RETRATO DA SEMANA

RETRATO DA SEMANA

domingo, 3 de março de 2024

 

REPONTANDO DATAS - 03 DE MARÇO


Monumento a Teixeirinha em Passo Fundo
Obra do artista Paulo Batista Siqueira

Num dia 3 de março, do ano de 1927, nascia na localidade de Mascarada, então pertencente a Santo Antônio da Patrulha e hoje ao município de Rolante, Vitor Mateus Teixeira, o Teixeirinha, filho de Saturno Teixeira e Ledurina Mateus Teixeira. Teixeirinha consagrou-se com a música Coração de Luto aonde retrata o episódio do incêndio em sua casa, fato que vitimou sua mãe.  Antes disto o Rei do Disco - ninguém vendeu mais que ele no Brasil - foi dono de banca de tiro ao alvo, caminhoneiro e outras profissões que o ajudaram a manter-se até ser reconhecido. 

Em diversas localidades como Passo Fundo e Rolante existem monumentos em sua homenagem. A RS 020 que liga Porto Alegre a Taquara carrega seu nome.  

Nosso blog, no ano de 2020, recebeu da Assembleia Legislativa do Estado do Rio Grande do Sul o Prêmio Vitor Mateus Teixeira pelo trabalho de divulgação da cultura regional gaúcha.  



sábado, 2 de março de 2024

 

PARTE DESTE PLANO EXISTENCIAL

O GRANDE GAITEIRO 

PAULINHO SIQUEIRA


Léo Ribeiro, Daltro Bertussi e Paulo Siqueira

No dia em que festejamos a data de nascimento de um saudoso amigo (Porca Véia - 02 de março) outro grande gaiteiro deixa este plano existencial para ir alegrar as Sesmarias do Infinito. Me refiro a Paulinho Siqueira, mestre do acordeom, que por muitos anos tocou com Honeyde Bertussi quando seu filho Daltro deixou o grupo. 

Paulinho Siqueira foi um dos melhores executores deste instrumento que conheci e vinha enfrentando um câncer há longo tempo. Infelizmente perdemos mais um amigo para esta enfermidade. 

Vai com Deus, Paulinho, novamente formar dupla com outros acordeonistas nos palcos do CTG Querência da Eternidade.     



 

REPONTANDO DATAS - 02 DE MARÇO

Num dia 02 de março do ano de 1952 nascia na localidade de Pontão, então pertencente ao município de Lagoa Vermelha, o grande amigo e carismático gaiteiro Elio da Rosa Xavier, o Porca Véia.

Quanta saudade de nossos entreveiros, meu parceiro velho.  


Sentimento de Trovador. Autoria: Doné Teixeira na interpretação de: Porca Véia 



 

sexta-feira, 1 de março de 2024

 

REPONTANDO DATAS / 1º DE MARÇO


MORRE FRANCISCO SOLANO LOPEZ


Morte de Solano Lopez no Arroio Aquidabán
Pintura de Adolfo Methfessel 


A Batalha de Cerro Corá ou Aquidabanigui foi o último confronto da Guerra do Paraguai. Foi travada  no dia 1 de março de 1870, nas imediações de Cerro Corá, 454 quilômetros ao nordeste de Assunção. É notória por ter sido a batalha em que Francisco Solano López, presidente paraguaio, foi morto às mãos do Exército Imperial Brasileiro.

A Guerra do Paraguai perdurava por mais de cinco anos e, após numerosas batalhas, o exército paraguaio havia sido reduzido a velhos, doentes e crianças. A batalha de Campo Grande foi o último grande combate do conflito, que a partir de então se restringiu à lutas ocasionais, nos meses finais de 1869 e início de 1870. Neste período, o Conde d'Eu organizou expedições à procura de Solano López, seguindo o caminho que sua coluna havia passado. No trajeto os homens de López e os de Conde d'Eu faziam sofrer a população civil, seja por causa de supostas conspirações contra López, ou dos saques e maus-tratos infligidos pelas tropas imperiais. No dia 8 de fevereiro de 1870, López e sua coluna atingiram Cerro Corá.

As condições no acampamento eram deploráveis, com as quinhentas pessoas que acompanhavam López no extremo da fome e miséria. Em Cerro Corá abatia-se uma rês por dia, para alimentar a todos. Consequentemente, as posições defensivas organizadas pelo marechal eram deficientes, e a isso somava-se o fraco armamento presente. As tropas brasileiras, com cerca de 2 600 homens sob o comando do general José Antônio Correia da Câmara, se aproximaram e cercaram o acampamento, sem este saber. No dia 1º de março atacaram em duas frentes: pela parte frontal e pela retaguarda. Os dois pontos defensivos, um no arroio Tacuara e o outro no arroio Aquibadán, caíram rapidamente e o assalto ao acampamento durou poucos minutos, com a resistência se dispersando logo em seguida.

