NÃO ESPERE SETEMBRO CHEGAR

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ENTENDA A SIGNIFICATIVA PARTICIPAÇÃO DA ORDEM MAÇÔNICA NO MOVIMENTO FARROUPILHA

domingo, 30 de junho de 2019

DE ALMA LAVADA E ENXAGUADA


Chegando neste momento de São Lourenço do Sul de lombo judiado mas de alma lavada e enxaguada pela emoção do foi o 63º Rodeio de Poetas da Estância da Poesia Crioula, a Academia Xucra do Rio Grande, evento este realizado no Galpão da Peonada naquela belíssima cidade a beira da maior lagoa da América do Sul.
 
Tive a honra de ser escolhido por esta entidade sexagenária para ser o poeta homenageado desta edição de 2019 e a emoção que vivenciei neste entrevero cultural foi indescritível.
 
Para se ter uma ideia, quem realizou meu panegírico, ou seja, fez referências a minha pessoa, meu irmão, amigo, poeta uruguaianense Maxsoel Bastos de Freitas, de surpresa inclusive para a Miriam, minha esposa, gravou três vídeos com depoimentos de meus filhos que moram na Austrália e tudo foi reproduzido num telão gigante... Não precisa dizer que desabamos no choro de encharcar o chão.  
 
Ainda estou me recuperando de tamanha emoção e amanhã, com mais calma, postaremos mais sobre o que foi este belo aniversário da nossa querida Estância da Poesia Crioula. 
 
 
 

sábado, 29 de junho de 2019

JÁ POR SÃO LOURENÇO DO SUL



Após aquele dia de ontem de água derramada, mesmo assim presenciando a belíssima palestra do mestre Wilson Tubino sobre os Mistérios Ocultos do Mate, hoje o dia amanheceu lindo a beira da maior lagoa da América do Sul e a as festividades do 63º Rodeios de Poetas da Estância da Poesia Crioula prosseguem durante o dia inteiro e parte de domingo. 
 
 
 

REPONTANDO DATAS / 29 DE JUNHO



Em 29 de junho do ano de 1860 nasce, em Cruz Alta, Júlio Prates de Castilhos, Presidente do estado do Rio Grande do Sul que exerceu influência singular sobre a política gaúcha. Redigiu praticamente sozinho a Constituição do Estado de 1891. O Castilhismo consolidou-se como corrente política e teve voz ativa por cerca de quarenta anos. Borges de Medeiros, sucessor de Castilhos, seguiu firmemente os ideais do mestre. No plano nacional, Getúlio Vargas procurou implementar o castilhismo no Estado Novo (1937 a 1945).

Em 29 de junho do ano de 1905 nasce, em Santa Maria, Pedro Luiz Botari, padre, poeta e escritor singular, que teve como grande obra a edição do livro O Gênio do Pampa.

 
Em 29 de junho de 1906 nasce, em Imaruí, SC, Pedro Raymundo, compositor, cantor e instrumentista, filho do pescador e sanfoneiro João Felisberto Raimundo. Pedro Raymundo foi um dos precursores da música regionalista do Rio Grande do Sul e serviu de exemplo a dezenas de artistas gaúchos como, por exemplo, os Irmãos Bertussi.

Em 29 de junho do ano de 1942 nasce, em Pontão de Santa Maria, São Luiz Gonzaga, o cantor e compositor Pedro Ortaça, considerado, ao lado de Jayme Caetano Braun, Cenair Maicá e Noel Guarany, um dos Troncos Missioneiros.

sexta-feira, 28 de junho de 2019

GALVÃO BUENO E SUA PAIXÃO PELO SUL


Galvão Bueno no JA, demonstrou carinho por nossa terra
 
Galvão Bueno, apresentador e narrador da Rede Globo, em virtude do jogo da seleção brasileira, esteve ontem pelo garrão do País e foi entrevistado no Jornal do Almoço, da RBS TV, aonde deixou claro sua paixão pelo Sul.
 
Proprietário de terras na campanha rio-grandense ele investiu na plantação de uvas, fez uma parceria com a Vinícola Miolo e hoje produz e comercializa os vinhos Bueno, um produto já premiado em diversos concursos do gênero. Além disso é grande apreciador do chimarrão e fã do nosso cavalo crioulo, motivos que o trazem, seguidamente, ao nosso Estado, aonde investe e gera empregos. 
 
Galvão Bueno é uma figura polêmica. Um dos "artistas" mais bem pagos da Globo ele andeja entre o amor e o ódio das pessoas e isto deu para ser notado nas postagens do face book, uma rede social onde a maioria das pessoas se agrandam sobre todos os assuntos intitulando-se senhores da razão. 
 
No meu entendimento a gente pode até divergir sobre o personagem Galvão Bueno mas jamais desconhecer que ele é uma pessoa pública reconhecida e respeitada no mundo inteiro.
 
Sempre aprendi que o gaúcho é um povo hospitaleiro, gentil, educado, mas o que vi de impropérios a este narrador que só demonstrou carinho por nossa chão foi algo que ultrapassou a linha do respeito. 
 
Discordar de suas opiniões, como disse, é algo natural, eu mesmo faço isto, mas a agressão gratuita, talvez por inveja do status alcançado, não condiz com os costumes e com a história de nossa gente.  
 
