RETRATO DA SEMANA

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quinta-feira, 6 de julho de 2017

O SOM QUE O MEU RÁDIO TOCA



 O SOM QUE O MEU RÁDIO TOCA
 Léo Ribeiro

Quem me olha assim pilchado,
chapéu no estilo serrano,
pensa que este paisano
é um gaúcho bitolado.
Que o meu limite é o Estado
e a cantiga galponeira
é a divisa musiqueira
pois não conheço outro mundo,
que o grande Pedro Raimundo
demarca a minha fronteira.

Mas a canção com mensagem
não importa de onde for,
nem seu credo, nem sua cor,
tem lugar na minha bagagem.
Gosto dos temas, imagens,    
que sirvam pra qualquer tempo,
da letra de fundamento
que diz tudo em poucas linhas,
do Cazuza, Gonzaguinha
ou do Milton Nascimento.

Escuto Moraes Moreira,
Chico, Gil e Caetano,
Gal Costa, Novos Baianos,
samba descendo a ladeira.
E a toada brasileira
que brota lá do sertão?
Frevo, forró e baião,
na sanfona nordestina!?
Asa Branca, obra prima
do saudoso Gonzagão!

Adoro o mundo caboclo,
moda-de-viola ponteada,
Pedro Bento e Zé da Estrada,
e o Tonico e Tinoco
tudo isto e mais um pouco
do canto-chão vive em mim.
Das palhoças de capim
o Jararaca e Ratinho,
Tião Carreiro e Pardinho,
a Inezita e o Boldrin.

Que me chamem de atrasado,
pois, de fato, sou de antes,
e adorava os Mutantes,
e os Secos & Molhados.
Também são do meu agrado
outros tantos por aí.
Marley, Lennon, ACDC, 
Dylan, Sinatra e sua voz
Stones, Nenhum de Nós,
e o Noel Guarany.

Eu gosto do blues ao tango
de uma orquestra ao Kiss
do Teixeirinha à Elis
de um sarau ao fandango.
Só não ouço e até me zango
(mas respeito quem estima)
quando me vêm com estas "rimas"
funk, rap, coisa e tal...
Aí viro num bagual
e ataco de Mano Lima.