López foi cercado pelos brasileiros e, após negar a se render, foi ferido a lança pelo cabo Francisco Lacerda, gaúcho apelidado de Chico Diabo, se embrenhando na mata logo em seguida. O general Câmara o seguiu e o achou próximo ao arroio Aquibadán, onde negou-se novamente a render-se, sendo alvejado no coração pelo também gaúcho João Soares. Os fatos sobre sua morte são cercados por divergências e imprecisões. Logo em seguida a batalha foi encerrada, com cerca de 240 paraguaios presos e sete imperiais feridos. O tempo fez surgir interpretações acerca da figura de López, retratando-o tanto como um tirano cruel quanto a um grande líder paraguaio. No decorrer dos anos, o nome Cerro Corá se tornaria parte da cultura paraguaia, batizando ruas e parques. 

Tocamos neste tema porque nosso Estado foi uma da federações que mais enviou soldados para a guerra e por ser palco de violentos combates, como a invasão de Uruguaiana. 

Pessoas que haviam lutado por 10 anos na Guerra dos Farrapos se uniram para defender o Império, como foi o caso do general Antônio de Sousa Netto, que morreu em Corrientes, Argentina, após um combate. 


CHICO DIABO 

O GAÚCHO QUE MATOU SOLANO LOPEZ


Gravura de Chico Diabo - autor desconhecido


Existem histórias que, dependendo de como são contadas, passam por diferentes interpretações. Enquanto, em um contexto, alguém possa parecer bom, em outro, a índole da mesma personagem ganha distintas proporções.

Esse é o caso de José Francisco Lacerda, ou Chico Diabo. Eternizado pela história militar brasileira, o gaúcho é comumente considerado um herói nacional. Quando sua lenda é contada por paraguaios, contudo, as coisas mudam um pouco de figura.

Conhecido como o responsável pela morte de Francisco Solano López, o soldado brasileiro é considerado um grande vilão no imaginário do Paraguai.

Nascido em Camaquã, um município do Rio Grande do Sul, em 1848, Francisco Lacerda era um menino brincalhão, vindo de uma família muito pobre. A condição econômica, inclusive, fez com que ele começasse a trabalhar muito cedo.

Aos precoces 15 anos, Chico foi apresentado ao mundo da violência quando deixou que um cachorro entrasse na carniçaria onde trabalhava. Furioso com os prejuízos, o patrão do menino, um italiano rígido, começou a espancá-lo.

Reza a lenda que, desesperado e lutando pela própria vida, Chico agarrou uma faca e matou seu chefe. Jovem e amedrontado, ele correu para casa e, quando estava subindo a rua, foi reconhecido pela mãe, que o chamou de diabinho.

Mesmo em meio a um contexto tão terrível, o apelido se espalhou e o menino logo tornou-se Chico Diabo. Com medo das consequências do assassinato, no entanto, o jovem foi enviado para a propriedade de seu tio Vicente Lacerda, em Bagé.

Não demorou muito até que Chico entrasse no universo militar, em 1865. Na ocasião, os Voluntários da Pátria visitaram a casa de Vicente e, convidado pelo coronel Joca Tavares, o jovem gaúcho aceitou fazer parte do pelotão.

Anos mais tarde, em meados de 1870, o soldado e seus companheiros foram enviados até a Guerra do Paraguai. Durante o conflito, Chico foi promovido a cabo e, logo em seguida, lutou na Batalha de Cerro Corá, cujo desfecho o consagrou como herói.

Em meio ao terrível embate, enquanto cavalos galopavam por um lado e facas brandiam pelo outro, Chico Diabo acertou um golpe fatal. Sua lança, comprida e afiada, havia perfurado a carne do ditador Francisco Solano López.

Como se não fosse o suficiente, o gaúcho João Soares ainda alvejou o oponente com seu revólver. Aquele era o fim do homem que, para o Paraguai, era um herói nacional e, para o Brasil, não se passava de um líder sanguinário.

Diversas teorias surgiram após o fim do conflito, dizendo que Chico Diabo teria descumprido ordens ao matar Solano. Outras fontes, entretanto, indicam que havia uma recompensa de cem libras de ouro para quem acabasse com o ditador.

Pelo considerado grande feito, Chico Diabo recebeu cem cabeças de gado e reivindicou a faca que Solano usava no dia do combate. Em 1871, o gaúcho voltou para o Brasil e casou-se com sua prima, com quem formou uma família — cujos membros vivem até hoje e, na tradição oral do Sul, crescem escutando a história do homem.


