"TEU PRESTÍGIO É PROPORCIONAL A TUA CONDUTA"

Léo Ribeiro


POESIA DA SEMANA


O NADA
(Rodrigo Bauer)

O nada singra no sem fim das horas,
está no copo de quem já bebeu
ficou na estrada de quem foi embora
e veste as roupas de quem já morreu.

Habita as sombras, num lugar incerto
e após a chuva vai virar estio,
o nada é um pássaro de céus desertos
fazendo ninhos pra viver vazio!




RETRATO DA SEMANA

RETRATO DA SEMANA
Autor: Aldo Chiappe

COMEÇANDO A LIDA BLOGUEIRA COM:

quinta-feira, 27 de fevereiro de 2020

REPONTANDO DATAS / 27 DE FEVEREIRO




No dia 27 de fevereiro de 2011 faleceu o poeta Zeno Cardoso Nunes. Zeno nasceu em 15 de agosto de 1917 sendo natural de São Francisco de Paula e foi, por duas gestões, presidente da Estância da Poesia Crioula. Ocupava a cadeira 27 da Academia Rio-Grandense de Letras. Autor de diversos livros, escreveu, juntamente com seu mano Rui Cardoso Nunes, o Dicionário de Regionalismos do Rio Grande do Sul, um dos livros gauchescos mais vendidos de nossa terra. Destacava-se, entre centenas de belíssimos poemas de sua marca, o conhecidíssimo Briga de Touros: ...Dentre aquela sentida orquestração / destacou-se um mugido forte e grosso / que reboou plangente no rincão: / Era o berro do touro brasileiro/lamentando o destino do estrangeiro / que quisera ser dono do seu chão.

Tive o prazer de dividir uma obra intitulada Três Poetas Serranos com os manos Rui e Zeno e posso testemunhar o brilhantismo poético e humano que acompanhavam estes dois escritores. Zeno Cardoso Nunes estava com 93 anos de idade.



No dia 27 de fevereiro, do ano de 1844, ocorreu o famoso Duelo Farroupilha entre Bento Gonçalves e seu primo Onofre Pires. O embate aconteceu após Onofre confirmar, por carta, diversas injúrias que vinha fazendo publicamente a Bento. O encontro para tirar as diferenças aconteceu as margens do Arroio Sarandi (em Santana do Livramento) sem a presença de testemunhas. Bento, 10 anos  mais velho mas excelente espadachim, fere Onofre no ombro e na mão mas não leva a cabo o duelo e com seu próprio lenço faz um torniquete em Onofre e volta a cidade. Dias depois o Coronel Onofre Pires morre de gangrena oriunda dos ferimentos.
 
Pinheiro Machado (sentado ao centro, de chapéu branco)
com seu estado-maior maragato / Revolução Federalista

Também num dia 27 de fevereiro, mas no ano de 1894, ou seja, meio século depois do Duelo Farroupilha, os Maragatos vencem os Pica-paus no Combate de Tarumã na cidade de Passo Fundo, na Revolução Federalista. Tal revolução teve como  causa a instabilidade política gerada pelos federalistas, que pretendiam "libertar o Rio Grande do Sul da tirania de Júlio de Castilhos", então presidente do Estado e também conquistar uma maior autonomia descentralizando o poder da então recém proclamada República empenhando-se em disputas sangrentas que acabaram por desencadear uma guerra civil, que durou de fevereiro de 1893 a agosto de 1895, e que foi vencida pelos pica-paus, seguidores de Júlio de Castilhos.


 

À MODA URUGUAIA



O ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, sugeriu durante coletiva de imprensa nesta quarta-feira (26) que os gaúchos "deem um tempo na roda de chimarrão". A sinalização ocorreu após a confirmação do primeiro caso de coronavírus no Brasil, também na coletiva.
O motivo da recomendação é que a doença é transmitida a partir de gotículas que saem da boca das pessoas contaminadas. Como tradicionalmente as pessoas compartilham o chimarrão e as gotículas podem ficar na bomba da bebida, a ocasião se torna propícia para a transmissão do coronavírus e outras infecções respiratórias.
A infectologista Lessandra Michelin, diretora da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI), lembra que não apenas a roda de chimarrão pode ser um fator de transmissão de vírus: tomar caipirinha no mesmo copo ou beber água de coco compartilhando canudo também entram nessa lista.
 — Não é só o chimarrão. É o mesmo risco de quem foi para o Carnaval e beijou muito. Se deve parar? O mais importante é estar consciente de que esse hábito pode ser arriscado em uma época de risco. Isso acontece com qualquer compartilhamento — justifica.
Mandetta fez a mesma orientação em relação ao tereré, bebida consumida tradicionalmente em Estados como o Mato Grosso do Sul, o Mato Grosso e o Paraná. O tereré também envolve infusão de erva-mate e uso de bomba para a sucção, mas é bebido frio.
O caso confirmado na doença no Brasil foi registrado em um homem de 61 anos, morador de São Paulo, que esteve na Itália entre 9 e 21 de  fevereiro. O paciente começou a apresentar sintomas no domingo (23) e procurou atendimento médico na segunda-feira (24), dia em que o governo federal incluiu o país europeu na lista de locais de origem de pessoas com potencial para estarem infectadas. Há outros 20 casos suspeitos no país.
NOTA DO BLOG
Observem que o ministro aconselhou evitar a "roda" de chimarrão e não o chimarrão individual. Portanto, meus amigos, vamos aderir a moda dos hermanos uruguaios (ou do meu amigo Sérgio Gaudério, lá de São Chico). Cada qual com sua cuia de mate.
 
 
 
 

IDENTIDADE GAÚCHA


 
Foi ao ar, no dia de hoje, a última edição do programa Identidade Gaúcha, um matutino de real valor na busca do resgate e da preservação de nosso cultura gaúcha.
 
Tive a honra de fazer parte da história deste periódico radiofônico com o quadro Repontando Datas aonde trazia aos ouvintes de todo o Brasil os acontecidos culturais de maior destaque naquele dia. Na verdade eram 15 vozes diferentes, de toda a parte do Rio Grande, Brasil e exterior compondo a grade. A todos os amigos que reculutei através das "ondas do rádio" vai o meu beijo no coração.
 
Eu acredito que o Identidade Gaúcha retornará brevemente pois um programa deste nível, que alavanca audiência de qualquer emissora, com apresentadores que entendem do riscado (meus afilhados Liliane Pappen e Rogério Bastos), recheado de entrevistas, notícias, músicas, debates, tudo na dose certa não ficará no ostracismo por muito tempo.
 
