RETRATO DA SEMANA

RETRATO DA SEMANA
Óleo sobre tela de Antonio Parreiras - Fim de Romance

COMEÇANDO A LIDA BLOGUEIRA

quinta-feira, 28 de julho de 2016

FALTA INICIATIVA E ORGANIZAÇÃO


 
 
Eu bem sei como é difícil lidar com cultura. Ao mesmo tempo, penso que a nos otros, falta muita criatividade. 
 
Pensem comigo.
 
Um bom festival de poesia, atividade que envolve toda a comunidade poética do Estado e até mesmo fora dele, não custa mais do que vinte mil reais para sua realização. Isto mesmo R$ 20.000,00 e ainda sobra troco na guaiaca. 
 
Pois bueno. Imaginem o retorno publicitário que um evento grandioso, bem organizado, traz para uma cidade. Por vezes apenas uma propaganda isolada em jornal ou tv custa mais caro que todo um festival poético.
 
Citamos como exemplo a Sesmaria da Poesia de Osório. As inscrições foram abertas lá no início do mês de junho. Esta semana foi feita a seleção e em setembro acontecerá o festival. São quatro meses de citações em jornais, televisões, rádios, blogs, enfim, redes sociais em geral. É a cidade de Osório de boca em boca por causa da Sesmaria.
 
Por isso eu não entendo como uma cidade como Caxias do Sul, região industrial, com um poder público forte, povo tradicionalista ao extremo, acabou com a Querência da Poesia, que era marca registrada deste município.
 
Por isso também não entendo como dezenas de municípios não se atentam para marcar presença através da poesia gastando pouco e ganhando muito.
 
Na realidade eu entendo.
 
Falta iniciativa e organização.
 
 
 
 
 
   

SE VAI UM PAYADOR



Por: Paulo de Freitas Mendonça
 
Emanuel Gabotto me avisa que faleceu anteontem, em Salta, vítima de um infarto, o payador uruguaio Gustavo Guichon. Ele vivia em Villa de Maria del Rio Seco, na Argentina e vinha voltando da Bolívia, quando foi acometido pelo infarto. Peço aos mentores espirituais que ajudem-no na passagem do plano material para o espiritual. Gustavo Giuichon foi o primeiro payador com quem tive o privilégio de improvisar no exterior, em 1982, na Semana Criolla del Roosevelt, no Uruguai. Depois nos encontramos por várias vezes mundo afora, inclusive aqui no Brasil, em Passo Fundo, no Te-Deun de Pajadores, no Encontro de Pajdores de Bagé. Recentemente voltamos a improvisar na Criolla del Prado, em Montevidéu. Que Deus o tenha, amigo.


 

quarta-feira, 27 de julho de 2016

MEDICINA CAMPEIRA



Com esta breve mudança de temperatura peguei uma gripe daquelas. Ando amolado, com o lombo doído e sem ânimo para o trabalho (coisa comum neste corpo).

Por este motivo me vali de algumas receitas lá de fora, que sempre dão resultados positivos nestas horas.

Em todos os ranchos campeiros costuma-se efetivar uma série de recursos nativos quando acontece um acidente ou anormalidade na saúde.

Uma das primeiras providências é buscar saber se uma pessoa está febril. Não dispondo de um termômetro para “tirar” a febre, costuma-se colocar os lábios na testa do paciente. O calor dirá se a pessoa está com temperatura alterada.

Tratando-se de uma dor de garganta, comum nas oscilações climáticas do sul, introduz-se na garganta uma colher de sopa pelo cabo. O estado das amígdalas fornecerá o diagnóstico.

Para aliviar uma dor de dentes violenta, faz-se o paciente gargarejar um chá com semente de papoula ou folhas de malva.

Uma dor de cabeça é aliviada colocando-se nas fontes (fronte ou testa) rodelas de batata crua.

Um desfalecimento ou desmaio, conhecido popularmente por chilique, recebe logo uma terapêutica popular: a vítima deve aspirar vinagre, ou, na falta deste, álcool puro.

Um engasgue é aliviado de imediato com umas batidinhas nas costas do engasgado, acompanhadas da competente oração.

Se uma espinha de peixe tranca na garganta, faz-se o sinistrado engolir farinha de mandioca ou miolo de pão.

Contra cortes que produzem hemorragias, costuma-se colocar no local pó de café.

Os “galos” produzidos por batidas são aliviados colocando-se, sobre o local, a face fria de uma faca.

O veneno produzido por ferrão de certos peixes como o pintado, é tratado com urina logo após o acidente.

As picadas de insetos, com uma pasta de fumo mascado sobre o ferimento.

O bicho-de-pé (tunga penetrens), exige sua extirpação, retirando-se o saquinho contendo os ovos. Aplica-se sobre o ferimento querosene ou creolina.

O cobreiro (cobrelo) só pode ser tratado por meio de benzedura.

As frieiras são tratadas com vinagre, querosene, creolina ou açúcar.

Uma diarréia não resiste a um tratamento a base de chá com folhas de pitangueira, goiabeira e casca de romã.

Já a prisão de ventre encontra no velho óleo de rícino (purgante) o seu remédio ideal.

Para curar uma borracheira (embriaguês) nada melhor do que um café preto, sem açúcar, com cinzas do fogão.

Para cólicas, bolsa de água quente sobre o local dolorido.

Obtém-se um ótimo vomitório, irritando a campainha (úvula) com uma pena de galinha.

O excesso de gases é combatido com bicarbonato de sódio.
 
 
 

terça-feira, 26 de julho de 2016

CLASSIFICADAS DA SESMARIA


DE OSÓRIO (21ª QUADRA)
 
 
Mas olhem só que notícia buena recebemos ontem na boca da noite:
 
Boa noite, com imensa satisfação informamos as poesias classificadas para a 21ª Quadra da Sesmaria da Poesia Gaúcha, que será realizada no dia 24 de setembro de 2016 na Câmara de Vereadores de Osório.
 
Parabéns aos classificados.
 
