Família Nativista. Participou da criação de departamentos tradicionalistas em 11 (onze) colégios do município de Caçapava do Sul, ainda, por várias vezes faz palestra nos colégios sobre história.
 
Em 1977 foi eleito para o Conselho Diretor do MTG, onde permaneceu por 10 anos, intercalando para ser Coordenador Regional da 18ª RT em 1980/1981. De 1987 a 1989 foi Presidente do MTG e Fundação Cultural Gaúcha, neste período, destaca as seguintes criações:
1 - Criação do Departamento Jovem;
2 - Criação da Festa Campeira do Rio Grande do Sul;
3 - Criação de um departamento cultural, atuante;
4 - Agilizou a criação da CBTG, onde foi o 1 ° Vice-Presidente.
 
Criada a CBTG foi escolhido doze patronos, 3 (três) de cada Estado, Santa Catarina, Paraná, São Paulo e Rio Grande do Sul, neste, Zeno Dias Chaves foi escolhido juntamente com José Theodoro Belaguarda de Menezes e Nei Zardo.
 
Em 1990 ficou mais um ano no Conselho Diretor, após foi passou a Conselheiro Vaqueano e Benemérito do MTG. Ainda, neste mesmo ano, foi Patrono da 18ª RT.
 
Recebeu as Comendas:
"Negrinho do Pastoreio" - Governo do Estado do Rio Grande do Sul;
"Medalha Barbosa Lessa" - MTG;
“Bento Gonçalves” e “Charrua” - Caçapava
 
Participou de 33 (trinta e três) dos 64 (sessenta e quatro) Congressos Tradicionalistas Gaúchos realizados.
De 4 Congressos Tradicionalistas Brasileiros:
De 5 Congressos Tradicionalistas Internacionais presidindo, ainda, o 3º
De 20 (vinte) Convenções Tradicionalistas. Participou em 18 cavalgadas, conduzindo a Chama Crioula pelo Rio Grande.
 
Chaves também foi patrono da 10ª Feira do Livro de Caçapava do Sul, em 2000, tem dois livros editados e mais oito a serem publicados. Ministrou cursos sobre História e Tradição para alunos de escolas públicas e continua fazendo palestras. Gravou vários seriados e documentários para a TV Globo, RBS, Canal Futura, TV Pampa, Record e TVE, falando sobre a história do Rio Grande do Sul, seus usos e costumes. Foi criador e hoje presidente a Comissão do Projeto do Rio Camaquã e sua história, que envolve 14 municípios da região.
 


 
 
 
 

quarta-feira, 11 de julho de 2018

A VIAGEM DE SAINT - HILAIRE AO RS - 8



Resumo 8 - Viagem ao Rio Grande do Sul - Por: Jeandro Garcia
Novembro de 1820 - Auguste de Saint-Hilaire

Costumes militares - Xuí - Uruguai – Plantio e colheita – Cachorro Chimarrão - Cavalos selvagens

 



Em geral os homens desta província são muito corajosos, contam diversos feitos, nunca deserdam por covardia, apenas por ficarem inativos. Deixam sem pena alguma casa e família, mas após a vitória retornam.

Aqui na Estância do Xuí tem sido bem tratado, o proprietário está ausente mas sua esposa faz as honras da casa, todas as senhoras que conheceu na província tem lhe tratado com gentileza, com certeza possuem mais bom senso que seus maridos.

A dona da casa lhe apresentou tecidos feitos em casa muito fortes, sendo os de lá mais grosseiros e destinados às roupas dos negros. De costume pela região é emprestar cavalos e dar alimentos aos viajantes.

No Uruguai chega a localidade de Santa Teresa, e conhece o forte de mesmo nome. Já em parte destruído por portugueses e espanhóis mas ainda sendo utilizado em partes, já que suas muralhas continuam de pé.

Aqui planta-se trigo, depois de colhido é jogado em um curral, os burros correm em círculos para soltar os grãos, um sistema muito precário. O camponês pobre não cava fossos em volta da lavoura, o que o leva a cuidar noite e dia da invasão de animais, pensa que seria mais fácil cavarem pouco a pouco.

Conhece o cachorro chimarrão, cães selvagens soltos ao campo, com traços de fila e galgos. Cada vez mais raros pois são exterminados pelos fazendeiros, já que devoram rebanhos.

Locais onde há cavalos selvagens toma-se muito cuidado com os domados, pois tedem a fugir com estes bandos. Cercados em formato de parabólica são utilizados para caçar estes cavalos selvagens. Na viagem de carroça com o governador seis cavalos a puxavam, e dois cavaleiros ajudavam a empurrar com cordas de couro presas a sela e nas laterais.
 
 
 
 
 
 

A VIAGEM DE SAINT- HILAIRE AO RS - 9



Resumo 9 - Viagem ao Rio Grande do Sul - Por: Jeandro Garcia 
Novembro de 1820 - Auguste de Saint-Hilaire

Indumentária - Lida do gado – Estilos de vida - Definição do Gaúcho
 


O traje do homem aqui é o chiripá (saiote), calças largas de algodão onde a extremidade de cada perna termina em franjas, um pouco melhor vestidos que os camponeses franceses, mas as mulheres vestem-se como damas.

Entre os portugueses do Rio Grande são estes que fazem as honras das casas, mas tem visto aqui ser o contrário e certamente neste local detestam seus vizinhos portugueses.

Haviam muitas pessoas na casa de um agricultor, galopavam atrás das reses para serem marcadas. Um laçava os chifres e outro as pernas para cair e com ferro em brasa eram marcadas no couro.

O homens da lida, que não são proprietários de nada, se possuem chiripá e poncho já estão satisfeitos, gastam todo resto em bebida e jogos. Julgam ter feito muito pelos filhos quando lhes dá um par de calças e uma camisa. Crianças logo que aprendem a andar aprendem a jogar e beber, abandonando o hábito somente quando deixam de existir.