Então, até breve.  

Rogério Bastos e Liliane Pappen
 
 
 

quarta-feira, 26 de fevereiro de 2020

ORIGEM DA QUARTA-FEIRA DE CINZAS






A quarta-feira de cinzas é o primeiro dia da Quaresma no calendário cristão ocidental. As cinzas que os cristãos católicos recebem neste dia é um símbolo para a reflexão sobre o dever da conversão, da mudança de vida, recordando a passageira, transitória, efêmera fragilidade da vida humana, sujeita à morte.
 
Ela ocorre quarenta dias antes da Páscoa sem contar os domingos (que não são incluídos na Quaresma) ou quarenta e seis dias contando os domingos. Seu posicionamento varia a cada ano, dependendo da data da Páscoa. A data pode variar do começo de fevereiro até à segunda semana de março.
 
Alguns cristãos tratam a quarta-feira de cinzas como um dia para se lembrar da própria mortalidade. Tradicionalmente, missas são realizadas nesse dia, nas quais os participantes são abençoados com cinzas pelo padre que preside à cerimônia. O sacerdote marca a testa de cada celebrante com cinzas, ficando uma marca que o cristão normalmente deixa até o pôr do sol, antes de lavá-la. Esse simbolismo relembra a antiga tradição do Médio Oriente de jogar cinzas sobre a cabeça como sinal de arrependimento perante Deus (como relatado diversas vezes na Bíblia).
 
No Catolicismo Romano, a quarta-feira de cinzas é um dia de jejum e abstinência. Como é o primeiro dia da Quaresma, ele ocorre um dia após o carnaval. A Igreja Ortodoxa não observa a quarta-feira de cinzas, começando a quaresma já na segunda-feira anterior a ela.
 
 
 

terça-feira, 25 de fevereiro de 2020

CURIOSIDADES



Essas três camadas de telhas, respectivamente de cima para baixo, chamam-se de Eira, Beira e Tribeira. Antigamente, quem tinha às três fileiras eram os mais ricos, quem tinha duas era mais ou menos e os que possuíam apenas uma eram considerados pobres. Por isso a expressão "Sem eira nem beira" !
Fonte: Aquilas José


PAJADORES GAÚCHOS NO CHILE


Jornal Chileno destaca participação de pajadores brasileiros
 
 
Os pajadores rio-grandenses José Estivalet e Jadir Oliveira filho estiveram recentemente representando o Brasil no 26º Encuentro de Payadores, em Casablanca no Chile.
 
 

segunda-feira, 24 de fevereiro de 2020

ORIGEM DO CARNAVAL


Embora antigo, como demonstra esta fotografia de um desfile,
o carnaval no Rio Grande do Sul, por algum motivo,
nunca equiparou-se ao restante do país.  


Mistura de ritmos, cores e costumes, o Carnaval se consolidou como a maior festa popular do país. Apesar de sua origem na antiguidade europeia, no Brasil a comemoração é uma expressão da cultura afro-brasileira. Mas, afinal, qual a história do Carnaval? 
De acordo com o historiador Charles Monteiro, professor do curso de História da PUCRS, a origem da festividade remonta da Roma Antiga. “Não é fácil decidir sobre o ponto de partida das tradições, que geralmente resultam da transformação de rituais anteriores. Mas podemos considerar a Lupercália (antiga festa romana), celebrações que ocorreram na Roma Antiga em meados de fevereiro, como o início do Carnaval”, afirma.
Ainda segundo o professor, o início da festa no Brasil ocorreu durante o período colonial no século XVI, através do Entrudo. “Naquele momento, as autoridades relaxavam a vigilância e permitiam a folia, que reunia homens e mulheres das classes populares, muitos deles escravizados, mas também os libertos e os representantes de camadas médias. A festividade ocorria como forma de compensação para uma sociedade extremamente hierarquizada, rígida e autoritária baseada na escravidão e no patriarcalismo que impunham múltiplas restrições à liberdade”, conta Monteiro.
União de jogos e brincadeiras, o Entrudo marcava o período de introdução da Quaresma. Monteiro também destaca a importância do cristianismo para a consolidação da tradição carnavalesca. “Segundo o historiador Gilles Bertrand, o cristianismo desempenhou um papel importante no estabelecimento de um período de Carnaval. Por volta do ano 1000, uma temporalidade cristã começou a se impor, separando estritamente um período de prazeres da carne/do corpo e dias magros de jejum e resguardo do corpo. A época do Carnaval, portanto, flutua, porque se alinha com a festa da Páscoa e da Quaresma, fixada em quarenta dias a partir do século VIII”, ressalta.
 
 
 

domingo, 23 de fevereiro de 2020

DOMINGO - DIA DE ATIRAR UMA "TAVA"