Associação Cultural Sesmaria
 
Em reunião realizada no dia 25 de junho de 2016 na cidade de Osório reuniram-se os integrantes da Comissão Avaliadora da Sesmaria para a seleção dos poemas desta quadra, após a análise de todas as inscrições foram selecionados os poemas abaixo:

(Ordem de apresentação)
 
01)  Charla de bravos em tempos de paz
Autor: José Luiz dos Santos – Santa Maria/RS
 
02) Vestida de prenda
Autor: José Luiz Flores Moró – Farroupilha/RS
 
03)  Um velho taura, recém nascido
Autor: Caine Teixeira Garcia – Bagé/RS
 
04)  Monólogo de Passagem
Autor:
Luis Cesar Soares – Gravataí/RS
 
05)  Soneto para a musa revelada
Autor: Vaine Darde – Capão da Canoa/RS
 
06)  O mistério da flor amarela
Autor: Jorge Claudemir Soares – Uruguaiana/RS
 
07)  Quem vem ao mundo pelo chão de areia
Autor: Léo Ribeiro de Souza – Porto Alegre/RS
 
08)  Lá no cerro dos porongos
Autor: João Antônio Marin Hoffmann – Londrina/PR
 
09)  Um rio de saudade
Autor: Adão Quevedo – São Lourenço do Sul/RS
 
10)  Sob os olhos vendados da justiça
Autor: Sebastião Teixeira Correa – Caxias do Sul/RS
 
 

segunda-feira, 25 de julho de 2016

FOTO / POEMA




Com olhos profundos que cruzam neblinas,
sorriso que encanta (em tons de carmim),
és flor desta terra onde a pampa termina
e o forte do inverno branqueia o capim.
 
Visite o site: www.marionefotografias.com

Créditos de imagens: Marione Fernandes

Versos de: Léo Ribeiro


 
 
 
 

FALTAM 12 DIAS


PARA A BUGIADA COMEÇAR A RONCAR
Em São "Chico" de Paula
 
 
Bailes com entrada franca com Os Monarcas e Os Serranos. Espetáculos com César Oliveira e Rogério Melo e Elton Saldanha. O Festival acontece de 05 a 07 de agosto de 2016 no CTG Rodeio Serrano, em São Francisco de Paula. 
 
 
 
 
 

REPONTANDO DATAS - 25 DE JULHO


Num dia 25 de julho, do ano de 1773, o governador de Rio Grande de São Pedro, coronel José Marcelino de Figueiredo, transfere a capital gaúcha de Viamão para Porto Alegre.
 
 
No século XVIII a região do atual estado do Rio Grande do Sul deixou de ser somente uma zona de passagem entre laguna e Colônia do sacramento (atual cidade de Colônia no Uruguai).
 
Os chamados Campos de Viamão abrangiam uma imensa área no nordeste do atual Rio Grande do Sul. Os tais campos correspondiam às terras situadas ao sul do rio Mampituba, tendo ao leste o oceano Atlântico e a oeste e a sul a baliza fluvial do Guaíba e da lagoa dos Patos. Para os paulistas e lagunistas que exploraram o Rio Grande a partir do "Caminho da Praia", os campos eram todas as planícies despovoadas à margem esquerda do Rio de São Pedro. Nessa região se estabeleceram os mais antigos povoadores do Continente, que inicialmente povoaram seus campos de animais, para só depois trazerem suas famílias. Posteriormente, com o desenvolvimento populacional, foi criada a freguesia de Viamão (1747), desmembrada de Laguna. A freguesia de Viamão deu origem, nas décadas seguintes, a diversas outras freguesias, como Triunfo (1756), Santo Antônio da Patrulha (1763) e Porto Alegre (1772), entre outras.
 
No ano de 1725, Cosme da Silveira, instalou-se nas cercanias do atual município de Viamão. Outro marco foi a chegada e fixação de residência de Francisco Carvalho da Cunha, em 1741, no sítio Estância Grande, onde foi erguida a capela da Nossa Senhora da Conceição.
 
A partir dos primeiros colonizadores, a chegada dos açorianos deu o impulso definitivo no povoamento da região. Em 1747 foi elevada à categoria de freguesia. Com a invasão da cidade do Rio Grande, único porto marítimo e Capital da província, pelo espanhol Pedro de Cevallos, governador de Buenos Aires 1766, a sede do governo da capitania teve de ser transferida para Viamão. A cidade conservou-se como sede do governo até 1773, quando foi transferida para  Porto dos Casais, atual Porto Alegre, já que esta localidade tinha um porto, ainda que não marítimo, o que facilitava tanto a proteção do domínio - então ameaçado - português na própria região, quanto à preparação de uma possível retomada de Rio Grande. E o então Porto de Viamão (Porto Alegre), de qualquer forma, era por onde saiam todas as mercadorias, dali para Rio Grande e de Rio Grande para todo (o resto) do Brasil. No ano de 1880 Viamão separou-se de Porto Alegre. 

 
 
 

 
 

domingo, 24 de julho de 2016

NOS TEMPOS DA LAMPARINA



Estamos sem luz (elétrica) no rancho. Quando voltar batemos o ponto


Mas acho que a pegada foi grande e a coisa vai entrar na boca da noite.
Escapei do banho...e a bateria do "note" se f.....o..............i.







 

sábado, 23 de julho de 2016

SÓ DEU TEMPO PRA UMA "SELF"



Hoje a postagem é curta como coice de porco porque estamos envolvidos nas eliminatórias de poesia da Primeira Região Tradicionalista com fins de ENART e só deu tempo para uma "self" da Marcia, ex-patroa do 35 CTG. Por aqui no Clube do Professor Gaúcho, onde tudo acontece neste sábado primaveril, declamadores e declamadoras de qualidade é o que não falta. Eu gosto por demais deste clima que envolve os centros de tradições pois foi neste ambiente que dei ôh de casa no mundo tradicionalista. Mil gracias aos parceiros avaliadores Jair Silveira e Fraga Cirne e ao excelente coordenador desta categoria artística, o Grande José Luiz Rodrigues dos Santos, homem que sabe tudo da arte poética. Me convidem sempre pois, se estiver da valde, me farei presente com o maior prazer.
 
 
 
 
 
   

sexta-feira, 22 de julho de 2016

FORÇA, RAUL QUIROGA!



