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segunda-feira, 2 de dezembro de 2019

o SER e o ESTAR tradicionalista


Seguidamente escuto o seguinte comentário: -Não sou tradicionalista porque não ando pilchado (traje de gaúcho); não sou vinculado a nenhuma entidade tradicionalista; não vou a rodeios ou festivais; não escrevo poesias ou textos gauchescos...

Há um grave erro nesta afirmativa. Tradicionalista, em princípio, é toda aquela pessoa que cultiva alguma tradição, ou seja, preserva algum costume.

Se alguém cultua uma tradição Afro, por exemplo, este alguém é um tradicionalista. Se um pernambucano resguarda e repassa sobre o frevo, ele é um tradicionalista.

O vocábulo “tradição” tem origem no termo latino “tradere”, cujo significado literal é entregar. É entendido como o conjunto de crenças, práticas e valores materiais e espirituais que unem um povo. Corresponde à conservação e à transmissão desses legados culturais através das gerações.

Buenas, isto posto, vamos reduzindo o universo e chegando ao tradicionalista gaúcho e que muitos chamam de Regionalismo.

Dentro desta lógica, então, tradicionalista, para nós, do Rio Grande do Sul, é todo aquele que preserva a tradição gaúcha, não importando qual sua atividade dentro de nossa cultura. Ao contar uma história para um neto, o avô está sendo tradicionalista. Ao levar seu filhinho para dançar numa invernada artística, essa mãe está sendo tradicionalista.

Uma corrente muito forte e que tem ganhado força dentro do gauchismo é a de que só quem tem o Cartão Tradicionalista pode-se considerar um (tradicionalista). Mas não é bem assim.

O Cartão Tradicionalista é um instrumento fornecido pelo M.T.G. aos seus filiados e que visa identificá-los nos concursos artísticos e campeiros promovidos por esta entidade. Ninguém é obrigado a alinhar-se ao Movimento mas, quem o fizer, deverá ter tal cartão.

Na própria Estância da Poesia Crioula criamos a Carteira de Associado, mas não é este documento que vai te fazer um bom ou um mau poeta.

Como diz  a letra escrita por mim e gravada pelo gaiteiro Gonzaga dos Reis:

“Um xiru de guampa torta,
um rio-grandense de fato,
entra e sai em qualquer porta
sem mostrar o seu retrato”.


Da mesma forma, não é por botar umas pilchas, escrever uns versos (ou mesmo livros), tocar e cantar gauchescamente, andar em cavalgadas, que vamos caracterizar nosso tradicionalismo. Este, meus amigos, vai muito além.

Isto tudo é um preâmbulo para chegar aonde realmente quero e mostrar o abismo de diferença que existe entre o SER tradicionalista e o ESTAR tradicionalista.

SER tradicionalista são os 12 meses do ano.
ESTAR tradicionalista é o mês de setembro.

SER tradicionalista é alma.
ESTAR tradicionalista é aparência.

SER tradicionalista NÃO PRECISA estar pilchado
ESTAR tradicionalista PRECISA estar pilchado

SER tradicionalista não depende da ocasião
ESTAR tradicionalista depende da ocasião

SER tradicionalista é cavalgar sob as luzes das estrelas.
ESTAR tradicionalista é cavalgar sob a luzes das máquinas fotográficas.

SER tradicionalista é alpargata esfiapada.
ESTAR tradicionalista é bota apertada.

SER tradicionalista é matar o assunto no ovo.
ESTAR tradicionalista é falar pelas cartilhas.

SER tradicionalista é erguer a cabeça e bombear o tempo.
ESTAR tradicionalista é atrelar-se ao que o rádio fala da chuva.

SER tradicionalista é saber que Deus é grande, mas o diabo não é petiço.
ESTAR tradicionalista é não saber o outro lado das coisas.