"TEU PRESTÍGIO É PROPORCIONAL A TUA CONDUTA"

Léo Ribeiro


POESIA DA SEMANA


O NADA
(Rodrigo Bauer)

O nada singra no sem fim das horas,
está no copo de quem já bebeu
ficou na estrada de quem foi embora
e veste as roupas de quem já morreu.

Habita as sombras, num lugar incerto
e após a chuva vai virar estio,
o nada é um pássaro de céus desertos
fazendo ninhos pra viver vazio!




RETRATO DA SEMANA

RETRATO DA SEMANA
Autor: Aldo Chiappe

COMEÇANDO A LIDA BLOGUEIRA COM:

segunda-feira, 10 de fevereiro de 2020

SOBRE DECLAMAÇÃO


Erico Padilha, campeão de declamação adulto,
recebendo o troféu do grande declamador "Nego" Jorge


Nestes dias em que estive apreciando a nata do recital gaúcho no 33º Rodeio de Vacaria pude reafirmar algumas observações importantes.
 
A primeira é como a escolha do poema influencia no resultado. Por vezes uma poesia simples, conhecida, mas bem interpretada, tem mais valor do que um poema longo (quase que um conto) e sem poesia em seu conteúdo. Alguns nomes consagrados escolheram mal os versos para sua apresentação o que acabou lhes prejudicando.    
 
A segunda me parece uma nova tendência de alguns declamadores de recitar gritando verso a verso, a poesia inteira. Para o meu gosto o intérprete tem que ser fiel ao texto poético, ou seja, tem a hora do falar murmurante, do quase silêncio, da gestualidade tranquila e o momento da incisão (se o poema assim o pedir). Declamar retilínea e agressivamente, com gestos bruscos, olhos esbugalhados o versejar inteiro, não é a melhor maneira.
 
Claro que muitos se acharam injustiçados ante a proclamação dos resultados mas observem que TODOS os vencedores, veteranos, adultos, juvenis... usaram a tática de recitar serenos como águas de lagoa, como se estivessem proseando ao de redor de um fogo de chão.
 
A respeito do resultado deixo aqui uma declaração do jurado Valdemar Camargo, um dos maiores declamadores do Rio Grande do Sul.      
 
"O DECLAMADOR GAÚCHO"
No meu entendimento, a espinha dorsal da interpretação de poemas da temática terrunha gaúcha, vem do aprendizado que tive com Marco Aurélio Campos (o Boca) e José Henrique Azambuja (o Potrilhão), mesma linha que tinha Patrocínio Vaz Ávila (o Cabo véio); tive a graça de ter sido amigo e contemporânea destes esteios do verso crioulo; Igualmente convivi muito e convivo até os dias de hoje com extraordinários declamadores, tais como: Delci Oliveira, Dorval Dias, Wilson Araújo e Romeu Weber, estes recitadores, por tudo que já mostraram pelos palcos da vida, conquistaram o respeito e a admiração dos amantes da poesia gaúcha. Venho desta escola, tenho 62 anos de idade, 50 anos participando de concursos e procurando aprender sempre; Quanto a minha condição de avaliador nesta temática, todos do meio conhecem, a história fala por si, por isso faço questão de afirmar aqui, que assino em baixo do resultado da declamação Masculina do último Rodeio Internacional da Vacaria. Os critérios básicos foram todos minuciosamente observados, portanto, aproveito e parabenizo os laureados no referido concurso.
Valdemar Camargo.
Nonoai,10 de Fevereiro de 2020.