"Quem me olha com apreço,
chapéu tapeado na testa,
não sabe o quanto padeço
quando estou longe de festa"

Esta secla é um refrão de uma letra escrita por mim e gravada pelo conjunto Os Tiranos, há muito tempo, e tem como mote esta ilusão que o fã possui em relação ao artista. Por ser um ídolo, muitos admiradores pensam que o músico não tem problemas comuns, de saúde, financeiros, depressivos, enfim, males que afligem qualquer ser humano.
 
Ao contrário do que possa parecer, a maioria dos músicos labutam mais do que muitos profissionais desta pátria. Viagens, fins de semanas na correria, isto quando não tem seu trabalho retribuído com logros e cheques sem fundo. Em suma a vida de músico no Rio Grande do Sul é bem mais difícil do que possa parecer quando sobem ao palco para retrechar cantos com cheiro de chão gaúcho.
 
E quando não podem mostrar sua arte por causa de enfermidades, a coisa piora um bocado. Mas quem tem padrinho não morre pagão...
 
Por isso, minha gente, vamos dar uma mão bem boa para quem está organizando esta quarteada em favor do grande amigo, guitarreiro e cantor, Raul Quiroga a recém se recuperando de problemas cardíacos.
 
O Evento vai acontecer hoje, dia 22 de julho, no CEPE (Centro de Empregados da Petrobras), av. Getúlio Vargas 11.001 em Canoas. Os fones para informações são (51) 81209498 ou 80295063, ingresso a 20 reais, com renda revertida ao cantor.
 
Compareçam. Prestigiem este fraterno parceiro.
 
 
 
 
 
 
 
 
     

quinta-feira, 21 de julho de 2016

LEGENDAS DO RIO GRANDE



Nós temos ao nosso redor verdadeiras legendas artísticas do Rio Grande do Sul que passaram sua vida profissional cantando as coisas do chão gaúcho. Muitas destas relíquias humanas já dobraram o cabo dos setenta anos e continuam em atividade, da forma que o fizeram por toda a vida.
 
Para não cometer o pecado do esquecimento não vamos relacionar todos estes baluartes que merecem o nosso abraço, o nosso apreço e o nosso respeito mas como não lembrar de nomes como Adelar Bertussi, Telmo de Lima Freitas, Paulinho Pires, Glênio Fagundes, Pedro Ortaça, Gildinho, Bruno Neher, Gaúcho da Fronteira, Nelson Cardoso, Adair de Freitas e tantos outros.
 
Ainda na semana passada estive falando com dois destes brazões rio-grandenses. Paixão Côrtes e Albino Manique. É o tipo de prosa que te enche de satisfação e de aprendizado. É um momento de tietagem, de bater uns retratos, de reafirmar nossa admiração. Sobre Paixão Côrtes, já me reportei aqui e sobre Albino (77 anos) me reporto agora: O gaiteiro de melhor mão esquerda que conheço (que utiliza os baixos do acordeom) junto com o seu grupo Os Mirins, sábado passado, tocou um baile em nossa terra, São Francisco de Paula, mais especificamente no CTG Rodeio Serrano.

Me falaram que, devido a enfermidades, Albino não estava mais tocando. Em muitos casos nem acompanhava o grupo. Pois não foi o que vimos.

Talvez pela energia emanada de sua gente, de seus amigos, de seu torrão natal, o gaiteiro velho abriu o foles no início do fandango e quando saí de lá, por volta das duas da madrugada, rengo de tanto dançar, continuava firme como moirão.

Este tipo de pessoas, nós, cultores das tradições gaúchas, temos reverenciar, exaltar, pois são as verdadeiras Legendas do Rio Grande.


       

quarta-feira, 20 de julho de 2016

SE ME COMPREENDE....


 
 
 

ATÉ QUE UM DIA!


MONUMENTO EM NOVO ENDEREÇO


Está marcada para as 11 h de hoje o início da operação de transferência do monumento Gaúcho Oriental do local onde se encontra hoje, nas proximidades do Viaduto João Pessoa, para o eixo monumental do Parque Farroupilha, junto ao chafariz. A ideia é valorizar e proteger a bela estátua recentemente pelo projeto CONSTRUÇÃO CULTURAL - RESGATE DO PATRIMÔNIO HISTÓRICO, que promoveu a revitalização de 32 monumentos e marcos históricos da Redenção em dois anos. Presente da comunidade uruguaia, o monumento foi inaugurado em dezembro de 1935, como homenagem à comemoração do Centenário Farroupilha. Ao retratar o gaúcho de forma descontraída, o artista uruguaio Frederico escalada (1888 - 1960) usou o chiripa em vez da bombacha, a vestimenta mais conhecida do homem do Sul, e se incluiu na escultura de uma maneira peculiar: colocou a letra "E", a primeira de seu sobrenome, na fivela do tirador. Confeccionada em tamanho real e fundida em bronze, com aproximadamente sete toneladas, a estátua será erguida e transportada por um caminhão por meio de cintas, circulando por locais autorizados dentro do parque até o novo endereço. Segundo o engenheiro Zalmir Chwartzmann, coordenador de projeto, a mudança de local, além de aumentar a visibilidade da obra, minimiza os riscos de roubos e vandalismo. Tomara, né?
 
Por: Roger Lerina / Jornalista / ZH
 
 
A SEGUIR UMA POSTAGEM QUE FIZEMOS
EM ABRIL DE 2010
 
 

sábado, 10 de abril de 2010


MONUMENTOS

UM GAÚCHO ESQUECIDO


Foto Léo Ribeiro

Este monumento presenteado a cidade de Porto Alegre pelo governo uruguaio, é um dos mais belos que conheço. Ao nível do nosso Laçador.

Sua pose é de quem, depois da lida, bombeia os campos longínquos...

Contudo, para variar um pouco em relação aos monumentos de Porto Alegre, está jogado as traças, ou melhor, aos vândalos.

Notem sua mão direita. Simplesmente arrancaram (e faz mais de ano que está assim). Suas esporas também já não retumbam mais. Está em silêncio, assim como as autoridades responsáveis.