Chico Diabo é o terceiro, em pé, da esquerda para a direita
aqui já prestando serviços a Joca Tavares na Revolução Federalista 





quinta-feira, 29 de fevereiro de 2024

 

MIL GRACIAS PELA CONFIANÇA


Ontem a noite (28), estive no CTG Estância da Azenha aonde reuniram-se patrões e patroas da 1ª Região Tradicionalista. Me causou surpresa o número de participantes e a organização do evento. 

Mas meu motivo de ter comparecido foi outro. 

Fui agradecer pessoalmente ao Paulo Matukait futuro vice-presidente da Fundação Cultural Gaúcha pelo convite para que eu faça parte do Conselho deste importante órgão de 44 anos de profícuo trabalho em prol de nossos costumes e que tem por objetivo, além de conservar as tradições, garantir meios e condições para a sustentabilidade do MTG. 

Me coloquei a disposição do Movimento mas declinei do convite por estar num processo de desaceleração de algumas atividades. 

De toda a forma me sinto honrado pela lembrança de meu nome e, quem sabe mais adiante....

 


quarta-feira, 28 de fevereiro de 2024

 

REPONTANDO DATAS / 28 DE FEVEREIRO

O Tratado de Paz de Ponche Verde


David Canabarro analisa as condições do Tratado
 Ilustração de Léo Ribeiro para o livro OS FARRAPOS E A MAÇONARIA



No dia 28 de fevereiro de 1845, no local chamado Ponche Verde, hoje Dom Pedrito, o presidente da República Rio-grandense José Gomes de Vasconcelos Jardim assina o tratado de paz com o império brasileiro terminando a Guerra dos Farrapos.

Sobre esta questão a história não é clara pois há quem defenda que tal tratado foi assinado no dia 1º de março. Outros dizem que o documento chegou ás mãos dos farroupilhas no dia 25 de fevereiro. O documento original foi datado assim: "Campo de Alexandre Simões, 25 de fevereiro de 1845".

O certo é que o então Barão de Caxias, representante do império, ficou em Porto Alegre mandando seus subalternos discutirem o acordo visto que não considerava aquele documento um tratado pois tratado seria entre duas nações independentes e Caxias nunca considerou a Província como uma nação. Em nenhum dos artigos deste Tratado de Paz a independência da República Rio-Grandense é anulada ou extinta, permanecendo intacta e, por este detalhe, muitos consideram que o Rio Grande do Sul ainda é independente. 


terça-feira, 27 de fevereiro de 2024

 

REPONTANDO DATAS - 27 DE FEVEREIRO


Ilustração de Léo Ribeiro para o Livro Os Farrapos e a Maçonaria

No dia 27 de fevereiro do ano de 1844 ocorre o famoso Duelo Farroupilha entre Bento Gonçalves e seu primo Onofre Pires. O duelo aconteceu as margens do Arroio Sarandi (Alegrete) sem a presença de testemunhas. Bento fere Onofre no ombro e na mão depois, com seu próprio lenço, faz um torniquete em Onofre e volta a cidade. Onofre Pires veio a morrer em sua barraca, de gangrena, três dias após o duelo. 

Também num dia 27 no mês de fevereiro, mas no ano de 1894, durante a Revolução Federalista, os Maragatos derrotam os Pica-paus no combate de Tarumã (Passo Fundo).

E no dia 27 de fevereiro de 2011 morre um dos maiores poetas serranos, ou seja Zeno Cardoso Nunes, autor do Dicionário de Regionalismo, livro mais vendido da editora Martins Livreiro. Zeno era natural de São Francisco de Paula, foi presidente da Estância da Poesia Crioula e do Movimento Tradicionalista Gaúcho e integrante da Academia Rio-grandense de Letras. Tive a honra de dividir com este grande amigo e com seu irmão Rui Cardoso Nunes uma obra intitulada Três Poetas Serranos.  



 


segunda-feira, 26 de fevereiro de 2024

 



A Europa e, especialmente, Portugal, tem se mostrado um bom mercado para a musicalidade rio-grandense. Na pandemia Yamandu Costa mudou-se de mala e cuia para nossa Pátria Mãe. No ano passado o grande gaiteiro Luciano Maia também realizou uma bela turnê pelas terras do fado. Agora, o cantor, músico, compositor, profundo estudioso da arte chamamecera Juliano Javoski, um artista diferenciado, vai mostrar seu talento além mar. Boa viagem, meu amigo e Irmão.