Jogando Osso - Vasco Machado 
 

Suorte ganha, Culo perde! Regulamento e história de um dos Jogos mais antigos da humanidade. Antecedência: A peça Tava é um osso retirado do calcanhar do boi o nome desse osso é astrágalo.
Rodopiando a três metros do chão, ao ser lançada em direção à raia, a TAVA ou JOGO do OSSO desenha uma trajetória pelo tempo e pelo espaço – existem vestígios pelo menos há três séculos a.C., na Ásia, Árabes e persas já o praticavam.
A própria palavra "taba", ou "Tava", teria sua raiz etimológica no vocábulo hebreu "ka-ba". "Lab-el-kab" era denominado o jogo dos árabes. Chegou o jogo à bacia do Prata pelas mãos espanholas pelos idos de 1620, pelos colonizadores da Bacia do Prata por este motivo no Rio Grande do Sul, os termos sofreram grande influencia da língua castelhana em sua terminologia tais como: "userte", "culo", "clavada" e "gueso".
Ademais, a história gaúcha do Jogo do Osso, confunde-se no início, com a história platina e a conquista dos Sete Povos, em 1801. A Região do Prata (Brasil, Uruguai e Argentina) uma espécie de terra de ninguém em permanente disputa de posse entre Espanha e Portugal. Milicianos e aventureiros, mestiços e gaudérios, não conheciam outras fronteiras senão aquelas onde abundavam o boi e o cavalo os costumes eram comuns entre todos e a cor da bandeira trocava conforme os interesses e ambição pessoal - o churrasco, o chimarrão, a doma dos potros, o estilo de montar, o abater e carnear o boi era comum a toda a região pampeana e natural, portanto, que nessa identidade ampla de usos e costumes, os jogos de recreio como a cancha-reta e a Tava fossem comuns a todos nesta nação platina.
Assim o Jogo do Osso, Tava se enraizou na cultura e nos costumes do gaúcho.
     A TAVA
Instrumento com que se pratica o jogo do osso -, também chamada "taba", "osso" ou "garrão", provém do astrálago, osso do jarrete do animal vacum. A norma, para conseguimento de uma boa TAVA é, logo após sua extração do jarrete do animal abatido, enterrá-la por cerca de dois a três meses em terreno nem muito seco, nem muito úmido - processo a que se chama "curar o osso". É comum, igualmente, colocar o astrálago na boca de um formigueiro de campo, provando um processo de inteira limpeza por parte das formigas.
     Posições da TAVA no solo
Após o arremesso a TAVA pode estabilizar-se em pelo menos OITO posições, cada uma delas com seu nome:
SUERTE ou SORTE - parte ganhadora para cima, é quando a parte que possui o enfeite, corte, algumas são torneadas em ouro ou bronze, nas mais simples geralmente a cabeça dos grampos ou rebite são destacados, mas todas tem uma característica a Suerte possui a ponta menor e em formato de “S”. Quando ela cai chapada ao solo chamam também de “Sorte Corrida”.
CULO - parte ganhadora para baixo, é a parte da base da Tava, o lado mais reto e possui uma pequena lamina em uma das pontas que se ressalta na peça que ferra o osso. Algumas Tavas no lado do “Culo” são feitas de ferro escuro e adquirem a cor preta no lado escuro da sorte. Quando ela cai chapada ao solo chamam de “Culo Corrido”, também.
CLAVADA - quando a saliência, uma das pontas ficam cravadas(clavar), enterra-se no chão, qualquer das pontas enterradas deixam a Tava na diagonal. Uma das pontas enterrada deixa a Tava inclinada cravada ao solo.
"SUERTE CLAVADA" quando a parte da Suerte, fica para cima com ela cravada. É a o tiro-rei das canchas do jogo do osso. Tanto faz o ângulo do declive, 90º ou 270º, direita ou esquerda.
CULO CLAVADO - quando a parte do Culo, fica para cima com a Tava cravada. Tanto faz o ângulo do declive, 90º ou 270º, direita ou esquerda.
GUESO ou OSSO - posição que não é nem "suerte" nem "culo", com qualquer dos lados não ferrados para cima.
"31" - "TOURO" ou “OSSO” - variação do gueso com a Tava exatamente na vertical.
Parada – é cada disputa, cada aposta.
     Espécies de arremessos
Os arremessos exigem manejo especial da Tava, com posições de saída e métodos de lançamentos quase inflexíveis. Todo bom jogador precisa conhecer os vários métodos, que podem ser volta-e-meia (Tava dá uma volta e meia no ar), duas-e-meia, duas voltas, três voltas e o carreteiro (lançamento da Tava sem manejo especial, nem preocupação com número de voltas ou giros - dá se esta denominação por lembrar a sua anti-técnica o ato de lançarem os carreteiros um osso de fervido, ou costela já pelada da carne, ao guaipeca que normalmente acompanham-os nas carretadas pelo pago).
     Coimeiro
Pessoa encarregada pelo movimento. É quem vende e troca às fichas, o que cobra a "coima", percentagem fixa sobre as paradas pagas. É a versão acrioulada do "croupier" internacional dos cassinos.
     Dinâmica do jogo
Não há regras escritas sobre o jogo do osso, mas existem normas gerais a serem respeitadas através da tradição oral.
O que é: jogo entre equipes em que o objetivo é marcar a maior pontuação ao arremessar a tava, que é o osso do garrão do boi com chapas de bronze e ferro.
Equipes: 3 ou 4 pessoas (em caso de 4, a menor pontuação é descartada). É possível jogar sozinho e concorrer apenas na pontuação individual.
Onde jogar:
Cancha com o mínimo de 7m e máximo de 9m (entre os picadores). Nela, é marcado o “picador”, um espaço com terra molhada ou argila de no mínimo 2m e máximo 3m de comprimento por 2m de largura em cada raia. Dentro dele deve ser delimitada a bacia (50cm x 50cm).
O jogo começa quando o coimeiro "grita banca", já com a cancha preparada, o par de Tavas e as fichas à sua frente. Geralmente é quem estipula o valor das primeiras paradas: "Duzentos mil réis é a banca! Quem se habilita?”.
Apresenta-se um jogador que compra as fichas, escolhe a Tava de sua preferência e encaminha-se para uma cabeceira. Apresentando-se o oponente que compra fichas e depositam na mão do coimeiro o valor da parada que anuncia "Está copada a parada! Vale jogo!”.
Atira o que levantou a primeira Tava. Imediatamente, da outra cabeceira, o oponente. Teve início o jogo.
O coimeiro só paga a parada para o jogador que somar dois lances positivos:
duas "suertes" do mesmo jogador, contra nenhuma do oponente
uma "suerte" somada a um "culo" do oponente
dois "culos" do oponente contra dois "güesos" do favorecido.
Acontecendo "suerte" contra "suerte", "culo" contra "culo", ocorre empate que é chamado de "senão". Não é raro a parada decidir-se depois de vários tiros, pela ocorrência de "senões" seguidos.
Os atiradores só ganham a parada quando favorecidos por dois lances, mas no "jogo de fora", a questão se decide a cada lance. Joga-se de fora (do jogo, da cancha) a favor ou contra o tiro de quem arremessa.
Ao pagar a parada ao atirador vencedor, o coimeiro já desconta a coima (comissão).
Quando um dos atiradores desiste do jogo, deixando a Tava na cabeceira, qualquer assistente pode "copar a parada", "apertando a Tava", qe é o atao de colocar o pé em cima, ao mesmo que anuncia: "Copei a parada!".
Quando um dos jogadores, durante o jogo, resolve trocar de Tava, o coimeiro anuncia "Cambiou de Tava".
Desviada a Tava de seu curso por qualquer acidente natural, seja uma pedra próxima, uma raiz, galho seco, o tiro não perde validade. São casos que acontecem com alguma frequência nos tiros de "carreteiro", quando a Tava rola sem direção determinada.
Fato interessante, quando a gauchada se reunia para lançar a Tava, uns limpavam a cancha e outros caso não tivesse água, cavavam um buraco e migavam para fazer o barro que acolhe o tiro da Tava. Isso de nada incomodava os participantes.
Sempre se formava um bolicho em algum canto aparecia uma barraca, a bebida para gelar, o gelo guardado em buracos forrados com serragem ou em riachos para gelar. Uns traziam em uma tábua com um couro sobre os ombros como uma bandeja pastel de carreira, massa com carne e ovo frita em banha.
     Trampas
Significa má fé, engodo, artifícios para favorecer uma das partes ou, o mais usual, o próprio coimeiro. Entre as antigas formas citam-se:
CARGAR A TAVA - colocar uma esfera de chumbo ou de ferro no interior do osso que tendia a estabilizar-se no terreno em posição, quase sempre, de "suerte" ou somente de "culo".
BARRO - Colocar sob o "barro", a cerca de meio palmo de profundidade, um pelego com lã para cima, com o que, segundo os aficionados, era quase impossível conseguir-se uma "suerte" clavada. O pelego enterrado conferia ao "barro" certa elasticidade, fazendo a TAVA saltar bem mais que o normal.
     Expressões
Alarula, tia Carula, china e ficha não se adula!
Dito por quem recolhe as fichas, por haver apostado no tiro que deu "suerte". Há conotação machista no refrão
Cospe no buraco
Crença de que cuspindo-se na TAVA do contrário o azar o perseguirá.
É macho, alumiou pra baixo!
Expressão usada por quem jogou contra o tiro e a TAVA se estabiliza na posição perdedora de "culo". O "alumiou para baixo" quer significar que a face mais brilhante da TAVA (a da "sorte", recoberta de bronze) ficou chapada contra o terreno.
Jogador não tem vergonha"
Expressão usada no momento em que os ganhadores levantam do chão as fichas ou o dinheiro apostado na parada - jogador não tem vergonha por entregar-se ao vício do jogo.
Louca também se casa!
Saudação a um lançamento mal feito, especialmente o "carreteiro", que resulte numa "suerte".
Mão fria não bota suerte!
É preciso aquentar o corpo e as mãos para lançar-se a TAVA com habilidade.
Não é só butiá que dá em cacho!
Quando um atirador repete várias "suertes" 