Meu posicionamento quanto a isto (educação e hospitalidade) é o mesmo sempre, seja em relação a uma pessoa de renome ou a qualquer anônimo que visite o meu rancho ou o meu Estado.  
 
o narrador, de bota e bombacha recorrendo seus vinhedos
  
 
  

quinta-feira, 27 de junho de 2019

AUGUSTE DE SAINT - HILAIRE NO RS


Resumo 47 - Viagem ao Rio Grande do Sul / Por: Jeandro Garcia
Maio de 1821 - Auguste de Saint-Hilaire
 

Viagem a Porto Alegre - Mulheres de Rio Pardo - Rio Jacuí - Morte do escravo - Embarcações

Saint Hilaire parte rumo a Porto Alegre, navegando pelo Rio Jacuí. O tempo estava bom, mas partiram já tarde. Em Rio Pardo usufruiu de gentilezas de toda sorte. Em geral no Brasil ao apresentar suas cartas de recomendação a primeira pessoa já lhe presta todo auxílio necessário.
Na cidade não recebeu convites para qualquer atividade, embora muito bem acomodado. Lhe contaram que as mulheres possuem maneiras tão agradáveis quanto as de Montevidéu, mas somente conheceu a mulher e filha do sargento-mor, efetivamente muito distintas e educadas.
Avistaram uma casa onde pararam para pernoitar, mas antes de chegarem o patrão (do barco) pediu para içarem o corpo de um de seus negros, que havia se afogado no rio. Este patrão dizia "Ah, meu dinheiro! Meu dinheiro! Que me custa tanto ganhar!". Sua mulher subiu na embarcação para providenciar o enterro, onde na sua sepultura fincou uma cruz de bambu.
Quando retornou ela estava banhada em lágrimas, mas pela rudeza que tratava seus escravos, lhe fez crer que ela não chorava por outra coisa senão o seu dinheiro.
Continuando a viagem pelo rio e com o vento contrário, não foi possível seguir a navegação a vela. Sendo assim os negros do patrão junto com os soldados de Saint Hilaire, remavam em pirogas ligadas ao barco, trazendo-o a reboque.
Passaram na Fazenda Curral alto para um carregamento de charque. Antes da chegada já avistaram uma densa nuvem de urubus. Apesar do fim da época de abate, havia muita carne ao sol e vísceras, em putrefação, espalhando um odor infecto ao redor da casa.
Adiante a Freguesia Nova cruzam com diversos barcos, muito bonitos, seguindo a Rio Pardo. Por serem construídas de tábuas, estreitas e alongadas, são embarcações para quem deseja chegar rápido à cidade. Chamam de Canoas ligeiras, para diferenciar dia barcos de transporte, chamados de Canoas grandes.

quarta-feira, 26 de junho de 2019

A CASA DAS SETE MULHERES


 
Esta é a original centenária Casa das Sete Mulheres, construída em meados de 1800 e que serviu de abrigo a família de Bento Gonçalves durante a Revolução Farroupilha. Fica na beira do Rio Camaquã na localidade de Rincão da Pacheca, em Camaquã.
 
Se tivéssemos um poder público realmente preocupado com a nossa história tal propriedade seria tombada e preservada. Como não estão nem aí para nossa cultura, haja visto que nem um museu decente possuímos, tal "monumento" vai se deteriorando ao tempo.
 
Fotos: Newton Portela Cezar. 
 
 
 
 

terça-feira, 25 de junho de 2019

ALDEIA PELO MUNDO


A invernada artística do CTG Aldeia dos Anjos é o grupo mais destacado dentre os milhares de Centros de Tradições Gaúchas espalhados pelo mundo. Maior vencedor do ENART, o Aldeia dos Anjos viaja constantemente espalhando nossa cultura mundo afora através da dança. É uma entidade organizada, detalhista e que enche nossos olhos de uma beleza irradiante. Pois hoje a noite o Aldeia dos Anjos estará, pela primeira vez, apresentando-se no Theatro São Pedro, na capital dos gaúchos.

Ao que tivemos informações, os ingressos já estão esgotados, mas não custa tentar... 


O Grupo de Danças do CTG Aldeia dos Anjos, desde 1956, busca preservar e divulgar a sua arte, aprimorando, a técnica e criatividade, impondo uma personalidade marcante nas suas apresentações. É considerado um referencial artístico regional, nacional e internacional, pois tem se sagrado campeão em diversos festivais internacionais sendo os mais recentes na Turquia (2015), Agrigento-Itália (2016), Cheonam-Coréia do Sul (2017) e, recentemente, em Mallorca-Espanha (2019).
O espetáculo retrata e compartilha com o público em geral um pouco da histórias das apresentações que construíram essa personalidade marcante e a referência internacional, que rompeu, com música e dança, as fronteiras do tradicionalismo gaúcho, levando a Aldeia pelo Mundo .
LOCAL
Theatro São Pedro - Palco Principal 

INGRESSOS
Plateia: R$ 60,00
Cadeiras Extras: R$ 60,00
Camarote Central: R$ 55,00
Camarote Lateral: R$ 50,00
Galerias: R$ 30,00
 
 
 

segunda-feira, 24 de junho de 2019

REPONTANDO DATAS / 24 DE JUNHO


HÁ QUATRO ANOS MORRIA ANTONIO AUGUSTO FAGUNDES
 
Assim nosso blog postou sobre o acontecido:
 

uma das últimas imagens de Antônio Augusto Fagundes, ao lado de Ana Fagundes

Morreu na noite desta quarta-feira (24) o folclorista, poeta, historiador e apresentador Antonio Augusto Fagundes, conhecido como Nico Fagundes. Ele tinha 80 anos e estava internado há mais de um mês no Hospital Ernesto Dornelles, em Porto Alegre. O óbito foi constatado às 21h10 na UTI da instituição.
 