O lindo monumento está localizado no Parque da Redenção num local que ninguém vê. Entre arbustos, quase embaixo de um viaduto.

Há tempos viemos lutando pela remoção da estátua para um local onde todos tenham acesso, com iluminação, com visibilidade.

Na Semana Farroupilha de 2009, inclusive, o Piquete Fraternidade Gaúcha fez um almoço aos Vereadores e Secretários municipais de Porto Alegre. Junto a este almoço, alcançamos um projeto para a citada remoção. Dificuldades daqui, burocracias dali e o nosso gaúcho continua no mesmo local, impávido e...esquecido!
 
 
Nota do Blog, hoje, dia 20 de julho de 2016: CHEGA AO FIM UMA LUTA, mas continuamos a peleia em relação a Estátua de Jayme Caetano Braun no Parque da Harmonia. 
 
 
 
 

O USO CORRETO DO CHAPÉU


Por: Ibani Jorge Bica
Estamos nos aproximando do mês de setembro, quando vemos muitos gaúchos pilchados e usando chapéu.

Eu que sou tradicionalista e de vez em quando também uso boina e chapéu, tenho constatado, que nos tempos modernos, as pessoas quando usam algum tipo de cobertura, o fazem sem se preocupar com aquelas regrinhas básicas de civilidade e boa educação que nós os mais antigos aprendemos com nossos pais.

Eu lembro como se fosse hoje: Eu deveria ter uns c...inco anos de idade, quando meu pai presenteou-me com o meu primeiro chapéu, um rústico chapéu de palha para proteger-me do sol. Antes mesmo de me entregá-lo, ele me explicou que dentro de casa não se usava chapéu e quando eu fosse cumprimentar alguém, deveria retirá-lo. E quando cumprimentasse alguém de passagem devia levar a mão à aba, levantando-o.

Mais tarde no Exército aprendi que em recinto coberto, não se usa cobertura.

O Movimento tradicionalista Gaúcho nas suas diretrizes para as pilchas gaúchas apenas especifica qual o tipo de chapéu adequado para o gaucho. Não versa sobre o correto uso do chapéu. Todavia quando fala de situações em que se deve demonstrar respeito, recomenda retirar o chapéu, como em solenidades em que se hasteia bandeiras e canta-se hinos. 

A vinculação do chapéu com o respeito, está implícita nas atitudes do gaúcho, principalmente daqueles mais veteranos. Assim, aquilo que aprendi com meu pai, está valendo. No entanto alguns gaúchos pilchados, notadamente os mais jovens, creio que por desconhecimento, ignoram. Deduzo que o uso do chapéu em locais, momentos e circunstâncias inadequadas, só tem explicação na pura falta de informação de quem assim o faz. Pois temos que convir que um tradicionalista não tomaria nunca de forma deliberada, uma atitude que denotasse falta de educação e respeito.

Estudando os costumes de um povo, nota-se que estes são passados de geração para geração, ou de pai para filho, conforme costuma-se dizer. Preocupa-me constatar que os pais não estão mais ensinando o uso correto da cobertura(chapéu, boné, gorro, boina, etc.), aos seu filhos, pois quando se perdem os sinais de respeito, é porque o próprio respeito não está mais sendo ensinado aos nossos jovens. Claro que isso não é regra geral, ainda existem famílias que preservam estes bons hábitos.

Cabe aos mais veteranos tentar resgatar o uso correto do chapéu (cobertura em geral). No tradicionalismo espera-se que os patrões dos CTGs e PTGs, orientem seus peões quanto a este sadio costume de usar o chapéu com civilidade e respeito.
 
 
 
 

terça-feira, 19 de julho de 2016

25º RONCO DO BUGIO


ORDEM DE APRESENTAÇÃO
SEXTA-FEIRA
NO GALPÃO SERRANO  (Bugiozinho)
Mateus Reis Machado
 
BUGIO SOCADO
Letra: Jardel Borba
Música: Jardel Borba
A BANDEIRA DO RIO GRANDE
Letra: Mario Amaral
Música: Clóvis de Souza
 
TAIPEIRO SERRANO
Letra: Hermes Lopes
Música: Érlon Péricles
MESTRE GAITEIRO
Letra: Riva Barreto
Música: Riva Barreto e Mario Tressoldi
 
NA EVOCAÇÃO DO BUGIO
Letra: Leomar Ferraz
Música: Luciano Rosa e Leomar Ferraz
SÁBADO
SONORIDADE SERRANA (Bugiozinho)
Manuela Bassualdo Duarte
 
NO RONCAR DE UM BUGIO
Letra: Paulo Ricardo Costa
Música: Halber Lopes e Jarbas Nadal
BOCA DE CORREDOR
Letra: Jairo Fonseca
Música: Jardel Borba
UM BUGIO BEM GAÚCHO
Letra: Nenito Sarturi
Música: Leonardo Sarturi
OS TROPEIROS DE SÃO CHICO
Letra: Anildo de Souza Araújo, Milton César Hoff e Jones Andrei Vieira
Música: Jones Andrei Vieira
TROPEL DE RECUERDOS
Letra: Érlon Péricles
Música: Érlon Péricles
 
 
 

segunda-feira, 18 de julho de 2016

TRÊS PONTOS BÁSICOS



Já falamos sobre este tema, várias vezes, aqui neste espaço. Mas como findamos mais uma triagem para o festival Ronco do Bugio e os fatos se repetem, voltamos a mencionar o assunto.
 
Quero deixar claro que não faço parte da comissão de avaliadores do festival mas, como o procedimento (triagem) aconteceu em meu galpão Aconchego dos Gaudérios, percebi, meio de soslaio, o mesmo rumo de interpretação de quando fui jurado outras tantas vezes.
 
Muitos concorrentes tem para si que sua composição é perfeita e não entendem o porque de que a mesma não foi classificada,. Então, vamos repetir os três pontos básicos para sair-se bem numa classificatória do Ronco:
 
1 - RITMO: O Ronco do Bugio é o único festival desta Província de São Pedro onde só se permite um compasso, ou seja, o bugio. Pelo que percebi na tarde de sábado muitas concorrentes de boa qualidade deixaram de classificar-se por serem vaneiras, chamarras... menos bugio. Se os avaliadores permitirem que um ritmo que não seja o exigido no regulamento suba ao palco, a cobrança virá, com certeza.
 
