RETRATO DA SEMANA

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domingo, 25 de dezembro de 2016

O NATAL NA VISÃO DO PAJADOR



NATAL GALPONEIRO
(Jayme Caetano Braun)


A cuia do chimarrão,
é o cálice do ritual,
e o galpão é a Catedral
maior da terra pampeana,
que de luzes se engalana,
para esperar o NATAL.

A cuia aquece na palma
da mão da indiada campeira,
dentro da sua maneira,
rezando e chairando a alma,
para recuperar a calma,
que fugiu do mundo inteiro.
Enquanto o estrelão viajeiro,
já vem rasgando caminho,
para anunciar o "Piazinho",
a Virgem e o Carpinteiro.

Em nome do Pai, do Filho
e do Espírito Santo,
é o chimarrão que levanto,
e o vento faz estribilho,
a prece do andarilho,
ao Piazito Salvador,
filho de Nosso Senhor,
do Espírito e do Pai,
de volta a terra aonde vai,
falar de novo em amor!

Tem sido assim - dois mil anos,
ninguém sabe - mais ou menos,
vem conviver com os pequenos,
de todos os meridianos,
e repetir aos humanos,
as preces de bem querer.
Quem sabe até - pode ser,
que um dia seja atendido,
e o mundo velho perdido,
encontre paz para viver.

Ele sabe da apertura,
em que vive o pobrerio,
a fome - a miséria - o frio,
porque passa a criatura,
mas que - inda restam - ternura,
amizade e esperança,
é que pode, a cada andança,
mesmo nos ranchos sem pão,
aliviar o coração,
num sorriso de criança!

Pra mim - que ouvi na missões,
causos de campo e rodeio,
do "Negro do Pastoreio",
cruzando pelos rincões,
das lendas de assombrações,
e cobras queimando luz.
Foste - Menino Jesus,
o meu sinuelo de fé,
juntando ao índio Sepé,
o Nazareno da Cruz!

E a Santa Virgem Maria,
madrinha dos que não tem,
fez parte - sempre - também,
da minha filosofia,
eu que fiz de Sacristia,
os ranchos de chão batido,
e que hoje - encanecido,
sou sempre o mesmo guri,
a bendizer por aí,
o pago que fui parido!

E o Nazareno que vem,
das bandas de Nazaré,
chasque divino da fé,
rastreando a luz de Belém,
ele que vai morrer também,
pra cumprir as profecias.
É Natal - nasce o MESSIAS,
salve o Menino Jesus!
mas o que fogem da luz,
o matam todos os dias.

Presentes - "Papais Noéis",
um ano esperando um dia,
quando a grande maioria,
sofre destinos cruéis.
O amor pesado a "mil-réis",
e mortos vivos que andam,
instituições que desandam,
porque esqueceram JESUS,
o que precisa, é mais luz,
no coração dos que mandam!

Que os anjos digam amém,
para completar a prece,
do gaúcho que conhece,
as manhas que o tigre tem.
Não jogo nenhum vintém,
mesmo sendo carpeteiro,
mas rezo um Te-Déum campeiro,
nessa Catedral selvagem,
pra que faça Boa Viagem,
o enteado do Carpinteiro!