Assim se manifestou Javoski nas redes sociais: 
  

Saludos a todos, meus agradecimentos aos que me apoiam neste projeto de atuação na BTL - uma das mais importantes feiras de turismo da Europa, com a participação de mais de 100 Países. Grácias prefeito de Butiá, Daniel Almeida pela indicação, farei o melhor, juntamente com os demais participantes dos municípios da Região Carbonífera. Levaremos um pouco da nossa cultura regional e gaúcha, em diversas manifestações (música, dança e outros segmentos).



domingo, 25 de fevereiro de 2024

 

REPONTANDO DATAS - 25 DE FEVEREIRO


No dia 25 de fevereiro de 1845 chega da Corte (Rio de Janeiro) a delegação farroupilha, presidida pelo cachoeirense embaixador Antônio Vicente da Fontoura, trazendo as Concessões do Tratado de Paz de Ponche Verde.

A escolha de Vicente da Fontoura para comandar as tratativas de paz para a Revolução foi um grande erro (talvez intencional) pois era um dos líderes da grande maioria dos farrapos que não eram abolicionistas.

Sabe-se que o único item não aceito pelos imperiais foi justamente a libertação dos escravos, fato que poderia alastrar-se para o resto do Pais.

Em seguida do retorno da delegação do Rio de Janeiro aconteceu a fatídica Batalha dos Porongos (que muitos chamam de Massacre dos Porongos) aonde dezenas de negros, desarmados, foram mortos num episódio nebuloso até hoje não bem definido pelos historiadores.

A mágoa contra Vicente da Fontoura era tanta que durante as eleições municipais de 8 de setembro de 1860, foi vítima de atentado a faca, perpetuado por um negro, em plena Igreja, hoje Catedral de Nossa Senhora da Conceição de Cachoeira do Sul, falecendo algumas semanas mais tarde em decorrência dos ferimentos sofridos.

Fonte: Os Farrapos e a Maçonaria – Léo Ribeiro de Souza

    


sábado, 24 de fevereiro de 2024

 

O SILÊNCIO DO PAMPA  

Resenha do poema de autoria do Padre Pedro Luis. 


Em silêncio Deus fez tudo;

Ele é hábito divino.

Em silêncio ao tronco mudo

sobe a seiva em seu destino.

Em silêncio a flora rica

grela, avulta e canta um hino

e, em silêncio, frutifica. 



 

REPONTANDO DATAS / 24 DE FEVEREIRO


Em 24 de fevereiro de 1843 era criada uma Capela Curada denominada "Capela do Uruguai", conforme uma resolução que foi sancionada pela Assembleia Constituinte e Legislativa de Alegrete. Por essa iniciativa e empenho, o mineiro Domingos José de Almeida, Ministro das Finanças dos Farroupilhas, é considerado o fundador oficial de Uruguaiana.


Uruguaiana antiga





sexta-feira, 23 de fevereiro de 2024

 

NÃO DESANIME

 



Quando nada parece dar certo, não acredites no que dizem ser as evidências. Tudo na vida está certo, porque é simplesmente aquilo que está a acontecer.

Tenha em mente que quando a tua vida parece estar a ruir, na verdade ela está a reconstruir-se sobre bases completamente diferentes. A partir desse momento tudo pode vir a ser novo e nada mais ser igual - mesmo tu podes não ser mais o mesmo.

Algo em ti vai fazer-te perceber que passaste a ter a atitude de quem sabe que tudo é o resultado daquilo que decides ser perante cada coisa.

Podes até sentir medo, mas também saibas que é natural senti-lo, porque toda a mudança traz consigo pelo menos mais um medo.

O importante é não cederes diante das dificuldades. O fundamental é entenderes que a vida nem sempre caminha em linha reta.

O indispensável é saberes que, seja qual for o caminho que escolheres, ele será sempre o melhor para ti, desde que te permita conhecer melhor quem és e te dê a possibilidade de melhorar cada vez mais a relação que manténs contigo mesmo.


Texto e imagem de autores desconhecidos


quinta-feira, 22 de fevereiro de 2024

 

HOJE É UM DIA DAQUELES... ENTÃO
ATÉ AMANHÃ. 




quarta-feira, 21 de fevereiro de 2024

 

O PATRONO DOS FESTEJOS FARROUPILHAS DE 2024 É 

PEDRO ORTAÇA 


Pedro Ortaça

O nome do cantor, compositor e músico Pedro Ortaça, foi escolhido na tarde de ontem (20) em uma reunião da Comissão Estadual dos Festejos Farroupilhas no galpão Negrinho do Pastoreio do Palácio Piratini, numa indicação da Estância da Poesia Crioula, Movimento Tradicionalista Gaúcho, Fundação Cultural Gaúcha e Prefeitura Municipal de Porto Alegre, tendo seu nome aprovado por aclamação pelas vinte entidades participantes como Patrono das festividades de 2024 quando a temática também recairá sobre outro "Tronco Missioneiro", ou seja, Jayme Caetano Braun, já que em 2024 comemora-se seu centenário de nascimento. 