Jogo do Osso - Bendito aquele que estuda porque estudar é importante, embora o ignorante tem sempre um santo que ajuda, por isso não encabulo - que a TAVA que bota CULO é a mesma que bota sorte! Jayme Caetano Braun.

Fonte: Site Portal das Missões

 


sábado, 22 de fevereiro de 2020

REPONTANDO DATAS / 22 DE FEVEREIRO


Num dia 22 de fevereiro, do ano de 1845, David Canabarro promove uma reunião do Conselho dos Generais Farroupilhas, em Ponche Verde, Dom Pedrito, para tratar do prosseguimento ou não da Guerra dos Farrapos quando se resolve pelo fim da contenda.

Também num dia 22 de fevereiro, do ano de 1904, nascia em Quarai o grande Poeta Juca Ruivo e neste dia, no ano de 1983, morria, em Porto Alegre, o também poeta Pery de Castro, fundador e Presidente da Estância da Poesia Crioula.

Outro poeta falecido neste dia e mês, no ano de 1959,  foi Aureliano de Figueiredo Pinto, indiscutivelmente, um dos maiores vates nativistas de nossa terra, de todos os tempos.

Com seu vigoroso regionalismo, o nosso idioma, longe de empobrecer-se, adquiriu novas e cintilantes riquezas. Seus poemas, nascidos das vivências campeiras, com invernos, tropeadas, rondas, noites longas, chimarrão, e outros temas rudes e belos. São sempre, impregnados de comovente humanismo e iluminados pelo sol de sua fulgurante cultura.

A divulgação de seus versos magistrais é, pois, exigência imperiosa de todos os que cultuam as letras pampeanas e que amam nossa Querência.

Nada, nos seus versos, do apenas fácil e pitoresco que caracteriza uma boa parte de poesia gauchesca. A poesia de Aureliano Figueiredo Pinto, profundamente ligada a terra, tem uma extraordinária densidade humana, assumindo sua temática, em muitos passos, o sentido de um canto geral que transcende o mero regionalismo. Poucos livros refletem com mais autenticidade o homem e a paisagem do Rio Grande do que estes “Romances de Estância e Querência”.

Aureliano de Figueiredo Pinto nasceu em 1º de agosto de 1898, na fazenda São Domingos, município de Tupanciretã, filho de Domingos José Pinto e de Marfisa Figueiredo Pinto. Exerceu o ofício de médico, mas por essência foi poeta e escritor.

O processo de alfabetização inicia-se em 1904 quando recebeu aulas de sua mãe, quatro anos depois no colégio Santa Maria em Santa Maria, seguiu seus estudos, de onde enviou a sua mãe seus primeiros poemas. Aureliano inicia ali seu martírio, sua ressurreição e sua glória: escrever.

Aos 17 anos, nasceu uma grande amizade com Antero Marques. Antero seria, pela vida afora companheiro, crítico e confidente a dividir aulas, pensões, ruas, e uma infinidade de cartas. Iniciam as discussões políticas, literárias e filosóficas, que os levariam a participar da Revolução de 30.

Passou a residir em Porto Alegre 3 anos mais tarde, onde prepara o vestibular para Direito, que trocaria mais tarde pela Medicina. Os poemas escritos em meio às anotações escolares antecediam sua estréia com poemas publicados no jornal Correio do Povo, com pseudônimo e nome próprio e nas revistas Kodak e A Máscara, um ano mais tarde. Amigos passam a classificar seus poemas entre as correntes simbolista e parnasiana. Entre as anotações de aula, Aureliano escreve o poema Gaudério, que marcaria sua vinculação com o nativismo. Anos depois, Gaudério e Toada de Ronda seriam musicados por João Fischer. Segundo testemunhas de Antero Marques, Raul Bopp, entusiasmado com a produção do poeta diria que “Bilac assinaria estes versos” O poema Toada de Ronda é considerado o marco inicial da poesia nativista no Rio Grande do Sul.