No ano de 2000 o autor do Canto Alegretense foi vitima de um derrame e, em 2010, de uma infecção que o deixou em coma. A partir daí Nico Fagundes constantemente esteve internado neste hospital onde tinha seus médicos de confiança.

O folclorista ficou conhecido como o apresentador do Galpão Crioulo, programa da RBS TV que comandou por 30 anos. Nesse período, mais de 1,5 mil edições foram ao ar. Em 2012, se despediu da atração, que passou a ser apresentada por seu sobrinho, Neto Fagundes, e Shana Müller (veja a homenagem feita pelo programa no vídeo). 

"Eu me sinto um veterano em fim de carreira, um veterano realizado. O que eu posso querer mais em termos de televisão?", disse em entrevista na época. 

Em 4 de novembro de 2014, Nico completou 80 anos. Para homenagear o artista, três fotógrafos amigos dos Fagundes selecionaram imagens que marcaram a trajetória da família e montaram uma exposição. Segundo Djuliane Rodrigues, a ideia era fazer a mostra apenas com imagens de Nico. Entretanto, foi difícil separá-lo da família. 

Dois dias antes do aniversário, foi ao ar um programa Galpão Crioulo especial em homenagem a Nico. Os apresentadores convidaram artistas para interpretarem músicas do grupo Os Fagundes, formado em 2001 por ele junto aos sobrinhos Neto e Ernesto e ao irmão Bagre Fagundes. 

No dia 20 de setembro de 2014, o especial "Bah! Um programa muito gaúcho" mostrou uma escola em Porto Alegre qua há mais de 7 anos faz uma invernada inspirada em Nico Fagundes. Como ele não pôde assistir de perto à apresentação, o vídeo foi levado à sua casa. O tradicionalista aprovou o que viu. Foi uma das suas últimas aparições na televisão. 

"Que beleza. O Rio Grande é esta maravilha. Quando pensa que já fez tudo o que gostaria de fazer nesta área, surge mais uma coisa linda, que te atrai. Isso é maravilhoso", declarou na ocasião. 

Em 2000, ele teve um acidente vascular cerebral (AVC), mas se recuperou. Em 2010, chegou a ficar em coma induzido após uma infecção geral no organismo. Dois anos depois, voltou à UTI pelo mesmo problema. 

Nico deixa a mulher, Ana Lúcia Piagetti Fagundes, com quem se casou em 2011, e seis filhos, sendo cinco do primeiro casamento e um do segundo.

O velório ocorrerá, a partir desta manhã, no Salão Negrinho do Pastoreio, do Palácio Piratini.O sepultamento será ao final da tarde no Cemitério João XXIII, em Porto Alegre.

Antônio Augusto Fagundes - foto: divulgação

Biografia

Nico Fagundes nasceu em 4 de novembro de 1934, em Inhanduí, interior de Alegrete. Nico iniciou a carreira jornalística aos 16 anos, como cronista e repórter do jornal Gazeta de Alegrete. No mesmo período, começou a atuar na rádio local, apresentando programa humorístico e gauchesco. Foi secretário dos Cadernos do Extremo Sul, editando diversos poetas.

Em 1954, mudou-se para Porto Alegre, onde ingressou no 35 CTG, a convite do poeta Lauro Rodrigues. No mesmo ano, tornou-se redator do Jornal A Hora, no qual atuou durante muitos anos escrevendo a página Regionalismo e Tradição.

Em 1955, passou a fazer parte do Instituto de Tradições e Folclore da Divisão de Cultura do Estado. Durante oito anos, estudou folclorismo, especializando-se em Cultura Afro-gaúcha. Eleito Patrão do 35 CTG, tornou-se professor de danças folclóricas e literatura gauchesca no Instituto de Tradições e Folclore. Viajou para a Europa como sapateador do grupo Os Gaudérios, morando em Paris por quatro meses.

Iniciou pesquisas de indumentária gaúcha, tornando-se a maior autoridade sobre o assunto no Rio Grande do Sul. Contratado como ator pela TV Piratini, foi um dos fundadores do Conjunto de Folclore Internacional, mais tarde batizado de Os Gaúchos, do qual foi diretor durante 15 anos.

Em 1960, fundou, no Instituto de Tradições e Folclore, a Escola Gaúcha de Folclore, de nível superior, que funcionou durante seis anos. Atuou como titular nas cadeiras de danças folclóricas e indumentária gaúcha. Foi diretor da escola durante seis anos.

Formado em Direito, pós-graduado em História do Rio Grande do Sul e Mestre em Antropologia Social, todos os seus cursos foram realizados na Universidade Federal do RGS (UFRGS). Por todas essas suas qualificações, Antonio Augusto Fagundes é respeitado como autoridade em Folclore gaúcho, História do Rio Grande do Sul, Antropologia, Religiões afro-gaúchas, Indumentária gauchesca, Cozinha gauchesca e danças folclóricas.

Entretanto, a face menos conhecida deste intelectual é também sua face mais antiga, a de poeta. Ganhou prêmios e distinções importantes, como a Medalha do Pacificador, do Exército Brasileiro, a Comenda Osvaldo Vergara, da Ordem dos Advogados do Brasil, da qual é também advogado jubilado, e a Comenda do Mérito Oswaldo Aranha. Recebeu inúmeros prêmios em poesia, canções gauchescas, declamações, danças folclóricas e teses. É autor de mais de 100 músicas, entre as quais, "O Canto Alegretense".

