"TEU PRESTÍGIO É PROPORCIONAL A TUA CONDUTA"

Léo Ribeiro


RETRATO DA SEMANA

RETRATO DA SEMANA

terça-feira, 28 de junho de 2022

SEM COMPARAÇÕES

 

Festa de São João em Caruaru

Está findando mais um mês de junho. Metade do ano se foi.... Nesta época é imperativo as comparações entre as festividades nordestinas e o nosso setembro, o mês farroupilha. 

As festas juninas com suas quadrilhas, fogueiras, casamentos na roça, param a região nordeste do país. Até Brasília e seus políticos que já não fazem muito o ano inteiro se bandeiam para lá em busca de votos. A mídia faz coberturas diárias dos milhares de folguedos. 

Tradicional nesta região do País, a celebração foi trazida às terras brasileiras pelos portugueses no século XVI. No início, o principal intuito era homenagear Santo Antônio e São João. Porém, com o tempo, a Festa Junina foi ganhando uma importância cultural e turística. 

Então, pelo Rio Grande do Sul, vem a pergunta e os debates nas redes sociais: Por que nossas festividades farroupilhas não repercutem tão fortemente? 

Vários são os motivos.

As festas juninas são eventos populares. O vivente bota um chapéu de palha, uma camisa xadrez, uma calça com a imitação de um remendo, pinta um bigodinho com rolha queimada, a mulher com um vestidinho florido e está feito a festa regada a muuuuiiiito quentão. Animando os milhares de dançantes apenas uma zabumba, um triângulo e uma sanfona. 

Tudo isto sai mais barato que um par de botas aqui pela terrinha. 

Mas a principal diferença é a visão turística do nordestino em relação ao sulino. Claro que lá tem as praias, um chamativo natural, mas aqui tudo se resume à cidade de Gramado. Não temos nada, culturalmente falando, a oferecer. Desculpe. Temos mas não é mostrado. 

Certo tempo atrás o então governador Eduardo Leite foi aos Estados Unidos divulgar nosso Estado e, no vídeo institucional, não tinha nada, exatamente nada, que remetesse a nossa cultura regional. Nosso representante maior levou um pandeiro carioca para brindar os americanos. 

Além de não haver apoio público institucional, também não ocorre aporte financeiro. No ano passado, na semana farroupilha, não havia dinheiro para comprar 10 medalhas para premiar os vencedores do concurso de poesias que eu organizei a pedido do presidente dos festejos. Tivemos que parir uma bigorna para conseguir cem reais. Quase tirei do meu bolso para me ver livre daquela situação.  

Por lá (nordeste) o dinheiro chega aos borbotões. 

Concordo com a rigidez no controle de gastos públicos mas tal fato deve ser uma virtude e não uma desculpa. 

Então minha gente, sem comparações, vamos peleando só com o cabo da faca e seja o que Deus quiser.  


    

         

segunda-feira, 27 de junho de 2022

O EQUILÍBRIO




Com absoluta certeza ao dizer que a ponderação, o equilíbrio, a maneira sensata de abordar uma situação, são elementos que ajudam a resolver diversos "perrengues" na vida, não estarei sendo original.  

Toco no tema em função do Acampamento Farroupilha de Porto Alegre. Na semana passada postamos aqui no blog a manifestação de um tradicionalista (Paulo Cremer) habituado a participar desde os primórdios do acampamento. Em sua saudosista manifestação ele enfatiza as mudanças ocorridas daqueles tempos até os dias de hoje. Tudo era mais simples, mais rústico, mais campeiro, com as pessoas humildes montando seus galpões sem muitos custos. Em sua matéria que ele intitula de "Condomínio Farroupilha" ele discorre das dificuldades enfrentadas no momento, após a terceirização do Parque da Harmonia, aonde só poderá acampar aquele que tiver "bala da agulha", as grandes empresas, as entidades tradicionalistas mais abastadas (que não são muitas). 

E aí entre o título de nossa postagem. Penso que deve haver o equilíbrio. Nem oito, nem oitenta; nem a cruz, nem a espada. Devemos reconhecer que, nestes anos, muitas coisas evoluíram para melhor como retirar os animais do meio das pessoas, os banheiros químicos, os projetos culturais... Contudo, a exploração financeira deve ter um limite, caso contrário o acampamento será viável apenas a uma elite.   

Estive falando com uma pessoa do Conselho Municipal de Cultura de Porto Alegre,  envolvida na organização, que espera em torno de 200 ranchos, ou seja, metade do que acontecia em outros anos. Segundo essa pessoa, temos que respeitar as ponderações das empresas que venceram a licitação do parque. Não li o edital de tal licitação mas deve haver cláusulas que limitem exorbitâncias. 

Como falamos, o meio termo seria a solução. 

               

domingo, 26 de junho de 2022

E ASSIM COMEMOROU-SE O "NÍVER"

 

DA NOSSA ESTÂNCIA DA POESIA CRIOULA  


Ex-presidentes da E P C diante da Sesmaria do Infinito
Da esquerda para a direita: Cândido Brasil, José Machado Leal
Léo Ribeiro, Ubirajara Anchieta e Wilson Tubino.