Os estrangeiros prosperavam muito, chegavam pedindo esmolas e logo estavam com escravos, casa e mercadorias. A guerra empobreceu a região, mas continuando a paz logo irá prosperar. Mas estes não passam os valores aos seus filhos, que aprendem o que há de ruim com os locais e dilapidam a fortuna do pai.

Garruchos ou gaúchos são nomes dados pelos portugueses a mestiços sem moral ou religião, sob a bandeira da revolta praticavam a pilhagem de gado, mas agiam por conta própria para vender o gado e gastar com jogos. Bradavam "Viva lá pátria!", sendo marcado como o " tempo da pátria", este período de guerra.

Era uma terra muito rica, muitos vieram de regiões como Chile e Paraguai para viver na ociosidade, de estância em estância, pouco trabalhavam, uma vaca custava 1 pataca, pois havia muita abundância, agora já custam 50. Com a insurreição muitos destes se juntaram a Artigas e começaram a roubar os agricultores, por vezes matavam apenas retirar a língua ou uma tira de couro, e assim exterminaram grande quantidade destes animais.

Muitos destes desapareceram, foram mortos, aprisionados ou seguiram Artigas. Deixando os estancieiros muito menos ricos, já não podendo mais também manter qualquer um em sua propriedade.

De Castilhos pra cá a comida é servida em uma travessa de carne e cada um come como pode, sem talheres.

 
 
 

terça-feira, 10 de julho de 2018

NOSSA SENHORA GAÚCHA DO MATE


Hoje, 10 de Julho é dia da Nossa Senhora Gaúcha do Mate.




A devoção à Nossa Senhora Gaúcha do Mate não teve origem em nenhum milagre proclamado. Ela surgiu para cristalizar o amor pelo mate. Um ritual em que se expressa o símbolo da amizade e da família, do encontro e da partilha e que fortalece e cria novos vínculos entre irmão e amigos.

A invocação à santa é quase tão antiga quanto este ritual. Por isto um grupo de leigos e os padres salesianos da província argentina de Missões, liderados pelo sacerdote Domingos Lancelotti, encabeçaram um movimento junto à Santa Sé a fim de obter o reconhecimento à essa nova devoção mariana. João Paulo II, fervoroso devoto da Virgem, visitou oficialmente a Argentina em 1982 e 1987. Nas duas ocasiões foi fotografado tomando mate e presenteado com muitos mates e cuias para aprecia-lo. 

Também recebeu importantes testemunhos favoráveis à devoção de Nossa Senhora Gaúcha do Mate como evangelizadora e reflexo da cultura deste pedaço da América.

Assim, no dia primeiro de maio de 1993, o Núncio Apostólico Argentino recebeu um documento escrito e assinado pelo Papa João Paulo II, onde se lê: “De todo coração outorgamos a implorada benção apostólica, sob os auspícios de Nossa Senhora Gaúcha do Mate.”

Então, o dia 10 de Julho torna-se o dia de Nossa Senhora Gaúcha do Mate, agora oficialmente portadora dos desejos de unidade, fraternidade, amizade e encontro entre os homens.

Gaúcha é uma palavra que significa pessoa nobre e generosa, usado para identificar os povos originários das planícies dos Pampas do sul da América do Sul. Mate é uma infusão obtida com as folhas da planta "ilex paraguayensis", amplamente consumida pelas famílias da Argentina, Paraguai, Uruguai, Bolívia, Chile e do sul do Brasil. Cada localidade tem sua particularidade na hora do preparo e consumo. Neste ritual, a exemplo do chá, se expressa o símbolo da família, amizade, encontro e partilha, entre irmãos e amigos, que fortalece e cria novos vínculos. É uma celebração plena de conteúdo humano, cristão e muito regional. 
 
 
 

BELA INICIATIVA, PAULLO COSTA !


 
Meu fraterno amigo e excelente intérprete Paullo Costa, que a recém lançou um belo CD (isto será assunto para uma próxima matéria), com sua sensibilidade e fraternidade sempre aflorando nos brinda com esta verdadeira seleção de artistas regionais com o intuito de arrecadar fundos para o Asilo Padre Cacique que, como todos sabem, precisa de muita ajuda e solidariedade. Vamos lá. minha gente, assistir um belo espetáculo musical e darmos nossa contribuição.  
 
 
 
 

OFICINA "O FAZER POÉTICO"


COM PAULO DE FREITAS MENDONÇA

 
 
 

segunda-feira, 9 de julho de 2018

MÚSICA, GASTRONOMIA E TURISMO


na estreia do programa “De Campo e Alma”
 
 

“De Campo e Alma” é o programa gaúcho da Record News em nível nacional que estreou neste domingo, dia 8 de julho, com inúmeras atrações. Os apresentadores Fábio de Oliveira e Liliana Cardoso pegaram a estrada e foram até Santo Antônio da Patrulha, a terra do sonho, da cachaça e da rapadura, onde receberam os convidados.
 
No programa deste domingo foi apresentado o Estribo Hotel Estância, a casa da Família Orso, que mostrou toda beleza e encanto da vida no campo. O grupo Tchê Guri também esteve por lá apresentando seus principais sucessos. E teve até parilla com o Chefe Maurício.
 
O programa “De Campo e Alma” será exibido em nível nacional, a partir das 8h de todos os domingos, apresentando a cultura, gastronomia, turismo e boa música gaúcha.
 
 
SERVIÇO
O que: Programa De Campo e Alma
Quando: Todos os domingos 
Onde: Rede Record News
Horário: 8h
Periodicidade: Semanal, 
 
Sandra Veroneze