Pedro Marques Ortaça nasceu em 29 de junho de 1942, em São Luiz Gonzaga, um dos Sete Povos das Missões aonde foi eleito Personalidade do Século. Em 2006 foi agraciado com o Prêmio Vitor Mateus Teixeira, entregue pela Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul.  É Mestre das Culturas Populares Brasileiras - Prêmio Humberto Maracanã, do Ministério da Cultura. Possui diversos clássicos sendo um dos maiores e mais autênticos representantes da musicalidade missioneira do Estado.
 

Comissão Estadual dos Festejos Farroupilhas 2024 
Foto: Solange Brum/Ascom/Sedac





 

QUEM É O PATRONO ??? 


Ontem a Comissão Estadual dos Festejos Farroupilhas 2024 esteve reunida pela primeira vez. O encontro aconteceu no Galpão Negrinho do Pastoreio, do Palácio Piratini, com a presença da Secretária de Cultura Beatriz Araújo e de várias entidades que se fizeram representar. 

Na oportunidade, como já era de conhecimento de todos em virtude do Decreto assinado pelo Governador Eduardo Leite, o tema desta edição dos festejos será o pajador missioneiro Jayme Caetano Braun, em face de ser o ano de seu centenário de nascimento. 

Além de outras decisões foi indicado o Patrono das Comemorações. 

Por uma questão de ética, vamos aguardar o pronunciamento oficial da SEDAC, mas podemos adiantar que o nome é merecidíssimo. 


    

terça-feira, 20 de fevereiro de 2024

 

REPONTANDO DATAS / 20 DE FEVEREIRO


NASCE HONEYDE BERTUSSI SIQUEIRA 



Honeyde Bertussi nasceu em 20 de Fevereiro de 1923 na localidade de São Jorge da Mulada, distrito de Criúva, município, na época, de São Francisco de Paula.

Conhecido como o Cancioneiro das Coxilhas, aos quatro anos ganhou de presente de seu pai, Fioravante Bertussi, uma gaita de quatro baixos. Com o tempo, aprendeu a tocar violão e gaita de boca. Após a realização de seus estudos na cidade de Vacaria, onde concluiu o 2º Grau, Honeyde retornou para o campo.

Em 1942 adquiriu o seu primeiro acordeon uma Todeschini de oitenta baixos. Aos oito de maio de 1942, graças a uma cheia do rio Mulada a orquestra não consegue chegar a tempo de tocar um baile de casamento na localidade onde nasceu, Honeyde foi chamado e tocou o seu primeiro baile. Em 1943 compôs a canção Cancioneiro das Coxilhas, sua música predileta. Na década de 50, junto com seu irmão Adelar, 10 nos mais novo, formou a primeira dupla de gaiteiros do Rio Grande dando início a uma saga galponeira que floresceu e dá frutos até hoje. Em 1955 lançaram o primeiro LP "Coração Gaúcho" consagrando Os Irmãos Bertussi. Daí para frente, foi um sucesso atrás do outro sendo aclamados como a melhor dupla de acordeonistas de todos os tempos.

Na Rádio Caxias todas as quintas-feiras Honeyde apresentava o programa Cancionero das Coxilhas, sendo um dos pioneiros dos programas radiofônicos ao vivo. Cantava e tocava músicas regionais, sempre mostrando a rica história do Rio Grande do Sul. Incentivando o culto tradicionalista gaúcho, Honeyde Bertussi brilhantemente conduziu a história musical rio-grandense, conservando, junto aos Centros de Tradições Gaúchas, o gosto pela música e pelo regionalismo.

Honeyde Bertussi foi um dos artistas mais completos do Rio Grande pois tocava bem seu acordeom, era excelente letrista e cantava com uma voz de trovão inigualável. Grandes grupos de hoje são seguidores de Os Irmãos Bertussi como Os Serranos, Os Monarcas e o Grupo Cordeona.

Tive a honra de ser seu amigo e escrever um livro, todo em versos, sobre sua vida artística. 

No ano passado (2023) comemorou-se o centenário de seu nascimento com diversas manifestações por todo o Estado.  



  

O MALDITO IMPROVISO


Sou um gaúcho que aprecia a arte da trova e da pajada por mexerem com a criatividade de quem participa dos desafios. A trova tradicional (mi maior de gavetão), a trova do martelo, a trova estilo Gildo de Freitas, bem como a pajada (sim, a pajada verdadeira é feita de improviso), quando bem executadas demonstram engenhosidade, fecundidade, imaginação do rude peão de fazenda aos mais letrados improvisadores. 