Após todas as festividades de ontem, já postadas aqui no blog, as comemorações dos 65 anos da Estância da Poesia Crioula continuaram hoje com a Romaria da Saudade, na Sesmaria do Infinito e um almoço de confraternização na Fundação Pão dos Pobres. 

A Sesmaria do Infinito é um local cedido a Estância, no Parque da Harmonia, em Porto Alegre, aonde se reverencia os vates que já partiram para um outro plano. Há, no local, uma espiritualidade muito forte. No espaço há uma pedra de 7 toneladas (Pedra da Memória) e uma cerca de varejão simbolizando a passagem deste para um outro plano.

Aproveitamos a olada para agradecer, mais uma vez, a presença do poeta, radialista e advogado Osmar Ranzolin, um embaixador de nossa cultura em Santa Catarina que, juntamente com sua esposa e seu filho, vieram de Fraiburgo para participar de nosso evento. Isto denota o carinho e o respeito que a Estância da Poesia Crioula reponta até mesmo fora do Rio Grande do Sul. 

Até 2023, Estancianos, se nosso padroeiro, São Pedro, assim o permitir. 

  


NOVA DIRETORIA ASSUME A ESTÂNCIA

 

Presidente Cândido Brasil discursa tendo no costado a 
diretoria da Estância da Poesia Crioula, empossada ontem. 

Aconteceu na tarde deste dia 25 de junho o 64º Rodeio de Poetas em comemoração ao 65º aniversário da Estância da Poesia Crioula que acontece no dia 29 de junho, efeméride de São Pedro, Padroeiro da entidade (e do Rio Grande do Sul).   

O evento foi concorrido tendo lotado o auditório da Fundação Pão dos Pobres, em Porto Alegre. Na oportunidade foi apresentado um vídeo resgatando a história da Academia Xucra do Rio Grande. Seguiu-se o evento com o lançamento dos Concursos Literários do 2º Semestre; Homenagem Especial ao poeta Wilson Tubino; Filiação de novos sócios; Panegírico do poeta Antônio Augusto Fagundes; Aclamação da nova diretoria; Outorga da Medalha Vargas Neto; Espetáculo musical com a cantora Marlene Pastro e Sessão de Autógrafos do livro Pajador e Decimista pelo autor Paulo de Freitas Mendonça que, juntamente com a declamadora Liliana Cardoso na função de Mestres de Cerimônia conduziram com maestria o Rodeio de Poetas, tendo, ainda, a participação do talentoso confrade Odilon Ramos.

Não devemos deixar de agradecer a diretoria do biênio 2019/2020, tendo a frente o Presidente Maxsoel Bastos de Freitas que, em plena pandemia, quando muitas agremiações fecharam suas portas, soube conduzir e manter ativa a nossa Academia.

As festividades seguem no dia de hoje com um culto as 10h diante da Sesmaria do Infinito, no Parque da Harmonia, e posterior almoço de confraternização na Fundação Pão dos Pobres.

Auditório lotado para acompanhar o evento
           



ARTE SEM FRONTEIRAS

 

Léo Ribeiro, Osmar Ranzolin e Cândido Brasil
Foto: Marco Antonio Ranzolin


A poesia é uma arte universal, une pessoas, estados e continentes. Não respeita geografias. Muda em seus estilos mas permanece perene quanto a sua beleza. 

Ontem a tarde, 25, nas comemorações dos 65 anos da Estância da Poesia Crioula, tivemos o prazer de empossar novos confrades. Muitos cruzaram longas distâncias para receber seu certificado de vates da Academia Xucra do Rio Grande, como foi o caso dos poetas Matheus Marchezan Bauer, de São Borja, Athos Miralha, de Santa Maria, Vitor Lopes Ribeiro, de Pelotas, Lori Esquiavo, de São Nicolau e Osmar Ranzolin (na foto comigo e com o Presidente Cândido Brasil), de Fraiburgo, Santa Catarina. 

Das Missões ao Sul do Estado, de Santa Catarina ao Coração do Rio Grande, todos se deslocando por horas e horas, acompanhados de familiares e amigos, para vivenciar este momento tão sublime em suas vidas. Era perceptível o orgulho no rosto de cada novo "Estanciano" por fazer parte desta entidade poética que cruza os tempos, por mais difíceis que sejam, deixando seu rastro na história do versejar gauchesco. 

Sejam bem-vindos, Poetas.      

Novos integrantes da Estância da Poesia Crioula 
foram empossados na tarde de ontem. 
Foto: Marilene Huff


sábado, 25 de junho de 2022

FRATERNIDADE GAÚCHA

 


Aconteceu na noite de ontem, 24, dia de São João, padroeiro da Maçonaria, a concorrida cerimônia de posse do Grão-mestrado do Grande Oriente do Rio Grande do Sul. Os Irmãos Celito Cristófoli como Grão-Mestre e Marcus Vinícius Bortolotto como Grão-Mestre Adjunto terão a missão de comandar esta Potência Maçônica, uma das mais antigas do Brasil, fundada em 1893, em meio a Revolução Federalista.

