"TEU PRESTÍGIO É PROPORCIONAL A TUA CONDUTA"

Léo Ribeiro

RETRATO DA SEMANA

RETRATO DA SEMANA
MISSÃO: Buscar com isenção a veracidade histórica para não retransmitir tanta bobagem como as escritas por Eduardo Bueno, o Peninha, na ZH de 21 de setembro.

COMEÇANDO A LIDA BLOGUEIRA COM:

sábado, 22 de setembro de 2018

COMO QUE É ??? ALGUÉM FALOU QUE ....


.... A NOSSA TRADIÇÃO VAI TERMINAR ???

Luiza: Bonequinha de Galpão do CTG Rodeio Serrano
 
 
 

sexta-feira, 21 de setembro de 2018

FIM DE FESTA





FIM DE FESTA
(Léo Ribeiro)

Fim de festa é só afeto,
é harmonia entre os lotes 

onde até os sacerdotes
vem rezar por Bento e Netto.
É o desmanche de tetos
que nos cobriram do frio.
No fim de festa os bugios
 metem a mão na cambuca
e o jacaré dá garupa
pra onça cruzar o rio.

* Até o ano que vem, amigos e amigas,
que festejam com orgulho a Guerra dos Farrapos.







INDEFINIÇÕES AO APAGAR DAS LUZES


DO ACAMPAMENTO FARROUPILHA
EM PORTO ALEGRE 
 
Tem um ditado que diz que, o que começa torto termina torto. Acho que tal citação cabe como uma luva para o Acampamento Farroupilha de Porto Alegre. De início, muita confusão, burocracias, guerra de poderes, todos querendo mandar, falta de patrocínios públicos e privados.... Em relação ao término do Acampamento a confusão foi a mesma, ou maior ainda. A grande maioria dos Piquetes gostaria de emendar as festividades até domingo, dia 23. O Presidente do MTG Nairo Callegaro chegou a gravar um vídeo dizendo que isto aconteceria, ou seja, o Acampamento seria prorrogado.
 
Ocorre que, oficialmente, nada foi autorizado além do dia 20 de setembro. Os bombeiros e seu famoso PPCI não liberaram o funcionamento do Parque. Eu mesmo fui colher informações junto a Prefeitura do Acampamento e ninguém sabia de nada. O que se presume, de acordo com o regulamento, é que segurança, banheiros químicos ao público, comércio e outros detalhes importantes deixarão de funcionar a partir de hoje.
 
Apesar de todas as incertezas que nortearam a Comissão Organizadora, o Acampamento, a princípio, ocorreu de maneira tranquila com uma programação cultural intensa e com o parque completamente tomada por uma multidão no último dia e sempre com o mesmo fervor cívico nas pessoas que ali acamparam. Contudo, vamos esperar um balanço dos fatos para opinar com mais precisão.  
 
durante o Acampamento centenas de crianças, velhos e necessitados
receberam alimentação e conheceram um pouco da nossa tradição 
 
 
 
        

quinta-feira, 20 de setembro de 2018

SALVE O 20 DE SETEMBRO


 
Num dia 20 de setembro, após escaramuças no pontilhão da Azenha na noite anterior, os Farroupilhas adentram em Porto Alegre, tomando a capital da Província de São Pedro e dando início a épica revolução (até 11 de setembro de 1836) e posterior Guerra dos Farrapos. Bento Gonçalves da Silva entra na cidade somente no dia 22, quando o Presidente da Província Fernandes Braga, colocado neste posto pelo próprio Bento, já tinha alçado o pingo (navio) para as bandas de Rio Grande.
 
Foram quase dez anos de lutas, vitórias, derrotas e fatos heroicos que marcaram a nossa história e ajudaram a formar a nossa identidade, embora alguns intelectuais, nos dias de hoje, tentem projetar-se minimizando este passado.
 
O Governador Júlio de Castilhos, através de decreto, tornou o 20 de setembro como o Dia do Gaúcho, por isto hoje, além de festejarmos, devemos refletir sobre tudo o que aconteceu, perceber os reflexos daquelas atitudes em nossos dias atuais, pesquisar e preservar nossa história.

No mês que vem nós, gaúchos e brasileiros, temos uma nova luta. Nossas armas? Nosso voto! Não vou, aqui, entrar em questões políticas mas dizer que devemos utilizar este instrumento da melhor maneira. Vamos votar de acordo com nossa consciência para ver o que é melhor para nossos filhos, nosso Brasil e nosso Rio Grande do Sul.

Um bom feriado a todos.





 

quarta-feira, 19 de setembro de 2018

PARA FECHAR O JN


O Jornal Nacional de ontem a noite, dia 18, começou com uma chamada: - O que os três times brasileiros que ainda disputam a Libertadores da América (Palmeiras, Grêmio e Cruzeiro) tem em comum?
 
É claro que botei tenência no programa para ver a resposta que veio através de uma bela reportagem no encerramento do informativo global: - Os três técnicos são gaúchos e seus pratos preferidos é o churrasco!

Para arrematar e encerrar com chave de ouro a matéria, mostraram o Acampamento Farroupilha.
 
Aí, como dizia o "Seu Boneco", da Escolinha do Professor Raimundo, EU FUI PRA GALERA.... 
 


 
 
 

ASSIM TUDO COMEÇOU:


No dia 19 de setembro de 1835 um grupo de revolucionários se aproxima da cidade, pela estrada da Azenha. (....) E quando a aurora do dia 20 de setembro resplandecia sobre a cidade, e o sol mandava seus primeiros raios sobre a terra, os farroupilhas, entre vivas e gritos de alegria, entravam na capital da província. (Walter Spalding)
 
Transpondo a Ponte da Azenha
óleo sobre tela de Guido Mondin - Dimensão: 0,73 m x 0,60 m
 

Noite tensa, cerração,
a peleia se desenha,
revoltosos vem da Azenha,
sentinelas vem do Centro...
Os ideais farroupilhas,
e as razões imperialistas
trazem seus pontos-de-vista
pro calor do enfrentamento. 
 
É a invasão de Porto Alegre,
dia vinte dando o facho,
lá na ponte do riacho,
Cabo Rocha puxa a frente.
Visconde de Camamu,
do Palácio, o segurança,
ferido a ponta-de-lança,
recuou com sua gente.
 
Resenha do poema Colunas de Paz de Léo Ribeiro

 
 
 

O QUE MUDOU EM 183 ANOS? NADA !



A sensação que existe hoje, passados 183 anos do início da Guerra dos Farrapos, é a de que as motivações daquele movimento não foram superadas. A diferença é que hoje o Rio Grande do Sul não consegue enxergar o próprio umbigo e compreender que suas dificuldades resultam da forma como tem sido realizada sua inserção como sócio menor no sistema econômico brasileiro. Expressando-se de forma figurativa, nosso Estado continua produzindo e vendendo "charque", ajudando a subsidiar o funcionamento do mercado exportador e sem o cacife no processo político-decisório nacional. Como não se aproxima nenhuma guerra com países vizinhos e não precisam dos gaúchos para pegar em armas, vai continuar assim por muitos e muitos anos, até que apareça algum Antônio de Souza Netto por estas bandas...
 