Escreveu o roteiro do filme "Para Pedro". Atuou como ator, assistente de direção e consultor de costumes do filme "Ana Terra". Escreveu o roteiro, dirigiu e trabalhou como ator no filme "Negrinho do Pastoreio", com Grande Otelo. Atuou ainda como ator no filme "O Grande Rodeio", o qual também produziu e dirigiu.

Em 1976, ingressou na Fundação Instituto Gaúcho de Tradição e Folclore. Em 1990, fundou e assumiu o comando do grupo Cavaleiros da Paz, com o qual empreendeu cavalgadas por diversos países da América do Sul. Quatro anos depois, assumiu a presidência do IGTF.

Na RBS TV, Nico apresentou o Galpão Crioulo por três décadas, de 1982 a 2012. Sua despedida da televisão foi marcada por uma edição comemorativa do programa, gravada com grandes nomes da música regionalista em Venâncio Aires. No ar, Nico foi substituído pelo sobrinho Neto Fagundes e pela cantora Shana Müller.

Em 2000, teve um acidente vascular cerebral (AVC), e chegou a se afastar do Galpão Crioulo, mas se recuperou. Em 2001, juntou-se aos sobrinhos Neto e Ernesto e ao irmão Bagre Fagundes para formar o grupo Os Fagundes.
 
 
 

domingo, 23 de junho de 2019

QUEM FOI JUCA TIGRE?


 
 
JUCA TIGRE
Por Nilo Dias  

Entre os caudilhos maragatos de 1893, não se pode esquecer o coronel José Serafim de Castilhos, conhecido na paz e na guerra pelo apelido de "Juca Tigre". Era um gaúcho de São Gabriel, violento na ação, mas acessível aos sentimentos de generosidade.  
 
"José Serafim de Castilhos, nasceu a 24 de maio de 1844, na cidade de São Gabriel, um dos mais tradicionais municípios da Campanha rio-grandense. Seus pais, porém, eram ainda mais fronteiriços, sendo de origem da cidade de Uruguaiana. Constantino e Francisca Xavier de Castilhos parecem ter vivido a maturidade da relação por volta dos meados do século, assim como viveram as consequências imediatas do ciclo Farroupilha.  

Conforme artigo publicado de uma de suas filhas, a alcunha de "Juca Tigre" teria sido recebida por José Serafim de Castilhos ainda no colégio da cidade quando cursava as primeiras letras. Isso afasta qualquer analogia do apelido com os acontecimentos de que foi protagonista no desenrolar da Revolução Federalista. 

Apesar da quase nula documentação a respeito da infância dos caudilhos maragatos, parece não haver dúvidas quanto ao aspecto invariável da vida de infância numa sociedade pastoril. A geração em que nasceu "Juca Tigre", cresceu no limbo da tradição oral dos fatos e "causos" da Guerra dos Farrapos e das lutas com os platinos.  

Filho de proprietários rurais, com terras e gado na planicie gabrielense, a infância de "Juca Tigre" equivale a linhagem dos homens descendentes da elite pastoril rio-grandense. Recebia as primeiras letras em casa e ingressava em colégio na cidade para seguir estudos mais avançados, conforme o grau de riqueza da família.  

O mundo do campo parece ter impressionado mais "Juca Tigre" do que a novidade das palavras, pois não seguiu estudos posteriores e manteve residência na cidade em que nasceu. Dali sairia apenas para os enfrentamentos políticos e militares nas campanhas da guerra de 1893.  

Recolhendo o que ficou de sua forma física e de sua personalidade na tradição oral, era robusto, troncudo, de estatura acima da mediana, usava barba inteira, à moda da Monarquia. Dotado de energia invulgar, era violento na ação, mas acessível aos sentimentos de generosidade.  

Ainda durante o regime monarquico, José Serafim de Castilhos ocupou o cargo de Delegado de Polícia em São Gabriel. A ocupação do cargo era decorrente de sua ligação com o Partido Liberal, de Silveira Martins, então no poder provincial e quase hegemônico na campanha rio-grandense na década de 1880.  

O Delegado de Polícia era o poder de fato no município durante a Monarquia. E continuou a sê-lo na República Velha, agora ao lado dos intendentes nomeados.  

Os acontecimentos de novembro de 1881 envolvendo o golpe de Deodoro, a reação florianista e sua consequente renuncia repercutiram em São Gabriel. O primeiro intendente do município, Francisco Gonçalves da Chagas foi deposto do cargo, sendo substituído por uma junta municipal, que tinha como chefe o coronel José Serafim de Castilhos.  

Em junho de 1892, com o retorno do castilhismo ao poder estadual, os seus prosélitos gabrielenses reintegraram na chefia municipal o antigo intendente, depondo "Juca Tigre" que exerceu até então aquela função.  

Este fato fez com que o caudilho se retirasse para Bagé, onde Joca Tavares pensava em resistir e estabelecer um governo federalista. No prelúdio da guerra civil, a região de Bagé tornou-se a "Meca do federalismo maragato" e a reação contra o castilhismo pareceu ser uma medição de forças para os gasparistas diante do fracasso do "governicho", período em que os dissidentes republicanos estiveram no poder, entre novembro de 1891 a junho de 1892.  