Abrilhantando os trabalhos (como sempre) e dando um ar gauchesco ao evento, o Piquete Fraternidade Gaúcha, braço tradicionalista dentro da Arte Real, se fez presente na função de lanceiros. 

O Fraternidade Gaúcha, atualmente comandado pelo Patrão Valmir Mendonça, tem história em nossa cultura regional sendo promotor de um dos maiores festivais poéticos do Estado (Tertúlia Maçônica da Poesia Crioula), participando ativamente das Festividades Farroupilhas realizando, inclusive, Sessões Maçônicas em pleno Acampamento (muitos dos revolucionários pertenciam a Ordem) e, há três anos, compondo a Comissão Estadual dos Festejos Farroupilhas aonde ocupa por merecimento a Vice-presidência. 

Parabéns, Fraternidade, por seu belo trabalho unindo estas instituições - Maçonaria/Tradicionalismo. 

         


sexta-feira, 24 de junho de 2022

REPONTANDO DATAS / 24 DE JUNHO

 

Hoje, 24 de Junho, é Dia de São João Batista pois, provavelmente, foi o dia de seu nascimento. São João é considerado o santo mais próximo de Cristo, pois além de ser seu parente de sangue, Jesus foi batizado por João nas margens do rio Jordão.

Filho de Isabel e Zacarias, João nasceu na Judeia no ano 2 a.C., e se tornou popular. Vivendo como um nômade e pregando e assim conseguiu cativar as pessoas para se batizarem.

No ano 27 d.C. João Batista morreu decapitado a mando de Herodes, que vivia em adultério com a mulher de seu irmão, Herodíades.

No aniversário de Herodes, a filha de Herodíades dançou de forma tão surpreendente que, admirado, Herodes prometeu dar o que ela quisesse. Orientada por Herodíades, a filha pediu a cabeça de João Batista numa bandeja, porque João condenava o comportamento adúltero do casal.

 

Já no dia 24 de junho do ano de 1825 morria em Quaraí Luis Felipe Saldanha da Gama, baiano que montava muito mal a cavalo, daí o apelido pejorativo de "baiano", quando alguém não é do ramo no lombo de um animal.

 

Também no dia 24 do mês de junho, mas no ano de 2015 deixava este plano o folclorista, poeta, historiador e apresentador Antonio Augusto Fagundes, conhecido como Nico Fagundes. Ele tinha 80 anos e estava internado há mais de um mês no Hospital Ernesto Dornelles, em Porto Alegre.



BONS TEMPOS.

 


Venda, armazém, budega, secos e molhados? Não importava o nome. Ali a gente sabia que nossas necessidades de mantimentos seriam supridas. A foto acima não mostra mas ainda havia fazendas em metro expostas junto com penicos, panelas, ração de animais, queijo, vinho em garrafão, banha de porco, ferramentas... E todas as compras eram anotadas em um caderno para pagamento quando o bolso da bombacha estivesse mais folgado.  

Aliás, sobre essa forma de crediário, lá na minha terra tem uma alameda que passa por detrás do antigo armazém dos Klippel. Começou com um carreirinho e virou uma rua. Seu nome? Não sei. Seu apelido? Rua dos "Veiacos". É porque os devedores do citado armazém desviavam sua rota para não passarem na frente e serem cobrados pelos proprietários. 

Ah. E nestes idos anos os produtos não traziam prazo de validade e nunca se soube de alguém que morreu por ingerir algum alimento vencido. 

Bons tempos. 



      

quinta-feira, 23 de junho de 2022

CONDOMÍNIO FARROUPILHA

 

Este desabafo do tradicionalista Paulo Cremer, escrito posteriormente a reunião que definiu critérios para acampar após a privatização do parque, merece nossa reflexão. 



 

"Um dia alguém vai escrever a história do ACAMPAMENTO FARROUPILHA, este mesmo que foi criado por abnegados defensores das nossas tradições, esta gauchada que enfrentava frio e chuva, muitas vezes de baixo de uma lona, pisando no barro, ponteando pregos, e metendo serra nas costaneiras, num tempo que nem luz tinha, mas sobrava vontade de fazer.

Um dia vão contar a história do ACAMPAMENTO FARROUPILHA, que cresceu, amadureceu e criou representatividade no meio tradicionalista, sendo conhecido no Brasil e fora dele.

Um dia vão contar a história do ACAMPAMENTO FARROUPILHA, que se tornou possibilidade para grandes negócios, atraindo a atenção de empresas e também do poder púbico.

Um dia vão contar a história do ACAMPAMENTO FARROUPILHA, que sucumbiu aos interesses econômicos, que virou moeda de troca, que aos poucos tirou a oportunidade de acampar daqueles tauras que pisavam no barro, que ponteavam pregos, que metiam serra em costaneiras, sem luz, com pouca estrutura e muita vontade de fazer acontecer.

