"TEU PRESTÍGIO É PROPORCIONAL A TUA CONDUTA"

Léo Ribeiro


RETRATO DA SEMANA

RETRATO DA SEMANA
Desenho: Léo Ribeiro de Souza

quinta-feira, 16 de abril de 2020

TARA E TARCA


José Fonseca e Sérgio Gaudério Barbosa
dois serranos conhecedores do riscado


Ontem, em uma matéria publicada nas redes sociais, misturei alhos com bugalhos. Ao postar o desenho que fiz de um gaiteiro, me confundi entre "tara e tarca", pois em minha mente estava gravado que tara se relacionava a peso. ex: quando vou num restaurante de comida a quilo, peso o prato antes de me servir. A diferença entre o peso bruto e o líquido seria a tara. Não estou totalmente errado em meu raciocínio só que no "gauchês" esta palavra tem outro sentido. Quem me deu definição, a qual eu agradeço, foi meu grande amigo Sérgio Gaudério Barbosa, meu parceiro do piquete de cavalgadas Cavaleiros da Neve, lá de São Chico de Paula, um estudioso da nossa cultura. 
 
Meu amigo Léo. Tara e tarca são dois objetos diferentes, o que o teu gaiteiro tem no cinto é uma tara, para contar gado, por exemplo atribui- se que cada rodinha da tara correspondente a 50 redes. No rodeio vai chegar contando, quando  chegar 50 passa a rodinha para um lado, e inicia-se nova contagem. Se der 6 rodinhas para um lado terão 300 redes contadas. Tarca é outra coisa, um pedaço de couro ou madeira onde se faz uma mossa com uma faquinha conforme vão apartando gado, dou exemplo, num dia de marcação de terneiros, tem animais do dono, dos filhos, genros etc. O marcador senta a marca e grita fulano, macho marca e tarca (para quem tem o couro ou madeira faça a mossa correspondente) pealam outro terneiro e já grita o marcador, fêmea, dona fulana, marca e tarca, já dona fulana faz sua mossa no couro.
 
Grato, meu amigo Sérgio. E não te acanhe de me falar. O importante não é o que a gente junta mas sim o que a gente espalha, ainda mais porque nosso Rio Grande é vasto e os costumes variam de região para região. Estes dias falei em Camargo com um amigo fronteirista e ele não sabia do que se tratava.

Fraterno abraço