2 - LETRA: A maioria dos concorrentes continua vinculando a letra com a jocosidade, com coisas engraçadas, por vezes grosseiras e falando especificamente do primata, do bicho bugio. Se o ritmo é obrigatório, a letra permite a vastidão de ideias. Letras com começo, meio e fim, que tragam uma mensagem bonita, diferenciadas, de interesse geral, até românticas, sempre serão bem-vindas.
 
3 - INTERPRETAÇÃO: Muitos participantes avisam antes de começar a música. - "Gravação apenas para triagem".  Isto é uma preparação aos jurados de que não virá coisa boa em se tratando de interpretação. Não tem que ser assim. Um boa gravação, com voz afinada, bons arranjos, vocal a contento, harmonia, faz parte do jogo pois quem garante aos jurados que, caso classificada, tal composição irá melhorar muito no dia da apresentação?
 
Tudo isto parece detalhes insignificantes, mas que num contexto de mais de cem composições para retirar apenas dez, faz muita diferença.
 
 
 
 
       

domingo, 17 de julho de 2016

CLASSIFICADAS DO 25º RONCO DO BUGIO


E DO 4º RONCO DO BUGIOZINHO
 
 

25º RONCO DO BUGIO

A BANDEIRA DO RIO GRANDE
Letra: Mario Amaral
Música: Clóvis de Souza

BOCA DE CORREDOR
Letra: Jairo Fonseca
Música: Jardel Borba
 
TROPEL DE RECUERDOS
Letra: Érlon Péricles
Música: Érlon Péricles

UM BUGIO BEM GAÚCHO
Letra: Nenito Sarturi
Música: Leonardo Sarturi

TAIPEIRO SERRANO
Letra: Hermes Lopes
Música: Érlon Péricles

BUGIO SOCADO
Letra: Jardel Borba
Música: Jardel Borba

OS TROPEIROS DE SÃO CHICO
Letra: Anildo de Souza Araújo, Milton César Hoff e Jones Andrei Vieira
Música: Jones Andrei Vieira

NA EVOCAÇÃO DO BUGIO
Letra: Leomar Ferraz
Música: Luciano Rosa e Leomar Ferraz

MESTRE GAITEIRO
Letra: Riva Barreto
Música: Riva Barreto e Mario Tressoldi

NO RONCAR DE UM BUGIO
Letra: Paulo Ricardo Costa
Música: Halber Lopes e Jarbas Nadal

4º RONCO DO BUGIOZINHO
 
SONORIDADE SERRANA
Manuela Bassualdo Duarte
 
NO GALPÃO SERRANO
Mateus Reis Machado


 
 Primeira Parte da missão, cumprida com louvor. Gracias Ubiratã Reis, Adão Quevedo, Luciano Maia, Daltro Bertussi, Volnei Gomes, Délcio Tavares e mais os amigos Maurício Valim e Luciane Altmayer que não aparecem na foto.

Retratista: Miriam Vallin de Souza
 




sábado, 16 de julho de 2016

E DÊ-LHE BUGIO



Avaliadores do 25° Ronco do Bugio reunidos no Galpão Aconchego dos Gaudérios em São Chico de Paula. Daltro Bertussi, Délcio Tavares, Luciano Sampaio Maia, Volnei Gomes e Adão Quevedo. E dê-lhe pinhão, chimarrão e a bugiada roncando.
 


sexta-feira, 15 de julho de 2016

PAIXÃO CÔRTES SERÁ HOMENAGEADO


NA 6ª TERTÚLIA MAÇÔNICA DA POESIA CRIOULA

Léo Ribeiro, Paixão Côrtes e Tadeu Pedro Drago

É costume a cada edição a Tertúlia Maçônica da Poesia Crioula homenagear uma entidade e um Irmão que tenham relevantes serviços prestados a cultura de nosso Estado. Já foi assim com os Obreiros Alcy de Vargas Cheuiche, Telmo de Lima Freitas, Leonardo, Paulinho Pires e Tadeu Martins.

Em sua 6ª edição, que acontecerá no dia 13 de agosto, no Teatro do SESC (Av. Alberto Bins 665 - Centro Histórico - Porto Alegre) o escolhido pelo Piquete Fraternidade Gaúcha, organizadores do evento, foi o folclorista João Carlos D'Avila Paixão Côrtes (a entidade homenageada é o MTG, em seu cinquentenário).    

Ontem a tarde, quinta-feira, dois dias após desta lenda viva completar 89 anos, o Gão-Mestre da Maçonaria do Grande Oriente do Rio Grande do Sul (GORGS) Tadeu Pedro Drago e eu fomos formalizar o convite. 
 
O que nos deixou mais contentes foi ver um Paixão Côrtes alegre e falante. Nem parece uma pessoa de avançada idade que a recém passou dois meses no hospital Ernesto Dornelles, entre o quarto e o CTI. Com muita disposição nos relatou de seus diversos projetos e de um livro que está no prelo com... 700 páginas.
 
Com uma memória privilegiada contou-me que lá na minha terra, as Contendas, no interior de São Francisco de Paula, recolheu a dança "Chico do Porrete" que deu origem a Dança dos Facões. Seu único lamento e não ver nos horizontes mais gente seguindo seus passos de pesquisador.

E nos garantiu que na data aprazada se fará presente, com muita honra, em nosso evento poético.  
 
Que o Grande Arquiteto do Universo o conserve assim por muitos e muitos anos. 
 
 
 
 
    

quinta-feira, 14 de julho de 2016

A MÚSICA GAÚCHA SUFOCADA




                   “A gaita matou a viola,
o fósforo matou o isqueiro,
a bombacha o chiripá
e a moda o uso campeiro.”
 
Esta é uma antiga modinha muito tradicional e que retrata a evolução da coisas aqui pelo Rio Grande do Sul. Hoje em dia eu acrescentaria  a esta trova crioula que: - a internet matou (ou pelo menos está sufocando) o comércio musical rio-grandense.  
 
