RETRATO DA SEMANA

RETRATO DA SEMANA
Bandeira do Rio Grande hasteada na chaminé de 92 metros do Shopping Total em Porto Alegre. Foto: Divulgação Shopping Total.

sexta-feira, 22 de janeiro de 2021

O CAVALO SEM CAVALEIRO


Foto: Correio do Povo

 

Uma das cenas mais tristes para mim é quando vejo, em um funeral, a imagem do cavalo sem seu dono. Isto ocorreu novamente ontem, nas cerimônias de enterro do General Miotto, da arma de cavalaria. 

Aqui no Rio Grande do Sul esta cena é muito comum. Eu mesmo já participei de alguns cortejos aonde o animal acompanhava o corpo inerte de seu parceiro de lidas e festas.  

Outro detalhe que chama a atenção neste simbolismo são as botas de quem parte deste plano, no estrivo, viradas ao contrário. 

Mas qual a origem desta triste despedida? 

Acredita-se que o costume remonte à época de Genghis Khan, quando um cavalo era sacrificado para servir ao guerreiro caído no outro mundo. 

O cavalo sem cavaleiro mais tarde passou a simbolizar um guerreiro que não cavalgaria mais. 

Nos Estados Unidos, o cavalo sem cavaleiro faz parte das honras militares dadas a um oficial do Exército ou do Corpo de Fuzileiros Navais que foi coronel ou superior; inclui o Presidente, por ter sido o comandante-chefe do país, também com as botas e esporas de seu ex-cavaleiro invertidas nos estribos. 

Tradicionalmente, botas de montaria pretas simples são invertidas nos estribos para representar um comandante caído olhando para trás em suas tropas pela última vez e como forma de transporte do corpo de forma nobre, ainda à cavalo, as botas invertidas representam tudo isso em um cortejo fúnebre, uma homenagem ao seu dono caído, mas o espírito guerreiro segue à cavalo. Tal ato também é muito usado nos combates sulistas e cisplatinos do Brasil Império originando tal ato por todo nosso Estado.  


Funeral de Antonio Augusto Fagundes
Foto: Léo Ribeiro