 
 

terça-feira, 18 de setembro de 2018

FESTIVAL DE FOLCLORE DE PASSO FUNDO


É O MELHOR DO MUNDO
 
                                            Crédito: Gerson Lopes/Arquivo ON


O  XIV Festival Internacional de Folclore de Passo Fundo, promovido pela Prefeitura de Passo Fundo, foi eleito o melhor festival de folclore do mundo em 2018. A escolha foi feita no Congresso Mundial da FIDAF – Federação Internacional de Festivais de Dança, em Seul na Coréia. O Festival de Passo Fundo, foi indicado com mais três festivais, Polônia, Turquia e Sérvia, para concorrer ao prêmio, portanto já estava entre os 4 finalistas segundo a FIDAF. E ontem ocorreu a votação final, tendo obtido unanimidade. A comunicação foi feita por Régis Bastian, representante da FIDAF para a América, membro do Comitê Executivo da FIDAF e também Presidente da FEBRARP, que encontra-se na Coréia, participando do Congresso FIDAF e do Festival Mundial de Dança de Cheonan. “Essa notícia nos dá um grande alento e mostra que  estamos no caminho certo. Esperamos ter o apoio permanente dos Poderes Constituídos, especialmente da Prefeitura de Passo Fundo, voluntários e comunidade. Obrigado a todos”, declarou o idealizador do evento, Paulo Dutra.

Depoimentos
 
“A Companhia Artística Estimulo, de Cali, felicita Passo Fundo, Brasil, por ser declarado como o Melhor Festival de Folclore do Mundo. A Companhia Artística Estimulo fez parte deste belo festival. Felicitações Paulo Dutra. Felicitações Passo Fundo. Um abraço a todos”.
Companhia artística da Colômbia

“Muitos me chamam de louca em participar como voluntária do Festival de Folclore, passando frio, chuva, correndo um dia inteiro de um lado para o outro. Agora a resposta da minha "loucura" chegou, somos o melhor Festival de Folclore do Mundo. Amo essa "loucura" toda, participo e me envolvo de coração em todos os momentos, durante todos os dias de folclore esqueço do "mundo" do meu "mundo" e passo a viver em outros Mundos em outras regiões do meu Brasil. Só quem se envolve como voluntária sabe a alegria e o prazer que é em participar, em fazer parte de uma história. Parabéns a todos os envolvidos. Parabéns Paulo Dutra. Vida longa ao Festival”.
Patrícia cavalheiro, voluntária e professora municipal

“Perguntam porque a gente se esforça tanto por esse festival, porque a gente se doa tanto. Passa frio, dorme pouco, empresta instrumento para quem a gente nem conhece. Conserta, monta, desmonta, carrega, leva, traz. Todo o esforço de todos os envolvidos está recompensado. Parabéns chefe Cledson Basso e parabéns principalmente ao grande comandante Paulo Dutra. Parabéns a todos nós, voluntários, patrocinadores que acreditam na cultura e no folclore dos povos”
Fabiano Lengler, voluntário
 
 
 
 

SESSÃO MAGNA FARROUPILHA


 
Ontem a noite, dia 17 de setembro, o Grupo Tradicionalista e Piquete Fraternidade Gaúcha realizou no Templo Nobre Caldas Junior, em Porto Alegre, Sessão Maçônica Aberta alusiva a epopeia épica da Guerra dos Farrapos. O evento foi concorrido com a presença de muitos Irmãos da Ordem e convidados.
 
Na ocasião fiz uma breve explanação sobre a necessidade de buscar a veracidade dos fatos que nortearam estes dez anos de conflito. Nos tempos de redes sociais e de notícias falsas temos o dever de repassar os fatos de uma maneira mais próxima possível do acontecido. Como já disseram, uma mentira repetida a exaustão pode virar verdade e existem acontecimentos nebulosos deste período que precisam de pesquisas profundas e sérias. 
 
Exemplo do repasse incorreto de informações aconteceu ainda na semana passada quando um jornal de grande circulação do Rio Grande do Sul escreveu que o nome de "Revolução Farroupilha" deu-se me virtude de que os soldados republicanos lutavam famintos e esfarrapados. Uma mentira pois sabe-se que a origem do nome farrapos vem da Revolução Francesa e seus ideais de liberdade, igualdade e fraternidade.    
 

 
 
 

PIQUETE CAUSA POLÊMICA



 
 
O Piquete Aporreados do 38 que sempre traz uma decoração temática para seu acampamento no Parque da Harmonia este ano está causando muita polêmica ao tentar reproduzir uma senzala e colocando manequins negros presos a grilhões.
 
- A imagem é impactante, principalmente para as crianças, e o assunto poderia ser explorado de outra forma mais branda, diz uma ativista em protesto nas redes sociais.
 
O Movimento Tradicionalista gaúcho, um dos coordenadores do Acampamento Farroupilha, em nota expressou que "discorda veementemente da abordagem".  A prefeitura de Porto Alegre também manifestou-se que "repudia qualquer ato que faça exaltação ao período de escravidão no Brasil".
 
Clemilton Almeida, coordenador do espaço, relata que a ideia do tema era a Batalha dos Porongos onde, segundo ele, os negros foram massacrados. Para Almeida o que motivou a polêmica foi a adição dos manequins, que serão retirados antes de reabrir a exposição que, por hora, encontra-se fechada.     


Fotos: Joana Berwanger/Sul21Pique



segunda-feira, 17 de setembro de 2018

NOTÍCIAS DO FÓRUM DA TRADIÇÃO



 
Quando digo que cultura não faz parte do plano de governo da maioria dos candidatos....
 
 
 

PAIXÃO É MOTIVO DE HOMENAGENS


NOS DESFILES FARROUPILHAS
 
 
 
Embora a maioria dos desfiles das comemorações farroupilhas aconteçam no próximo dia 20 de setembro, muitas escolas de diversos municípios gaúchos já saíram as ruas em homenagens ao decênio épico que comove todos os gaúchos. 
 
Apesar de que o tema oficial de tais comemorações seja o Tropeirismo, o que se pode notar é que as homenagens ao grande folclorista João Carlos D'Avila Paixão Côrtes serão uma constante neste feriado de setembro. Exemplo disto é a Escola Municipal de Ensino Fundamental Artuíno Arsand, de Parobé, que tem como Diretora Chistiane Isabel Araújo.
 
Para minha alegria vi que o cartun que fiz sobre Paixão Côrtes adentrando no céu, sob o título de "Chegou Chegando", fez parte das homenagens.
 
Por vezes a gente acerta no cravo e outras na ferradura, isto é, nesta existência a gente faz coisas certas e erradas. Penso que, com esta brincadeira, eu acertei no cravo. Batida certeira. Tal desenho recebeu perto de 5 mil compartilhamentos no facebook. Recebi mensagens de congratulações de diversas partes do mundo. 
 
Paixão Côrtes merece tudo isso.
 
 
 
  
 

domingo, 16 de setembro de 2018

RESULTADO DO 27º RONCO DO BUGIO


Jardel Borba e grupo - Música Mais Popular do 27º Ronco

Em meio ao baile de Volnei Gomes, no CTG Rodeio Serrano, foi fornecido o resultado do 27º Ronco do Bugio de São Francisco de Paula. Na sexta-feira foram apresentadas as concorrentes locais quando duas passaram para disputar em igualdade de condições com as composições da fase geral, apresentadas ontem a noite, dia 15 de setembro. O Festival, pela primeira vez, aconteceu em meio as comemorações farroupilhas.

O resultado foi o seguinte:

1º Lugar: O GAITEIRO É O MAESTRO CAMPEIRO
Letra e Música: Érlon Péricles.

