RETRATO DA SEMANA


Para quem começou este blog há 16 anos atrás com 40, 50, acessos diários, terminar o mês de junho com 99.429 acessos (somente no dia 01 já tivemos 10.040 visitas) só aumenta nossa responsabilidade. Continuamos peleando apenas pelo prazer de ser mais um guardião da cultura regional gaúcha.

segunda-feira, 19 de outubro de 2015

REPONTANDO DATAS / 19 OUTUBRO


 
O dia 19 de outubro é marcante para mim e para todos os que tem a sorte de privar da amizade deste moço. Neste dia, no ano de 1988, nascia no Hospital Mãe de Deus, em Porto Alegre, meu filho Lucas Vallim de Souza, o "meu gurizinho", hoje morando na Austrália. Quando ele se bandeou para o outro lado do mundo escrevi este poema:  
 
FILHOS
(Léo Ribeiro)
Meu filho deixou "as casas",
achou por bem ir embora
e no singrar da aurora
com esforço bateu asas.
Na malinha velha e rasa
juntou sua vida singela.
Atravessou a cancela,
olhou, por fim, para trás
e lá se foi meu rapaz...
- Eu vi tudo da janela. 
 
Deixou aqui suas lembranças,
seus amigos, seus cachorros
e já no segundo morro
se sumiu o meu confiança,
o meu guri, minha herança
de sangue, honra e sequência.
Mas levou junto a essência
daquilo que pude dar,
das coisas simples de um lar
e o respeito a querência. 
 
Na verdade havia um tempo
que ele pensava nisto,
camperear algum serviço
que lhe provesse o sustento
pois ninguém vive do vento
soprando nos tarumãs.
Com cheiro de picumã
encroado na camisa
se foi, cruzando divisas,
sem saber do amanhã. 
 
E nós ficamos tapeando
essa dor de um filho ausente,
uma saudade inclemente
a cada dia aumentando...
Hay, nos seus trastes, pairando
recuerdos que calam fundo.
Então, assim, num segundo
lembro o que disse um poeta,
Kallil Gibran, O Profeta,
- Os seus filhos são do mundo! 
 
- São filhos e filhas das ânsias,
vem por vós, mas não de vós.
Não são seus, nem dos avós,
são das ruas, das distâncias.
Amparai a sua infância
sem ocultar os perigos,
sejais parceiro, amigo,
podeis dar o vosso amor
mas não lhes tire o esplendor
de andejar longe do abrigo. 
 
Pode ser... Pode até ser,
mas até meu chimarrão
ando largando de mão
por matear sem ter prazer.
O rancho, no entardecer,
é um manancial de tristeza,
não tem cor a natureza,
ficou mudo o violão
e se agranda a solidão
com um prato a menos na mesa. 
 
E pensar que fiz igual
quando deixei os meus Pais...
Nem reparei nos seus ais
e hoje sofro o mesmo mal.
Assim é a vida, afinal,
tudo que nasce tem fim.
Mas... queria ter dito assim
pro meu eterno menino:
- Que vá trançar teu destino
mas volte, um dia, pra mim!