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segunda-feira, 2 de maio de 2016

A FAZENDA DO SOBRADO


Sempre que vou em uma cidade do meu Rio Grande, com um pouco de tempo, gosto de visitar museus, cemitérios e lugares históricos. Pois neste fim de semana estivemos na bela e hospitaleira São Lourenço do Sul. Por lá, existe um casarão muito bem conservado que retrata passagens de nosso passado heroico. A Fazenda do Sobrado, onde morou a irmã de Bento Gonçalves.
 
Abaixo, um texto sobre o muito que representa esta construção.  


Este blogueiro e o amigo Paulinho Pires. Ao fundo, a Fazenda do Sobrado 
 
Situada às margens da Lagoa dos Patos, e distante 1 km do centro da cidade a Fazenda do Sobrado tem importância histórica na fundação e no desenvolvimento de São Lourenço do Sul. Importância tal que a cidade tomou emprestado o antigo nome da fazenda.

A história da Estância do Sobrado inicia com o capitão Joaquim Gonçalves da Silva, o primeiro dono das terras onde hoje se situa a fazenda, que teria deixado de herança aos seus filhos Bento Gonçalves da Silva e Anna Joaquina Gonçalves da Silva (Donanna), porções de terra situadas à margem esquerda do Rio Camaquã (Estância do Cristal) e à sua margem direita, até o arroio hoje conhecido como São Lourenço (Estância do Sobrado).
 
Natural do Rio Janeiro e morador de Rio Grande, José da Costa Santos casou-se com Anna Joaquina Gonçalves da Silva Santos (irmã de Bento Gonçalves) e tornou-se proprietário das terras entre Boqueirão e São Lourenço do Sul, as quais deu o nome de Estância de São Lourenço, santo do qual era devoto. Para servir de sede da estância, José da Costa Santos mandou construir um sobrado no fim do século XVIII. A Estância São Lourenço também ficou conhecida como Estância do Sobrado, pois este tipo de construção não era comum na época. 
 
Conforme pesquisa do jornalista Pedro Caldas, a referência mais antiga à fazenda provém de um documento de 1805, localizado na vila de Rio Grande, que menciona o batizado de Ezequiel Soares da Silva, realizado na Fazenda do Sobrado. José da Costa Santos e Anna Joaquina (Donanna) tiveram três filhas: Anna da Silva Santos que casou com João Francisco Vieira Braga; Tereza da Silva Santos que casou com Inácio José de Oliveira Guimarães e Perpétua da Silva Santos que casou com Antônio Francisco do Santos Abreu.

O sobrado passa a ser conhecido como Solar dos Abreu, em função do casamento, em 1831, da filha mais nova de José da Costa Santos e Donanna, Perpétua da Silva Santos com Antônio Francisco dos Santos Abreu que deu continuidade à administração da Estância São Lourenço, já partilhada, mas ainda não dividida, por ocasião da morte de José da Costa Santos, em 1826. A filha de Perpétua e Antonio Francisco casou-se, mais tarde, com seu primo, José Antônio de Oliveira Guimarães, filho de Inácio José de Oliveira Guimarães e de sua falecida esposa Tereza da Silva Santos.
 
Historicamente também tem fundamental importância e participação a figura de Inácio José de Oliveira Guimarães, outro genro de Donana, casado com Tereza da Silva Santos. Abastado fazendeiro, chefe de polícia no Boqueirão e líder político que foi, até, deputado da República Rio-Grandense. Durante a Revolução Farroupilha a vila de Boqueirão era o centro jurisdicional eclesiástico da área que se estendia de Corrientes até as cercanias de Porto Alegre. Em razão disso, Boqueirão era também um centro político e populacional importante. O chefe político de Boqueirão era Inácio José de Oliveira Guimarães que durante toda a revolução, deu apoio logístico aos farrapos, através dos escravos, fornecendo cavalos e gado, construção e reparo de barcaças e lanchões.
 
A Fazenda do Sobrado foi utilizada como quartel general por Bento Gonçalves e seus comandados, além de ter prestado auxílio e abrigo a Giuseppe Garibaldi, que ali se resguardava da Armada Imperial. Segundo Egon Ziebell de Abreu, era na Fazenda que Bento Gonçalves se reunia com Inácio José de Oliveira Guimarães para acertar contatos políticos e para deliberar sobre os rumos da guerra na região do litoral.
O historiador afirma, ainda, que a estância era conhecida dos navegantes da lagoa, pois o sobrado servia de farol devido a um lampião que Donanna conservava todas as noites em uma das janelas, bem no alto. De Pelotas até Porto Alegre não existia nenhuma construção daquele porte na margem da Lagoa dos Patos.Mas não foi só durante a Revolução Farroupilha que a Fazenda São Lourenço ou Fazenda do Sobrado teve fundamental importância.
 
Quando eclodiu a Guerra do Paraguai, atendendo a convocação do Império, Joaquim Francisco dos Santos Abreu (o almirante Abreu), filho de Antônio Francisco dos Santos Abreu, engajou-se às tropas imperiais. Egon Ziebell de Abreu afirma que a Fazenda do Sobrado ter-se-ia constituído como “um ponto de destaque na região de tal ordem, que chegou a hospedar a Princesa Isabel e seus acompanhantes”, tendo sido “diversas vezes requisitada, não só no período da Revolução Farroupilha, como também na Guerra do Paraguai”. Atualmente a Fazenda do Sobrado possui área de 300 hectares distribuídos em plantações de arroz, milho e soja, além da criação de bovinos e eqüinos. Pertence à Ivani Serpa, viúva de Solimar Serpa, que a adquiriu do médico pelotense, Dr. Ariano Carvalho, herdeiro dos primitivos donos. Restaurada e em bom estado de conservação, as linhas harmoniosas da sede da fazenda contrastam com as seteiras (vide foto abaixo), que guardam a memória de épocas em que se faziam necessárias tais medidas de defesa.