RETRATO DA SEMANA

RETRATO DA SEMANA
Bandeira do Rio Grande hasteada na chaminé de 92 metros do Shopping Total em Porto Alegre. Foto: Divulgação Shopping Total.

domingo, 28 de fevereiro de 2021

RECONHECIMENTO TARDIO

 

MAS MERECIDO


Carolina Maria de Jesus, moradora de uma favela, catadora de papel,  

ganha título de Doutora Honoris Causa da UFRJ


Uma das autoras mais lidas do Brasil, recebeu nesta quinta-feira (25) uma homenagem póstuma. Ganhou o título de doutor honoris causa da Universidade Federal do Rio de Janeiro.

A escritora Carolina Maria de Jesus começou a ficar famosa em 1958. Trechos do diário da catadora de papel, que vivia na favela do Canindé, em São Paulo, foram publicados pelo extinto jornal "A Noite".

Ela tinha cadernos com romances e poemas que começou a escrever na infância, em Sacramento, Minas Gerais. Carolina Maria de Jesus só estudou dois anos, o suficiente para criar uma paixão, como explica um biógrafo da escritora.

“Ela, desde pequena, assumiu esta coisa da escrita e da leitura, então ela vivia lendo”, contou Tom Faria, em entrevista ao Jornal Nacional.

Lançado em 1960, seu primeiro livro "Quarto de Despejo", foi um sucesso.

A escritora vendeu 3 milhões de livros, em 16 idiomas; ela viajou pelo Brasil e atraiu multidões. No Centro do Rio, a rua da livraria teve que ser fechada na noite de autógrafos. 

Carolina Maria de Jesus conquistou fãs como Clarice Lispector. A filha de Carolina Maria de Jesus lembra do encontro: "Quando ela chega perto de Clarice Lispector, ela diz: você é uma grande escritora. E a Clarice responde: a grande escritora aqui é você, porque você escreve com a realidade", lembra Vera Eunice de Jesus.

O título da UFRJ com unanimidade e aclamação reconhece a importância da doutora Carolina Maria de Jesus, que inspirou talentos, como a escritora Conceição Evaristo.

"Ela abre essa possibilidade dessa autoria nascer de dentro, de quem vive, e não somente de quem contempla", diz Conceição Evaristo.

Carolina Maria de Jesus nasceu em 14 de março de 1914, em Minas Gerais. A escritora morreu aos 62 anos, em São Paulo, em 13 de fevereiro de 1977, vítima de insuficiência respiratória.