RETRATO DA SEMANA

RETRATO DA SEMANA
Bandeira do Rio Grande hasteada na chaminé de 92 metros do Shopping Total em Porto Alegre. Foto: Divulgação Shopping Total.

sexta-feira, 5 de abril de 2024

 

REPONTANDO DATAS / 05 DE ABRIL 


Na madrugada do dia 4 para 5 de abril, do ano de 1894, na localidade de Boi Preto, Palmeira das Missões, teve início o Combate do Boi-Preto (Revolução Federalista), aonde 250 Maragatos são degolados pelos Pica-paus, como desforra dos 300 Pica-paus degolados pelos Maragatos do Combate do Rio Negro (Bagé) em 29 de novembro de 1893. Nesse dia o Coronel Firmino se aproximou de Boi Preto com 1500 homens bem armados que cercaram as tropas de Ubaldino, num dos fatos mais horrendos da revolução. Alguns, para evitarem a morte, passaram para o lado republicano mas poucos se salvaram dessa forma. Quando o comandante federalista, passou o dedo indicador no seu  pescoço deu-se início a degola. Era a revanche e muitos dos condenados não faziam ideia do porque de sua morte. Esse local, em virtude deste fato, passou a ser conhecido como o Capão da Mortandade.


General Firmino de Paula e seu estado maior, já em 1923.


Firmino de Paula, apelidado de “Pitoco” pelos adversários, era general honorário das hostes florianistas, confirma o funesto acontecimento em telegrama que passa ao todo-poderoso Júlio de Castilhos, no dia 10/abril/1894: “Hoje, cinco manhã, bati Ubaldino acampado Boi Preto. Completa derrota, morrendo 370 maragatos, muitos deles oficiais”. As nuanças verdadeiras do combate, viriam, porém, na sequência. Comandando 1.500 homens da 5ª Brigada da chamada Divisão Norte, composta de paisanos e de tropas do exército cuja missão específica era perseguir Gumercindo Saraiva em sua retirada do Paraná, Firmino formava ao lado dos irmãos José Gomes e Salvador Pinheiro Machado, chefes de dois outros grupamentos. Quando da prisão de um desgarrado, ficou sabendo, então, que o coronel maragato Ubaldino Machado, com cerca de 550 revolucionários, resolvera acampar num capão de mato, perto do arroio da localidade de Boi Preto, a 30 quilômetros de Palmeira das Missões. Nesse momento, diz o historiador Mozart Pereira Soares, já se falava que a paz estava acertada, que ia terminar tudo, que as armas dos rebeldes seriam vendidas ao governo, chegando os federalistas a promover até um baile com churrasco e com a presença de mulheres de Palmeira. Às 5 da manhã, no entanto, Firmino atacou, logrando escapar apenas o comandante Ubaldino e uns poucos, sendo que a maioria, encurralada, entregou-se sob garantia de vida. Amarrados os prisioneiros com tiras de couro, colocaram-se todos em marcha, para logo em seguida começarem os degolamentos: 30 infelizes foram sacrificados na arrancada, 140 em Olhos D’Água, 100 na Porteira, não conseguindo se salvar sequer o primo do general Firmino, de nome Arthur Beck.