RETRATO DA SEMANA

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José Estivalet declamando na Tertúlia Maçônica da Poesia Crioula

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domingo, 28 de maio de 2017

O NEGRINHO DA ARATINGA


Eu nascei na velha e legendária Contendas mas, já com dois anos de idade, nos bandeamos para a Vila da Aratinga, um lugarejo distante uns 70 km da sede de São Francisco de Paula e que, pela instalação da 7ª Inspetoria de Terras do Leste que antes pertencia a Três Forquilhas (hoje Itati), e que tinha a  atribuição de Legalização das Terras Públicas do Estado, estava crescendo uma coisa por demais. 

Ali já tinha de tudo que uma cidade em formação precisava: Armazéns, igreja, clube, CTG, serraria, oficina mecânica, marcenaria, campo de futebol cancha de carreira, duas escolas  e, acima de tudo, uma fraternidade enorme entre os seus moradores.

Para dar continuidade a este texto histórico me valho dos escritos da amiga Amalia Capaverde, moradora deste belo recanto gaúcho e que até hoje conserva em detalhes as memórias do lugar onde passei minha infância.

Hoje ela nos relata sobre a chegada na Aratinga da estátua do Negrinho do Pastoreio, obra de Vasco Prado e que existem apenas duas no Estado.

praça da Aratinga onde foi colocada a estátua

Na época o Governador do Estado era o Sr. Ildo Meneguetti, como a Inspetoria pertencia a Secretaria da Agricultura foi escolhido como Chefe o Senhor Waldemar Pinheiro Bastos, membro do Partido Libertador, que além de ser uma pessoa muito capacitada para o trabalho, era um grande Tradicionalista (pai do Sr. Cloves Pinheiro, Patrão do CTG Rincão da Lealdade, de Caxias do Sul).
 

Depois da planta da Vila pronta, os topógrafos começaram a trabalhar, medindo, ruas, praça, séde do Escritório, Igreja, Hospital que teria o mesmo nome da Igreja Santo Antonio, e nesse espaço entre a Igreja e o hospital, havia até cemitério demarcado. 
 
Para embelezar a praça foi encomendada a escultura à Vasco Prado. O dia que foram buscar o Negrinho do Pastoreio em Caxias, os homens de Aratinga que possuíam cavalos, foram esperar no Arroio Corneta, todos devidamente pilchados. A escultura veio em cima da caminhonete do Seu Pinheiro, logo atrás os Irmãos Bertussi, e todos os componentes do CTG Rincão da Lealdade, vestidos com suas lindas roupas da nossa tradição gaúcha. As bandeiras dos CTGs, e Rio Grande do Sul, deram mais brilho ainda para a cavalgada e caravanas de carros que se aproximavam, foram convidados autoridades e muita gente do Movimento Tradicionalista do Estado, ao chegarem, as prendas do CTG e o povo de Aratinga já estavam esperando.

Os Irmãos Bertussi abriram as gaitas e todos cantavam alegremente. Pois como eles faziam grande sucesso todos conheciam suas músicas essa festa durou três dias. Na placa de bronze está escrito: "O Clube Rodeio da Tradição fez erguer em bronze na praça Dr. Ângelo Atanásio a imagem lendária do Negrinho do Pastoreio para que jamais se apague a chama do passado na nova e na futura geração do Rio G. do Sul. Aratinga, 18-11-56". Com a transferência da sede da Inspetoria e de seus funcionários (a maior parte foi para Torres) e a conseqüente decadência da vila (era a Inspetoria que dava a base e sustentação para o florescimento da vila) a estátua foi "resgatada" e transferida para a sede do município. Foi colocada na Av. Júlio de Castilhos, onde está até hoje. Esta foto é da base original, que tinha um mecanismo que permitia que a pedra girasse, sem muito esforço.
 
atualmente o Negrinho do Pastoreio está na av. Júlio de Castilhos
em São Francisco de Paula