2º Lugar: A ALMA DA GAITA
Letra: Silvio Carvalho
Música: Vani Vieira e Henrique Bagestério Fan

3º Lugar: CANDINHO, DE HERÓI A BANDIDO
Letra: Ivo Ladislau, Mário Tressoldi e Chico Saga
Música: Mário Tressoldi e Chico Saga

Melhor Instrumentista: Ronison Borba (acordeon)
Música: O Gaiteiro é o Maestro Campeiro

Melhor Intérprete: Igor Tardiele
Música: O Gaiteiro é o Maestro Campeiro

Música Mais Popular: QUERÊNCIA ABENÇOADA
Letra e Música: Jardel Borba





 

ÚNICA IMAGEM DE BENTO GONÇALVES


TERIA SIDO ENCONTRADA EM MUSEU

 
Fotografia inédita foi encontrada em museu de Júlio de Castilhos 
          Foto: Félix Zucco / Agencia RBS
 

Quando tudo sobre a Guerra dos Farrapos parecia já ter sido escrito, eis que surge uma nova imagem da revolução que forjou a identidade do Rio Grande do Sul – e um novo enigma. Uma fotografia inédita encontrada no Museu Julio de Castilhos, que retrataria o general Bento Gonçalves, voltou ao centro de debates, dividindo opiniões e multiplicando teses sobre a representação do principal líder farroupilha.
 
Três pares de olhos examinam durante quase duas horas aquele retrato em tom sépia de personagem com olhar firme e lábios finos pronunciados em um biquinho, no Museu Julio de Castilhos, em Porto Alegre, tentando decifrar seu mistério.

Esquecida em uma pasta etiquetada anos atrás por uma estagiária, com o adesivo “Personalidades Históricas Públicas”, a fotografia desbotada causa furor desde que foi redescoberta no acervo mais antigo do Rio Grande do Sul, identificada como uma imagem de general Bento Gonçalves – supostamente a primeira e única da história a retratar o principal líder da Revolução Farroupilha, iniciada há 178 anos.

— E aí, se emocionou ou não? — pergunta ao final o diretor do museu, Roberto Schmitt-Prym, ao publicitário Raul Justino Ribeiro Moreira, tataraneto de Bento Gonçalves e presidente da associação da família, que fez questão de ir ao Julio de Castilhos para analisar a imagem.

Moreira, que chegara desconfiado da possibilidade de existir um retrato original de seu tataravô, responde balançando a cabeça de cima para baixo, em gesto afirmativo. Depois de comparar minuciosamente a fotografia com a pintura do general em exposição no museu, saiu mais otimista.

— Alguns traços são realmente muito parecidos. É difícil assinar embaixo, mas é bem interessante — avaliou.

A ausência de registro da data em que foi feita aumenta a polêmica. O cartão que acompanha a fotografia traz o nome do fotógrafo H. Fritot, com a inscrição “Photografia Parisiense” e a cidade de Bagé. Como Bento morreu em 1847, antes da difusão de estúdios fotográficos no país, a direção do museu acredita que se trate de uma reprodução feita a partir de um daguerreótipo, imagem em placa de prata produzida pelo primeiro equipamento fotográfico fabricado em escala comercial.

Ainda assim, como a técnica surgiu 10 anos antes da morte de Bento, o líder farrapo precisaria estar entre os primeiros brasileiros a acompanhar a vanguarda internacional para a tese ser factível. 
 
 Foto foi achada no Museu Julio de Castilhos
Foto: Félix Zucco


A foto foi localizada às vésperas da Semana Farroupilha há uns 4 anos quando funcionários procuravam materiais relativos ao período em suas pastas guardadas na reserva técnica mas foi divulgada há pouco após a realização de pesquisas que, se não conseguiram comprovar a hipótese, pelo menos não a descartaram. Até então, a imagem considerada mais fiel de Bento era uma pintura anônima, em exposição no Julio de Castilhos.

— Foi uma surpresa enorme. Acho que agora chegou o momento de apresentar ao público e aos historiadores — afirma Prym, explicando que não é estranha a redescoberta tardia de relíquias como esta: a maioria das 11 mil peças do acervo nunca foi estudada — e só metade está digitalizada.

Apesar de destacarem que seria necessário um estudo mais aprofundado para garantir a autenticidade, historiadores como Gunter Axt, professor do mestrado em memória social e bens culturais do Unilassale e pesquisador associado da USP, e Spencer Leitman, historiador norte-americano brasilianista, autor de Raízes Sócio-econômicas da Guerra dos Farrapos, consideram a versão plausível.

— Se comprovado cientificamente ser uma fotografia autêntica de Bento, será uma descoberta verdadeiramente importante. A fotografia era um campo experimental na época, que atraiu as mais brilhantes mentes. Talvez entusiasmado com essa descoberta, acho que consigo ver como a guerra devastou o rosto de Bento: ele envelheceu, a guerra drenou a vida extraordinária que tinha levado  empolgou-se Spencer, depois de analisar uma cópia escaneada da imagem, nos Estados Unidos.

A descrença é compartilhada pelo pesquisador das origens da fotografia no Brasil e no Rio Grande do Sul Ronaldo Marcos Bastos — que acredita se tratar de um retrato original, mas de alguém parecido com o líder farrapo.

— Teriam de ser muitas coincidências para que fosse Bento — diz.

Apesar das divergências, o museu pretende ampliar a imagem e exibi-la como um retrato presumido de Bento. Mesmo sem certeza?

— Claro. O Masp tem um quadro lá, que Pietro Maria Bardi, o diretor na época, colocou lá: “Pintura de Rembrandt”. E aí botou entre parênteses, pequenininho, embaixo: “Uma comissão do museu da Holanda acha que não é” —  responde o diretor, lembrando que a história é feita de versões.
 
Texto: Letícia Duarte
 
 
 

OBRIGADO, RONCO DO BUGIO.


Recebendo o troféu que simbolizou a homenagem das mãos do
Secretário de Turismo Rafael Castello Costa

Sexta-feira, dia 14 de setembro, juntamente com meu amigo Porca Véia, que por motivos de saúde não pode se fazer presente mandando uma emotiva mensagem através de vídeo ao povo serrano e sendo representado por seu filho Diego, recebi uma linda homenagem por meus serviços prestados ao festival Ronco do Bugio de São Francisco de Paula. Nestas 27 edições só não participei concorrendo, julgando, coordenando, desenhando as capas e cartazes, na primeira... edição. Minha música mais conhecida Brasil de Bombachas concorreu num Ronco. Inclusive, lancei um livro sobre este autêntico e, genuinamente falando, único festival do Rio Grande do Sul. 
 
Por tudo isso carrego na estampa a identidade do Ronco e agradeço do fundo do coração ao Prefeito Marcos Aguzzolli, ao Secretário de Turismo Rafael Castello Costa, a Coordenadora Lúcia Pires, pela lembrança de meu nome e por esta noite que ficará marcada, indelevelmente, em minha alma pelo resto de meus dias.
 
Da esquerda para a direita: José Alberto Andrade (apresentador)
Rafael Castello Costa (secretário de Turismo), Léo Ribeiro,
Diego Xavier (filho do Porca Véia) e Marcos Aguzzolli (Prefeito)
 
 
 
 

sexta-feira, 14 de setembro de 2018

PARABÉNS, FRATERNIDADE GAÚCHA !


Ontem a noite, dia 13 de setembro, comemorou-se no Acampamento Farroupilha os 13 anos do Piquete que faço parte e do qual fui um dos fundadores e segundo Patrão. Na verdade o Piquete já existia bem antes de 2005 quando foi oficialmente criado mas foi a partir deste momento que começou a receber apoio institucional do Grande Oriente do Rio Grande do Sul, entidade a qual o grupo é vinculado.
 