Um dia vão contar a história do ACAMPAMENTO FARROUPILHA, que deixou de honrar o legado deixado, motivo do ORGULHO GAÚCHO, esqueceram do que comemoravam no mês setembro e se entregaram SEM RESISTÊNCIA a tudo que lhes foi enfiado GOELA ABAIXO. 

O Acampamento em breve se chamará CONDOMÍNIO FARROUPILHA, onde só monta sua estrutura quem tiver com a guaiaca recheada, com bala na agulha!"




 



Crist






SEM LIMITES

 

Que a maioria dos Centros de Tradições Gaúchas já vinham cambaleando antes da pandemia, é sabido. Após esta praga que assolou o mundo a coisa piorou. O retorno a normalidade tem sido lento e gradual com as patronagens fazendo das tripas o coração para se manter de pé. Contudo, as administrações tradicionalistas tem que procurar caminhos que não arranhem a imagem da entidade. Não é o que está acontecendo com o CTG Fogão Gaúcho, da cidade de Taquara.

O Fogão Gaúcho, erguido com o esforço de gaúchos abnegados em uma região que prepondera a colonização germânica, é o centro tradicionalista mais antigo do interior do Estado. Sua história é estupenda. Entretanto, para sobreviver as intempéries do momento, a patronagem locou sua sede campestre, outrora afastada do centro mas agora rodeada de casas, para a realização de bailes funks. É todo o fim de semana aquele tunk tunk que apelidaram de "bate-estaca". A vizinhança não aguenta mais e, seguidamente, a polícia é acionada. Quando viram as costas tudo recomeça. 

É uma pena pois ao se falar em Fogão Gaúcho os taquarenses não se reportam mais a um passado construído com muito esforço mas sim aos problemas que o CTG vem causando. 

Infelizmente diversas entidades estão nesta sinuca de bico. Os sócios estão inadimplentes porque a sociedade não oferece atrativos e a sociedade não oferece atrativos por que os sócios estão inadimplentes.

E fica a pergunta: É melhor fechar por uns tempos até que tudo se resolva ou seguir adiante mesmo que as custas de baile funk?  

    

quarta-feira, 22 de junho de 2022

REPONTANDO DATAS / 22 DE JUNHO

 

NASCE EM SANTO AMARO, O POETA CLEBER MÉRCIO.
 

 
CLÉBER MÉRCIO - Cleber Mércio Pereira, nasceu em Santo Amaro, RS, em 22 de junho de 1925, filho de Lourival Mércio Pereira e Natalina Pereira. Foi radialista, poeta, músico, violonista, compositor e cantor. É autor de Milonga da Chuva, gravada por Noel Guarani no seu primeiro LP, intitulado Legendas Missioneiras.
 
Em Taquari há uma rua com seu nome.
 
OBRA PUBLICADA: Última tropeada – Versos e músicas regionais (1959).
 
LIVRO INÉDITO: Rodeio de símbolos – Poesia e prosa regionais.
 
PARTICIPAÇÕES: Perfis de Musas, Poetas e Prosadores Brasileiros, 3º vol. – Antologia organizada por Alzira Freitas Tacques (1957); – As Mais Belas Poesias Gauchescas, 3º vol. – Compilação de Natálio Herlein (1968); – Antologia da Estância da Poesia Crioula (1ª ed. 1970 e 2ª ed. 1987); - Sonetos Gaúchos (Sonetária), Vol. 1 – Seleção e notas de Villas-Bôas e Garcia do Prado (1989).
 
CITAÇÕES E REFERÊNCIAS: Notas de Bibliografia Sul-Rio-Grandense – Autores (1974) e Dicionário Bibliográfico Gaúcho (1991), ambos organizados por Pedro Leite Villas-Bôas; – Cultura em Ação – Estância da Poesia Crioula – Sinopse de Hugo Ramirez (1987); – Dicionário de Regionalismos do Rio Grande do Sul, de Zeno Cardoso Nunes e Rui Cardoso Nunes. 
 
CARRETEIRO

Cléber Mércio

Nem bem desponta a barra da alvorada,
bordando de prateado os pinheirais,
bandos de gralhas gritam nas copadas,
o gado inquieto muge nos currais!
despertam carreteiros nas pousadas;
onde - talvez - não pousem nunca mais...

Eu também fui menino carreteiro
vocês não acreditam pois lhes juro!
de sol a sol perdido nos sendeiros,
muitas vezes tomando mate puro
tendo de dia...a luz do mundo inteiro
tendo de noite...a imensidão do escuro!

De pés no chão, bombachas remendadas,
facão no cinto, porongo na mão,
a palha, o fumo, chaleira queimada
o charque, a trempe, brasas de tição;
soluça o carreteiro, uma toada;
gemendo de saudade o coração.

Teu vulto, carreteiro, é conhecido,
teu nome, carreteiro é venerado
teus causos carreteiro! repetidos,
na glorificação do teu passado;
em torno do braseiro, reunidos,
rodeio que o minuano tem parado.