Quero deixar claro que esta postagem é só uma breve manifestação de opinião pois o tema merece uma pesquisa, um debate e até mesmo um seminário com partes interesssadas.
 
Hoje em dia ninguém compra mais discos!
 
Tenho lá em meu galpão Aconchego dos Gaudérios, em São Francisco de Paula, mais de 300 LPs, os antigos "bolachões", que vão do saudoso Pedro Raymundo até chegarmos a então "novidade" dos CDs. Estes (CDs) tenho comigo em Porto Alegre. Estes dias comecei a contar e parei nos 500. Devo ter em torno de 600. Só que nos últimos dois anos não devo ter comprado mais do que 20. E porque isto? A qualidade musical caiu? Não. Simplesmente porque a dificuldade de adquirir o produto aumentou e a oferta diminuiu (não me incluo entre os que substituíram o CD pelo tal de download até porque sou meio tanso para isso).
 
Com o advento da internet as pessoas pararam de comprar. Sem o consumidor as lojas especializadas fecharam. Sem as lojas especializadas as gravadoras diminuíram seu fluxo. Com este fluxo menor os preços aumentaram e poucos (heróicos) artistas ainda gravam seus trabalhos.
 
Para adquirir estes trabalhos em CD eu tenho que me cadastrar no site da gravadora, fornecer código de cartão, pagar quase o mesmo preço da obra pelo transporte... enquanto que a internet oferece tudo, de graça.
 
Aí é que entra uma peleia que estamos acompanhando pelo facebook. É válido um artista ter sua obra divulgada e isto lhe trazer promoção pessoal mas não lhe ofertar nada em troca (monetariamente falando)?
 
A verdade é que, por culpa deste processo, nos últimos dez anos (ou mais) pouco tivemos de novidades no campo musical gauchesco. Poucas caras novas, trabalhos minguando, festivais morrendo, conjuntos tocando a troco de portaria.... 
 
Mas, como disse, isto é uma discussão para sentarmos ao redor de um fogo de chão, passando uma cuia de mão em mão e termos uma noção de onde a nossa musicalidade vai chegar.
 
Mas que é preocupante, ah, isto é, pois parece não haver luz no fim do túnel e nem um movimento organizado por parte das pessoas envolvidas. É meio cada um por si! 
   
 
    
 
 

quarta-feira, 13 de julho de 2016

VAMOS PARTICIPAR



Quarteada a Dom Raúl Quiroga. Local: CEPE (Centro dos Empregados da Petrobras). Av. Getúlio Vargas 11.001, Canoas. Informações pelo Fone: (51) 80295063


POR ESTAS E OUTRAS


A GENTE SEGUE METENDO OS CAVALOS
 
 
Chasque recebido de um dos maiores gaiteiros deste Rio Grande de São Pedro: 

"Mano Léo Ribeiro!
Hoje estive ouvindo pela primeira vez o disco novo dos Mirins (Clareando o Dia), e, ao ouvir a faixa de numero 13, intitulada "Gaiteiro Gaúcho" comecei a chorar copiosamente.

Me emocionei muito ao ouvir o grande mestre da cordeona gaúcha cantando uma poesia tão linda. A letra, embora nostálgica, tem tudo a ver com o momento que ele vive hoje, embora esperemos que ele demore para "fechar o estojo" da cordeona. 
Mas meu irmão velho: te escrevo para te parabenizar pela maravilhosa poesia que escreveste. Coisa das mais lindas que ouvi.
 
Você é um baita poeta!
 
Felicidades, e saudades do amigo!!
 
Abraço.
 
Jauro S. Von Gehlen"
 
 
 
 

PESQUISA SOBRE JAYME EM PASSO FUNDO


Hilton Araldi, D. Aurora (viúva de Jayme) e Marcelo, filho de D. Aurora
diante do Monumento a Jayme Caetano Braun no Parque de Rodeios de PF 
 
Jayme Caetano Braun sonhava em ser médico mas, tendo apenas o ensino médio, se tornou um autodidata principalmente nos assuntos da cultura sulina e remédios caseiros, pois afirmava que "todo missioneiro tem a obrigação de ser um curador".
 
Em 1939 aos 16 anos mudou-se para Passo Fundo, onde viveria até os 19 anos. Na capital do Planalto Médio, Jayme completou seus estudos no Colégio Marista Conceição e serviu ao Exército Brasileiro.
 
Pois meu amigo (e afilhado na Estância da Poesia Crioula), poeta Cândido Brasil, andejou por esta bela cidade para descobrir detalhes sobre a estada do maior pajador do Rio Grande do Sul pelo Planalto Médio para enriquecer o livro que pretende lançar sobre o mestre do canto pajadoril.  
 
O tradicionalista Hilton Araldi, idealizador do Memorial que homenageia o Poeta Jayme Caetano no Parque de Rodeios de Passo Fundo, juntamente com o vate Luis Lopes de Souza foram seus vaqueanos por aquelas bandas.
 
 
 

terça-feira, 12 de julho de 2016

UMA LENDA VIVA


COMPLETA 89 ANOS
 
 
Nascido a 12 de julho d 1927, em Sant’Ana do Livramento, RS, João Carlos D'Ávila Paixão Côrtes é a figura mais identificada com as tradições do Rio Grande do Sul. Aliás, a tradição e Paixão se confundem, se mesclam, tem uma só personalidade. Paixão, ao lado de Luis Carlos Barbosa Lessa, é considerado o maior folclorista que este terra de São Pedro viu crescer. É precursor de todo este movimento que visa cultuar nossas raízes, pois fez parte do Piquete da Tradição, também chamado do Grupo dos Oito que, em 1947, de acavalo e pilchados a moda gaúcha, acompanharam os restos mortais do General Farrapo David Canabarro pelas ruas de Porto Alegre e, no mesmo ano, criaram a primeira Ronda Crioula, precursora da Semana Farroupilha de hoje, sendo, esses fatos, a fonte inspiradora de tudo o que se percebe agora em se tratando de tradicionalismo.  
 