Através do atual Patrão Paulo Cremer dos Reis estendo meu tríplice e fraternal abraço a todos os integrantes deste grupo de irmãos que não mede esforços para levar, por onde ande, os aprendizados dos templos e o orgulho de fazer parte do rol das pessoas que cultivam as tradições de nosso Estado.   

O Piquete foi criado para inserir a Ordem Maçônica no
Movimento Cultural Rio-grandese principalmente nas Sessões
Comemorativas da Epopeia Farroupilha.
 

O Festival Poético Tertúlia Maçônica da Poesia Crioula (na foto em
 sua VI edição onde homenageou-se o MTG e Paixão Côrtes)
foi um dos diferenciais que consolidou o Piquete.  
 

O Grupo Tradicionalista Fraternidade Gaúcha também organiza
Sessões a Campo, como esta em Uruguaiana, para rememorar
os maçons farrapos que não tinham tempo para se reunir em templos
 

Apesar da Ordem Maçônica ser uma instituição predominantemente
de homens, as mulheres sempre estiveram presentes em nossos eventos
como o de ontem a noite, na palestra de Maxsoel Bastos sobre os Birivas.
 
 

SIRVAM NOSSAS FAÇANHAS DE MODELO



A TODA A TERRA


Que estas festividades farroupilhas que ora começam, sirvam para revigorar nosso espírito rio-grandense fazendo reflorescer o atavismo daqueles que nos deram motivos para estas comemorações. Que os valores históricos prevaleçam, que o lado cultural se sobreponha. Vamos cantar, vibrar, sem no entanto esquecer do real motivo de aqui estarmos festejando.
 
 
 

A GUERRA DOS FARRAPOS - PARTE X


AS NEGOCIAÇÕES DE PAZ E A SURPRESA DE PORONGOS

General Bento Gonçalves da Silva, assim como Souza Netto, vendo que as proposições farrapas não seriam totalmente atendidas, como a libertação dos negros escravos, retirou-se das tratativas de paz, deixando em seu lugar o general David Canabarro. 

Em novembro de 1844 estavam todos em pleno armistício. Suspensão de armas, condição fundamental para que os governos pudessem negociar a paz. Por isso o relaxamento da guarda no acampamento da curva do arroio Porongos. Recolheram os cartuchos de munições para colocá-los ao sol para secar. Canabarro e seus oficiais imediatos foram a uma estância próxima visitar a mulher viúva de um ex-guerreiro farrapo. O coronel Teixeira Nunes e seu corpo de Lanceiros negros descansavam. Foi então que apareceu Moringue, de surpresa, quebrando o decreto de suspensão de armas. Mesmo assim o corpo de Lanceiros Negros, cerca de 100 homens de mãos livres, pelearam, resistiram e bravamente lutaram até a aniquilação, em uma posição de difícil defesa. Além disso foram presos mais de 300 republicanos entre brancos e negros, inclusive 35 oficiais.

O general Canabarro, recuperado, reuniria ainda todo o restante de seu exército, cerca de 1.000 homens, e atacaria Encruzilhada a 7 de dezembro de 1844, tomando-a e mostrando assim que a sua intenção não era entregar-se.

A PAZ DO PONCHE VERDE

Por fim, a 1 de março de 1845, assinou-se a paz: o Tratado de Poncho Verde ou Paz do Poncho Verde, após quase dez anos de guerra que teria causado 47829 mortes. Entre suas principais condições estavam a anistia plena aos revoltosos, a libertação dos escravos que combateram no Exército piratinense e a escolha de um novo presidente provincial pelos farroupilhas. O cumprimento parcial ou integral do tratado até hoje suscita discussões. A impossibilidade de uma abolição da escravatura regionalmente restrita, a persistência de animosidade entre lideranças locais e outros fatores administrativos e operacionais podem ter ao menos dificultado, senão impedido o cumprimento integral do mesmo. Tal discussão é remetida para o artigo principal deste assunto.

Dos escravos sobreviventes, alguns acompanharam o exército do general Antônio Neto em seu exílio no Uruguai, outros foram incorporados ao Exército Imperial e muitos foram vendidos novamente como escravos no Rio de Janeiro.

A atuação de Luís Alves de Lima e Silva foi tão nobre e correta para com os oponentes que a Província, novamente unificada, o indicou para senador. O Império, reconhecido, outorgou ao general o título nobiliárquico de Conde de Caxias. Mais tarde, (1850), com a iminência da Guerra contra Rosas seria indicado presidente da província de São Pedro do Rio Grande.
 
 
 

quinta-feira, 13 de setembro de 2018

CAMINHO DA VANERA FOI SUCESSO


 
Ontem, dia 12 de setembro, aconteceu a segunda edição do Caminho da Vanera. Tendo a coordenação do cantor Elton Saldanha, diversos artistas encontraram-se em frente ao Mercado Público e dali saíram com muita música e cantoria em caminhada até o Palácio Piratini. A iniciativa visa integrar comunidade com a musicalidade gaúcha durante os festejos farroupilhas. Os objetivos foram alcançados com sucesso.  
 
 
 
 
 

A GUERRA DOS FARRAPOS - PARTE IX


OS FARRAPOS PERDEM TERRITÓRIO

Foto: Gianne Carvalho

1840: 

A queda de Laguna deu início ao declínio Farroupilha. O General Andréa, que havia retomado Laguna, logo é nomeado o novo Presidente Imperial da Província de São Pedro do Rio Grande do Sul e Comandante do Exército Imperial na Província.

Entre as frustrações de 1840 estão:

• Caçapava, a então capital da República é invadida pelos imperiais. Instala-se a capital em Alegrete.

• Em Julho os farrapos perdem São Gabriel.

• Francisco Pedro de Abreu, o Moringue, surpreende Souza Neto quase fazendo-o prisioneiro.

• Bento Gonçalves da Silva, em campanha pela conquista de São José do Norte, trava duríssima batalha de quase nove horas, mas tem que desistir. As condições eram totalmente desfavoráveis; o império ameaça retomar o controle da Província.

Estes insucessos, deu pretexto a lideranças de objetivos menos firmes, como Bento Manuel, tido como fiel da balança do confronto, para abandonar os revolucionários.

Em outros combates como em novembro de 1841 Chico Pedro fez 20 prisioneiros e tomou 400 cavalos dos Farroupilhas, perto de São Gabriel; em Rincão Bonito o coronel João Propício Mena Barreto provoca 120 mortes, faz 182 prisioneiros e toma 800 cavalos; em 20 de janeiro de 1842 Chico Pedro, atacado por Bento Gonçalves e 300 homens, derrota-o, provocando 36 mortes, 20 prisioneiros e capturando toda a bagagem, sofrendo somente 3 mortes e 7 feridos.

Uma Assembléia Constituinte havia sido convocada em 10 de fevereiro de 1840, porém manobras de Bento Gonçalves, que não queria perder poderes, levaram a que somente em 1842, fosse promulgada a Constituição da República, o que deu um ânimo momentâneo à luta.

Reforços Liberais

O fim rebeliões em outras províncias, como a Sabinada na Bahia e a revolução Liberal de 1842 em São Paulo, trazem novos reforços às tropas farrapas, como Daniel Gomes de Freitas (signatário depois do tratado de paz), o coronel Manoel Gomes Pereira, Francisco José da Rocha e João Rios Ferreira, da Bahia; e Rafael Tobias de Aguiar, de São Paulo.

