RETRATO DA SEMANA


segunda-feira, 17 de agosto de 2026

 


FESTIVAL, COM JÚRI SÉRIO, 

NÃO É BALCÃO DE NEGÓCIOS!


Edson Dutra, Oscar dos Reis, Neusa Regina, 
Maurício Borges, Ângelo Marques e Léo Ribeiro.  


Pensei muito antes de fazer esta postagem pois é natural aos que não vencem um festival nativista mostrarem seu descontentamento. Todos acham que a SUA música é a melhor do evento. Contudo, mesmo que a internet seja uma terra sem lei, não se justifica brincar com o caráter e idoneidade de pessoas com uma longa trajetória de retidão na vida artística e particular. 

Neste final de semana tivemos o 33º Ronco do Bugio em São Francisco de Paula, festival que foi um verdadeiro sucesso de público, de organização e de composições concorrentes mas, se os organizadores me permitem, vou dar uma sugestão para o próximo ano: Que se premie com o 1º lugar aos vinte concorrentes. Assim não haverá essa lamúria toda. 

As pessoas também não entendem que um festival não é um balcão de negócios, ou seja, que a contraprestação de algum serviço a prefeitura seja o primeiro prêmio. Quem faz esta exigência pode, inclusive, estar se queimando junto administração pois logo ali na frente outras promoções acontecerão.

Além disso parece que o festival virou uma partida de futebol de "os da casa" contra "os de fora". Esquecem que no ano passado quem ganhou foi um tema local. Aí estava tudo maravilhoso. Agora o vencedor foi um grupo que participou pela primeira vez do Ronco. Então, virou o maior absurdo do mundo. Isto é uma visão pobre, apequena o evento, o torna regional. Para estes descontentes seria necessário criar um festival exclusivo, ou seja, apenas para os da casa. Tínhamos três avaliadores de São Francisco, o que atesta ainda mais a isenção dos jurados.

Outra coisa.

Quem está na torcida tem todo o direito de defender sua preferida mas não tem a visão técnica dos avaliadores. Não querem saber se a linha melódica está a altura da letra ou, ao contrário, se a letra está a altura da linha melódica; se o grupo estava inspirado na interpretação; se não engoliram um pedaço da letra ao cantar; se a mensagem pretendida foi realmente repassada; se o trabalho de outro grupo não foi um pouco melhor; se a temática abordada não está muito batida... Querem é ganhar. 

Claro que os avaliadores podem errar, são humanos, e as "panelas" ocorrem, mas fui jurado do Ronco do Bugio em 15 oportunidades e sempre lutei pela lisura das avaliações e boto minha mão no fogo pelos jurados desta edição. 

Uma boa semana a todos.