Paixão Côrtes tem suas origens ligadas á vida pastoril e iniciou muito cedo suas pesquisas folclóricas. No transcorrer dos tempos se viu obrigado a comprar sua própria aparelhagem (gravador, filmadora, máquina fotográfica, etc..) para registrar a cultura popular gauchesca. Deste trabalho resultou um acervo de milhares de slides, centenas de fitas e vídeos, enfim, um arquivo histórico sobre os usos e costumes do povo gaúcho.
 
Sua bibliografia é riquíssima e de suma importância e vai de posar como modelo para o artista Antônio Caringi esculpir a estátua do Laçador até dezenas de livros e discos que serviram de base para os primeiros passos para as centenas de invernadas artísticas por este mundo afora. Impressionantemente seu trabalho, hoje, é pouco considerado pelos "doutos" da tradição.
 
No ano de 1999, quando éramos proprietários do Jornal Boca da Serra, um periódico mensal voltado para a cultura gaúcha, entrevistamos Paixão Côrtes. Notem que suas respostas servem como uma luva para os dias de hoje, 17 anos após.


Boca da Serra – Depois de Paixão Côrtes, poucos ativistas dedicaram-se a pesquisar nosso folclore. Por que são poucos os interessados nesta área? Não há mais nada o que pesquisar?

Paixão Côrtes – Bem. Eu acho é que as pessoas estão mais preocupadas é em festar do que fundamentar. Estão mais voltados para a recreação e o lazer antes de procurar as raízes que deram origem a esses momentos literários, sociais e culturais. Mas eu acho que ainda há muita coisa para se pesquisar. Existem muitas manifestações que estão aí a espera de pessoas preocupadas em revitalizar essas fontes.

Só como informação: em 1950 eu pesquisei a dança jardineira, em Vacaria. Quarenta e quatro anos depois eu vim encontrá-la aqui, em Santo Antônio da Patrulha. Esperei 44 anos para que realmente reconstituíssem com toda a fidelidade. Seria muito mais fácil se eu não tivesse essa preocupação de veracidade e do respeito ás fontes originais como muita gente, irresponsavelmente, anda fazendo por aí. Minha preocupação é essa: reconstituir fielmente para que as novas gerações sejam portadoras da verdadeira raiz nativa riograndense.

Boca da Serra – Sendo o maior estudioso do assunto, como o senhor vê as danças de invernadas artísticas de hoje?

Paixão Côrtes – O que eu acho é o seguinte: as pessoas, as vezes, tem dificuldade de interpretar o que a gente escreve por que não conhecem português. Então, para essas pessoas, torna-se difícil entender o que a gente escreve traduzindo expressões artísticas, coreógrafas, musicais e de vestuário. Como as pessoas acham mais fácil olhar e acrescentar sua opinião pessoal, o que nós estamos vendo aí é uma verdadeira fantasia de vestuário e uma deturpação de temas originais que eu encontrei. Não quero dizer que as danças que eu investiguei sejam as únicas, mas estas, até que me provem o contrário, são as primitivas, as originais.

Hoje é muito comum a modificação, a estilização, a deturpação em razão da falta de documentos da época.

Boca da Serra – Nosso povo gosta muito de prestar homenagens “in memorian”. Que homenagem o senhor gostaria de receber em vida?

Paixão Côrtes – Eu estou recebendo todas as homenagens de pessoas sinceras que comungam com o espírito que me levou a criar, em 1947 o início do movimento tradicionalista através do Departamento de Comunicações do Colégio Júlio de Castilhos e, consequentemente o 35 CTG, que sou um dos fundadores.

A todo o momento eu me reencontro com as novas gerações e isto é um júbilo que a gente carrega pois já com 72 anos mas perfeitamente lúcido e me sentindo espiritualmente jovem, bastante jovem, porque estou dando muitos cursos e dançando continuadamente. Ensino setenta e tantas danças a cada curso que dou, a cada exposição coreográfica que faço aos mirins, juvenis, adultos e o reencontro com xirus veteranos, são momentos de homenagens perenes.

Isto sempre pensei em minha vida: o rever amigos são momentos de glórias, assim como a glória está na preservação original de nossos estudos, no reconhecimento destes trabalhos por parte das novas gerações e na causa maior que é o bem estar de todos nós.
 
estátua de Paixão Côrtes na entrada de Santana do Livramento 
 
 
 

PATRONO DOS FESTEJOS FARROUPILHAS


ZENO DIAS CHAVES
 
 
Zeno Dias Chaves nasceu no mesmo dia, mês e ano que Paixão Cortes (12/07/1927), mas não param por ai as coincidências, seguiram a mesma trilha, da manutenção das tradições gaúchas. Zeno e Paixão Cortes muito cedo formaram uma grande amizade, ocorrendo o mesmo em relação a Barbosa Lessa.
 
Aos 89 anos, nascido na Fazenda Cerro Colorado, distrito de Seival, interior do município de Caçapava do Sul, Zeno Dias Chaves é casado com Isaura Ferreira Chaves, com quem teve três filhos, depois vieram os sete netos, e os três bisnetos.
 
Iniciou as atividades em 1949, no primeiro encontro com os ex-colegas Antônio Candido Silva Neto, Luiz Carlos Correa da Silva, Robis Pinto, entre outros. Este encontro ocorreu na esquina das Ruas da Praia com Borges de Medeiros, tendo ali a informação do que Paixão Cortes e Barbosa Lessa estavam fazendo. Deste encontro em diante não parou mais.
 
Em Caçapava do Sul, é sócio fundador do CTG Sentinela dos Cerros, onde foi patrão, diretor cultural e artístico e membro de outras patronagens por várias vezes. Sócio fundador e benemérito do CTG Clareira da Mata, CTG Sentinela do Forte, CTG Heróis do Seival, PL Guarda Velha, PL Os Maragatos, CTG Pampa e Querência e também sócio fundador do CTG Família Nativista. Participou da criação de departamentos tradicionalistas em 11 (onze) colégios do município de Caçapava do Sul, ainda, por várias vezes faz palestra nos colégios sobre história.
 
