RETRATO DA SEMANA


quinta-feira, 20 de agosto de 2026

 


O MASSACRE DOS ÍNDIOS CHARRUAS


Memorial aos índios Charruas - Montevideo/Uruguai

Nas comemorações dos 400 anos das Missões no Rio Grande do Sul muito se fala das Guerras Guaraníticas aonde portugueses e espanhóis, covardemente, mataram Sepé Tiaraju e exterminaram com a raça Guarani. Poucos sobreviventes vagueiam hoje pelos beirais das estradas mendigando alguma ajuda. O poder público não está nem aí para eles. Contudo, outra tribo, os charruas, índios guerreiros, exímios cavaleiros, também foram exterminados por nosso país vizinho, o Uruguai, inclusive perseguindo-os em solo brasileiro.

 Por: Cezar Tomazini Liscano

Em 11 de abril de 1831, em Puntas del Queguay, ocorreu o massacre conhecido como Matança de Salsipuedes. Às margens do arroio Salsipuedes, entre Tacuarembó e Río Negro, ficava o quartel-general do presidente Fructuoso Rivera. Rivera convocou os principais caciques charruas, chamados Polidoro, Rondeau, Brown, Juan Pedro e Venado, junto com todas as suas tribos, para uma reunião, dizendo que o Exército precisava deles para proteger as fronteiras do Estado.

Segundo relatos, adulados e embriagados, foram atacados por uma tropa de 1200 homens sob o comando de Bernabé Rivera. Diz-se que o próprio Rivera deu o sinal para iniciar o ataque, fazendo fogo sobre o cacique Venado, depois de lhe pedir que entregasse sua faca para picar tabaco. O saldo, segundo a historiografia oficial, foi de 40 índios mortos e 300 prisioneiros, dos quais alguns conseguiram fugir sendo perseguidos por Bernabé Rivera. Entre as tropas houve 9 feridos e um morto. A perseguição aos charrúas não se esgotou na matança de Salsipuedes. Bernabé Rivera, em particular, teve um empenho especial em encontrar e exterminar os que conseguiram escapar.

Mas as perseguições aos Charruas não pararam por aí.

No dia 17 de agosto de 1831, surpreendeu em Mataojo, perto da foz do rio Arapey, um grupo de charruas comandado pelos caciques O Adivinho e Juan Pedro, aos quais atacou, resultando no episódio com 15 mortos e mais de 80 prisioneiros. Informou que haviam conseguido escapar 18 homens, entre eles o cacique Polidoro, único cacique sobrevivente. No dia 16 de junho de 1832, localizou um grupo de charruas em uma depressão chamada Yacaré-Cururú. Em uma emboscada, os charruas mataram Bernabé e dois oficiais e a nove soldados.

De acordo com o professor Lincoln Maiztegui Casas, «o desaparecimento dos charruas foi um processo gradual que levou mais de 200 anos e que se iniciou a partir da ocupação do território pelos europeus». Segundo Maiztegui, os guaranis se adaptaram e os charruas não, e por isso foram gradualmente se extinguindo. Milhares morreram, outros milhares fugiram para o noroeste, para o Brasil, outros milhares ficaram escravizados e, ao se misturarem com os brancos, perderam sua cultura. A principal justificativa da elite crioula era a suposta tentativa de «civilizar» os índios, «melhorar» a raça uruguaia e evitar o abigeato. O país tinha um número importante de gado bovino e equino constantemente ameaçado de roubo por parte dos indígenas. No final do século XIX, restavam pouco mais de 1000 charruas «puros» no Uruguai.

Fonte

https://www.tacuarembo2030.com/.../3948-la-masacre-de.../