Por outro lado, o fim destas outras rebeliões, também liberam as tropas do exército brasileiro para concentrarem seus esforços contra os Farroupilhas.

Intrigas: O duelo entre Bento Gonçalves e Onofre Pires

A República Rio-Grandense não ficou isenta das disputas pelo poder. Começaram a aparecer em sua fileiras pessoas inteligentes e capazes, dispostas a rachar a necessária unidade nacional naquele momento em que a nação gaúcha precisa de todas as suas forças para combater um inimigo reconhecidamente superior em número e riqueza. Em dezembro de 1842, quando se instalou a Assembleia Constituinte, as divergências se exteriorizaram, contrapondo a “maioria” de Bento Gonçalves e contra a "minoria" de Antonio Vicente da Fontoura. Isto levou o projeto de Constituição publicado em fevereiro de 1843, a ter prejudicada a sistematização das ideias de todos aqueles que ainda estavam na revolução ou a apoiavam.

Bento Gonçalves renuncia, por conta da campanha de intrigas, à Presidência da República Riograndense a 4 de agosto de 1843, assumindo seu vice Gomes Jardim. Lança um manifesto dizendo-se acometido de uma enfermidade pulmonar, que talvez já o estivesse incomodando, e incita a nação a se unir em torno do novo Presidente. Passa em seguida a comandar uma divisão do Exército Rio-Grandense.

Opositores, entre eles o deputado Antônio Vicente da Fontoura, induzem Onofre Pires a destratar e humilhar Bento Gonçalves, chamando-o de assassino ( de Paulinho da Fontoura) e ladrão. Onofre, desafiado por Bento para um duelo realizado em 27 de fevereiro de 1844, é ferido no braço direito, sendo socorrido por Bento, mas vindo a falecer, dias depois, por complicações advindas daquele ferimento.
 
 
 

quarta-feira, 12 de setembro de 2018

A GUERRA DOS FARRAPOS - PARTE VIII


OS LANCHÕES DE GARIBALDI


Óleo sobre tela de Guido Mondin 


Foi preciso engendrar uma manobra incomum para conquistar um ponto que pudesse ligar o Rio Grande dos farrapos com o mar. Este ponto era laguna, em Santa Catarina. O primeiro passo era constituir a Marinha Rio-Grandense. Giuseppe Garibaldi conhecera Bento Gonçalves ainda em sua prisão, no Rio de Janeiro, e obteria dele uma carta de corso para aprisionar embarcações imperiais. Em 1º de setembro de 1838, Garibaldi é nomeado capitão-tenente, comandante da marinha Farroupilha.

O plano era criar um estaleiro, junto a uma fábrica de armas e munições em Camaquã, na estância de Ana Gonçalves, irmã de Bento Gonçalves, trazer os barcos pela Lagoa até o Rio Capivari, e dali, por terra, sobre rodados especialmente construídos para isso, até a barra do Tramandaí, onde os barcos tomariam o mar. Assim foi feito, mas não sem dificuldades.

Os imperiais, informados dos planos farrapos, atacaram o estaleiro de Camaquã, comandados por Francisco Pedro de Abreu, o Chico Pedro, também conhecido por Moringue. Eram mais de uma centena de homens, cercando o galpão com 14 trabalhadores entrincheirados. A comandá-los, Giuseppe Garibaldi. Foram horas de ataque e resistência heróica. Quase ao anoitecer, Moringue precipita-se do esconderijo e leva um balaço no peito. Seus companheiros o recolhem e fogem tão rapidamente quanto chegaram.

Já com os lanchões Seival e Farroupilha cortando as águas da Lagoa dos Patos, eram fustigados pela retaguarda pelo temível John Grenfell, Comandante da Marinha Imperial na Província. Fugindo e despistando conseguem enveredar pelo estreito do Rio Capivari e passam os barcos a terra. Puxando sobre rodados, os dois lanchões artilhados, com cem juntas de bois, atravessaram ásperos caminhos, pelos campos úmidos - em alguns trechos completamente submersos, pois era inverno, tempo feio com chuvas e ventos, tornando o chão um grande lodaçal. Cada barco tinha dois eixos e, naturalmente, quatro rodas imensas, revestidas de couro cru. Piquetes corriam os campos entulhando atoleiros, enquanto outros, cuidavam da boiada.

Levaram seis dias até a Lagoa Tomás José, vencendo 90 km e chegando a 11 de julho. No dia 13, seguem da Lagoa Tomás José à Barra do Rio Tramandaí, sob o Oceano Atlântico, e, no dia 15, lançam-se ao mar com sua tripulação mista de 70 homens. O Seival, de doze toneladas, era comandado pelo norte-americano John Griggs, conhecido como “João Grandão”, e o Farroupilha, de dezoito toneladas, comandado por Garibaldi, ambos armados com quatro canhões de doze polegadas, de molde "escuna".

Finalmente atacam Laguna por terra, com as forças de Canabarro, e por água. Entrando através da Lagoa da Garopaba do Sul, passando pelo Rio Tubarão e atacando Laguna por trás, surpreendendo os imperiais que esperavam um ataque de Garibaldi pela barra de Laguna e não pela lagoa'. Garibaldi com o Seival, toma Laguna, com ajuda do próprio povo lagunense, a 22 de julho de 1839. A 29 deste mês proclama-se a República Juliana, feito um país independente, ligada à República Rio-grandense pelos laços do confederalismo.

Prepara-se o ataque farrapo à ilha do Desterro, hoje Florianópolis, mas o império contra-ataca de surpresa, com força total. Comandados pelo General Andréa, por terra, mais de 3.000 homens e por mar, com uma frota de 13 navios, melhor equipados e experientes, na batalha naval de Laguna, quando teve pela frente o Almirante Imperial Frederico Mariath.

Garibaldi recebe ordem superior de queimar os seus seis navios e de juntar o que resta de suas tripulações ao exército de terra, que prepara a retirada de Laguna. Os imperiais retomam Laguna a 15 de novembro de 1839, expulsando os farrapos Garibaldi e Canabarro. Garibaldi foge com Ana, que tornar-se-ia conhecida como Anita Garibaldi, uma mulher lagunense casada, cujo esposo alistara-se no exército imperial, abandonando-a, um escândalo para a época. Anita veio a ser sua companheira de todos os momentos, lutando lado-a-lado com Garibaldi seja nos pampas gaúchos, como na Itália, onde é considerada heroína.

OS CAMPOS DE LAGES

Em março de 1838 os farroupilhas haviam adentrado a região de Lages, anexando-a à República Rio-Grandense, com o apoio de alguns fazendeiros locais.

Depois das queda de Laguna as tropas farrapas, tomaram o caminho de Lages para retornar ao Rio Grande do Sul. Enquanto isso o governo imperial havia decidido enviar um contingente de tropas ao sul pelo interior com a missão de retomar Lages e depois auxiliar contra o cerco de Porto Alegre pelos farrapos. Em Rio Negro reuniram-se 1500 homens, vindos do Rio de Janeiro, Curitiba, Paranaguá, Antonina e Campo do tenente, deslocando-se em seguida para santa cecília, onde acamparam em 25 de outubro de 1839.

Travando pequenos combates com piquetes farroupilhas em novembro, através dos Campos dos Curitibanos e Campos Novos, chegaram a Lages, onde retomaram a vila. Dali uma parte da coluna do brigadeiro Francisco Xavier da Cunha decidiu seguir em direção ao Rio Pelotas, para invadir o Rio Grande do Sul.