Em março de 1892, no Congresso de Bagé quando da aglutinação de antigos líberais e conservadores em torno do Partido Federalista, sob o comando político de Silveira Martins, José Serafim de Castilhos foi signatário do programa e das deliberações que escolheram o general Joca Tavares para a candidatura de Presidente do Estado.  

Entretanto o segundo semestre de 1892 afigurou-se como o mais radical da política rio-grandense desde os tempos coloniais. Perseguições políticas e arregimentação de forças civis e policiais passaram a acontecer em todas as localidades importantes do Estado.  

"Juca Tigre" saiu a campo com 400 acaudilhados no início de 1893, armados e municiados por conta dele mesmo, deixando ordens na sua estância para "auxiliar todo aquele que fosse para as fileiras maragatas". Daí por diante fez praticamente toda a campanha revolucionária de 93-95, tornando-se o principal signatário dos principais manifestos do chamado Exército Libertador em marcha.  

É dentro dessas circunstâncias que "Juca Tigre" deve ser visto como um microcosmo de seu estrato social e de seus limites ideológicos: a oligarquia pastoril e o liberalismo majoritariamente gasparista. "Juca Tigre" participou como um dos chefes do Exército Libertador até o Paraná, seguindo a liderança militar de Gumercindo Saraiva.  

Quanto ao ingresso de "Juca Tigre" na insurreição com a finalidade de combater o castilhismo no poder no início de 1893:   

"De 15 a 22 de fevereiro transpuseram a fronteira da República Oriental para o Rio Grande, mais ou menos numerosos. Na noite de 15 para 16 passaram o coronel Albuquerque Pina, José Serafim de Castilhos e outros chefes com um efetivo de 800 homens, pessimamente armados e foram acampar a quatro léguas de Santana".  

Do combate no Mato Castelhano, próximo a Passo Fundo, em 16 de outubro de 1893, quando registrou-se a vitória em tom ufanista, discurso predileto dos românticos:  

"JucaTigre", na vanguarda, brigou com Chachá Pereira. Uma hora depois recebeu-se comunicação de "Juca Tigre", avisandoque o inimigo tinha sido batido tendo abandonado tudo: carretas, munições, objetos de uso da família, jóias e que seguia em perseguição".  

No inicio do mês seguinte a estratégia foi atravessar o rio Pelotas e levar a guerra a outra unidade da Federação. A passagem por Santa Catarina foi considerada triunfal e, ao mesmo tempo, inusitada aos habitante locais, no final de novembro de 1893:"Chegaram sob o comando de José Serafim Castilhos, apelidado "Juca Tigre", perto de 300 gaúchos. Constituíam a vanguarda do general Gumercindo Saraiva. Durante a noite acamparam no cais do porto e houve então verdadeira migração do povo para ver os bravos filhos dos pampas, vestidos com bombachas e palas, em meio de mulheres e crianças, que mais parecia um acampamento de ciganos".  

Embebidos de triunfalismo, as tropas federalistas rumaram ao Paraná, onde o Governo da União preparava a resistência. Em janeiro de 1894, começava o dramático combate pela praça da Lapa, no Paraná. As forças de "Juca Tigre" ajudaram a tomar a Lapa. A rendição foi uma epopeia de heroísmo e morte.  
 
O cerco da Lapa recebeu inúmeros relatos e é um dos episódios mais estudados do Paraná. Destaca-se a ação de "Juca Tigre":"Dizia-se que "Juca Tigre" fizera a volta e de São Bento atacaria a coluna legal pela retaguarda, enquanto Piragibe e Fulião, pela frente, fariam ataque frontal. (...) Era projeto dos rebeldes fazer seguir "Juca Tigre" para a Lapa por São Bento".  

Do combate homem a homem pela tomada da Lapa: "A defesa era tenaz (...) Nada detinha, todavia, a fúria dos atacantes, que pareciam dispostos a vencer ou a morrer. Os castelhanos de Aparício Saraiva urravam de mistura com os gaúchos de "Juca Tigre" (...) Com o tiroteio, tudo formando uma troada infernal.  

Depois de ocuparem Curitiba, os revoltosos tiveram a pretensão e a utopia de tomar São Paulo e desbancar o florianismo da República:  
 
"Incorporado então os corpos de Cavalaria rio-grandense dos coronéis José Serafim de Castilhos e Torquato Severo (...) para, continuando sua marcha, invadir o Estado de São Paulo, em cujas fronteiras chegaram a se ouvir as descargas e o tropel das avançadas federalistas ao mando de Piragibe e "Juca Tigre". Mas a resistência florianista fez com que o exercito federalista retrocedesse para o Sul.  

Quando tentavam passar o rio em caminho de Palmas, as forças de "Juca Tigre" foram batidas pelo inimigo. O que se seguiu foi o mais verossímil uma vez que os gaúchos de "Juca Tigre", perseguidos pelo inimigo, embrenharam-se em terrenos bem diferentes da planicie da campanha.  

Avançando sempre para Oeste, "Juca Tigre" seguiu o curso do rio Iguassu numa retirada sem parada definitiva, a não ser a linha da fronteira com a Argentina. Lutando com inúmeras dificuldades, perdendo homens e armamentos, assim desapareceu a coluna do coronel "Juca Tigre", um desastre para o Exército de Gumercindo Saraiva.  

O revés da coluna de "Juca Tigre" foi, juntamente com a morte de Gumercindo Saraiva no Corovi, em agosto de 1894, uma marca indelével do desmonte do aparato militar maragato frente aos dois sustentadores da República militar: o florianismo e o castilhismo. 

