RETRATO DA SEMANA

RETRATO DA SEMANA
Bandeira do Rio Grande hasteada na chaminé de 92 metros do Shopping Total em Porto Alegre. Foto: Divulgação Shopping Total.

segunda-feira, 12 de julho de 2021

DOIS GRANDES TRADICIONALISTAS

 


QUE NASCERAM NA MESMA DATA 
(12 de julho de 1927)


PAIXÃO CÔRTES 
 

 
Nascido a 12 de julho d 1927, em Sant’Ana do Livramento, RS, João Carlos D'Ávila Paixão Côrtes é a figura mais identificada com as tradições do Rio Grande do Sul. Aliás, a tradição e Paixão se confundem, se mesclam, tem uma só personalidade. Paixão, ao lado de Luis Carlos Barbosa Lessa, é considerado o maior folclorista que este terra de São Pedro viu nascer. É precursor de todo este movimento que visa cultuar nossas raízes, pois fez parte do Piquete da Tradição, também chamado do Grupo dos Oito que, em 1947, de acavalo e pilchados a moda gaúcha, acompanharam os restos mortais do General Farrapo David Canabarro pelas ruas de Porto Alegre e, no mesmo ano, criaram a primeira Ronda Crioula, precursora da Semana Farroupilha de hoje, sendo, esses fatos, a fonte inspiradora de tudo o que se percebe agora em se tratando de tradicionalismo.  
 
Paixão Côrtes tem suas origens ligadas á vida pastoril e iniciou muito cedo suas pesquisas folclóricas. No transcorrer dos tempos se viu obrigado a comprar sua própria aparelhagem (gravador, filmadora, máquina fotográfica, etc..) para registrar a cultura popular gauchesca. Deste trabalho resultou um acervo de milhares de slides, centenas de fitas e vídeos, enfim, um arquivo histórico sobre os usos e costumes do povo gaúcho.
 
Sua bibliografia é riquíssima e de suma importância e vai de posar como modelo para o artista Antônio Caringi esculpir a estátua do Laçador até dezenas de livros e discos que serviram de base para os primeiros passos a centenas de invernadas artísticas por este mundo afora. Impressionantemente seu trabalho, hoje, é pouco considerado pelos "doutos" da tradição.

Paixão Côrtes faleceu em 27 de agosto de 2018 aos 91 anos. 


ZENO DIAS CHAVES
 


 
Zeno Dias Chaves nasceu no mesmo dia, mês e ano que Paixão Cortes, 12 de julho de 1927, mas não param por ai as coincidências, seguiram a mesma trilha, da manutenção das tradições gaúchas. Zeno e Paixão Cortes muito cedo formaram uma grande amizade, ocorrendo o mesmo em relação a Barbosa Lessa.
 
Nascido na Fazenda Cerro Colorado, distrito de Seival, interior do município de Caçapava do Sul, Zeno Dias Chaves foi casado com Isaura Ferreira Chaves, com quem teve três filhos, depois vieram os sete netos, e os três bisnetos.
 
Iniciou as atividades em 1949, no primeiro encontro com os ex-colegas Antônio Candido Silva Neto, Luiz Carlos Correa da Silva, Robis Pinto, entre outros. Este encontro ocorreu na esquina das Ruas da Praia com Borges de Medeiros, tendo ali a informação do que Paixão Cortes e Barbosa Lessa estavam fazendo. Deste encontro em diante não parou mais.
 
Em Caçapava do Sul, foi sócio fundador do CTG Sentinela dos Cerros, onde foi patrão, diretor cultural e artístico e membro de outras patronagens por várias vezes. Sócio fundador e benemérito do CTG Clareira da Mata, CTG Sentinela do Forte, CTG Heróis do Seival, PL Guarda Velha, PL Os Maragatos, CTG Pampa e Querência e também sócio fundador do CTG Família Nativista. Participou da criação de departamentos tradicionalistas em 11 (onze) colégios do município de Caçapava do Sul, ainda, por várias vezes faz palestra nos colégios sobre história.
 
Em 1977 foi eleito para o Conselho Diretor do MTG, onde permaneceu por 10 anos, intercalando para ser Coordenador Regional da 18ª RT em 1980/1981. De 1987 a 1989 foi Presidente do MTG e Fundação Cultural Gaúcha, neste período, destaca as seguintes criações:

1 - Criação do Departamento Jovem;
2 - Criação da Festa Campeira do Rio Grande do Sul;
3 - Criação de um departamento cultural, atuante;
4 - Agilizou a criação da CBTG, onde foi o 1 ° Vice-Presidente.
 
Criada a CBTG foi escolhido doze patronos, 3 (três) de cada Estado, Santa Catarina, Paraná, São Paulo e Rio Grande do Sul, neste, Zeno Dias Chaves foi escolhido juntamente com José Theodoro Belaguarda de Menezes e Nei Zardo.
 
Em 1990 ficou mais um ano no Conselho Diretor, após passou a Conselheiro Vaqueano e Benemérito do MTG. Ainda, neste mesmo ano, foi Patrono da 18ª RT.
 
Recebeu as Comendas:
"Negrinho do Pastoreio" - Governo do Estado do Rio Grande do Sul;
"Medalha Barbosa Lessa" - MTG;
“Bento Gonçalves” e “Charrua” - Caçapava
 
Participou de 33 (trinta e três) dos 64 (sessenta e quatro) Congressos Tradicionalistas Gaúchos realizados. De 4 Congressos Tradicionalistas Brasileiros: De 5 Congressos Tradicionalistas Internacionais presidindo, ainda, o 3º. De 20 (vinte) Convenções Tradicionalistas. Participou em 18 cavalgadas, conduzindo a Chama Crioula pelo Rio Grande.
 
Chaves também foi patrono da 10ª Feira do Livro de Caçapava do Sul, em 2000, tem dois livros editados. Ministrou cursos sobre história e tradição para alunos de escolas públicas. Gravou vários seriados e documentários para a TV Globo, RBS, Canal Futura, TV Pampa, Record e TVE, falando sobre a história do Rio Grande do Sul, seus usos e costumes. Foi criador e hoje presidente a Comissão do Projeto do Rio Camaquã e sua história, que envolve 14 municípios da região.

Faleceu em 10 de julho de 2019, a dois dias de completar 92 anos.  

Fonte para os escritos sobre Zeno Dias Chaves: Blog do Rogério Bastos 2016