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terça-feira, 11 de abril de 2017

DE CHORAR DE PENA (OU DE RAIVA)


FECHA UM MUSEU, ABRE UM BRECHÓ
 
Por: Paulo Germano - Zero Hora - segunda feira - 10 abril

Entrada do Museu Julio de Castilhos exibe manequim de loja
e faixa de plástico onde se lê "Brechó do Julio" 
          Foto: Carlos Macedo / Agência RBS
 
Único museu público sobre a história do Rio Grande do Sul, o Julio de Castilhos se afirma como símbolo de decadência do patrimônio cultural gaúcho. Está fechado desde janeiro – e você talvez nem tenha notado, o que já é sintomático.
 
Sem manutenção preventiva, tratado com desleixo por sucessivos governos, o museu mais antigo do Estado acabou interditado porque qualquer chuva inundava tudo. Virou um elefante branco combalido por paredes descascadas, piso escangalhado, infiltrações e problemas elétricos.
 
A entrada exibe hoje um manequim de loja e uma faixa de plástico onde se lê "Brechó do Julio". Quem teve a ideia da lojinha foi a Associação dos amigos do Museu, que conta com 11 sócios bem intencionados atrás de recursos para trocar lâmpada, coisa que o Estado não faz. 
 
- O brechó é uma forma de combater um descaso crônico e muito antigo - justifica o presidente da associação, Thiago Araújo.
 
Membro do Conselho Internacional de Museus, o professor de escultura José Francisco Alves, do Atelier Livre, diz que o anúncio do brechó na entrada "é patético mas também profético".
 
- O Julio de Castilhos sempre pareceu um brechó. Tinha roupas com traças, aquelas espadas caindo na vitrine, tudo malcuidado. No fim é o que Porto Alegre tem para oferecer na área cultural: um brechó.
 
José Francisco lembra que o museu Hipólito José da Costa também foi interditado. O Museu Antropológico, que mostraria as origens do gaúcho, segue com o acervo encaixotado. O Museu dos Direitos Humanos do Mercosul foi inaugurado em 2014 e depois sumiu. O Memorial do Rio Grande do Sul é outro que sofre com abandono.
 
Sobre o Museu Julio de Castilhos a Secretaria de Estado da Cultura prevê sua reabertura até a metade de abril. Por enquanto, nos resta uma visita ao Brechó do Julio.
 
Nota do Blog: 
 
O título da postagem "de chorar de pena (ou de raiva)" é nosso mas reflete o sentimento de tristeza de todos pelo abandono cultural de nosso Estado. 
 
Quando um grupo de amigos tem que abrir um brechó para comprar lâmpadas para um local quase sagrado para nós gaúchos, pois ali mora a nossa história, a vontade é mesmo de chorar. Resta saber se de pena ou de raiva. 
 
E depois achamos que somos um Estado cultural, preservador de seus costumes, mantenedor de tradições... Somos, isto sim, um povo complacente ante a inércia dos governantes.
 
"Sirvam nossas façanhas...."