RETRATO DA SEMANA


Vamos escolher com muita consciência quem vai comandar nossa nação pelos próximos quatro anos. Estaremos todos no mesmo barco.
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sábado, 9 de janeiro de 2016

QUEM FOI LALAU MIRANDA?



 
Hoje, dia 9 de janeiro de 2016, faz 100 anos do falecimento de Estanislau de Barros Miranda. Após transcorridos 36 anos de sua morte, em 1952, o nome foi lembrado para a entidade tradicionalista mais antiga da região do Planalto Médio e a segunda do Estado (o primeiro foi o 35 CTG), ou seja, o Centro de Tradições Gaúchas Lalau Miranda (foto).

Lalau Miranda foi o vereador mais jovem do município e era filho do herói da Guerra do Paraguai, tenente-coronel Francisco de Barros Miranda, que também foi prefeito de Passo Fundo, e comandou a quinta cavalaria no cerco à Uruguaiana, libertando-o dos paraguaios.

Segundo nosso amigo Dilerman Zanchet a Casa Grande, residência de Estanislau de Barros Miranda, ainda existe e está localizada próximo à BR 153, logo após o Trevo de Coxilha. Embora sem nenhum cuidado, sobrevive ao tempo e às intempéries. Uma grande ideia seria a restauração e manutenção da Casa. O proprietário da área, certamente, não se oporia.

Contudo, no dia de ontem, ou seja, quando antecede a data em que o patrono e homenageado Estanislau de Barros Miranda completaria 100 anos, o CTG Lalau Miranda é interditado pela justiça. O motivo é o barulho excedente, conforme ação impetrada pelo promotor Paulo Cirne, a pedido de uma moradora das imediações.

O caso arrasta-se há quase um ano, quando a entidade, através de sua patronagem, foi notificada para adequar-se aos padrões de volume em decibéis estabelecidos pela legislação vigente. Diante disso, o CTG Lalau Miranda investiu - conforme o patrão José Henrique Fonseca, em torno de R$ 60 mil em equipamentos e reformas. A reclamação, segundo consta, partiu de uma vizinha da entidade, que está localizada na rua Uruguai, fundos da prefeitura municipal, há 64 anos.

Procurado, o patrão da entidade, José Henrique Fonseca, disse que não vai se manifestar sobre o assunto e que o CTG vai cumprir o que determina a lei. O advogado Paulo Nicolodi, que foi notificado ontem da decisão liminar, vai estudar o assunto para tomar as medidas cabíveis.


 



domingo, 19 de maio de 2013

VOLTEANDO DATAS - APARIÇÃO DE JACOBINA





No dia 19 de maio do ano de 1872 Jacobina Mentz Maurer (a líder dos Mucker), aparece vestida de branco ao pastor luterano João Jorge Klein, dizendo ser Jesus Cristo. O pastor crê e se postra de joelhos. Adorando-a.

Em 1824 o governo brasileiro cria uma colônia alemã no Rio Grande do Sul. Muitos passam a imigrar da Alemanha para o Brasil. Os avós de Jacobina imigraram para São Leopoldo. Fugiram da Alemanha pois estavam sendo perseguidos após abandonarem a Igreja Evangélica e criarem uma seita própria.

Jacobina Mentz é criada em Sapiranga, em meio a uma comunidade de imigrantes alemães fanáticos. Sua família foi responsável pela construção da primeira igreja protestante do Sul do Brasil.

Um dos momentos mais conturbados da história de Sapiranga se deu no final do século XIX. Jacobina Mentz e seu marido, João Maurer, fundaram uma seita religiosa no Morro Ferrabráz, em que os membros eram conhecidos como muckers (em alemão significa falso santo).

Jacobina e João Jorge Maurer se conheceram em Hamburgo Velho, na metade do século XIX. Casaram-se e mudaram-se para Leoner-Hof (como era denominada Sapiranga). Jacobina sofria de ataques epilépticos, desde criança, o que fazia com que ela fosse vista como vítima de um transtorno do sistema nervoso, agravados por leituras de natureza religiosa.