Só tem um detalhe. Tanto o trovador quanto o pajador representam a si mesmo. Se acontecer alguma gambiarra em meio a sua apresentação ele é quem arca com as consequências e com as chacotas de seu erro. Já vi os maiores em cada segmento, Gildo de Freitas e Jayme Caetano Braun, dizerem grandes impropérios para forçar a rima final.  

Mas quando a pessoa representa um clube, uma comunidade, uma nação, ou seja, outras pessoas além de si, deixa de ser algo individual e a responsabilidade triplica. 

Por esse motivo acho que nosso presidente foi infeliz (assim como seu antecessor já o foi diversas vezes em seus pronunciamentos de improviso) em comparar o que está acontecendo em Gaza com o Holocausto, a maior tragédia humanitária da história. E não estou defendendo, aqui, nenhum lado da moeda pois acho que todos estão errados. 

Com certeza os governantes tem uma equipe que redige seus textos obedecendo tópicos recomendados por quem irá fazer a leitura. Tais conteúdos são revisados diversas vezes. Que se atenham a eles e guardem seus malditos improvisos para quando estiverem em um palanque, em um comício falando para seus correligionários que a tudo aplaudem e dizem amém (sejam eles de que partido for) ou então que designem tais tarefas aos nossos grandes trovadores e pajadores. Tenho certeza que as rateadas serão bem menores.  


     

segunda-feira, 19 de fevereiro de 2024

 

CASCA INAUGURA CENTRO DE EVENTOS 

MANOELITO CARLOS SAVARIS



Na manhã do sábado (17), durante a 6ª Expo Casca, ocorreu a inauguração oficial do Centro de Eventos Manoelito Carlos Savaris, localizado no Parque Municipal Arcido Perin em Casca. Construído com recursos próprios da administração municipal de Casca o novo centro de eventos serve como suporte para as feiras e eventos organizados pelas entidades casquenses e agora leva o nome de um dos grandes tradicionalistas do estado.

Manoelito Carlos Savaris era natural de Casca e esteve a frente do Movimento Tradicionalista Gaúcho (MTG) por nove mandatos, deixando um legado de austeridade e resiliência junto a todos os gaúchos. Escritor, pesquisador e historiador Savaris é autor de vários livros publicados pelo MTG.

Segundo o Prefeito de Casca Ari Caovilla é um dever do Município reconhecer quem tanto fez não só pelo tradicionalismo gaúcho mas também pelo desenvolvimento desta cultura em Casca, reiterando que Manoelito deixou um legado a todos os gaúchos.

A cerimônia de inauguração contou com a presença do Prefeito Ari Caovilla, da Vice-Prefeita Lourdes Benvegnu Foppa, de secretários municipais, da Vice-Presidente artística do MTG Madeline Zancanaro, do Coordenador da 11ª RT Renato José Gabana e do Conselheiro do MTG Mauricio Flores. A Dona Odila Paesi Savaris, os filhos Thomas e Tiago e os netos Theo e Vicenzo, familiares do homenageado, também estiveram presentes.





domingo, 18 de fevereiro de 2024

 

PARA FICAR GRAVADO


Eu fico imaginando, cá com meus botões, quão dura é a tarefa de um colunista que tem a responsabilidade de publicar diariamente em algum jornal de grande circulação. 

Eu, por vezes, fico mais atarantado que sapo em cancha de bocha nestas minhas singelezas que há 14 anos venho postando diariamente, sem a responsabilidade que escrever para um periódico de renome. 

Penso que o jornalista tem que se superar a cada texto. Pois o Fabrício Carpinejar conseguiu se superar na sua coluna no jornal Zero Hora, @gzhdigital, última página, Porto Alegre no dia 16/2/2024. Tal escrito deveria ser postado em todas as redes sociais, espaços públicos, colégios, enfim, aonde alguém se preocupasse com a nossa segurança aqui pela Província de São Pedro. 

Apreciem: 

UM FORAGIDO POR HORA NO RS

Fabrício Carpinejar 

Prisão não mete mais medo. 

A Polícia Civil prende. E muito. A Brigada Militar prende. E muito. 

O Ministério Público realiza a sua tarefa de apuração dos fatos e de acusação. 

Mas os criminosos não duram em nada nas cadeias.

Nossos júris parecem encenações. É bem possível que um condenado a mais de cem anos esteja em liberdade com um décimo da sua sentença. 

Não conseguimos manter o bandido atrás das grades. 

Vivemos um círculo vicioso, de eterna reciclagem de violência. 

A maior parte das prisões é reincidência. 

Nossos policiais e brigadianos têm que prender a mesma pessoa dez vezes. É um verdadeiro escárnio, um despropositado deboche das leis. 

Quantos impostos são jogados fora pelo retrabalho de nossos agentes de segurança, de nossos promotores e juízes? 