Carreteiro Herói da minha terra!
Bandeirante do pampa estremecido,
abrindo estradas nos campos e serras,
tornaste o teu Rio Grande conhecido
Trabalhador na paz, fiel na guerra,
este rincão te canta agradecido!

Noites de inverno...a imensidão deitada
o gado inquieto muge nos currais...
geme o urutau sentando nas ramadas,
e soluça a juriti nos taquarais!
Despertam carreteiros nas pousadas,
onde talvez - não pousem nunca mais!

Uma relíquia do meu acervo. O livro Última Tropeada, de Cléber Mércio
editado em 1959

Também em 22 de junho, mas no ano de 1984, falecia aos 59 anos de idade, o poeta, declamador e radialista uruguainense Darcy Fagundes. Ficou reconhecido no meio radiofônico por apresentar aos domingos, durante 15 anos, o programa Grande Rodeio Coringa, na rádio Farroupilha, inicialmente em parceria com o Paixão Cortes. Mais tarde dividiu a condução com o poeta Dimas Costa e, por último com o poeta, cantor e compositor, Luiz Menezes.  Apresentou também o programa Invernada Gaúcha, na TVE e o programa “Madrugada Gaúcha”, na Rádio Gaúcha.   Em 1968 lançou o LP Tropa Amarga, que trazia interpretações suas para poemas de grandes autores gaúchos. Darcy Fagundes nasceu em 15 de dezembro de 1925, em Uruguaiana.


Poema: Além Do Horizonte
Autor: Luiz Menezes
Declamador: Darcy Fagundes


NOS SARAUS DOS MEUS FANTASMAS

 


Acabo de receber o livro de poesias gaúchas NOS SARAUS DOS MEUS FANTASMAS do poeta Luis Lopes de Souza. 

Crioulo do interior de Marau, Luis Lopes de Souza, residindo em passo Fundo há vários anos, conhece o riscado, vivenciou vários momentos e sabe dos poemas que verseja. Bacharel em direito, ator, tradicionalista, declamador e compositor, o autor tem inúmeros trabalhos gravados em CDs sendo multicampeão em festivais pelo Estado. 

Nos Saraus Dos Meus Fantasmas, impresso na gráfica Bom Pastor, é a terceira obra deste confrade da Estância da Poesia Crioula e tem como responsável pela bela capa Joana Trindade Dalle Zotte. 

Tive a honra de ser convidado a prefaciar este significativo trabalho, fato que me deixou lisonjeado face a importância de tal livro. Parabéns e sucesso, meu Irmão.  

    

           

terça-feira, 21 de junho de 2022

AQUI ESTOU SENHOR INVERNO

 

Foto: Sylmo Anderson


O Inverno teve início no dia de hoje, 21 de junho, às 06.14h e termina em 23 de setembro com o equinócio da primavera.
No hemisfério Sul o inverno caracteriza-se pelas temperaturas baixas, dias mais curtos e noites mais longas.
As regiões Sudeste e Sul do país são as mais marcadas pelas características típicas do inverno, sendo que no restante do Brasil as temperaturas são mais equilibradas, com pouca variação térmica.
Solstício de Inverno
O começo do inverno é marcado pelo evento astronômico conhecido por Solstício de Inverno, ou seja, o período em que o hemisfério Norte está mais inclinado para o sol.
O solstício de inverno é chamado de solstício de verão no hemisfério Norte, marcando o começo da estação mais quente do ano nos países que ficam acima da linha do equador.
Equinócio de Setembro: fim do inverno no Brasil
O fim do inverno é também marcado por outro fenômeno astronômico: o equinócio de setembro, período quando o sol incide com maior intensidade nas regiões próximas à linha do Equador. No Brasil e em todo o hemisfério Sul, o equinócio acontece em 23 de setembro, marcando o fim do inverno e começo da primavera.
No equinócio, o dia tem a mesma duração no hemisfério Norte e no hemisfério Sul.

AQUI ESTOU SENHOR INVERNO 
Aureliano de Figueiredo Pinto 

Já sei que chegas, Inverno velho!
Já sei que trazes - bárbaro! O frio
e as longas chuvas sobre os beirais.
Começo a olhar-me, como em espelho,
nos meus recuerdos... Olho e sorrio
como sorriram meus ancestrais.

Sei que vens vindo... Não me amedrontas!
Fiz provisões de sábias quietudes
e de silêncios - que prevenido!

Vão-se-me os olhos nas folhas tontas
como simbólicos ataúdes
rolando ao nada do teu olvido.

Aqui me encontras... Nunca deserto
do uivo dos ventos e das matilhas
de angústias vindo sem parcimônias.
Chega ao meu rancho que estou desperto:
- sou veterano de cem vigílias,
sou tapejara de mil insônias.

Aqui estarei... Na erma hora morta,
junto da lâmpada, com que sonho,
não temo estilhas de funda ou arco.
Tuas maretas de porta em porta,
os teus furores de trom medonho
não trazem pânico ao bravo barco.

