CADA QUAL COM SEUS HERÓIS
No dia 05 de maio do ano
de 1994, portanto a exatamente vinte e sete anos, falecia meu pai Bernardino
Souza, um gaúcho sem cavalo, um peão da "boleia" do caminhão.
Não me sai da lembrança
quando, no dia 1º de maio daquele ano, ao seu lado num leito do Hospital de
Caridade de São Francisco de Paula, a televisão noticiou a morte de Ayrton
Senna e ele saiu-se com esta tirada: - Mas é ligeiro este Senna. Vai chegar primeiro
que eu no céu...
Realmente (e com razão)
naqueles dias o mundo preocupava-se com a morte deste grande ídolo brasileiro
mas minha grande aflição era outra. Eu me entristecia com a morte de meu melhor
amigo. Chorava o falecimento de um "piloto" que passou sua existência
dirigindo caminhões e ônibus pelo meio do mato, por estradas barrentas e daí
tirou o sustento de nossa família.
Passado todo esse tempo
ainda sinto muito a sua falta. Queria dizer-lhe palavras que não disse, fazer
coisas que não fiz e que só após a sua morte me dei conta. Mas a vida é assim e
apesar de tudo acho que fui um bom filho.
Ayrton Senna também é meu
ídolo mas o meu herói continua sendo o Bernardino Souza.
Imperioso que se noticie, também neste mesmo 05 de maio de 1994, a morte do grande poeta Mário Quintana.
Quintana faleceu aos 87 anos de idade em Porto Alegre, de insuficiência cardíaca e respiratória.
