"TEU PRESTÍGIO É PROPORCIONAL A TUA CONDUTA"

Léo Ribeiro


RETRATO DA SEMANA

RETRATO DA SEMANA
NÃO TE ENTREGA, MEU AMIGO VELHO! Desenho: Léo Ribeiro de Souza

quinta-feira, 25 de junho de 2020

A GAITA DO PORCA VÉIA E A PANDEMIA

 
Guilherme Galvane Batista

Na última aparição de Porca Véia em público durante a live com alguns integrantes do Grupo Cordeona, no dia 30 de maio, o gaiteiro leiloou uma de suas gaitas com o objetivo de angariar fundos em prol de alguns integrantes do conjunto.
Quem arrematou esta preciosidade em forma de instrumento musical foi Guilherme Galvane Batista, 36 anos, catarinense de Orleans que vive no município de Vilhena, no estado de Rondônia, há mais de trinta anos. 
O interessante desta história é que o catarinense foi um dos milhares de brasileiros infectados pelo Coronavírus chegando a ficar internado por três dias em São Paulo. Como seu quadro de saúde não era grave, permaneceu em isolamento, período em que recebeu o instrumento arrematado pelo valor de R$ 34 mil.
Na quinta-feira, 11, quando retornou para casa já recuperado do vírus, pode desfrutar do instrumento que consagrou o músico gaúcho. No dia seguinte, no entanto, sua alegria cedeu lugar a tristeza pela notícia do falecimento de seu grande ídolo.
Diante de tal situação o valor histórico e fraterno do instrumento "garrou" um preço imensurável.  "Eu quero deixar a gaita como herança para meus filhos. Esta lembrança eu não vendo por dinheiro nenhum", afirmou Guilherme.
Batista conta que seu apego pela música nativa do Rio Grande do Sul brotou quando moravam em Santa Catarina e eram fãs dos Irmãos Bertussi, passando esta admiração ao maior representante desta musicalidade, Porca Véia.
Nem mesmo a mudança para o outro estado, ainda mais distante, fez com que o interesse pela música tradicionalista gaúcha diminuísse. “Acabamos fazendo uma amizade com o Porca e ele chegou a vir tocar em bailes e nos meus aniversários e do meu pai também”, disse Guilherme.
E foi esta amizade, aliada aos anos de admiração pelo trabalho de Porca Véia, que levou Guilherme a adquirir o instrumento. “Acompanho o trabalho há muito tempo e, inclusive, estive no baile de lançamento do último CD, em Ivoti, no ano passado. Por isso comprei para ajudar eles”, disse ele.