Na caravela ou sobre a alvadia
terra do pampa - cerros e ondas
meu tino e rumo não mudarão.
No alto da torre que o mar vigia,
ou, sem querência, por longas rondas,
não me estrangulas de solidão.

Tua estratégia de assalto e espera
conheço-a muito, fina e feroz:
de neve matas; matas de mágoa;
derramas nalma um frio de tapera;
nanas ausências a meia voz
e os olhos turvos de rasos d'água.

Comigo, nunca... Se estou blindado!
Resisto assédios, que bem conduzes,
no legendário fortim roqueiro.
Brama as tuas fúrias de alucinado!
- Fico mais calmo que as velhas cruzes
braços abertos para o pampeiro.

Os meus fantasmas bem sei que animas
para, num pranto de vãs memórias,
virem num coro de procissão
trazer-me o embalo de velhas rimas.
- À intimidade dessas histórias
tenho aço e bronze no coração.

Então soluças pelas janelas,
gemes e imprecas pelos oitões,
galopas louco sobre as rajadas,
possesso, ululas entre procelas.
E ébrio, nas noites destes rincões
lampejas brilhos de punhaladas.

Inútil tudo! Vê que estou firme.
Nenhum receio me turba o aspeto,
nenhuma sombra me nubla o olhar.
Contigo sempre conto medir-me
frio, impassível, bravo e correto
como um guerreiro que ia a ultramar.

Reconciliemo-nos, velho Inverno!
Nem és tão rude! Tão frio não sou...
Venha um abraço muito fraterno.
Olha...
Esta lágrima que rolou
não a repares...
É de homenagem
a alguém que aos céus se fez de viagem,
e nunca... nunca! Nunca mais voltou...



segunda-feira, 20 de junho de 2022

LÁ SE FOI A ESTAÇÃO DAS MELANCOLIAS



 

NOSSA TRADIÇÃO É REPASSADA ?

 

Gravura: Vasco Machado

Na semana passada, no Conselho Estadual de Cultura, relatei um projeto que buscava aprovação na Lei de Incentivo a Cultura intitulado BAILE DE RAMADA. Fiquei um tanto preocupado quando tal proposição caiu para minha relatoria pois, normalmente, não é muito fácil convencer alguns conselheiros de que a tradição gaúcha merece o mesmo olhar que outros segmentos culturais. 

Tive a intuição de começar minha defesa do projeto explicando aos demais membros o que seria um Baile de Ramada. Total, ninguém, ali, é obrigado a saber dos nossos costumes. Resumo. O projeto foi aprovado com a nota mais alta na Avaliação Coletiva do mês de junho.

Neste fim de semana eu fiquei matutando o quanto nossa tradição é desconhecida, ou mal repassada, em face de que tudo está praticamente focado em danças, principalmente de invernadas. 

Hoje em dia se fala muito em integrar na grade escolar dos municípios e do estado uma cadeira sobre a tradição gaúcha. Acho que seria interessante, desde que tudo não se resumisse a coreografia do pezinho.  

Os Centros de Tradições tem uma biblioteca? O responsável cultural transmite nossos costumes, nossa história com autenticidade para além das candidatas aos concursos de prendas? Se perguntarmos a uma criança ou a um adolescente que frequentam essas entidades o que é um mangrulho, uma cambona, um canzil, uma culatra, um boi-corneta, o significado da palavra gaúcho, a origem da bombacha... eles saberão nos responder? 

Eu penso que, antes de cada aula de dança, o instrutor deveria reunir as invernadas e explanar, por 10 minutos que fosse, uma instrução teórica sobre a formação de nosso povo.  

Não é preciso nascer no campo e nem ter vivenciado a Revolução Farroupilha para saber de nosso campeirismo ou de nossas guerras, mas é necessário, isto sim, a leitura, o repasse de conhecimento. Isso é tradição. E, neste ponto, falhamos redondamente. 


     

      

domingo, 19 de junho de 2022

REPONTANDO DATAS / 19 DE JUNHO

 


Num dia 19 de junho de 1919 nascia no Bairro do Passo d'Areia, Porto Alegre, Leovegildo José de Freitas, o Gildo de Freitas, filho de Vergílio José de Freitas e Georgínia de Freitas.

Consagrado na tradicional “Mi Maior de Gavetão”, em versos de sextilhas, acabou criando um estilo próprio, nos dias de hoje muito difundido pelos trovadores do Rio Grande do Sul. Foi, também, compositor de grande talento e algumas de suas obras tornaram-se verdadeiros clássicos do cancioneiro gaúcho, como é o caso de “Eu Reconheço que Sou Grosso”.

Cronologia de Gildo de Freitas

1931 - Gildo foge de casa pela primeira vez, aos 12 anos.

1937 - É tido como desertor, por não ter se apresentado à convocação militar. Envolve-se na primeira briga séria, onde morre um jovem amigo. Primeira prisão. Cria ódio da polícia.

1941 - Casamento com dona Carminha. Passa a ter morada fixa no bairro de Niterói, em Canoas, Grande Porto Alegre. Continuam os contratempos com a polícia.

