RETRATO DA SEMANA


Para quem começou este blog há 16 anos atrás com 40, 50, acessos diários, terminar o mês de junho com 99.429 acessos (somente no dia 01 já tivemos 10.040 visitas) só aumenta nossa responsabilidade. Continuamos peleando apenas pelo prazer de ser mais um guardião da cultura regional gaúcha.

quinta-feira, 3 de junho de 2021

EXPERIENTES E VELHOS

 

Texto de Leandro de Araújo





No Movimento Tradicionalista Gaúcho existem pessoas experientes e pessoas velhas. 

As pessoas experientes enxergam que suas instituições são constituídas pelos seres humanos que seus galpões abrigam. As pessoas velhas pensam que a entidade é o galpão que abriga as pessoas.

Os experientes entendem que os jovens são o futuro da entidade, que a contemporaneidade de suas atitudes não é uma ameaça à tradição, pois estes mesmos jovens escolheram estar ali, mesmo tendo um universo de opções que os deixariam livres para ser o que quisessem. Os velhos não. Eles querem dizer aos jovens o que devem ser, ouvir e vestir, e deixam claro que as músicas que ouvem e as coisas que dizem não são "compatíveis" com a tradição.

O experiente diz ao jovem que a tradição pode somar, contribuir com sua formação como ser humano. O velho diz ao jovem que ele tem que optar em ser o que é ou um "tradicionalista de verdade".

A experiência ensina que devemos abraçar a todos, para que aqueles que se encontrarem, permaneçam. O pensamento do velho diz que temos que eliminar aqueles que não se enquadram logo no começo, para que não contaminem os demais.

O experiente quer aprender com o novo. E aprende! O velho acha que está aqui para ensinar. E tenta empurrar o que acha certo goela abaixo, como se fosse o capataz da verdade.

O experiente ama seus jovens. O velho quer ser temido por eles.

Alguns tradicionalistas experientes são jovens, não importando a idade que tem. Enquanto isso, alguns com vinte e poucos anos já são velhos.

O experiente é reconhecido como amigo. O velho quer ser chamado de patrão.

Os experientes deixarão um legado. Os velhos, no máximo, uma foto em um quadro na parede do CTG.