RETRATO DA SEMANA


Obs: Se o curso objetiva regrar comportamentos, é tempo perdido. Educação se traz de berço. Ilustração: Léo Ribeiro

sábado, 3 de janeiro de 2026

 


APENAS MAIS UM QUE SE VAI


Pomba pousou onde ficava busto do fundador do Correio do Povo

Foto : Pedro Piegas

 

Por: Marcel Horowitz

 

Ninguém foi preso por furtar o busto em homenagem a Francisco Antônio Vieira Caldas Júnior, jornalista e fundador do Correio do Povo, no Centro Histórico de Porto Alegre. A escultura foi instalada na Praça XV em 13 de dezembro de 1913, mas acabou sendo transferida, em 1932, para a Praça da Alfândega, onde continuava desde então. Não há indícios de seu paradeiro após o crime, em outubro.

Ao ser inaugurada, cerca de oito meses após a morte do homenageado, a peça tornou-se a primeira do tipo em praças públicas na Capital. Vinha sendo alvo de bandidos há mais de uma década, quando houve furto de relevos no pedestal e de uma reprodução da capa da primeira edição do Correio do Povo, que estava ali desde 1º de outubro de 1975. Nada foi recuperado.

Conforme o professor de escultura, pesquisador e historiador de arte, José Francisco Alves, a obra era feita de bronze, denominador comum em furtos de patrimônio histórico. “A venda clandestina desse material atrai criminosos. O bronze é utilizado na produção de anéis, torneiras e canos, entre uma infinidade de outras coisas. Neste contexto, infelizmente já devem ter derretido o busto do Caldas Júnior”, lamentou.

José Francisco Alves não crê na possibilidade de recuperação da peça, nem que esteja em coleções ou antiquários. “Diferente do que acontece em países na Europa, não há crime especializado em arte no Rio Grande do Sul. Aqui, a venda é feita por qualquer valor, o que é muito triste, tendo em vista que estamos falando de patrimônio histórico, insubstituível e de avaliação inestimável”, disse.

De acordo com o comandante do Comando de Policiamento da Capital (CPC), coronel Fábio Schmitt, os envolvidos no furto a monumentos são, em geral, dependentes químicos. “Na maioria das vezes, cometem delitos para sustentar o vício. Ampliamos nossas ações de policiamento, mas crimes assim têm punibilidade baixa na lei, gerando problemas sérios de reincidência”, avaliou o oficial.

A Brigada Militar, por meio do 9º BPM, garantiu reforço de efetivo na Praça da Alfândega. Em nota, a corporação destacou que faz patrulhamento ostensivo e abordagens preventivas, de maneira incessante no local. Também via comunicado, a Secretaria Municipal de Segurança (SMSeg) apontou que dois homens furtaram o busto de Francisco Caldas Júnior, em ato registrado por câmeras de monitoramento. Nenhum deles foi identificado. 

Nota do blog: Ninguém foi preso e ninguém vai ser. Deteriorar patrimônio histórico sem nenhuma consequência punitiva é algo comum, banal, corriqueiro em nossa capital. Há quantos anos roubaram as pesadas placas laterais do Monumento a Bento Gonçalves a plena luz do dia na movimentada João Pessoa e nada aconteceu?

Então nós perguntamos: - Para que servem centenas de câmaras de segurança espalhadas pela cidade?