1944 - Nasce o primeiro filho depois de dois perdidos. Gildo começa a viajar bastante e a ser reconhecido como trovador.

1949 - Trovador com fama ascendente em todo o Rio Grande do Sul, desaparece de casa e reaparece na fronteira gaúcha. Em longa temporada passada no Alegrete, mal consegue caminhar, com problema de paralisia nas pernas.

1950/51 - Em São Borja, conhece Getúlio Vargas e entra em sua campanha política. Param as perseguições policiais. Primeira viagem ao Rio de Janeiro.

1953/54 - Faz fama como trovador nos programas de rádio ao vivo em Porto Alegre. Volta à viver no Passo d`Areia, com a família.

1955 - Encontro e identificação como Teixeirinha. Muitas viagens. Mudança para o bairro Passo do Feijó e abertura do primeiro bolicho.

1956/60 - Maior atração do programa Grande Rodeio Coringa dos domingos à noite. Mais viagens com Teixeirinha.

1961/62 - Declínio dos programas de rádio ao vivo, televisão começando. Gildo resolve largar de mão a "cantoria" e inventa de criar porcos.

1963 - Viagem a São Paulo para gravar o primeiro disco.

1964 - É lançado o primeiro LP. Em meados do ano é "convidado" a prestar depoimento sobre suas ligações com o trabalhismo.

1965 - Início da célebre disputa com Teixeirinha através dos discos. Jango o convida para viver no Uruguai e ele não aceita.

1970/77 - Várias internações em hospitais, sucesso popular das gravações, muitas viagens. A "briga" com Teixeirinha chega ao auge. Mudança para Viamão.

1978 - Inaugura em Viamão a Churrascaria Gildo de Freitas e dá início aos bailões.

1982 - Grava o último disco, para a mesma gravadora dos outros todos, Continental. Última internação em hospital, últimas aparições públicas em programas de TV. Morte em 4 de dezembro.


também num dia 19 de junho, mas no ano de 1923 ocorre o

COMBATE NA PONTE DO RIO IBIRAPUITÃ
 
 


No Inverno de junho 1923, ocorreu um dos principais conflitos da Revolução de 23, o combate na ponte do rio Ibirapuitã na cidade de Alegrete. De um lado os Maragatos comandados pelo General Honório Lemes, o Leão do Caverá; a frente do 2º Corpo do Exército Libertador tendo a seu comando entre outros, Batista Luzardo, o ultimo Caudilho e os irmãos Timbauvas, que criaram fama pela sua coragem. De outro lado os Chimangos comandados pelo então Coronel Flores da Cunha, a frente da “Brigada do Oeste”, entre seus subordinados estavam Nepobuceno Saraiva, filho de Aparício Saraiva, o qual havia sido contratado com a sua tropa constituída de Uruguaios pelo governo de Borges de Medeiros para reforçar as tropas chimangas, o alegretense Tenente-coronel Osvaldo Aranha, os santanenses, Coronéis Sinhô Cunha e Pequeno Pedroso, assim como vários outros santanenses, civis e componentes do 2º de Cavalaria da Brigada Militar. Após vários combates, entreveros e chamuscadas, entre as tropas governistas e revoltosas, num inverno muito frio e chuvoso, as tropas de Honório Lemes, chegam a Alegrete, em 18 de junho, onde são recebidos pelo comandante da 2ª Divisão de Cavalaria do Exército Brasileiro, o qual mostra as áreas neutras em caso de conflitos. Os seus oficiais são recebidos com festas, bailes e jantares pela comunidade alegretense declarada de maioria maragata, ficando a sua tropa acampada no Capão do Angico. Durante a noite o General Honório Lemes recebe um chasque informando sobre a aproximação em marcha forçada das tropas do Coronel Flores da Cunha de imediato mandou reunir suas tropas no acampamento. Durante a discussão do emprego da tática a ser empregada, foi proposto a destruição da ponte, o que não foi aceito pelo General Honório Lemes que queria inicialmente apenas atrair as forças governistas para a Serra do Caverá, onde era profundo conhecedor do terreno, devido a sua vasta experiência como tropeiro naquela região, resolveu então colocar na vanguarda uma força simbólica comandada pelos irmãos Timbauvas, na entrada da cidade. 