Além disso, Jacobina auxiliava o marido no curandeirismo. Naquela época, os médicos eram escassos. Então, as pessoas apelavam para os curandeiros. Aos poucos, Jacobina misturava a religião com o atendimento aos doentes, através de leituras de passagens bíblicas para os pacientes. Logo, ela tornava-se famosa por suas meditações milagrosas.

Os adversários de Jacobina, preocupados com os acontecimentos no Ferrabraz, realizaram um abaixo-assinado, levando a imprensa da época a tomar partido contra Jacobina. Em pouco tempo surgiram diversos conflitos entre esses dois grupos, acarretando em violência e mortes. Em 28 de junho de 1874, forças policiais atacaram os muckers, que venceram o conflito. Isso contribuiu para a crença da divindade de Jacobina. Após outro ataque falho, Jacobina conseguiu fugir e se esconder no Ferrabraz. O fim do conflito se deu em 2 de agosto do mesmo ano, quando um traidor levou as forças policiais até o esconderijo de Jacobina Mentz, que foi morta junto da maioria dos muckers 


o Morro do Ferrabraz em Sapiranga, nos dias de hoje,virou ponto turístico pela história de Jacobina  



quinta-feira, 25 de abril de 2013

DOIS ANOS SEM RUI BIRIVA


No dia 25 de abril de 2011, meu querido amigo Rui Biriva partia pra querência eterna, deixando uma ferida enorme nos corações dos gaúchos e das gaúchas e uma lacuna irreparável nos palcos do Rio Grande do Sul. Para homenageá-lo, dedico o programa Ronda dos Festivais de hoje à sua memória e farei um bloco "RUI BIRIVA NOS FESTIVAIS". E tem cada música de emocionar.

VOLTEANDO DATAS - 25 DE ABRIL



MORRE BORGES DE MEDEIROS


Num dia 25 de abril, do ano de 1961, morria em Porto Alegre o "Pai dos Chimangos" Antônio Augusto Borges de Medeiros, afilhado político de Júlio de Castilhos e o gaúcho que mais tempo governou o Rio Grande. Tal personagem serviu de mote para o livro satírico Antônio Chimango, do poeta Ramiro Barcelos, seu inimigo político.

Borges de Medeiros nasceu no dia 19 de novembro de 1863, nos Cerros de Caçapava, advogado, iniciou seus estudos universitários na Faculdade de Direito de São Paulo em 1881, tomando contato com as idéias positivistas de Augusto Conte e fazendo parte ativa no Clube Republicano Acadêmico. Em 1885, bacharelou-se na Faculdade de Direito de Recife, para onde havia se transferido no ano anterior.

Em seguida, voltou ao seu estado natal para exercer a advocacia em Cachoeira do Sul. Ali, continuou sua militância política e logo tornou-se o chefe local do Partido Republicano Rio-Grandense (PRR), agremiação liderada por Júlio de Castilhos. Com a Proclamação da República, em 1889, foi imediatamente nomeado delegado de polícia da cidade e, no ano seguinte, integrou a bancada gaúcha na Assembléia Nacional Constituinte de 1890/1891.

Com a eclosão, no Rio Grande do Sul, da Revolução Federalista em 1893, que pretendia afastar Floriano Peixoto da presidência da República, Borges combateu ao lado das forças legalistas, o que lhe valeu a patente de tenente-coronel do Exército, concedida por Floriano.

Em 1898, foi indicado por Júlio de Castilhos para sucedê-lo na chefia do governo estadual, cargo para o qual seria reeleito em 1902 ainda por indicação de Castilhos. Somente após a morte desse último, em 1903, Borges assumiu de forma definitiva a liderança do partido, que conservaria de forma absoluta por mais de duas décadas. Seu comando sobre o PRR foi efetivo mesmo durante o tempo em que se afastou do comando do executivo estadual para dedicar-se à agricultura, entre 1908 e 1913. 