Às vezes, os brigadianos e os policiais prendem alguém, voltam ao batente da rua e, quando retornam a sua corporação ou a sua delegacia, o suspeito já foi liberado. 

No ano passado, ao menos um foragido foi recapturado por hora no Rio Grande do Sul, formando um contingente de 9 mil presos com ficha corrida, o que indica aumento de 15,9% no comparativo com 2022. 

Não dá tempo nem para mudança de hábitos, para o exame da consciência, para sentir falta dos familiares, para pesar as consequências da transgressão, para valorizar a soltura diante do confinamento, para uma fundamentada reeducação.

Só a ressocialização dos apenados funciona no país, porque eles jamais permanecem nos presídios. É uma ressocialização — ironicamente — rápida e imediata. 

Quem assalta não tem mais receio da prisão, porque acabou de sair e logo sairá novamente. Ela não representa o fim da sua vida, ou uma punição pesada pelas suas contravenções.

A detenção passou a ser vista como uma transição obrigatória para obter mais autoridade nas quadrilhas. Trata-se de um batismo de fogo. Ser preso é carreira no Brasil, promoção para receber tarefas mais complexas, sórdidas e sanguinárias. 

Além da proteção das facções nas cadeias, com a sua rede de favores e seus advogados, existe a certeza da reversão do quadro. 

O presidiário sabe que vai escapar de um jeito ou de outro. Pela redução da pena por fingido bom comportamento. Ou por fugas pela vigilância relaxada e falta de efetivo. Ou pelas saidinhas conquistadas nas datas comemorativas. 

Não é que temos um sistema muito brando, é que não seguimos o sistema. O problema maior, do qual não se fala, é o descumprimento na ponta final da estrutura: a ideologização de certa parcela do Judiciário. 

Não é que amargamos uma legislação suave, é que não aplicamos rigorosamente a lei, desencadeando uma realidade repetitiva. 

Há soltura em etapas forjadas, à base do canetaço. Como só temos o regime fechado nas penitenciárias, sem previsão de condicionamento para o regime aberto e semiaberto, o detento recoloca sua tornozeleira em qualquer animal para despistar seu paradeiro. 

A escandalosa impunidade foi chamada de “bandidolatria” pelos promotores de Justiça gaúchos Diego Pessi e Leonardo Giardin de Souza. Ambos escreveram um livro — Bandidolatria e Democídio — apontando que há algo de podre na inércia das autoridades encarregadas de combater a criminalidade no Brasil: o bandido torna-se sempre uma vítima da sociedade e não é responsabilizado por seus atos. 

Essa mentalidade é resultado da ideologia de uma oligarquia acadêmica, político-burocrática e jurídica, que não reconhece a dor familiar de 60 mil assassinatos anuais. 

O que não percebemos é que aquele que rouba, ao ser solto, ganha confiança para matar, adquire onipotência para subtrair inocentes existências à mão armada. 

Ninguém pensa nos direitos humanos dos cidadãos de bem e das vítimas?



sábado, 17 de fevereiro de 2024

 

TROFÉU RONDA DOS FESTIVAIS 2023

MÚSICA, POESIA E MÚSICA INSTRUMENTAL DO ANO 



O radialista Jairo Reis, um batalhador pela divulgação da cultura regional gaúcha, proprietário do blog Ronda dos Festivais voltado para os eventos festivaleiros do Estado, a cada ano promove o disputado Troféu Ronda dos Festivais aonde convida pessoas de notório saber musical e poético para apontar as melhores entre as melhores, ou seja, a vencedora dentre as vencedoras de cada festival acontecido no Estado a cada ano. 

Ao findar de 2023, 21 avaliadores ouviram as 45 composições que obtiveram o primeiro lugar nos diversos eventos musicais, 7 poesias que alcançaram o mesmo êxito em festivais do gênero, 4 composições instrumentais e após criteriosa escolha apontaram os três vencedores de cada segmento.  

A entrega do Troféu Ronda dos Festivais acontecerá durante um jantar de confraternização no CTG Estância da Azenha, em Porto Alegre, no dia 05 de abril de 2024.