De um outro lado, o Coronel Flores da Cunha, após combater na Picada do Aipo, em campo Osório na cidade de Santana do livramento, onde utilizou pela 1ª vez o emprego de metralhadoras da Brigada Militar, desloca-se com a Brigada do Oeste para a cidade de Quarai e em seguida para Alegrete para a Coxilha do Combate, enviando a sua vanguarda para a cidade a comando de Nepobuceno Saraiva, para ocuparem a mesma, porém acabaram tiroteando próximo ao cemitério com a vanguarda da tropa do General Honório Lemes. Ao chegar na cidade o Coronel Flores da Cunha foi de encontro ao Comandante da 2ª Divisão de Cavalaria do Exército Brasileiro, onde foi orientado a respeito das áreas neutras. Na seqüência foi direto a várzea verde, ficando a 700 metros da ponte. Em 19 de junho inicia o combate, a vanguarda do General Honório Lemes, que estava próximo ao cemitério tentou retardar a vanguarda de Coronel Flores da Cunha, tiroteando com a mesma, durante a fuga atraíram para a ponte a vanguarda chimanga, atravessaram a ponte e juntaram-se ao grosso da tropa maragata. Logo em seguida, Flores mandou uma seção de metralhadoras do 2ª R C da Brigada Militar fazer fogo sobre o inimigo, o qual estende praticamente toda sua força do outro lado da ponte, tornado quase impossível a sua travessia. Restando ao Coronel Flores da Cunha, apenas a realização de cargas de lanças, tenta pela 1a vez, arrancando sua espada e bradando “os que tiverem vergonha na cara que me acompanhem!”, foi em direção ao inimigo, levando consigo alguns valorosos componentes de sua Brigada, porém o máximo que conseguiu foi aproximar-se um pouco mais da ponte. Logo após o Major Guilherme Flores da Cunha, irmão de Flores, junto com o Capitão santanense, Luiz Rubim, e mais alguns realizam uma carga sobre a ponte, sendo que apenas 5, conseguiram passar, logo após foi ferido o capitão Rubim e ferido mortalmente o Major Guilherme, nesta batalha pelo lado governista foram baleados o próprio Coronel Flores da Cunha e o Tenente-Coronel Osvaldo Aranha, do lado dos maragatos Teco Timbauva e o Ten-cel Mauricio Abreu representaram as grandes perdas. Ainda como a ultima tentativa General Honório Lemes tentou uma carga a lança seca. Porém o desgaste de sua tropa o levou o a realizar uma retirada em direção a Serra do Caverá. Nesta batalha foram empregados uma media de 1.500 homens por Exército, mas a logística superior das tropas governista, foi decisiva. Logo após o combate continuou a perseguição dos chimangos do Coronel Flores da Cunha aos desgastados maragatos do General Honório Lemes.
 

Paulo Mena - Pesquisador 



sábado, 18 de junho de 2022

DON JAYME CAETANO

 

O QUE SIGNIFICA "DE RÉDEAS NO CHÃO"


Submisso, apaixonado. 

"O índio estava embeiçado

pela china do patrão.

Já não tinha arrumação,

estava dando na vista

e a maula, também artista, 

vinha de rédeas no chão".   






FILOSOFIAS GAUDÉRIAS (em trovas literárias)

 

Galo-cinza que não canta

deve ter o seus motivos.

Algo tem em sua garganta

ou cansou de ser cativo.


- Léo Ribeiro - 




 



Crist






sexta-feira, 17 de junho de 2022

CACHORRO QUE COME OVELHA...

 



Estou com um livro na gráfica. Em questão de dias estará no mercado. É uma obra diferenciada pois trata da participação e da influência da Ordem Maçônica na Revolução Farroupilha. Seu título é: Os Farrapos e a Maçonaria. Foram anos de pesquisas e, devido ao trabalho desprendido, eu prometi a mim mesmo que seria o último. 

Ledo engano. 

Em 2023 será o ano do centenário de nascimento do meu maior ídolo dentro do gauchismo, a pessoa que direcionou meus passos para a cultura gaúcha. Me refiro a Honeyde Bertussi.

O meu segundo livro, publicado em 1994, foi, justamente, em homenagem a este pioneiro, ao baluarte da musicalidade galponeira. São 306 sextilhas contando em versos rimados a vida artística deste Cancioneiro das Coxilhas, meu conterrâneo. 

Pois agora me bateram as mutucas e estou pensando em reeditar com algumas melhorias, e a experiência literária que a idade me proporcionou, este livro que encontra-se esgotado. 

Como eu disse: Cachorro ovelheiro...

     

DOM JAYME CAETANO:

 

O QUE É UM GUACHO


É o órfão, o sem mãe, 

seja potrilho ou criança, 

tem, apenas, como herança,

a mágoa de andar sozinho.

É sempre triste o guaxinho, 

embora alegre aparente, 

e, mais do que leite quente,

precisa amor e carinho. 


 

quinta-feira, 16 de junho de 2022

A POESIA REGIONALISTA GAÚCHA


1ª PARTE 




A constituição de idealismos alicerçados em condutas inspiradas nos feitos heróicos das batalhas campestres, durante as demarcações de fronteiras e da afirmação de identidades nacionais, evidenciou a presença de uma produção literária engajada com essa imagem. A poesia, principalmente, contribuiu durante esse período de ocupação do território com a consolidação de certas estruturas sociais e políticas associadas aos interesses das classes dominantes de cada país. No Rio Grande do Sul não foi diferente. Muito do que vemos hoje como fator identitário do gaúcho deve-se a este estilo. Embora o ufanismo seja um elemento intrínseco neste modo de versejar não podemos negar que o retrato escrito dos feitos de nossos antepassados chegaram até os dias de hoje em virtude do fazer poético.