RETRATO DA SEMANA

RETRATO DA SEMANA
Bandeira do Rio Grande hasteada na chaminé de 92 metros do Shopping Total em Porto Alegre. Foto: Divulgação Shopping Total.

sexta-feira, 18 de dezembro de 2020

O CIRCO PEDE SOCORRO

 

El Circo Criollo - Eduardo Amorim


A classe artística como um todo talvez tenha sido a mais prejudicada com esta estagnação em virtude da pandemia. Em face das aglomerações foram os primeiros a parar e serão os últimos a voltar. Neste meio tempo vão lutando só com o cabo da faca por sua sobrevivência. Entretanto, dentro da classe artística, há um subgrupo ainda mais prejudicado. São os artistas de circo.  

Tenho acompanhado de perto seus clamores pois são dezenas de circos há mais de ano parados em algum arrabalde, em alguma vila, por este Rio Grande a fora. Vivem de benevolência, de favores, de ajuda de pessoas que se comovem com seu estado de esquecimento.

Noventa por cento dos circos não tem o "glamour" de grandes empresas circenses, embora estas também tenham demitido em massa. O circo de lona furada, do caminhão estragado, das crianças sem escola, dos cachorros magros, não foram beneficiados por verbas que vieram em auxílio de muitos artistas, tipo Lei Aldir Blanc. Vejam no rol de habilitados e me digam se há algum circo (os CTGs também foram esquecidos). O preenchimento dos editais para concorrer precisa de alguém de muito conhecimento. É burocracia pura. Os circos, em sua maioria, são "empresas" familiares que trabalham para comer no dia de hoje e o amanhã só Deus sabe como será. Muitos não tem nem CGC. 

O mundo do circo precisa de um olhar especial. Vive da locomoção, dos minguados que recebem fazendo o povo se divertir. Alguém tem que fazer alguma coisa.