Em 1917 reelegeu-se ao governo do Estado. Em 1922, apoiou a candidatura oposicionista de Nilo Peçanha à presidência da República, lançada pela Reação Republicana, contra Artur Bernardes, apoiado por mineiros e paulistas. Bernardes venceu o pleito, mas no Rio Grande do Sul a vitória coube à Reação Republicana por larga diferença. Ainda em 1922, Borges voltou a apresentar seu nome para uma nova reeleição ao governo gaúcho. Dessa vez, porém, a oposição, liderada por Joaquim Francisco de Assis Brasil, apresentou-se mais forte, já que contava com o apoio do governo federal comandado por Bernardes e beneficiava-se com a insatisfação de muitos fazendeiros atingidos pela crise da pecuária, principal atividade econômica do Estado. Realizado o pleito, Borges obteve a vitória mais uma vez, que, contudo, foi contestada pelos partidários de Assis Brasil que acabaram recorrendo ao confronto armado, deflagrado em janeiro de 1923. O conflito se estendeu por todo o ano e somente no mês de dezembro as facções em luta chegaram a um acordo, oficializado no Pacto de Pedras Altas. Por esse acordo, a oposição aceitava o novo mandato de Borges de Medeiros que ficava, porém, impossibilitado de buscar uma nova reeleição.

Em 1924, Borges enviou efetivos da Brigada Militar gaúcha para combater o levante tenentista deflagrado, naquele ano, na capital paulista contra Bernardes. Logo, porém, foi obrigado a enfrentar rebeliões semelhantes em seu próprio Estado quando guarnições do Exército localizadas em cidades do interior se sublevaram sob o comando do capitão Luís Carlos Prestes.

Cumprindo o acordo de Pedras Altas, Borges afastou-se do governo gaúcho em 1928. Comandou, entretanto, o processo de sua sucessão, indicando o nome de Getúlio Vargas para substituí-lo. No decorrer de 1929, as articulações em torno das eleições presidenciais do ano seguinte levaram à ruptura entre mineiros e paulistas que, de acordo com a chamada "política do café com leite", vinham detendo a hegemonia sobre a política nacional nas décadas anteriores. Contrariados pela indicação do paulista Júlio Prestes como candidato situacionista à sucessão do também paulista Washington Luís, os mineiros decidiram articular uma chapa de oposição encabeçada por um gaúcho - Borges de Medeiros ou Getúlio Vargas. O próprio Borges, entretanto, optou pelo nome de Vargas. Formou-se, então, a Aliança Liberal. A campanha eleitoral foi a mais concorrida da República Velha, com grandes comícios sendo realizados em várias capitais brasileiras. Realizado o pleito em março de 1930, Júlio Prestes foi declarado vencedor. Borges pronunciou-se a favor do reconhecimento do resultado, declarando-se contrário qualquer tentativa de questioná-lo pelas armas. Dentro da Aliança Liberal, contudo, ganhavam força os elementos favoráveis a uma solução armada, destacadamente os seus membros mais jovens e os militares oriundos do movimento tenentista da década anterior, que desde a campanha eleitoral haviam, na sua quase totalidade, dado apoio a Vargas. Borges só decidiu apoiar os revolucionários dias antes do movimento contra Washington Luís ser deflagrado.

Com a instalação do Governo Provisório liderado por Getúlio Vargas e a anulação da Constituição de 1891, Borges logo começou a trabalhar para que o país voltasse ao regime constitucional. Nesse sentido, apoiou a Revolução Constitucionalista de 1932 em São Paulo, articulando, junto com outros líderes gaúchos, um levante no Rio Grande do Sul contra o interventor federal no Estado, Flores da Cunha, que, fiel a Vargas, enviara tropas para combater os paulistas. Por conta disso, Borges foi preso, passando a liderança do PRR a Maurício Cardoso.

Anistiado em maio de 1934, em julho do mesmo ano concorreu à presidência da República na eleição indireta realizada pela Assembléia Nacional Constituinte, reunida desde o ano anterior. Nessa ocasião, foi o segundo mais votado com 59 votos contra os 175 dado ao vencedor, Getúlio Vargas. Em seguida, elegeu-se deputado federal pelo Rio Grande do Sul. Na Câmara fez parte das Oposições Coligadas (ou Minoria Parlamentar), bloco de oposição a Vargas no Congresso. Foi cassado em 1937 pelo golpe do Estado Novo, decretado por Vargas, mas mesmo assim divulgou manifesto de apoio à nova ordem. Afastou-se, então, da vida política.

Em 1945, foi aclamado como presidente de honra da seção gaúcha da União Democrática Nacional (UDN), mas não retomou a atividade política.