Em 1924, parte para o Rio de Janeiro estudar Medicina, lá cursa o primeiro e o segundo ano e retorna a Porto Alegre. Lê Paja Brava, do Viejo Pancho, que marcará sua produção artística, e também livros de poetas regionalistas uruguaios e argentinos, que o influencia a escrever poemas em espanhol. Em 1926, volta aos estudos de Medicina no Rio de Janeiro, mas no mesmo ano retorna a Porto Alegre. Somente em 1931, conclui o curso de Medicina, e logo abre seu consultório em Santiago. Abre o coração aos campos e aos tipos humanos que o povoam. A partir dali o trabalho de médico rouba-lhe o tempo de leitura e criação. Passa a fazer viagens ao interior do município, atendendo a chamados médicos e fica com os peões tomando mate e ouvindo causos.

Três anos mais tarde por falta de dinheiro dos clientes para compra de remédio, suas práticas médicas são interrompidas. Aureliano cria um código que é colocado nas receitas, para que fossem debitadas para alguns de seus amigos. Nessa época, seus poemas são datilografados por Túlio Piva, para quem produz textos para serem lidos na rádio local.

Em 1937, já com quase 40 anos, passa a dirigir o Posto de Higiene de Santiago. Anos mais tarde, seria o fundador do Hospital de Caridade. Casa com Zilah Lopes, em 29 de dezembro de 1938 com que tem 3 filhos.

Em 1941, troca Santiago por Porto Alegre, assume a subchefia da Casa Civil do interventor Cordeiro de Farias. Fica poucos meses no cargo e retorna a Santiago.

Em 1956 inicia a reunir e selecionar seus poemas, espalhados entre amigos, para publicá-los em livros. Seu filho José Antônio vai à Editora Globo e ali espera até ter em mãos dez volumes de Romances de Estância e Querência – Marcas do Tempo o primeiro livro publicado de Aureliano de Figueiredo Pinto. Aureliano vem a falecer em 22 de fevereiro de 1959 com câncer.

Em 1963, é publicado “Ad Sodalibus” pela Livraria Sulina, seu segundo livro de poesias Romances de Estância e Querência – Armorial de Estância e Outros Poemas. Em 1974, é publicada pela Editora Movimento, a novela Memórias do Coronel Falcão. Em 1975, Noel Guarany recebe autorização dos familiares do poeta para musicar Bisneto de Farroupilha e Canto do Guri Campeiro.
 
 
 

sexta-feira, 21 de fevereiro de 2020

COMO PODE...


...uma estátua de 400 kg fixada a chumbo num pedestal ser roubada sem que ninguém perceba? Será que este descaso com os memoriais,  esta indiferença para com a cultura representativa de cada povo acontece só no Brasil? E o que vai sobrar para nossos pobres e indefesos ranchos?
 
Aproveitando este rol de questionamentos perguntamos como ficou o caso do roubo das placas de mais de 200 kg do Monumento a Bento Gonçalves, em plena avenida João Pessoa, aqui na capital? Alguém foi preso ou, ao menos, houve investigação? O que fizeram nossos órgãos públicos e particulares representativos da cultura gaúcha?



Uma das estátuas que compõe o monumento em homenagem ao Marechal Deodoro da Fonseca, no Centro do Rio de Janeiro, foi furtada neste fim de semana. A escultura em bronze pesa cerca de 400 quilos, tem em torno de dois metros de altura e representa a mãe do Marechal, dona Rosa Paulina da Fonseca. Deodoro da Fonseca foi o primeiro presidente do Brasil, entre 1889 e 1891.
A Polícia Civil informou que o registro do caso foi feito na 9ª DP (Catete), que abriu inquérito para apurar os fatos. “Foi realizada a perícia no local. Diligências estão sendo feitas para identificar e prender os autores”, diz a nota da polícia.
Segundo a Gerência de Monumentos e Chafarizes, vinculada à Subsecretaria Municipal de Conservação, no caso de vandalismo ou furto de grandes peças, como a da mãe do Marechal, é necessário fazer um levantamento orçamentário, depois uma licitação para que seja confeccionada uma nova escultura e feita a reposição.
O restaurador e fundador do grupo SOS Patrimônio, Marconi Andrade, lamenta que mais um monumento da cidade seja danificado. Segundo ele, o monumento, que data de 1937 e abriga os restos mortais do marechal Deodoro e de sua esposa, é alvo de furtos frequentes de figuras históricas e placas informativas. O objetivo dos criminosos é derreter e vender o bronze das peças. Para Andrade, falta fiscalização constante do patrimônio histórico e cultural.

 

 

quinta-feira, 20 de fevereiro de 2020

REPONTANDO DATAS / 20 DE FEVEREIRO



Num dia 20 de janeiro do ano de 1923, portanto a 97 anos, nascia em São Jorge da Mulada, Criúva, então pertencente a São Francisco de Paula, Honeyde Bertussi Siqueira, o maior ídolo da música galponeira do Rio Grande do Sul. 

 
Músico tradicionalista gaúcho, compositor, cantor e acordeonista, Honeyde Bertussi foi conhecido como o "Cancioneiro das Coxilhas", devido ao fato de este ser o nome de um dos maiores sucessos gravado no disco Coração Gaúcho  e, também, por apresentar um programa de Rádio em Caxias do Sul com o mesmo nome. Iniciou sua carreira artística em 1941. Deixou centenas de composições que tornaram-se verdadeiros clássicos gaúchos.
 
Junto com seu irmão Adelar Bertussi formou a primeira e mais famosa dupla de acordeonistas do Brasil. Foram, inclusive, os pioneiros a gravar um Bugio (Casamento da Doralice), único ritmo genuinamente gauchesco. Seu estilo campeiro/galponeiro deixou seguidores pelo estado a fora sendo ícone deste estilo musical até os dias de hoje. Grandes nomes como Os Serranos, Os Monarcas, Porca Véia e tantos outros, iniciaram suas carreiras tendo por padrão o estilo Bertussi. 
 
 
Tive o privilégio de conhecer e ser amigo de Honeyde Bertussi e de escrever em versos um livro sobre sua vida artística. 
 
A obra é composta por 301 sextilhas e para escrevê-la convivi com Honeyde mais a miúde, inclusive parando em sua casa em Caxias do Sul onde aprendi a admirá-lo ainda mais. No lançamento do livro em São Francisco de Paula, Honeyde Bertussi se fez presente. Saia gente pelo ladrão da Associação Atlética Banco do Brasil, local do evento. Inclusive cavalgadas foram organizadas para celebrar o ato. 
 
