"TEU PRESTÍGIO É PROPORCIONAL A TUA CONDUTA"

Léo Ribeiro


POESIA DA SEMANA


O NADA
(Rodrigo Bauer)

O nada singra no sem fim das horas,
está no copo de quem já bebeu
ficou na estrada de quem foi embora
e veste as roupas de quem já morreu.

Habita as sombras, num lugar incerto
e após a chuva vai virar estio,
o nada é um pássaro de céus desertos
fazendo ninhos pra viver vazio!




RETRATO DA SEMANA

RETRATO DA SEMANA
Autor: Aldo Chiappe

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terça-feira, 11 de fevereiro de 2020

REPONTANDO DATAS / 11 DE FEVEREIRO


Maneco Pereira


O dia 11 de fevereiro é considerado o Dia do Campeiro em homenagem a Maneco Pereira, o homem que laçava com o pé. 

Ele nasceu no dia 18 de junho de 1848, no município de Rio Pardo. Ainda criança, foi com a familia para a "Estância do Curral de Pedras", no município de Rosário do Sul, onde seu pai trabalhou de capataz. 

A "Curral de Pedras" era no século XIX uma das maiores estâncias do Sul do Estado. Hoje ela está dividida em mais de 10 fazendas, todas de regular tamanho, o que demonstra sua grandeza. O rebanho de gado alcançava mais de 42 mil cabeças. 

Aos 15 anos, "Maneco Pereira" já era o sota-capataz da estância, cargo que antigamente era dado ao ao peão que mais se destacasse nas lides de campo. Com a morte do pai assumiu a função de capataz. 

Foi quando conheceu a jovem Clara Veneral Penteado, natural de Batovi, município de São Gabriel, com quem veio a casar. Mudando-se para o então Posto de Santa Leonida, onde depois foi construida sob sua orientação, a tão conhecida estância, que ainda hoje conserva o nome, com que foi batizada pelo famoso laçador. 

De seu matrimônio nasceram 12 filhos. Com a economia de longos anos de trabalho acumulou regular fortuna, o que lhe permitiu comprar, em março de 1892, a fazenda denominada Santa Clara, no Batovi, constituida de 20 quadras de sesmaria de campo. E também arrendou mais 20 quadras de outros herdeiros. 

Grande parte desses campos "Maneco Pereira" povoou com gado bagual, "reculutado" ardilosamente no banhado do rio Santa Maria, doado pelos proprietários, seus amigos. 

Em Batovi fixou residência para o resto da vida. Foi onde viveu seus áureos dias de grandes campereadas, de famosas caçadas, de imensas alegrias. Foi onde sofreu também toda sorte de peripécias, as mais ingratas e cruéis que o destino lhe preparara para o resto da vida. 

É quase incrivel o que contam das suas façanhas praticadas em tempos idos. Tão espetaculares foram esses feitos realizados numa época em que o laço e as boleadeiras faziam eximios manejadores, que a própria critica, implacável e fria, soube exaltá-lo com destaque na era dos grandes campeiros, entre os mais respeitados que existiram. 

"Maneco Pereira" foi um laçador que tanto pealava e laçava com as mãos como com os pés, e não fazia isso por acaso, bastava advir ocasião. Com o laço nas mãos só não fazia chover. Era como um artista fazendo demonstrações da sua arte, num palco de diversões. 

"Maneco Pereira" estava repontando uma ponta de gado para um campo vizinho, quando seu cavalo enredou-se em uma linha deitada de arame. O animal assustou-se e a queda foi tão violenta, que o velho campeiro ficou preso contra a cabeça do serigote, machucando-se gravemente. 

O ferimento agravou-se sensivelmente, deixando-o muito doente. Todos os recursos médicos da época foram mobilizados, mas de nada adiantou. No dia 11 de fevereiro de 1926 morria "Maneco Pereira", tendo sido sepultado no dia seguinte no Cemitério do Joanico, situado no Batovi. 

No mesmo local descansam sua esposa, quase todos os filhos e muitos netos e parentes.
 
(Fonte: Livro "Maneco Pereira o homem que laçava com o pé", de autoria do historiador Osório Santana Figueiredo)