Em 1977 foi eleito para o Conselho Diretor do MTG, onde permaneceu por 10 anos, intercalando para ser Coordenador Regional da 18ª RT em 1980/1981. De 1987 a 1989 foi Presidente do MTG e Fundação Cultural Gaúcha, neste período, destaca as seguintes criações:
1 - Criação do Departamento Jovem;
2 - Criação da Festa Campeira do Rio Grande do Sul;
3 - Criação de um departamento cultural, atuante;
4 - Agilizou a criação da CBTG, onde foi o 1 ° Vice-Presidente.
 
Criada a CBTG foi escolhido doze patronos, 3 (três) de cada Estado, Santa Catarina, Paraná, São Paulo e Rio Grande do Sul, neste, Zeno Dias Chaves foi escolhido juntamente com José Theodoro Belaguarda de Menezes e Nei Zardo.
 
Em 1990 ficou mais um ano no Conselho Diretor, após foi passou a Conselheiro Vaqueano e Benemérito do MTG. Ainda, neste mesmo ano, foi Patrono da 18ª RT.
 
Recebeu as Comendas:
"Negrinho do Pastoreio" - Governo do Estado do Rio Grande do Sul;
"Medalha Barbosa Lessa" - MTG;
“Bento Gonçalves” e “Charrua” - Caçapava
 
Participou de 33 (trinta e três) dos 64 (sessenta e quatro) Congressos Tradicionalistas Gaúchos realizados.
De 4 Congressos Tradicionalistas Brasileiros:
De 5 Congressos Tradicionalistas Internacionais presidindo, ainda, o 3º
De 20 (vinte) Convenções Tradicionalistas. Participou em 18 cavalgadas, conduzindo a Chama Crioula pelo Rio Grande.
 
Chaves também foi patrono da 10ª Feira do Livro de Caçapava do Sul, em 2000, tem dois livros editados e mais oito a serem publicados. Ministrou cursos sobre História e Tradição para alunos de escolas públicas e continua fazendo palestras. Gravou vários seriados e documentários para a TV Globo, RBS, Canal Futura, TV Pampa, Record e TVE, falando sobre a história do Rio Grande do Sul, seus usos e costumes. Foi criador e hoje presidente a Comissão do Projeto do Rio Camaquã e sua história, que envolve 14 municípios da região.
 
 
 

segunda-feira, 11 de julho de 2016

COMO SURGIU O RITMO BUGIO


Irmãos Bertussi. Primeiros músicos a gravarem um bugio
(Casamento da Doralice)

Hoje vamos fazer uma breve explanação sobre o ritmo bugio, o único compasso gaúcho surgido no Rio Grande do Sul.
Segundo o dicionário da língua portuguesa, bugio significa uma espécie de macaco. Tal animal seria oriundo da Argélia, mais precisamente da cidade de Bugia, que leva o nome por dizer-se o berço do citado primata. Figurativamente chama-se de bugio o indivíduo feio, desengonçado, que imita os outros. Macaqueador.
Uma característica marcante dos bugios é a presença do osso hióide (gogó) muito desenvolvido nos machos, que atua como câmara de ressonância e amplificação, conferindo a esses animais uma vocalização ímpar e mais acentuada, quando o tempo está para chover. Segundo os mais antigos “se o bugio roncou no mato, é chuva grossa de fato” e nenhum campeiro saía para suas lides sem a capa na garupa.
Pois foi para imitar esse ronco que surgiu o único ritmo genuinamente gauchesco, visto que todos os outros (vaneiras, chotes, valsas, etc.) são “importados”. A eterna é onde surgiu o ritmo. Alguns historiadores dizem que foi em São Francisco de Assis, através do gaiteiro Neneca Gomes. Outros, como Os Bertussi, defendem que a origem do balanço sincopado apareceu pela primeira vez lá pelas bodegas do Juá, em São Francisco de Paula, através do gaiteiro Virgílio Leitão. 
Alguns pesquisadores do assunto dizem que as afirmativas anteriores carecem de um estudo mais profundo pois a "imitação" do ronco do primata se faz com o jogo-de-foles do acordeom e as gaitas botoneiras executadas por Neneca Gomes e Virgílio Leitão, por abrirem num tom e fecharem em outro, não permitem tal movimento. 
O folclorista Paixão Côrtes (que amanhã, dia 12, comemora 89  anos de idade) considera que é muito perigoso precisar o nascedouro do gênero musical característico do Rio Grande do Sul e que o compasso deve ter sido criado bem depois da Guerra do Paraguai, pois em pesquisas discográficas da época do gramofone, entre o período de 1913 a 1924, nunca aparece o gênero bugio.
Adelar Bertussi, mais recentemente, apresentou uma pesquisa intitulada “O Bugio na Mulada”, onde retrata o aparecimento do ritmo em sua terra natal, no interior de São Francisco de Paula. Segundo suas observações, fruto de diversas entrevistas, o gênero já era dançado na região serrana, antes de 1918, pelos bugres descendentes dos índios caingangues que habitavam as encostas do Rio das Antas e os tropeiros birivas açorianos. Uma coisa é certa: foram eles, Os Irmãos Bertussi, os primeiros a gravar um bugio, intitulado Casamento da Doralice, no LP Coração Gaúcho.
Conta-se que tal qual o tango argentino, que foi parido na zona portuária de Buenos Aires e inicialmente era proibido de ser executado nos salões nobres por ser considerado um ritmo degradante pois permitia aos dançarinos um “roça-roça” inconcebível para a época, o bugio também só era retrechado nos bailes de ralé onde o cheiro da canha, o lusque-fusque das lamparinas e o perfume de baixa qualidade faziam parceria para o embalo que tomava conta dos bailões de fundo de campo. Seu compasso sincopado convidava aos bailarinos dançarem meio acotovelados e imitando os passos do bicho bugio.
Uma das características deste animal está relacionada com as suas reações ante uma adversidade, quando ele excreta e lança as fezes sobre seus adversários, ou seja, sua arma é seu esterco. Por esses motivos, quando gente de baixo quilate discute asperamente, as pessoas mais experientes aconselham: - não te mete, isto é briga de bugio!

Na próxima postagem estaremos falando sobre a criação do Festival Ronco do Bugio.