"Juca Tigre" abandonou a guerra civil como um dos principáis lideres maragatos. Ele não deixou nada escrito sobre sua visão do conflito e de seu ostracismo político. Nesse clima "Juca Tigre" retornou ao local que havia nascido e saído para os conflitos de 93. 

 Reencontrou a mulher, Amabília Porto de Castilhos, que tinha ficado administrando os bens da família juntamente com os cinco filhos do casal. A partir de seu retorno não teve praticamente nada de eventos de conotação pública na política, de que ele tenha participado. A não ser o Congresso Federalista de 1896, em Porto Alegre, do qual participaram importantes caudilhos e chefes políticos ligados a Silveira Martins.  

Nesse conclave, os maragatos resolveram adotar a defesa do Parlamentarismo na República, em oposição ao Presidencialismo que era uma bandeira histórica do castilhismo.  

Protegido nas muralhas da vida privada, encontrava-se ainda a remanescência de uma atitude "guerreira" de "Juca Tigre" nos contornos do telúrico cotidiano do lazer do homem de campanha.  

Este caso foi contado pelo poeta gabrielense Valdomiro Rocha, filho de Camilo Souza, amigo e companheiro de "Juca Tigre". Quase no fim da vida, o coronel, ao assistir uma carreira de cancha reta no interior de São Gabriel, foi provocado por um castelhano que brigara no local: 
 
 "Instantes decorridos, o castelhano se achava na frente de ambos, atrevido, manejando a adaga suja de sangue: 
 
"En esta tierra no hay hombre! Ni el famoso coronel "Tigre". El fué "tigre" em su tiempo, hoy non pasa duna oveja". Disse e caiu. Um tijolaço, jogado por garra poderosa, lhe acertou em cheio a face esquerda, pondo-o por terra. "Juca Tigre", enquanto fingia não tomar conhecimento do valentão, com o braço oculto atrás de Camilo Souza, descolou um tijolo da parede para usá-lo no momento oportuno". 
 
"Juca Tigre" morreu em São Gabriel no dia 1 de abril de 1903, dentro de um ostracismo político. Mas passados muitos anos de sua morte, tem seu nome ligados aos caudilhos que lutaram por conta e risco, na busca de seus ideais". (Fonte: Livro "Juca Tigre e o caudilhismo maragato - Poder, Tempo e Memória", de autoria do escritor Elio Chaves Flores)"  

Uma pequena rua atravessada leva seu nome na cidade de São Gabriel.
 

 
 

sábado, 22 de junho de 2019

JUVENTUDE TRADICIONALISTA


GANHA NOVO EVENTO
 

Proporcionar aos jovens um palco diferenciado e incentivar poetas, declamadores, amadrinhadores, compositores e músicos da nova geração. Com este propósito, foi lançado oficialmente na quinta-feira, 20, em Pelotas/RS, o 1° Versos e Cantigas da Juventude Gaúcha. 

O festival amador poético e musical é uma realização do Departamento Jovem Central, em parceria com o Movimento Tradicionalista Gaúcho (MTG). O evento está programado para 12 de outubro, em Farroupilha/RS, junto ao Festival Gaúcho de Danças – Fegadan, Acampamento e Tchêncontro da Juventude Gaúcha. 

O lançamento oficial do evento contou com as presenças do presidente do MTG, Nairo Callegaro, do coordenador da 26ªRT, Márcio Soares, do coordenador da 6ªRT, Roberto Ferreira, e do diretor do Departamento Jovem Central, Vitor Lopes Ribeiro.
 
 


REPONTANDO DATAS / 22 DE JUNHO


NASCE EM SANTO AMARO, O POETA CLEBER MÉRCIO.
 

 
CLÉBER MÉRCIO - Cleber Mércio Pereira

Santo Amaro, RS, 22/06/1925

FILIAÇÃO: Lourival Mércio Pereira e Natalina Pereira

ATIVIDADES: Radialista, poeta, músico, violonista, compositor e cantor.

É autor de Milonga da Chuva, gravada por Noel Guarani no seu primeiro LP, intitulado Legendas Missioneiras.

Em Taquari há uma rua com seu nome.

OBRA PUBLICADA: Última tropeada – Versos e músicas regionais (1959).

LIVRO INÉDITO: Rodeio de símbolos – Poesia e prosa regionais.

PARTICIPAÇÕES: Perfis de Musas, Poetas e Prosadores Brasileiros, 3º vol. – Antologia organizada por Alzira Freitas Tacques (1957); – As Mais Belas Poesias Gauchescas, 3º vol. – Compilação de Natálio Herlein (1968); – Antologia da Estância da Poesia Crioula (1ª ed. 1970 e 2ª ed. 1987); - Sonetos Gaúchos (Sonetária), Vol. 1 – Seleção e notas de Villas-Bôas e Garcia do Prado (1989).

CITAÇÕES E REFERÊNCIAS: Notas de Bibliografia Sul-Rio-Grandense – Autores (1974) e Dicionário Bibliográfico Gaúcho (1991), ambos organizados por Pedro Leite Villas-Bôas; – Cultura em Ação – Estância da Poesia Crioula – Sinopse de Hugo Ramirez (1987); – Dicionário de Regionalismos do Rio Grande do Sul, de Zeno Cardoso Nunes e Rui Cardoso Nunes.
 
