O MASSACRE DOS ÍNDIOS CHARRUAS
Nas comemorações dos 400
anos das Missões no Rio Grande do Sul muito se fala das Guerras Guaraníticas
aonde portugueses e espanhóis, covardemente, mataram Sepé Tiaraju e
exterminaram com a raça Guarani. Poucos sobreviventes vagueiam hoje pelos
beirais das estradas mendigando alguma ajuda. O poder público não está nem aí
para eles. Contudo, outra tribo, os charruas, índios guerreiros, exímios
cavaleiros, também foram exterminados por nosso país vizinho, o Uruguai,
inclusive perseguindo-os em solo brasileiro.
Por:
Cezar Tomazini Liscano
Em 11 de abril de 1831,
em Puntas del Queguay, ocorreu o massacre conhecido como Matança de
Salsipuedes. Às margens do arroio Salsipuedes, entre Tacuarembó e Río Negro,
ficava o quartel-general do presidente Fructuoso Rivera. Rivera convocou os
principais caciques charruas, chamados Polidoro, Rondeau, Brown, Juan Pedro e
Venado, junto com todas as suas tribos, para uma reunião, dizendo que o
Exército precisava deles para proteger as fronteiras do Estado.
Segundo relatos, adulados
e embriagados, foram atacados por uma tropa de 1200 homens sob o comando de
Bernabé Rivera. Diz-se que o próprio Rivera deu o sinal para iniciar o ataque,
fazendo fogo sobre o cacique Venado, depois de lhe pedir que entregasse sua
faca para picar tabaco. O saldo, segundo a historiografia oficial, foi de 40
índios mortos e 300 prisioneiros, dos quais alguns conseguiram fugir sendo
perseguidos por Bernabé Rivera. Entre as tropas houve 9 feridos e um morto. A
perseguição aos charrúas não se esgotou na matança de Salsipuedes. Bernabé
Rivera, em particular, teve um empenho especial em encontrar e exterminar os
que conseguiram escapar.
Mas as perseguições aos
Charruas não pararam por aí.
No dia 17 de agosto de
1831, surpreendeu em Mataojo, perto da foz do rio Arapey, um grupo de charruas
comandado pelos caciques O Adivinho e Juan Pedro, aos quais atacou, resultando
no episódio com 15 mortos e mais de 80 prisioneiros. Informou que haviam
conseguido escapar 18 homens, entre eles o cacique Polidoro, único cacique
sobrevivente. No dia 16 de junho de 1832, localizou um grupo de charruas em uma
depressão chamada Yacaré-Cururú. Em uma emboscada, os charruas mataram Bernabé
e dois oficiais e a nove soldados.
De acordo com o professor
Lincoln Maiztegui Casas, «o desaparecimento dos charruas foi um processo
gradual que levou mais de 200 anos e que se iniciou a partir da ocupação do
território pelos europeus». Segundo Maiztegui, os guaranis se adaptaram e os
charruas não, e por isso foram gradualmente se extinguindo. Milhares morreram,
outros milhares fugiram para o noroeste, para o Brasil, outros milhares ficaram
escravizados e, ao se misturarem com os brancos, perderam sua cultura. A
principal justificativa da elite crioula era a suposta tentativa de «civilizar»
os índios, «melhorar» a raça uruguaia e evitar o abigeato. O país tinha um
número importante de gado bovino e equino constantemente ameaçado de roubo por
parte dos indígenas. No final do século XIX, restavam pouco mais de 1000 charruas
«puros» no Uruguai.
Fonte
https://www.tacuarembo2030.com/.../3948-la-masacre-de.../
