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Léo Ribeiro

RETRATO DA SEMANA

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sexta-feira, 12 de outubro de 2018

AOS GAÚCHOS DO AMANHÃ




Esse cantar, pêlo-duro,
de tom singelo nas rimas,
busca a volta e se destina
aos gaúchos do futuro.
São versos meio no escuro
pois não sei como vai ser
quando aqui não mais viver
os riograndenses de agora
que ao singrar de cada aurora
fazem a estima renascer.

Eu não sei se a tradição,
que vai de povo pra povo,
pisará no tempo novo
com firmeza no garrão
porque vem, na contra-mão,
o progresso erguendo o pó.
Na velha Taquarembó,
isto em questão de segundos,
se sabe tudo do mundo,
de um mundo que eu tenho dó.

Será que pelo interior
existirão sesmarias
e cantar de cotovias
num moirão de corredor?
Cruzará um campeador
assoviando pra lua,
trazendo o odor da xirua
e o som de gaita aos domingos?
Haverão tropéis de pingos
nos desparelhos das ruas?

Ao cabo de alguns anos
alguém manterá o vício
de declamar Apparício
e os versos do Aureliano?
E as pajadas de Caetano,
as Espinelas rimadas,
“inda” serão retrechadas
no aconchego de um galpão?
Dos vates se lembrarão
na vida globalizada?

Cada momento é um momento,
em tudo vamos vivê-los,
com intensidade, com zê-lo,
com paz e contentamento.
Só não cabe o esquecimento,
o olhar meio de lado
aos costumes repassados,
aos bons recuerdos de antanho.
O coração tem tamanho
pra guardar esses legados.

É briosa essa missão
de cambiar ensinamentos
pra não perder-se nos tempos
as pesquisas do Paixão,
os ritos do chimarrão,
os avios da lida rude,
as infâncias nos açudes,
as lendas do velho Blau,
os bailongos, os saraus,
as gaudérias inqüietudes.

Mas eu lo creio e espero
que os filhos de nossos filhos
tenham luz e sigam os trilhos
do atavismo sincero.
Que venerem, qual venero,
a querência, a terra pura,
as taperas, as lonjuras,
e não “frouxem” nem um tento
para esse pensamento
de unificar as culturas.

Não que eu seja um saudosista,
um vivente em tempo errado,
o amanhã tem seus agrados
tem conforto, tem conquistas.
O que me embaralha as vistas
e me faz tremer a voz
é o ser humano feroz
que altera todo o processo.
- O mal não vem do progresso
o perigo está em nós!

Poesia: de Léo Ribeiro de Souza
Foto: Jorge Bregão e seu netinho Enzo Nunes Bregão

Crédito: Rossoni Produtora.