CARRETEIRO

Cléber Mércio

Nem bem desponta a barra da alvorada,
bordando de prateado os pinheirais,
bandos de gralhas gritam nas copadas,
o gado inquieto muge nos currais!
despertam carreteiros nas pousadas;
onde - talvez - não pousem nunca mais...

Eu também fui menino carreteiro
vocês não acreditam pois lhes juro!
de sol a sol perdido nos sendeiros,
muitas vezes tomando mate puro
tendo de dia...a luz do mundo inteiro
tendo de noite...a imensidão do escuro!

De pés no chão, bombachas remendadas,
facão no cinto, porongo na mão,
a palha, o fumo, chaleira queimada
o charque, a trempe, brasas de tição;
soluça o carreteiro, uma toada;
gemendo de saudade o coração.

Teu vulto, carreteiro, é conhecido,
teu nome, carreteiro é venerado
teus causos carreteiro! repetidos,
na glorificação do teu passado;
em torno do braseiro, reunidos,
rodeio que o minuano tem parado.

Carreteiro Herói da minha terra!
Bandeirante do pampa estremecido,
abrindo estradas nos campos e serras,
tornaste o teu Rio Grande conhecido
Trabalhador na paz, fiel na guerra,
este rincão te canta agradecido!

Noites de inverno...a imensidão deitada
o gado inquieto muge nos currais...
geme o urutau sentando nas ramadas,
e soluça a juriti nos taquarais!
Despertam carreteiros nas pousadas,
onde talvez - não pousem nunca mais!
 
 
 
 
 
 

ENTRE MATES E FESTIVAIS


 
 

sexta-feira, 21 de junho de 2019

AQUI ESTOU, SENHOR INVERNO!



De acordo com os calendários começa hoje mais um solstício de inverno no hemisfério sul. É uma estação que, para nós gaúchos, causa grandes transtornos pelo frio intenso, pelo vento minuano cortante, pelas geadas branquejando os campos sulistas, pelas chuvas e cheias espantando os ribeirinhos de suas casas, pelos que dormem nas ruas tendo por coberta alguns papelões.... Mas a vida e a lida não podem parar.

Contudo e como tudo, tal estação climática tem o lado bom. Um fogo-de-chão, um mate espumante, um vinho dos buenos, um catre de pelegos, um pinhão na chapa, um tinto seco....

Portanto, que venhas pois AQUI ESTOU, SENHOR INVERNO
  


Já sei que chegas, Inverno velho!
Já sei que trazes - bárbaro! O frio
e as longas chuvas sobre os beirais.
Começo a olhar-me, como em espelho,
nos meus recuerdos... Olho e sorrio
como sorriram meus ancestrais.

Sei que vens vindo... Não me amedrontas!
Fiz provisões de sábias quietudes
e de silêncios - que prevenido!

Vão-se-me os olhos nas folhas tontas
como simbólicos ataúdes
rolando ao nada do teu olvido.

Aqui me encontras... Nunca deserto
do uivo dos ventos e das matilhas
de angústias vindo sem parcimônias.
Chega ao meu rancho que estou desperto:
- sou veterano de cem vigílias,
sou tapejara de mil insônias.

Aqui estarei... Na erma hora morta,
junto da lâmpada, com que sonho,
não temo estilhas de funda ou arco.
Tuas maretas de porta em porta,
os teus furores de trom medonho
não trazem pânico ao bravo barco.

Na caravela ou sobre a alvadia
terra do pampa - cerros e ondas
meu tino e rumo não mudarão.
No alto da torre que o mar vigia,
ou, sem querência, por longas rondas,
não me estrangulas de solidão.

Tua estratégia de assalto e espera
conheço-a muito, fina e feroz:
de neve matas; matas de mágoa;
derramas nalma um frio de tapera;
nanas ausências a meia voz
e os olhos turvos de rasos d'água.

Comigo, nunca... Se estou blindado!
Resisto assédios, que bem conduzes,
no legendário fortim roqueiro.
Brama as tuas fúrias de alucinado!
- Fico mais calmo que as velhas cruzes
braços abertos para o pampeiro.

Os meus fantasmas bem sei que animas
para, num pranto de vãs memórias,
virem num coro de procissão
trazer-me o embalo de velhas rimas.
- À intimidade dessas histórias
tenho aço e bronze no coração.

Então soluças pelas janelas,
gemes e imprecas pelos oitões,
galopas louco sobre as rajadas,
possesso, ululas entre procelas.
E ébrio, nas noites destes rincões
lampejas brilhos de punhaladas.

Inútil tudo! Vê que estou firme.
Nenhum receio me turba o aspeto,
nenhuma sombra me nubla o olhar.
Contigo sempre conto medir-me
frio, impassível, bravo e correto
como um guerreiro que ia a ultramar.

Reconciliemo-nos, velho Inverno!
Nem és tão rude! Tão frio não sou...
Venha um abraço muito fraterno.
Olha...
Esta lágrima que rolou
não a repares...
É de homenagem
a alguém que aos céus se fez de viagem,
e nunca... nunca! Nunca mais voltou...

Poema de: Aureliano de Figueiredo Pinto
Foto: Markinho


quinta-feira, 20 de junho de 2019

E ASSIM VAMOS LEVANDO...