Os farrapos, derrotados em Lajes, se reuniram em um entreposto alfandegário, para cobrança de impostos sobre as tropas de gado e mulas que vinham de Viamão e seguiam para Sorocaba, conhecido como Santa Vitória.

O brigadeiro Francisco Xavier da Cunha, foi informado e para lá dirigiu-se, com seus dois mil homens. Foi surpreendido, em 14 de dezembro de 1839, por Teixeira Nunes, que com sua cavalaria, conseguiu dividir a tropa legalista e o fez retroceder. Em um renhido combate as tropas legalistas foram derrotadas. O brigadeiro ferido e protegido por alguns oficiais, tentou escapar e ao cruzar o Rio Pelotas, morreu afogado.

Os farroupilhas retomaram Lajes novamente, mas as tropas legalistas foram reforçadas por uma divisão vinda de Cruz Alta, sob o comando do coronel Antônio de Melo Albuquerque, o "Melo Manso".

Garibaldi e Teixeira Nunes, pressentido um ataque, dividiram suas tropas, uma partiu para o norte, onde perto do Rio Marombas encontrou uma tropa legalista superior e, 12 de janeiro de 1840. Os republicanos foram dizimados, dos 500 iniciais, menos de 50 conseguiram retornar a Lajes e depois voltar ao Rio Grande do Sul.


 

terça-feira, 11 de setembro de 2018

CAMINHO DA VANEIRA


 
 
Recebemos este chasque do cantor e amigo Elton Saldanha.
 
Buenos dias, Léo Ribeiro!
 
Nesta quarta-feira vamos fazer o Caminho da Vaneira. Vamos nos reunir no largo do Mercado Público as 14 hs. Vai ter um som na frente do Chalé da praça XV. Vamos fazer um passeio até a Praça da Matriz e voltamos ao mercado. Temos vários amigos confirmados como Luiz Carlos Borges, Daniel Torres, Lincon Ramos, Cristina Sorrentino e Crianças EmCanto, Bonitinho, o trovador Marco Aurélio, Leandro e Marcelo Cachoeira, José Estivalet, Jader leal, Liana Tavares e os guris gaiteiros Gustavo e Gabriel.
 
O ano passado fizemos este passeio musical e foi um sucesso. Amanhã vamos novamente cantar pelas ruas de Porto Alegre.
 
Abraço
 
Elton Saldanha.
 
 


#nossaculturanossopatrimonio


Enfim um movimento sério parece ser esboçado em relação a comprometimento dos órgãos públicos com a cultura regional do Sul. Nossos museus estão esfacelados, o IGTF perdeu sede e acervo, os artistas gaúchos andam minguando, os festivais nativistas não encontram patrocínios, os eventos culturais não recebem apoio das administrações municipais e estaduais, a Secretaria de Cultura praticamente não existe.....  
 
Por tudo isto e muito mais haverá este encontro melhor explicitado abaixo em nota que nos foi remetida pelo cantor Cesar Oliveira.

A hora é agora: quando chega nesta época, os políticos pedem o nosso voto. Mas desta vez, vamos estar de olho! Queremos propostas concretas e comprometimento com o a cultura regional gaúcha.

 Nesta quarta-feira, 12, os candidatos que disputam o governo do estado estão convidados para uma mateada, às 14h, no Sítio Histórico de Guaíba, na qual falarão sobre seus planos de incentivo às nossas tradições. E receberão um documento com sugestões a serem implementadas em seus governos, caso sejam eleitos.

 O evento é organizado pela Associação das Entidades Tradicionalistas de Guaíba e pelo Fórum da Tradição, formado por artistas e lideranças do setor, e que busca discutir, propor e implementar medidas que possam fazer nosso gauchismo crescer ainda mais.

 Entre os propósitos deste grupo, está a defesa de políticas públicas e medidas claras para gerar emprego e renda, a partir de nossas manifestações culturais. #nossaculturanossopatrimonio
 
Por: Cesar Oliveira


 

REPONTANDO DATAS - 11 DE SETEMBRO


No dia 11 de setembro, do ano de 1836, após a mais fulgurante vitória dos republicanos sobre as tropas imperiais comandadas por João da Silva Tavares, o General Antônio de Souza Netto, a revelia do comandante Bento Gonçalves, proclamou a República Rio-grandense. Neste dia a Revolução Farroupilha passa a denominar-se Guerra dos Farrapos, ou seja, deixa de ser uma luta de província contra o império para ser de uma nação contra outra. 
 
Netto, assim se pronunciou diante de seus comandados:   

"Camaradas! Nós que compomos a 1ª Brigada do Exército Liberal, devemos ser os primeiros a proclamar, como proclamamos, a independência desta Província, a qual fica desligada das demais do Império, e forma um Estado livre e independente, com o título de REPÚBLICA RIO-GRANDENSE, e cujo manifesto às nações civilizadas se fará competentemente. Camaradas! Gritemos pela primeira vez: VIVA A REPÚBLICA RIO-GRANDENSE. VIVA A INDEPENDÊNCIA! VIVA O EXÉRCITO REPUBLICANO RIO-GRANDENSE!"

- Campos dos Menezes, 11 de setembro de 1836 - Antônio de Souza Neto - Coronel - Comandante da 1ª Brigada.
 
 
 
 
 
 

ESTEIO DA POESIA / CONVITE


 
 
Boa noite poetas e poetisas,
 
Segue convite para que participem do lançamento do 5º Esteio da Poesia Gaúcha e 1º Esteio do Amanhã.
 
Na sexta-feira (14) divulgaremos no site da Prefeitura de Esteio (www.esteio.rs.gov.br) e no nosso Facebook (www.facebook.com/esteiodapoesia) os regulamentos e abriremos o prazo para inscrições, que este ano vão até o dia 9 de novembro.
 
Contamos com a valiosa participação de todos em nossos eventos. Só juntos podemos engrandecer o movimento poético.

Abraços
 
Atenciosamente, 
Djalma Corrêa Pacheco
Jornalista - Organizador do Esteio da Poesia Gaúcha
(51) 9151-3893
 
 
 

A GUERRA DOS FARRAPOS - PARTE VII


A QUEDA DA TRANQUEIRA INVICTA

 

 
Em Rio Pardo estava concentrada uma divisão do exército imperial, comandada pelo marechal Sebastião Barreto, com os brigadeiros Francisco Xavier da Cunha comandando a infantaria e Bonifácio Caldeiron a cavalaria, num total de 1200 combatentes. A cidade era junto com Porto Alegre e Rio Grande, uma das mais importantes do estado, contando com quase o dobro de habitantes da capital.

A concentração de tropas imperiais chamou a atenção dos farroupilhas, conscientes das possíveis consequências desta tropa quando se movimentasse Bento Manuel Ribeiro, ao lado de Antônio de Souza Neto em 30 de abril de 1838, comandando 2500 homens, 800 deles de cavalaria, surpreendem a cidade, na batalha do Barro Vermelho, na entrada da cidade, derrotando os imperiais, conquistando Rio Pardo, a ex-tranqueira invicta, matando 71 homens e fazendo mais de 130 prisioneiros.

