Simples.
Porque a poesia precisa de
público seleto. Precisa de almas sensíveis e que alcancem além do que os olhos
veem.
Em resumo.
A poesia precisa de um púbico que
goste de poesia.
Por isso, dias atrás, fiz esta
referência. Jamais alguém vai me ver recitando algum verso em local impróprio.
Dentre crianças correndo e homens oitavados no balcão dando gritos com o
bolicheiro.
A poesia é uma arte sublime e
precisa de gente sublime que a ouça.
Junto da poesia vem o murmúrio do vento
nas ramagens, o coachar das rãs nos banhadais, o canto dos grilos, o silêncio
da noite longa. Na poesia, se escutarmos bem, ouviremos o clamor dos
esquecidos, o grito dos injustiçados, o retrechar das águas contra as pedras
dos rios.
Se a cada recital poético tivermos
que pedir silêncio ao público, algo está errado.
Por isso a poesia não atrai
público. Não tem gaitaços, não hay danças, não tem trago e fanfarronadas. Ele (o público da poesia) está fora do alcance do que o vaneirão possa oferecer.