cemitério de campanha entre o Cerrito e a Várzea São João
em São Francisco de Paula
Ontem, dia de finados, postamos uma poesia de Jayme Caetano Braun intitulada Cemitério de Campanha. Incrivelmente muitas pessoas nunca visitaram ou nem sabiam da existência deste termo (cemitério de campanha).
Em minha região serrana os cemitérios de campanha eram tão comuns que viraram uma característica. Resquícios de idos tempos quando o transporte, o deslocamento, o convívio entre pessoas e povoados eram difíceis em face das grandes distâncias e os entes enterravam seus mortos pertos das casas, das fazendas. Os velórios eram realizados nos próprios ranchos. As encomendações não tinham vigários ou sacerdotes. Os terços eram cantados e era comum a participação de carpideiras (mulheres pagas para chorar). O luto era respeitado e um lenço, uma faixa no braço, uma roupa escura, indicava que aquela pessoa perdeu algum familiar.
Tudo isto são memórias de um tempo que não existe mais, mas os cemitérios de campanha ainda estão por lá, impávidos, esquecidos, solitários, guardando a ossamenta de gente que fez história, que foi importante para outro alguém.