Este fato foi importante por vários aspectos. Rio Pardo formava, com Rio Grande e Porto Alegre, a fronteira de domínio imperial, um ponto de apoio para a conquista do interior, tinha fama de inexpugnável, e a vitória farrapa foi incontestável. Importante também porque em Rio Pardo se encontrava, na ocasião, a Banda Imperial, sob o comando do maestro mineiro Joaquim José Mendanha, que viria a compor, sob a encomenda de Bento Gonçalves o Hino Nacional da República Riograndense. Com a letra do republicano Serafim Joaquim de Alencastre, o hino foi executado e cantado pela primeira vez na cerimônia de comemoração do primeiro aniversário da Tomada de Rio Pardo. Hoje a música do hino é a mesma, mas foi composta outra letra, por Francisco Pinto da Fontoura, o Chiquinho da Vovó, para se adequar aos novos tempos.

Cabe ressaltar que a primeira composição do Hino Nacional da República Riograndense destacava a mesma idéia dos discursos de Bento Gonçalves, de não ceder à paz vergonhosa da deposição das armas: “Nobre povo rio-grandense, / Povo de heróis, povo bravo! / Conquistaste a independência / Nunca mais serás escravo”

Notas sobre o "Hymno republicano riograndense de 1835": A partitura manuscrita pertencente ao acervo do Museu Júlio de castilhos, Porto Alegre, e nela consta a inscrição "Este hino foi solfejado pelo m...(palavra ilegível, interpretada pelos técnicos do Museu como ministro) Augusto Pereira Leitão, revolucionário de 35". O acorde de 7ª na abertura foi realizado como um arpeggio à guisa de introdução. Foram alterados acidentes nos compassos 14 e 18 que indicavam Lá#, incongruente com a clave de Fá maior (talvez erro de cópia), e acrescentado um # no Fá do baixo, que constava natural contra um Fá# da melodia acima, na falsa preparação para Sol menor. Também uma nota do baixo do segundo compasso foi alterada de Lá para Sib por aparentemente ser um erro de harmonia, comparando-se com passagem idêntica mais adiante que traz o Sib no mesmo ponto.

O Hino Rio-Grandense é o hino oficial do estado do Rio Grande do Sul. Tem letra de Francisco Pinto da Fontoura, música de Comendador Maestro Joaquim José Mendanha e harmonização de Antônio Corte Real. A obra original possuía uma estrofe que foi suprimida, além de uma repetição do estribilho, pelo mesmo dispositivo legal que a oficializou como hino do estado - A lei nº 5.213, de 5 de Janeiro de 1966.

Como aurora precursora
Do farol da divindade
Foi o vinte de setembro
O precursor da liberdade

Refrão
Mostremos valor e constância
Nesta ímpia e injusta guerra
Sirvam nossas façanhas
De modelo a toda terra
De modelo a toda terra
Sirvam nossas façanhas
De modelo a toda terra

Mas não basta pra ser livre
Ser forte, aguerrido e bravo
Povo que não tem virtude
Acaba por ser escravo

Refrão
Mostremos valor e constância
Nesta ímpia e injusta guerra
Sirvam nossas façanhas
De modelo a toda terra
De modelo a toda terra
Sirvam nossas façanhas
De modelo a toda terra

Trecho suprimido. Em 1966, a segunda estrofe foi retirada oficialmente.

Que entre nós, reviva Atenas
para assombro dos tiranos
Sejamos gregos na glória
e na virtude, romanos


 

RELACIONAMENTO SÉRIO E COMPROMETIDO


COM O TRADICIONALISMO GAÚCHO
 
Uma agenda apertada, com compromissos próximos, atravessando o Rio Grande do Sul, com recursos próprios. Essa é Elenir Winck. Ex-secretária de Educação de Panambi e que tem uma visão macro sobre educação e cultura andarem de mãos dadas. De coração, pela tradição.

 

A vice-presidente de Administração e Finanças do Movimento Tradicionalista Gaúcho, Elenir Winck, percorreu o estado em poucos dias para prestigiar os eventos e atividades tradicionalistas de entidades e regiões.
 
No dia 1º, no 35 CTG, durante o Festival Pioneiro da Tradição, foi realizado o encontro dos Ex-Plêndidos (ex-prendas e ex-peões do estado) e Elenir esteve presente prestigiando os dois eventos. No dia 5, esteve no Encontro Regional da 26ªRT, na cidade de Pelotas, na União Gaúcha João Simões Lopes Neto.
 
No sábado, dia 8,  Elenir e Ciro Winck estiveram em Pedro Osório, no CTG Fogo de Chão. Participaram do Encontro Regional da 21ª RT e da distribuição da Chama aos municípios da região.     "Agradecemos o carinho e cumprimentamos a Coordenadoria, Entidades Tradicionalistas e administração municipal pela organização e união demonstrada em todos os momentos" - disse Elenir.
 
Já na manhã de domingo, dia 9,  no CTG Clube Farroupilha, de Ijui, estiveram na distribuição da Chama às Entidades da 9ª RT. "Foi uma bela homenagem ao nosso grande mestre Paixão Côrtes e aos 75 anos do CTG Clube Farroupilha. Parabéns à Coordenadoria, tudo foi muito lindo e emocionante" - conta.
 
E, sem parar, ainda no domingo, dia 9, acompanharam os amigos no Rodeio do CTG Nova Querência, em Panambi. Um dos grandes eventos da 9ª Região.

 
 
 
 

segunda-feira, 10 de setembro de 2018

REPONTANDO DATAS / 10 DE SETEMBRO



No dia 10 de setembro do ano de 1836 trava-se nos Campos dos Menezes, Bagé, a Batalha do Seival onde as tropas farroupilhas de Antônio de Souza Neto derrotam as legalistas de João da Silva Tavares. Nesse Local, na margem esquerda do Arroio Seival, ao norte da BR-293, o MTG mandou erguer um Marco Histórico.

Também num dia 10 de setembro, mas no ano de 1837, Bento Gonçalves da Silva chega  de volta aos pampas, fugitivo do Forte São Marcelo, Salvador.

Por outra feita, num dia 10 de setembro, do ano de 1899, João Cezimbra Jacques, patrono do tradicionalismo gaúcho, junto com João Simões Lopes Neto, fundam em Pelotas a União Gaúcha, 3ª Sociedade no Gênero.
 
 
 

A GUERRA DOS FARRAPOS - PARTE VI


A GUERRA SEM BENTO
 

Na sessão extraordinária da Câmara de Piratini, na primeira capital da República Rio-grandense em 6 de novembro de 1836, procedeu-se formalmente a votação para Presidente da República, conforme os parâmetros da época. A concorrida eleição foi vencida por Bento Gonçalves da Silva (mesmo sem estar presente e sem campanha) e primeiro vice-presidente José Gomes de Vasconcelos Jardim. Assume o vice interinamente a presidência com a incumbência de convocar uma Assembleia Constituinte para formar a Constituição da República Rio-grandense.

A luta entre Farroupilhas e Imperiais continuou acirrada. O Império despejava rios de dinheiro para recrutar mais e mais soldados paulistas e baianos, para comprar mais armas, mais munições, com pouquíssimo resultado prático.

