"TEU PRESTÍGIO É PROPORCIONAL A TUA CONDUTA"

Léo Ribeiro

RETRATO DA SEMANA

RETRATO DA SEMANA
MISSÃO: Buscar com isenção a veracidade histórica para não retransmitir tanta bobagem como as escritas por Eduardo Bueno, o Peninha, na ZH de 21 de setembro.

COMEÇANDO A LIDA BLOGUEIRA COM:

sábado, 13 de janeiro de 2018

REPONTANDO DATAS / 13 DE JANEIRO



Num dia 13 de janeiro de 1626 o padre jesuíta Roque Gonzales, funda o aldeamento guarany San Nicolas (São Nicolau) na margem direita do Rio Piratini, perto da sua foz com o Rio Uruguai. Foi o primeiro ato de brancos na pátria dos gaúchos – nascia o Rio Grande de S. Pedro.
 
Também num dia 13, mas no ano e de 1852, nascia na vila de Arroio Grande (RS) Gumercindo Saraiva, líder maragato na Revolução Federalista e braço direito de Gaspar Silveira Martins.
 
Gumercindo Saraiva é o terceiro sentado
da esquerda para a direita
 

Filho de Francisco Saraiva e Propícia da Rosa, foi estancieiro e caudilho na região de Santa Vitória do Palmar, onde conduzia com força e lealdade as suas terras, sendo conhecido como amigo fiel e inimigo perigoso. Durante os últimos anos do Império, quando era chefe de polícia daquela localidade, chegou a ser simpatizante da causa republicana, mas os partidários locais o desiludiram.
Líder caudilho que arregimentava rapidamente uma montonera, seus prestígio dividia-se tanto pela amizade com seu ilustre amigo Silveira Martins, um dos político mais influentes do Império nos anos que precederam a queda do regime monárquico, como também se dava em parte por seus capangas que o cercavam constantemente e os quinze mil hectares de terra e milhares de cabeças de gado que se estendiam pela fronteira sul do Rio Grande. Desde tenra idade adquiriu agilidade ímpar com o cavalo. Aos dezoito anos se juntou a sua primeira montonera, quando ainda vivia no Uruguai. Muitos que constituíam a sua montonera durante Revolução Federalista era falantes de espanhol que ele conhecera nessa lida na década de 1870 e começo de 1880. Estes eram provenientes da região de San José, e se autodenominavam maragatos devido à origem dos primeiros colonos dessa região, alcunha pela qual ficou célebre o grupo federalista durante as hostilidades. Depois de viver os seus primeiros 30 anos no Uruguai, em 1883 retorna ao Brasil, onde nascera, fugindo da justiça. Foi também capitão de guerra, comissário de polícia e tropeiro.
Em 1892, o governo de Júlio de Castilhos entra numa fase de instabilidade, o Rio Grande do Sul está em ebulição, de um lado os castilhistas Pica-paus, e do outro os federalistas maragatos liderados pelo General João Nunes da Silva Tavares, o Joca Tavares. Gumercindo, tendo se negado a aderir e assim sendo perseguido pelo castilhismo, e afim de levar a cabo a reforma constitucional parlamentarista do então exilado Gaspar da Silveira Martins, seu patrono político e amigo, resolve voltar ao Uruguai onde os rebeldes estavam formando suas tropas.
Em 2 de fevereiro de 1893, acompanhado por seu irmão Aparício Saraiva e liderando cerca de quatrocentos cavaleiros atravessou a fronteira pelo povoado da Serrilhada, entrando no Rio Grande do Sul, juntando-se aos homens do General João Nunes da Silva Tavares, formando assim o Exército Libertador, um contingente de mais de três mil homens, que em pouco tempo com as adesões, chegaria a doze mil. Consta que um terceiro irmão, Mariano, também teria participado desta revolução. No Uruguai os tres irmãos Saraiva (Saravia) eram conhecidos como Os três de Cerro Largo.
Em 4 de abril de 1893 acontece a primeira batalha com as tropas legalistas (Pica-paus). Depois de vários combates com as forças do governo, percebendo estar diante de um exército melhor preparado e armado, Gumercindo Saraiva parte para a prática de guerrilha, evita combates convencionais, dispersa as tropas legais para tentar vencê-las depois, em partes, tática esta que deu certo.

Morreu no dia 10 de agosto do ano de 1894 no Carovi, município de Boqueirão, quando fazia um reconhecimento do campo de batalha e levou, de tocaia, um tiro pelas costas. Foi enterrado ali perto e sua sepultura foi profanada. Cortaram sua cabeça e trouxeram ao Governador Júlio de Castilhos que mandou devolvê-la aonde estava enterrada. Segundo alguns historiadores, quando passavam, de retorno, no Rio Jacuí, entre Cachoeira e Santa Maria, jogaram nas águas aquele precioso "troféu".
 
O escritor e cineasta Tabajara Ruas acaba de gravar sua mais recente produção cinematográfica, falando justamente deste episódio, isto é, A Cabeça de Gumercindo Saraiva. 
 
gravação do filme A Cabeça de Gumercindo Saraiva