RETRATO DA SEMANA

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quinta-feira, 1 de dezembro de 2016

IRMANADOS NA DOR


 
Meu pai morreu no dia 04 de maio de 1994, ou seja, três dias após a morte de Ayrton Senna. No hospital, não esqueço uma frase que ele disse enquanto olhávamos a notícia da morte do piloto. - É ligeiro este Ayrton. Vai chegar no céu antes de mim.
 
Naturalmente que o Brasil e o mundo tinham seus olhos voltados para o grande ídolo nacional. Ninguém, além de nós e seus amigos, sabia quem era Bernardino Souza. Mas nem por isso fiquei magoado com o mundo, ou com Deus, pelo ostracismo da perda de meu Pai. Eu tinha a minha dor e isto me bastava.
 
Agora escuto e leio estarrecido pessoas comparando tragédias (nem estou falando do boçal Fernando Carvalho) e do absurdo que chegam alguns ao dizer que a grande mídia esta se "lavando" em cima do acidente da Chapecoense; outros dizem que há muitos morrendo de fome e que ninguém dá tamanha atenção; ou que no trânsito ou na violência urbana morrem mais do que na queda do avião. Cheguei ao ponto de ler que: "Não sei porque tanta consternação. Não foi com gente do Rio Grande do Sul". Como se o fator geográfico fosse mais importante que vidas humanas.
 
Numa hora destas devemos nos irmanar na dor. Agruras existem no mundo todo, a toda hora, mas este é o momento destes familiares. Quem pensar diferente que, ao menos, se dê ao respeito.