RETRATO DA SEMANA

RETRATO DA SEMANA
Bandeira do Rio Grande hasteada na chaminé de 92 metros do Shopping Total em Porto Alegre. Foto: Divulgação Shopping Total.

quinta-feira, 21 de janeiro de 2021

O GRANDE RODEIO CORINGA

 

Ontem publicamos sobre o nascimento de Dimas Costa e muitos leitores fizeram contato querendo saber mais um pouco sobre o programa Grande Rodeio Coringa, dominical radiofônico que marcou época em nosso estado, citado na matéria. 

Ainda criança, morando na Aratinga, lembro que meu pai retirava a bateria do seu ônibus para colocar no rádio quando esperávamos ansiosamente esquentar as válvulas da "caixa falante" e, com a família reunida na volta, escutar as trovas, declamações e cantorias.
 
Para aqueles mais novos que não conheceram tal programa, sempre feito ao vivo com os artistas de renome do Rio Grande, publicamos abaixo um texto do nosso amigo, escritor e poeta Dr. Israel Lopes.     

Darcy Fagundes e Dimas Costa, na apresentação do programa
 Grande Rodeio Coringa,
 
Coluna Regionalismo
Por ISRAEL LOPES
Advogado e Pesquisador da Música Regional

O GRANDE RODEIO

No artigo anterior, falei que no início do programa regionalista “Grande Rodeio”, os apresentadores foram Paixão e Dimas. No entanto, a participação do Dimas foi quando saiu o Paixão. Paixão Côrtes, em 1953 apresentou o “Festa no Galpão” na Rádio Farroupilha, que foi o primeiro programa gauchesco de auditório, onde se apresentavam pilchados, interpretando danças folclóricas. Então, na época, chegou a Porto Alegre, o paulista Octávio Augusto Vampré, para reestruturar a Rádio Farroupilha. Paixão Côrtes, diz no livro “Falando em Tradição & Folclore Gaúcho – Excertos Jornalísticos (1981):

“Tivemos, o privilégio de, a convite de nosso diretor artístico, Vampré, participar da estrutura definitiva de um novo programa, que foi lançado a 1º de maio de 1955, com nossa animação e de Darcy Fagundes, com o nome de Grande Rodeio Coringa”.

Darcy Fagundes, “O Gaúcho Vaqueano do Rádio”, participou desde o primeiro programa ao lado do Paixão, depois ao lado do Dimas e até o final ao lado do Luiz Menezes. Com a saída do Paixão, aí é que entra a participação do Dimas, no Grande Rodeio, a convite do próprio Darcy Fagundes, como esclarece o folclorista Antonio Augusto Fagundes, na matéria “A Verdade sobre o Grande Rodeio Coringa”, na ZH, de 15 de abril de 1989:

“ Aí ele mesmo lembrou de um moço de Bagé que redigia como free lancer uns textos para a emissora, onde entrava o gauchismo, uns versos crioulos, de vez em quando. Seu nome era Dimas Costa. (...). Nasceu, assim, a dupla Darcy Fagundes e Dimas Costa, que durou muito pouco: em seguida, o Maurício Sobrinho chamou o Paixão (Maurício tinha comprado a Rádio Gaúcha e queria botar no ar um programa no horário do Grande Rodeio Coringa e à altura daquele da rádio rival, a Farroupilha)”.

Com a ida de Paixão para a Rádio Gaúcha, ele levou o Dimas e apresentaram o programa de auditório “Festança na Querência” (de 1957 a 1962) aos domingos, das 20 às 21 horas. Com a saída de Dimas, Antonio Augusto Fagundes, conhecia o compositor Luiz Menezes, que se apresentava no programa “Campereadas”, do Lauro Rodrigues, na Rádio Gaúcha, então sugeriu a Darcy Fagundes que o convidasse, na apresentação do Grande Rodeio Coringa, que depois passou a ser Grande Rodeio Farroupilha, também apresentado aos domingos, mas no horário das 21 às 22 horas. Foi, sem dúvida, o maior programa de auditório de todos os tempos no Rio Grande do Sul, por onde passaram os principais nomes da música regional gaúcha, da época, que iam surgindo até o final da década de 1970 enquanto o programa se manteve no ar.

(Publicado no Jornal Armazém da Cultura de São Borja, edição de novembro de 2011)