RETRATO DA SEMANA

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domingo, 27 de novembro de 2016

QUANDO EU PARTIR


 
QUANDO EU PARTIR

belo poema do vate Flávio Ernani Barbizan 
 
Quando eu partir, e Deus queira que demore,
gostaria que fosse deste jeito:
Me cuidando, uma china que me adore,
sentada nos pelegos do meu leito.
 
Quando chegar á hora (e vai chegar),
queria o cusco me lambendo os pés.
Dos amigos que tive então vou me lembrar,
nem sei se foram cinco, oito, nove ou dez.
 
Pediria que eu fosse em ano par,
tenho cisma de um, de três, de sete,
e para que poucos viessem me amolar,
queria que chovesse canivete.
 
Gostaria de partir devagarito,
no embalo de cantigas de galpão.
Bem melhor se estivesse até solito,
lavando a alma num derradeiro chimarrão.
 
Pode até que uma lágrima apareça,
sozinha, pequena, assim num repente,
duvido muito, mas vamos que aconteça,
vou mentir, dizer que o mate estava quente.
 
Quando eu partir e talvez isto nem demore,
duas coisas eu quero em meu respeito:
fui feliz, peço então que ninguém chore,
e a bandeira do Rio Grande no meu peito.