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Léo Ribeiro

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quarta-feira, 10 de janeiro de 2018

BAIANO CANDINHO


Poesia de Léo Ribeiro que faz parte do livro
São Francisco Centenário
 
uma das poucas imagens de Baiano Candinho 

O causo que ora relato
escrito assim como está,
é história com "H",
como três mais três são seis.
Fala de quem fez as leis
pela força de seu braço.
Me guiou Fernandes Bastos
com o seu Noite de Reis.

É um livro, é uma obra,
que refaz a rude trilha
ao chegar nas Três Forquilhas
desertando de uma guerra
de uns tauras, cinco qüeras,
vagando sem mãe, sem pai,
que vinham do Paraguai
de volta pra sua terra.

Eram recrutas baianos,
nordestinos, coisa e tal,
brasileiros afinal
já que a nação é só uma.
Se perderam nesta bruma
de andar no mundo sem nada
e saíram da estrada
que os levaria a Laguna.

Martinho Pereira dos Santos
era um dos desgarrados
e seu nome de soldado
era Cândido Silveira.
Este foi a sementeira
dos fatos que agora alinho
vulgo Baiano Candinho
de estirpe bochincheira.

Se entreveraram, estes cinco,
num reduto de "lemão",
um povoado em formação,
germânicos de sangue puro.
Também tinha uns "pelo-duro"
que não valiam um trocado.
Viviam roubando gado
pra garantir o futuro.

A convivência é que dita
os rumos pra quem não tem.
No início, tudo bem,
ergueram taipa em Contendas,
foram peões de fazenda,
rondaram tropa ao relento,
mas não durou muito tempo
pra virar balcão de venda.

O Candinho era o mais guapo,
mais ligeiro, mais valente,
por isso, seguidamente,
era acusado em vão.
Era o motivo, a razão,
de tudo quanto era estouro
as vezes livrava o couro,
outras o couro do irmão.

Começa um tempo de mortes,
de tocais, correrias,
a pacata Três Forquilhas
vira terra de ninguém.
No altar da serra também
(e por todo o Josaphat)
eles mandavam por lá
e todos dizendo amém.

O Candinho era disposto
mas índio bom e parceiro
Fazia tafonas, taipeiro,
sempre em trabalho pesado.
Por patrões foi explorado,
acusado de ladrão,
por ser chefe de Esquadrão,
era seguido e rondado.

Viu os filhos na miséria,
o irmão assassinado,
na sua honra foi tocado
ao bolirem com a família.
Uma serranada caudilha
pintava e bordava os panos
então, após alguns anos,
ele volta à Três Forquilhas.

Juntou-se com a velha turma
em negociatas, ligeiros,
repontando gado alheio,
levando tudo por diante,
tiroteando com volantes
que vinham rumo da serra.
O que aprendeu pela guerra
Candinho usou neste instante.

Seu nome ficou famoso,
nas bodegas comentado,
era o vilão do Estado,
protetor de "coronéis",
Vinham gente dos quarteis
pra mode manda-lo a pique,
ele, o enteado Henrique,
e mais uns oito fiéis.

Nas costas do Rio Carvalho,
Itati, nas bananeiras,
o Candinho fez zoeira
palmeando um facão três-listras.
Foi chefe federalista,
maragato com afinco,
patrão do Bando do Pinto
pra ninguém baixou a crista.

Mil oitocentos e noventa e oito.
Noite de Reis, cantorias,
por aquela fregueisa
vinha o Terno em canto fino
a saudar o Deus Menino
num versejar que conforta.
o Candinho abriu a porta
e topou com seu destino.

Foi morto pelos cantores
numa certeira emboscada.
Hoje a lenda está formada:
- Foi herói ou ladrãozinho?
Descendentes dos vizinhos
dizem que tudo é verdade
e cresce a curiosidade
sobre o BAIANO CANDINHO.