No meu entendimento, juntamente com Teixeirinha, foi o maior representante da música regionalista de nosso Estado.
 
 

quarta-feira, 19 de fevereiro de 2020

VOLTA ÀS AULAS A MODA ANTIGA


Uma reportagem de ZH assinada por Camila Kosachenco e fotos de Lauro Alves, na edição de hoje, 19 de fevereiro, retrata o começo de aulas aos pequeninos da cidade de Morro Reuter. Por uma destas que a cultura germânica é tão forte, tão enraizada. Nós, pelo-duros, gaúchos crioulos, deveríamos fazer o mesmo.  
 
Mas penso que a difusão dos costumes gauchescos na grade escolar é um sonho realizado, apenas, ali pelo município de Taquara, ironicamente também de colonização alemã, graças ao esforço do abnegado Marco Aurélio Angeli, o Zoreia.   


As patas curtas andam ligeiro para abrir passagem. Como se fossem cães de pastoreio, os viralatas Fred e Frida tomam a frente do grupo troteando com propriedade pelos caminhos rurais de Morro Reuter, no Vale do Sinos. Logo atrás da dupla peluda, o agricultor Pedro Paulo Deimling puxa a corda que guia as duas carroças tracionadas por Segredo e Mineiro. Na carona, duas turmas de alunos da Escola Municipal de Educação Infantil (Emei) Dom Bosco, com idades entre três e quatro anos, fazem um passeio incomum pelo interior do município. A atividade foi um dos marcos da volta às aulas dos pequenos. 
— Oi, vacas! — acenou um menino.
— Oi, natureza! — disse outro ao passar por uma plantação de milho.

— Oi, carro! — disparou um terceiro ao cruzar com um veículo.
Com pouco mais de 6,4 mil habitantes, Morro Reuter ainda mantém alguns hábitos peculiares às regiões interioranas, como cumprimentar a vizinhança. Foi assim, aos poucos, por meio de passeios pelo entorno na escola, que a criançada foi conquistando os moradores da região, que começaram a abrir suas portas para recebê-los. 
Os pequenos foram conduzidos pelo agricultor Pedro Paulo Deimling, enquanto os cuscos Fred e Frida abriam passagem
Há três anos, depois de observarem uma carroça em sua propriedade, os professores da instituição de ensino perguntaram a Deimling se ele poderia fazer um passeio com os alunos. O convite foi aceito e, de lá para cá, a atividade passou a ser repetida, sempre buscando fazer um resgate histórico do meio de transporte.
— Um dos objetivos é fazer as crianças compreenderem que os avós usavam a carroça para ir à escola, além de ela ser uma ferramenta de trabalho no campo — disse Márcia Machry Philippsen, diretora da Dom Bosco.
Um dos objetivos é fazer as crianças compreenderem que os avós usavam a carroça para ir à escola, além de ela ser uma ferramenta de trabalho no campo.
Além da localização privilegiada, encravada em meio à área rural do município, a escola ainda se beneficia do carinho da comunidade, que participa ativamente da rotina das crianças. 
— A gente tem o privilégio de criar laços com os vizinhos, então, eles permitem que a gente brinque no pátio deles — comemorou a professora Cleunice de Fátima Sobieski.
Acostumado a ir para o colégio de ônibus, o pequeno Arthur Henrique Rohr, quatro anos, aguardava ansioso pelo passeio inusitado. Mesmo sem nunca ter andado de carroça, o menino sabia na ponta da língua qual a função do veículo:
— Carregar o pasto!
Turminha aproveitou e aprovou a iniciativa
Com um pouco mais de conversa, o guri, que adora leite, confessou o que desejava encontrar no caminho:
— Vacas, vacas! 
Na lista de interesse das crianças, ainda constavam "borboletas" e "tartarugas".
— Elas andam na água e na terra. Têm um casco que é a casinha delas — explicou Arthur.
Embora singela, a experiência é repleta de significado, especialmente para o guia, o aposentado que virou agricultor. Criado na roça, Deimling trabalhou como pedreiro, pintor e na indústria metalúrgica. Quando se aposentou, voltou para a lida com a terra e, hoje, com o gesto simples de passear com as crianças em carroças, compartilha um pouco mais da sua paixão. Ele diz que os pequenos pouco sabem sobre a origem do que comem e, menos ainda, sobre a rotina do campo. 
— Quem aqui quer trabalhar na roça? — questiona no meio do passeio.
Como esperava, nenhuma mãozinha se levantou.
Crianças conheceram na prática uma antiga forma de transporte
— Ninguém quer ser colono, que decepção! — brincou.
Após circular por cerca de 40 minutos, a turminha voltou para a sala de aula cheia de sorrisos no rosto e gostinho de quero mais. O próximo passo, organizam os professores, deve ser um café colonial nas terras de Deimling, com direito a leite tirado na hora das vacas.

Meu amigo Marco Aurélio Zoreia faz um trabalho semelhante
com crianças e com pessoas "um pouquinho" mais velhas.
 
 
 
 

terça-feira, 18 de fevereiro de 2020

A SAUDADE DO VELHO





A SAUDADE DO VELHO
(Padre Pedro Luis - O Gênio do Pampa) 


O caboclo é velho e habita
na cidade, humilde, agora.
Seu olhar ao longe fita
largos campos que memora.
Vendo-os, lembra a vida herdada
dos rodeios bons de outrora
no fragor das campeiradas. 


Lembra a prata dos aperos,
os baguais, espora e laço,
o florir de seus janeiros
quando, dono deste espaço,
derrubava, meio as cegas,
o lampião a ponta de aço
nos bochinchos da bodegas. 


Hoje, de alma já jejuna,
sofre a mágoa mais violenta,
como amargo de caúna,
como um resto de tormenta:
É a saudade de outras eras
quando, ao longe, vista atenta,
fita espetros de tapera.



Gravura: Vasco Machado 
 
 
 

segunda-feira, 17 de fevereiro de 2020

ELEIÇÕES DA CBTG


 

O Sr Roberto Basso (MTG-MT) da Chapa União, Honestidade e Transparência foi eleito, com 100% dos votos válidos, Presidente da Confederação Brasileira da Tradição Gaúcha para a próxima Gestão. A eleição aconteceu nos dias 15 e 16 de fevereiro durante o 21º Congresso Brasileiro da Tradição Gaúcha e a 17ª Convenção Brasileira da Tradição Gaúcha. Os eventos acontecem em Colombo-PR no CTG Querência santa Mônica, onde também ocorreu o 18º Concurso Nacional de Prendas e Peões. 

