RETRATO DA SEMANA


Para quem começou este blog há 16 anos atrás com 40, 50, acessos diários, terminar o mês de junho com 99.429 acessos (somente no dia 01 já tivemos 10.040 visitas) só aumenta nossa responsabilidade. Continuamos peleando apenas pelo prazer de ser mais um guardião da cultura regional gaúcha.

quinta-feira, 23 de agosto de 2018

VIAGEM DE AUGUSTE SAINT-HILAIRE AO RS


Resumo 16 - Viagem ao Rio Grande do Sul - Por: Jeandro Garcia
Janeiro de 1821 - Auguste de Saint-Hilaire
Charruas - Minuanos - Guaranis - Estancieiros



O alferes lhe conta sobre os índios charruas e minuanos, que no passado se uniram e depois foram divididos em pequenos grupos, passando por diversos chefes e pouco lhes sendo obedientes. Quando descontentes passam para outro grupo.
 
As tropas reunidas aqui são em torno de 100 paulistas da legião do regimento dos Dragões do Rio Grande e das milícias do Rio Pardo. Todos muito descontentes, pois há 30 meses não recebem soldo.

Durante o governo Artigas para sofrer qualquer vexame bastava possuir bens ou ser denunciado por ser do partido oposto, especialmente próximo a Montevidéu. Muitos proprietários foram mortos ficando apenas peões, mestiços, homens sem princípios, moral ou caráter. Com a tomada dos portugueses os proprietários tem até dois meses para reivindicar, pois muitos militares, com o atraso do soldo, montam estâncias com o gado selvagem que encontram, afim de se manterem.

Chegando ao Campo de Belém, ao redor muitas choupanas de índios, vindos de outros lugares, remanescentes das aldeias jesuítas. Com a maior parte dos homens mortos nas guerras mulheres e crianças refugiam-se com os portugueses. Entre os que estão aqui os homens alugam-se como peões, crianças como ajudantes de oficiais e as mulheres se prostituem. Nenhum índio possui alguma coisa, embora os homens sejam razoavelmente bem vestidos e as mulheres melhores ainda, mas as crianças aoenas com trapos, quase nuas. Domingo as mulheres vestem indumentária índia.
 
A diferença dos guaranis para outros índios é a sua humildade, prestimosidade e obediência, sendo muito estimados como peões e crianças sempre dispostas a cumprir o que lhes pede. Há uma guarnição formada por lanceiros guaranis, muito elogiados por serem dóceis, pacientes e suportarem todas as privações.
 
As mulheres guaranis não se entregam por libertinagem, talvez uma consequência desse espirito de servilismo. Aqui a maior parte dos milicianos tem uma índia, que são úteis pois sabem lavar e costurar. A parte ruim serão os filhos nascidos que serão abandonados pelo pai, vivendo assim como gaúchos espanhóis, degenerando a raça branca na Capitania do Rio Grande.