COPA DO MUNDO É PARA OS FRACOS
Gramado que mais parece um tapete, estádio coberto e climatizado, VAR, bolas com chips, parada para hidratação... Isso é futebol para os fracos.
Futebol de verdade é ali pela região das Contendas, localidade aonde nasci.
Nove horas da matina. Na costa do Capão do Enforcado a cancha está preparada. Só falta botar as redes que vem chegando de carroça. O cal já foi largado por riba do capinzal seco. O time do Boqueirão se prepara para receber o Canela Preta, escrete formado, em sua maioria, pela peonada da Estância São Gregório. A rivalidade já vem dos torneios de laço da região.
O arqueiro do Boqueirão, o Mão de Pilão, já adiantou que se perderem nas quatro linhas, ganham no jogo do osso, no truco cego, no cuspe a distância.... Na capela o vigário dá um apurão no seu sermão dominical pois percebe que os beatos estão impacientes, em virtude da grande peleja.
Nos preparatórios, o capitão do Boqueirão, o Sete Facadas, beque que visa mais a medalhinha do atacante adversário do que a própria bola, utiliza seu cigarro de palha e fumo crioulo para acender um a um os foguetes armazenados em duas caixas, num chamamento do vizindário.
Os políticos, neste ano de eleições, aproveitam a ocasião para despejar suas promessas. Outros atam negócios, carreiras, serenatas. No balcão do galpão de costaneiras, misto de vestiário e bolicho, a canha e o pastel correm soltos.
Depois da disputa, com qualquer resultado, haverá churrasco assado na vala, cantoria e muita rancheira.
Enquanto no resto do mundo os jogadores que ganham milhões perderam a identidade, o amor a camiseta, por aqui os atletas dão a vida pelos seus escretes.
Os políticos, neste ano de eleições, aproveitam a ocasião para despejar suas promessas. Outros atam negócios, carreiras, serenatas. No balcão do galpão de costaneiras, misto de vestiário e bolicho, a canha e o pastel correm soltos.
Depois da disputa, com qualquer resultado, haverá churrasco assado na vala, cantoria e muita rancheira.
Enquanto no resto do mundo os jogadores que ganham milhões perderam a identidade, o amor a camiseta, por aqui os atletas dão a vida pelos seus escretes.
De toda forma que tenhamos sorte, hoje, contra a Noruega, por que a boca não é boa.
