"TEU PRESTÍGIO É PROPORCIONAL A TUA CONDUTA"

Léo Ribeiro

RETRATO DA SEMANA

RETRATO DA SEMANA
MISSÃO: Buscar com isenção a veracidade histórica para não retransmitir tanta bobagem como as escritas por Eduardo Bueno, o Peninha, na ZH de 21 de setembro.

COMEÇANDO A LIDA BLOGUEIRA COM:

quinta-feira, 12 de abril de 2018

PRA QUE NÃO MORRA O BUGIO


Singela homenagem a dois ídolos:
O gaiteiro e cantador: GONZAGA DOS REIS
O Poeta e escritor: LÉO RIBEIRO DE SOUZA

William Hengen - Gaiteiro de Os Serranos (vídeo acima)

 
Num momento tenebroso pelo qual atravessamos onde a bipolaridade, o ranço e a intolerância são parceiros de nosso dia-a-dia, o grande gaiteiro do conjunto Os Serranos, William Hengen resgata e nos homenageia com música através deste bugio velho que eu nem me lembrava mais (lá se vão mais de 20 anos de sua gravação). Contudo, me parece que o tema é bem atual pois a preservação do bugio (primata e ritmo) ainda depende muito de gaiteiros como o Gonzaga dos Reis e do William Hengen, de uns metidos que rabiscam umas letras como eu e de pessoas preocupadas com a extinção do bicho que morre de fome pelos descampados rio-grandenses e ainda são "acusados" de transmitir doenças.
 
Mil gracias, meu amigo velho William Hengen. A musicalidade sulina também não perecerá jamais enquanto houver jovens de talento iguais a ti.  

 
SOU O BUGIO
(Letra: Léo Ribeiro - Música: Gonzaga dos Reis) 

Quando faltava um hino forte pra esse chão
e as melodias eram só charachachá
brotei dos dedos do Seu Virgílio Leitão
nas cantorias das budegas do Juá.  

Nas pontessuelas dos cantores do meu pago
saí do mato monarqueando pela serra
voz de algodão quando se fala de afagos,
sons de trovão se é retoço que me espera. 

Sou bugio velho, capataz desse surungo
Venta rasgada com coceira nas virilhas
Meio à cabresto, mesmo assim ganhei o mundo
Mas tô de volta pra roncar nestas coxilhas. 

Na resistência peleando de mão aberta
fui contra-mestre das cantigas redomonas,
trançando rimas no galpão, se a chuva aperta,
dando "ôh de casa" no rufar de uma cordeona. 

De pago em pago lá se vai meu berro grosso
dando alegria pra quem tá meio na mão
e a gauchada chincha o lenço no pescoço
quando meu ronco aparece num bailão.