Chama atenção que na Diretoria Executiva da chapa vencedora (única) não há nenhum representante do MTG do Rio Grande do Sul.

Seria um inventário da desordem que se tornou a entidade no RS?





domingo, 16 de fevereiro de 2020

CAVALGADA DO MAR


 
 
Por volta das dez e picos cruzou pela gloriosa Crumim Beach a Cavalgada do Mar, evento que acho bonito por demais pois em pleno veraneio leva um pouco do campo a milhares de veranistas que vem salgar o lombo neste oceano grandioso e imponente.
 
Não sou muito bom em números mas para mim passaram pelas areias litorâneas de 800 a 1000 cavalarianos, tranquilos e bem organizados. Sempre tem os que não se sujeitam a andar no cortejo e cruzam separados minutos depois mas isto já faz parte e penso não haver solução.  
 
Para não dizer que foi tudo cem por cento, um fato desagradável me chamou a atenção. Faltou aquele pessoal que vem de a pé, no rabicho da cavalgada, juntando o esterco dos animais, limpando a areia. Esta era uma das grandes queixas dos veranistas e que, em anos anteriores, tinham solucionado. Ao que parece voltou tudo a estaca zero e não se manteve o que vinha dando certo.    
 
Caminhei em direção contrária a cavalgada e, realmente, o estrume da cavalhada mesclou-se nas areias entre o mar e os guarda-sóis. Fato que pode ser evitado nas próximas edições.  
        

longa vida a Cavalgada do Mar
 
 
 

POSTAGENS DE FUNDAMENTO


Tenho a maior consideração por quem dedica seu tempo as pesquisas históricas e, no mundo de ostentações do facebook, as publica para conhecimento dos interessados.
 
Não o conheço pessoalmente mas queria dar meus parabéns ao Paulo Mena que faz este incansável trabalho cultural e nos brinda constantemente com suas publicações.
 
Por vezes não concordo com algumas colocações e debatemos fraternalmente mas isto faz parte do processo democrático e nem todos os autores pesquisados, ou lidos por mim, são donos da verdade. Mas a instigação a leitura já é um grande passo.
 
Publicamos hoje em nosso blog uma pesquisa sobre a imprensa gaúcha na revolução de 1923. Se os leitores imaginam que a guerra de informações, os fakes, são modismos de agora, tenham certeza que vem de longos tempos. 
 
Adelante, meu amigo.     


Paulo Mena
 
 
A imprensa gaúcha na Revolução de 1923. 
Durante o período no qual a Revolução de 1923 se desenrolou, a violência contra a imprensa de ambos os lados foi predominante. A oposição promoveu o empastelamento de diversos jornais governistas, ocorrendo, em alguns casos, o espancamento de seus redatores. Na cidade de Quaraí, a sede do jornal, O Cidadão, Órgão do Partido Republicano Rio-Grandense (PRR) fundado em 1908, foi destruída, quando Honório Lemes, tomou a cidade. Este periódico, de acordo com o pesquisador João Batista Marçal, foi o de maior longevidade, em Quaraí, circulando em torno de 30 anos.
O Diário Popular (1890) de Pelotas, quase sofreu o mesmo destino, tendo a intervenção de Zeca Neto (Condor dos Tapes) que impediu a sua destruição. O Dever, fundado em Bagé, em 1901, circulou até meados da década de 30, sendo porta-voz do Partido Republicano Rio-Grandense.
Em resposta aos maragatos, os borgistas procuraram silenciar os jornais da oposição, por meio das autoridades, proibindo a circulação de diversos periódicos, entre eles: O Correio do Sul (1914-2008) fundado, em Bagé, por Fanfas Ribas que sofreu represálias; o Correio da Serra, de Santa Maria, fundado, em 1917, por Arnaldo Melo, que circulou até 1930, defendendo a bandeira maragata.
Em Porto Alegre, segundo o jornalista e pesquisador Francisco Rüdiger, em seu livro Tendências do Jornalismo (2003), O Democrata foi a principal vítima da repressão. Fechado pela polícia, este periódico era contrário à ditadura de Borges de Medeiros e à presidência de Arthur Bernardes (1875-1955), trazendo em seu cabeçalho o curioso dístico: “Rezemos no altar da Pátria, o “De Profundis”, da ditadura rio-grandense”. Outro periódico de oposição ferrenha, surgido em Porto Alegre, foi a Última Hora que realizou intensa campanha contra a candidatura de Borges de Medeiros.
Lançado em 1914, a Última Hora, foi o porta-voz da oposição, cobrindo em suas matérias a Revolução de 23. Este periódico deixou de circular em fevereiro de 1926.
Um dos expedientes utilizados, pela máquina borgista, era o controle policial que foi vivenciado pelo historiador Walter Spalding (1901-1976). Este e outros amigos que trabalhavam na redação do jornal Última Hora, ao saírem da redação, na Rua dos Andradas, percebiam a vigilância de policiais fardados ou disfarçados, especialmente, na hora da saída do jornal para serem vendidos. Esses policiais eram os primeiros a comprá-los, ainda dentro da redação, visando à análise das matérias e à tomada de providências, caso não aprovassem o conteúdo. Na cidade de Pelotas, Frediano Trebbi, responsável pelo jornal O Rebate, foi surrado na rua e, posteriormente baleado pela Brigada Militar. Diante desse quadro de brigas e perseguições, muitos jornalistas se refugiaram no exterior, onde se publicou, entre outros jornais, A Liberdade, de André Carrazoni.
Segundo o jornalista Carlos Reverbel (1912-1997), os heróis mais pungentes, no confronto de 1923, foram Honório Lemes e Fanfa Ribas: o primeiro nas coxilhas e o segundo nas colunas do Correio do Sul.
As arbitrariedades no jornalismo político-partidário rio-grandense, na época, eram marcantes devido ao monopólio do poder, exercido pelos chimangos, que limitava o espaço de atuação da oposição maragata, confundindo as funções do político com as do jornalista.
Não podemos nos esquecer de jornais político-partidários cuja longevidade comprova sua força e poder doutrinário. Neste aspecto se destacam A Federação (1884-1937) que durou 53 anos; O Diário Popular de Pelotas (1890) terceiro mais antigo jornal, ainda em circulação, no RS e a Gazeta de Alegrete (1882) o jornal mais antigo do interior do estado ainda em circulação. Estes três periódicos foram fundados no século XIX.
Representando à oposição maragata, após a proclamação da República (1889) destacou-se, em termos longevidade, o Echo do Sul. Este periódico foi publicado primeiro em Jaguarão em 1855 com o título de Jaguarense, passando a chamar-se Echo do Sul a partir de 1857, quando foi transferido para Rio Grande.
Em sua fase inicial foi conservador, passando mais tarde a fazer oposição ao PRR. Encerrou suas atividades em 1937. O Echo do Sul circulou por 80 anos, tendo maior duração que o jornal A Reforma (1869- 1912), do líder maragato Gaspar Silveira Martins (1835-1901) representando o Partido Liberal, durante o Império e, depois, já no período republicano o Partido Federalista (PF).
PAULO MENA PESQUISADOR
Fonte de Consulta: Texto de Carlos Roberto Saraiva da Costa Leite, site observatoriodaimprensa.com.br
 