Pelo lado imperial, Araújo Ribeiro foi substituído a 5 de janeiro de 1837 pelo Brigadeiro Antero de Brito, acirrando mais a disputa. Brito passou a acumular os cargos de Comandante das Armas e de Presidente da Província com capital em Porto Alegre. Se Araújo era, acima de tudo, conciliador, Brito perseguiu e prendeu até mesmo civis simpatizantes das ideias farroupilhas, confiscando seus bens; alguns destes foram punidos com a pena de desterro. Em contrapartida os Farrapos eram senhores do pampa, recebiam maciças adesões de militares descontentes com a nomeação de Brito, e ainda em Janeiro de 1837, ganham o apoio dos habitantes de Lages de Santa Catarina, que seria um importante ponto onde os Farrapos comprariam armas e munições. O principal perseguido por Antero de Brito era o Comandante das Armas Imperiais anterior a ele, nada menos que Bento Manuel Ribeiro. Vaidoso, e prepotente, Bento Manuel não aceitava a auto-nomeação de Brito, e continuava a dar suas próprias ordens às tropas. Brito, então, sai pessoalmente ao seu encalço. Bento foge mudando de direção, como numa brincadeira de gato e rato. Situação que se arrasta até o dia 23 de março de 1837 quando, num golpe de mestre, Bento Manuel Ribeiro deixa um piquete para trás, sob o comando do major Demétrio Ribeiro que, de surpresa, cai sobre as tropas de Brito e prende o Presidente Imperial da Província. Com isso novamente o traidor é aceito no seio farrapo, passando a combater novamente os imperiais.

Em 8 de abril o general Netto conquista Caçapava do Sul, centro de reabastecimento imperial, depois de sete dias de cerco, apreendendo 15 canhões e fazendo prisioneiros a 540 imperiais, comandados pelo coronel João Crisóstomo da Silva. Ainda neste ano, em 2 de julho, acontece o Combate de Ivai, onde Bento Manuel é capturado, mas após um ataque farroupilha 50 legalistas são mortos, enquanto o marechal Sebastião Barreto Pereira Pinto foge para Caçapava do Sul.

A sustentação econômica da República era propiciada pelo apoio da vizinha República Oriental do Uruguai, que permitia o comércio do charque produzido pelos rio-grandenses para o próprio Brasil. A exportação era feita por terra até o Porto de Montevidéu, ou pelo Rio Uruguai. Em 29 de agosto é assassinado o coronel João Manuel de Lima e Silva, que havia derrotado Bento Manoel Ribeiro imperial, no ano anterior.

A 29 de agosto de 1838 lança seu mais importante manifesto aos rio-grandenses onde justifica as irreversíveis decisões tomadas em favor da libertação do seu povo, e coloca a nação gaúcha no seu verdadeiro lugar entre as demais nações da Terra: -Toma na extensa escala dos estados soberanos o lugar que lhe compete pela suficiência de seus recursos, civilização e naturais riquezas que lhe asseguram o exercício pleno e inteiro de sua independência, eminente soberania e domínio, sem sujeição ou sacrifício da mais pequena parte desta mesma independência ou soberania a outra nação, governo ou potência estranha qualquer. Faz neste momento o que fizeram tantos outros povos por iguais motivos, em circunstâncias idênticas. E no trecho final, um juramento importante lembrado e cobrado pelos Farrapos de todos os tempos: - Bem penetrados da justiça de sua santa causa, confiando primeiro que tudo, no favor do juiz supremo das nações, eles têm jurado por esse mesmo supremo juiz, por sua honra, por tudo que lhes é mais caro, não aceitar do governo do Brasil uma paz ignominiosa que possa desmentir a sua soberania e independência. Estas palavras têm reflexo mais tarde, quando da assinatura do Tratado de Ponche Verde.

Carta de Bento Gonçalves aos seus comandados, escrita na prisão


 

domingo, 9 de setembro de 2018

A GUERRA DOS FARRAPOS - PARTE V


A BATALHA DO FANFA

                          Óleo sobre tela de Oscar Pereira da Silva tendo como tema a Guerra dos Farrapos


No dia 12 de setembro, um dia após à Proclamação da República por Antônio de Souza Neto, a seguir à vitória na Batalha do Seival, houve a solenidade de lavratura e assinatura da Ata de Declaração de Independência, pela qual os abaixo-assinantes declaram não embainhar suas espadas, e derramar todo o seu sangue, antes de retroceder de seus princípios políticos, proclamados na presente declaração. Fez-se várias cópias da Ata e foram enviadas às câmaras municipais e aos principais comandantes do Exército Republicano.

Como resposta imediata, as câmaras de Jaguarão, Alegrete, Cruz Alta, Piratini, entre outras, convocaram sessões extraordinárias onde puderam analisar e corroborar os feitos, fazendo constar em Atas Legislativas suas adesões, proclamando a independência política da Província, por ser a vontade geral da maioria.

Bento Gonçalves não pudera estar presente devido a um fato circunstancial. Ao tomar conhecimento do ato da Proclamação da República Riograndense, Bento Gonçalves levanta seu acampamento na lomba do Tarumã, parte do sítio que impingia a Porto Alegre, segue a várzea do Rio Gravataí, marcha para São Leopoldo e cruza o rio dos Sinos e o Rio Caí, passa a deslocar-se, beirando o Rio Jacuí, para junção de forças com Neto. Fatalmente ele precisava atravessar o rio na Ilha do Fanfa, no município de Triunfo por causa da época de cheias. Ciente dos acontecimentos, Bento Manuel agora a serviço do Império, desloca suas tropas com 660 homens embarcados, a partir de Triunfo, de modo a impedir a passagem de Bento Gonçalves.

Bento Gonçalves decide cruzar o rio Jacuí, para unir suas tropas com as de Domingos Crescêncio, e na noite de 1 de outubro levanta acampamento e na manhã seguinte inicia, com dois pontões para 40 homens, o cruzamento para a Ilha do Fanfa. José Bonifácio de Araújo Ribeiro, alertado por Bento Manuel, envia a Marinha, comandada pelo mercenário inglês John Grenfell, com 18 barcos de guerra, escunas e canhoneiras guardando o lado sul da Ilha, só percebida pelos Farrapos depois de estarem na ilha. Fechando o cerco por terra, Bento Manuel ficou senhor da situação. Era 3 de outubro de 1836. Apesar da “ratoeira” em que estavam, os farrapos resistem bravamente, sabedores da proximidade das tropas de Crescêncio carvalho, repelem os fuzileiros que desembarcam na ilha pela costa sul e qualquer tentativa de travessia pelo norte. Naquela noite, porém, Bento Manuel levanta a bandeira de “parlamento”. Bento Gonçalves aceita negociar. O acordo foi feito e assinado na tenda de Bento Manuel. Os Farrapos entregariam as armas, capitulariam, e voltariam livres para suas casas. Segundo Bento Manuel a guerra estaria terminada, com a vitória do Império. Ele pacificara a Província, e receberia as glórias da Corte. Porém, Bento Gonçalves não era tão ingênuo. Aceitaria as condições, sairia perdedor dali, mas estariam vivos para recuperar o tempo e o terreno perdido.

Pela manhã do dia 4 de outubro era formalizada a capitulação. Alguns guerreiros, no entanto, preferiam jogar as armas ao rio a entregá-las ao inimigo. No momento em que confraternizavam as tropas (Bento Gonçalves sempre teve a esperança de trazer o primo e amigo para o convívio republicano), chega Araújo Ribeiro, em pessoa, trazido por John Grenfell. Imediatamente ordena a prisão dos Farrapos, desprevenidos e desarmados, não aceitando o combinado entre os dois Bentos. Bento Manuel colabora com a captura do maior número possível de Farrapos: Bento Gonçalves, Tito Lívio, Pedro Boticário, entre outros. A maior parte dos líderes do movimento foi preso na [Presiganga] e depois enviada para a Corte e enfim encarcerada na prisão de Santa Cruz e no Forte da Lage, no Rio de Janeiro.