Os premiados foram o seguinte:      


MÚSICA DO ANO:

Canto Saudade ao Caraguatá - 45ª Califórnia da Canção Nativa


CANTO SAUDADE AO CARAGUATÁ

Ritmo: Milonga

Letra: Henrique Fernandes

Melodia: João Paulo Deckert

Interpretação: João Paulo Deckert

Festival:  45ª Califórnia da Canção Nativa

Cidade: Uruguaiana/RS

 

Segundo Lugar:  A HISTÓRIA DE DOM LATINO

Ritmo:

Letra: Érlon Péricles

Melodia: Érlon Péricles

Interpretação: Érlon Péricles, Jean Garfunkel, Eudes Fraga, Luis Dillah, Pirisca Grecco

Festival: 29º Musicanto Sul Americano de Nativismo

Cidade: Santa Rosa/RS

 

Terceiro Lugar: ALÉM DO TEMPO DOS HOMENS

Letra: Adão Quevedo

Melodia: Everson Maré

Interpretação: Robledo Martins e Everson Maré

Festival: 9º Levante da Canção Gaúcha

Cidade: Capão do Leão/RS


POESIA DO ANO:  


De Passagem - 8ª Tertúlia Maçônica - Pedro Junior da Fontoura   


DE PASSAGEM

Autor: Rodrigo Bauer

Declamador: Pedro Júnior da Fontoura

Amadrinhador: Jader Leal

Festival: 8ª Tertúlia Maçônica da Poesia Crioula

Linha Não Maçônica

Cidade: Porto Alegre/RS

 

Segundo Lugar: MÃOS DE ANJO E DOMADOR

Autor: Loresoni Barbosa

Declamador: Érico Padilha

Amadrinhador: Fernando Graciola

Festival: Sesmaria da Poesia Gaúcha – 25ª Quadra

Cidade: Osório/RS

 

Terceiro Lugar: ALÉM DAS BANDEIRAS E BRASÕES

Autor: Moisés Silveira de Menezes

Declamador: Paulo Roberto Vargas

Amadrinhador: Jader Leal

Festival: 8ª Tertúlia Maçônica da Poesia Crioula

Linha Maçônica

Cidade: Porto Alegre/RS


Obs: O festival Tertúlia Maçônica da Poesia Crioula possui duas linhas. Uma exclusiva para integrantes da maçonaria e outra aberta aos demais poetas, declamadores e amadrinhadores. As duas foram premiadas.     


MÚSICA INSTRUMENTAL DO ANO:


Um Senhor Brasil - 17º Canto da Lagoa Instrumental 

  

UM SENHOR BRASIL

Autor: Zoca Jungs

Festival: 17º Canto da Lagoa Instrumental

Cidade: Encantado/RS

 

Segundo Lugar:

TEMA PARA PABLO

Autor: Lenin Nuñez

Festival: 12ª Moenda Instrumental

Cidade: Santo Antônio da Patrulha/RS

 

Terceiro Lugar:

PINGO DE MEL EM DENTE CARIADO

Autores: Felipe Karan/Samuca do Acordeon

Festival: 1º Carijo Instrumental

Cidade: Palmeira das Missões/RS



sexta-feira, 16 de fevereiro de 2024

 

REPONTANDO DATAS / 15 DE FEVEREIRO


Mais atrasados que bolas de porco, postamos hoje o Repontando Datas de ontem. A ressaca do carnaval pegou e, além disto, andamos da sala para a cozinha no ano brasileiro que começou na quarta-feira de cinzas. 

Portanto ontem, dia 15 de fevereiro tivemos as seguintes efemérides que marcaram o calendário gaúcho:

Em tal dia e mês, no ano de de 1894, nascia no Alegrete (em alta no Brasil por causa do Big Brother) Oswaldo Euclides de Souza Aranha estadista e diplomata, braço direito de Getúlio Vargas. Sob sua presidência na ONU o Estado de Israel foi criado. Alguns dizem que foi um ato de merecimento devido a peregrinação judaica pelo mundo pela falta de um solo para chamar de seu. Outros, principalmente neste momento de guerra, são contrários a criação deste território. Quanto a nós, pensamos que TODOS tem direito a uma pátria, inclusive os Palestinos.     

Também num dia 15 de fevereiro, mas no ano de 1933, nascia em São Jorge da Mulada, localidade pertencente a São Francisco de Paula, talvez o maior executor de acordeom do Rio Grande do Sul. Fazemos referência ao Adelar Bertussi, que compôs junto de seu irmão Honeyde, a maior dupla de acordeonistas do Brasil. Foram precursores de um estilo serrano/galponeiro até hoje seguido por dezenas de grupos musicais.  

Esta data (15 de fevereiro) também traz algumas tristezas. Neste dia, no ano de 1974, morria José Mendes, o Mocinho do Cinema Gaúcho. José Mendes foi inovador, musicalmente falando, e morreu precocemente em um acidente rodoviário na BR-741. Em 2004 seus restos mortais foram transladados de Porto Alegre para o Memorial José Mendes, na localidade de Santa Terezinha, entre os municípios de Esmeralda e Pinhal da Serra, no nordeste do Rio Grande do Sul. 


Quanto ao dia 16? Bueno. Vamos pesquisar pois estamos um dia atrasados em relação ao resto do mundo.