 

sábado, 15 de fevereiro de 2020

REPONTANDO DATAS / 15 DE FEVEREIRO


O dia 15 de fevereiro marca acontecimentos deveras importantes dentro da história e da cultura regional gaúcha. 

Neste dia e mês nascia em Alegrete Oswaldo Euclides de Souza Aranha, político, estadista e diplomata, braço direito de Getúlio Vargas. Na revolução de 1923 pegou em armas para defender o governo republicano de Borges de Medeiros. Foi articulador para organizar o levante armado que depôs o presidente Washington Luis em 1930, colocando Getúlio Vargas em seu lugar. Sob sua presidência na ONU o Estado de Israel foi criado. Foi indicado para prêmio Nobel da Paz em 1948

Também nesta data, mas no ano de 1933, nascia em São Jorge da Mulada, Criúva, então pertencente a São Francisco de Paula, aquele que muitos especialistas consideram o maior gaiteiro gaúcho de todos os tempos, ou seja, Adelar Bertussi Siqueira. Com seu irmão Honeyde, 10 anos mais velho, formou a maior dupla de acordeonistas do Brasil sendo pioneiros da música galponeira que animava fandangos por todo o estado. Até hoje diversos grupos gauchescos seguem o estilo Bertussi. 

Num dia 15 de fevereiro, do ano de 1974, morria precocemente em um acidente de automóvel na região norte do estado o "Mocinho do Cinema Gaúcho, José Mendes, crioulo de Esmeralda e um dos mais promissores artistas do Rio Grande. Seu sucesso começou com a gravação da conhecidíssima Para Pedro e, a partir deste momento, diversas canções e filmes marcaram a carreira deste grande artista regional.


 

sexta-feira, 14 de fevereiro de 2020

quinta-feira, 13 de fevereiro de 2020

PARABÉNS, TELMO DE LIMA FREITAS.


Esta chapa tem 10 anos. Eu envelheci, mas Telmo de Lima Freitas
continua o mesmo
 


Telmo de Lima Freitas nasceu em São Borja, RS, em 13 de fevereiro de 1933. Filho do oficial do exército brasileiro Leonardo Francisco Freitas e da campeira Mariana de Lima Freitas, Telmo desde cedo demonstrou que seguiria a carreira musical. Aos dois anos de idade, estampou a capa da Revista Cacimba tendo na mão um cavaquinho, presente de sua madrinha. Mais tarde, recebeu um violão de presente de um amigo.

Aos 14 anos, participou do grupo Quarteto Gaúcho. Nos anos 50, apresentou o programa gauchesco Porongo de Pedra, na Rádio ZYFZ-Fronteira do Sul, de São Borja. Em 1969, participou do primeiro Festival de Música Regionalista organizado pela Rádio Gaúcha.

No começo de sua carreira conciliou a musicalidade com diversas outras profissões. Foi enfermeiro, peão de estância e trabalhou em lavouras de arroz.

No cinema, participou do filme A Lenda do Boitatá.

Em1973, lançou seu primeiro disco, intitulado O Canto de Telmo de Lima Freitas. Morou durante anos em Uruguaiana e outras cidades do interior como Itaqui, aonde se aposentou como agente da policia federal.

Com seus amigos Edson Otto e José Antônio Hahn, criou o grupo Os Cantores dos Sete Povos, com o qual conquistou o troféu Calhandra de Ouro da Califórnia da Canção Nativa de Uruguaiana, em 1979, com a canção Esquilador. Com o grupo, Telmo participou das 11 primeiras edições do festival.

Em 1980, lançou Alma de Galpão, produzido de maneira independente e financiado pelo grupo Olvebra.

Com o álbum A Mesma Fuça, recebeu o Troféu Açoriano em duas categorias: Melhor Compositor e Melhor CD Regional. É autor do livro de poesias crioulas "De Volta ao Pago", lançado pela Gráfica e Editora Treze de Maio.

Em 2006, Telmo gravou uma compilação de sua discografia, denominada Aparte, com a participação de seus familiares e de antigos parceiros, como Joãozinho Índio, Luiz Carlos Borges e Paulinho Pires.

Telmo de Lima Freitas, por ser conhecedor a fundo da vivência campeira, é considerado um dos compositores mais autênticos do Rio Grande. Gravar uma composição do Telmo é receita de sucesso para qualquer grupo galponeiro desta terra.

No ano de 2009 foi escolhido Patrono da Semana Farroupilha e cumpriu esta incumbência como poucos, participando das atividades inerentes ao cargo com alegria e vibração.

Hoje, aos 87 anos, Telmo de Lima Freitas, o Jundiá, como é carinhosamente chamado por seus amigos mais chegados, se recolheu ao seu rancho no município de Cachoeirinha. Passa o dia lidando com seus cavalos, trançando um cabresto, fazendo uma bainha para a faca e ostentando, ao longo de suas melenas brancas e barba cerrada, o brazão de Pura Cêpa Crioula deste pago. Quem olha para o Telmo enxerga o Rio Grande Gaúcho!
 
No ano passado Luis Carlos Borges lançou o CD Jaguaretês, com músicas de Telmo. Um disco que vale ouro. No lançamento da obra, no Teatro São Pedro, em Porto Alegre o são-borjense não pode comparecer e se fez representado por sua esposa.
 
Uma longa vida a este ícone da musicalidade rio-grandense.