 


O Inverno tem início no dia 21 de junho de 2019 às 12h54 e termina em 23 de setembro de 2019, com o equinócio da primavera.
No Hemisfério Sul o inverno caracteriza-se pelas temperaturas baixas, dias mais curtos e noites mais longas.
As regiões sudeste e sul do país são as mais marcadas pelas características típicas do inverno, sendo que no restante do Brasil as temperaturas são mais equilibradas, com pouca variação térmica.
Solstício de Inverno
O começo do inverno é marcado pelo evento astronômico conhecido por Solstício de Inverno, ou seja, o período em que o Hemisfério Norte está mais inclinado para o Sol.
O solstício de inverno é chamado de solstício de verão no Hemisfério Norte, marcando o começo da estação mais quente do ano nos países que ficam acima da linha do equador.
Equinócio de Setembro: fim do inverno no Brasil
O fim do inverno é também marcado por outro fenômeno astronômico: o equinócio de setembro, período quando o Sol incide com maior intensidade nas regiões próximas à linha do Equador. No Brasil e em todo o hemisfério Sul, o equinócio acontece em 23 de setembro de 2019, marcando o fim do inverno e começo da primavera.
No equinócio, o dia tem a mesma duração no hemisfério Norte e no hemisfério Sul.
 
 
 

quarta-feira, 19 de junho de 2019

VENCEDORES DA 27ª SAPECADA DE LAGES




Primeiro Lugar: CINCO E MEIA DA MANHÃ (foto)
Gênero: Milonga
Letra: Edilberto Teixeira
Melodia: André Teixeira
Interpretação: André Teixeira 

Segundo Lugar: RASTROS DO TEMPO SOBRE O CHÃO DA ALMA 
Gênero: Milonga
Letra: Eron Vaz Mattos
Melodia: Cristian Camargo
Interpretação: Joca Martins 

Terceiro Lugar: O PRINCÍPIO E O FIM
Gênero: Milonga
Letra: Sérgio Carvalho Pereira
Melodia: Marcelo Oliveira
Interpretação: Marcelo Oliveira 

Melhor Intérprete:  MARCELO OLIVEIRA - O Princípio e o Fim 

Melhor Instrumentista:  EVERSON MARÉ – Violão - Cercadito 

Melhor Letra: RASTROS DO TEMPO SOBRE O CHÃO DA ALMA -  Eron Vaz Mattos 

Melhor Melodia: O PRINCÍPIO E O FIM - Marcelo Oliveira 

Melhor Arranjo: CINCO E MEIA DA MANHà

Melhor Conjunto Vocal: CINCO E MEIA DA MANHÃ
Interpretação: André Teixeira e grupo 

Mais Popular:  A ZAMBA QUE FIZ PRA TI
Gênero: Zamba
Letra: Rogério Villagran
Melodia: Kiko Goulart
Interpretação: Quarteto Coração de Potro 

Tema Sobre Região Serrana: TIRO, GRITO E BOLO FRITO
Gênero:  Rancheira
Letra: Isadora Martini/Sandoval Machado
Melodia: Sandoval Machado
Interpretação: Zetti Gaudéria  

Tema Campeiro:   PENACHO
Gênero: Chamarra
Letra: Felipe Bacchieri
Melodia: Fabiano Bacchieri
Interpretação: Fabiano Bacchieri
 
Fonte: Blog Ronda dos Festivais / Jairo Reis
 
 
 
 
 
 

AUGUSTE DE SAINT - HILAIRE NO RS


Resumo 46 - Viagem ao Rio Grande do Sul / Por: Jeandro Garcia 
Maio de 1821 - Auguste de Saint-Hilaire



Angustia pela viagem - Riqueza - Simplicidade - Generosidade - Investimentos

Saint Hilaire vive a angustia da espera pelo barco que iria lhe transportar a Porto Alegre, queixa-se todos os dias ao Capitão, tem medo de ser enganado, mas ele lhe garante que havendo o tenente-general dado a ordem para não partirem sem levá-lo, com certeza a qualquer a momento iriam avisá-lo, pois o carregamento do barco não pode demorar muito.
Seus soldados estão ansiosos por partir, com a venda dos cavalos não dão um passo para fora de casa a pé. Não tendo nada para fazer se aborrecem facilmente e ficam mal-humorados.
Tem dito que nesta capitania existem homens muito ricos, mas que em suas casas nem o mobiliário demonstra tal fortuna. O Major Filipe é um destes com quarenta mil cruzados de renda, porém um camponês francês com mil cruzados de renda vive mais confortável.
É no equipamento dos cavalos que ostentam maior luxo, estribos, testeira, freio e a retranca são feitos de prata, mas essa despesa não se renova seguidamente, consumindo pequena parte da renda.
Não se sabe direito o que se faz com estes rendimentos, geralmente mais se dilui do que é investido realmente. Boa parte vai para caridade, também é comum ajudarem amigos e parentes, algo mais raro em um europeu, pois este sempre está inquieto com a visão de futuro.
Os homens ricos possuem rebanhos, como se multiplicam facilmente, pouco ou quase nenhum cuidado tem com o trato destes animais. O comércio como exige controle e ideia de futuro, está nas mãos dos europeus, geralmente sem educação ou cultura alguma, mas levam vantagem sobre os americanos pois estão sempre pensando no futuro, isso faz com que gastem e guardem com parcimônia.
Quando estes homens chegaram de Portugal logo ao enriquecerem esqueceram de seu passado, se tornaram pedantes, daí o rancor com os europeus. Mas onde a colônia é espanhola, a mistura com índios provocou ainda mais um desdém que nem os portugueses conseguiram ter pelos brasileiros.