RETRATO DA SEMANA

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quinta-feira, 14 de julho de 2016

A MÚSICA GAÚCHA SUFOCADA




                   “A gaita matou a viola,
o fósforo matou o isqueiro,
a bombacha o chiripá
e a moda o uso campeiro.”
 
Esta é uma antiga modinha muito tradicional e que retrata a evolução da coisas aqui pelo Rio Grande do Sul. Hoje em dia eu acrescentaria  a esta trova crioula que: - a internet matou (ou pelo menos está sufocando) o comércio musical rio-grandense.  
 
Quero deixar claro que esta postagem é só uma breve manifestação de opinião pois o tema merece uma pesquisa, um debate e até mesmo um seminário com partes interesssadas.
 
Hoje em dia ninguém compra mais discos!
 
Tenho lá em meu galpão Aconchego dos Gaudérios, em São Francisco de Paula, mais de 300 LPs, os antigos "bolachões", que vão do saudoso Pedro Raymundo até chegarmos a então "novidade" dos CDs. Estes (CDs) tenho comigo em Porto Alegre. Estes dias comecei a contar e parei nos 500. Devo ter em torno de 600. Só que nos últimos dois anos não devo ter comprado mais do que 20. E porque isto? A qualidade musical caiu? Não. Simplesmente porque a dificuldade de adquirir o produto aumentou e a oferta diminuiu (não me incluo entre os que substituíram o CD pelo tal de download até porque sou meio tanso para isso).
 
Com o advento da internet as pessoas pararam de comprar. Sem o consumidor as lojas especializadas fecharam. Sem as lojas especializadas as gravadoras diminuíram seu fluxo. Com este fluxo menor os preços aumentaram e poucos (heróicos) artistas ainda gravam seus trabalhos.
 
Para adquirir estes trabalhos em CD eu tenho que me cadastrar no site da gravadora, fornecer código de cartão, pagar quase o mesmo preço da obra pelo transporte... enquanto que a internet oferece tudo, de graça.
 
Aí é que entra uma peleia que estamos acompanhando pelo facebook. É válido um artista ter sua obra divulgada e isto lhe trazer promoção pessoal mas não lhe ofertar nada em troca (monetariamente falando)?
 
A verdade é que, por culpa deste processo, nos últimos dez anos (ou mais) pouco tivemos de novidades no campo musical gauchesco. Poucas caras novas, trabalhos minguando, festivais morrendo, conjuntos tocando a troco de portaria.... 
 
Mas, como disse, isto é uma discussão para sentarmos ao redor de um fogo de chão, passando uma cuia de mão em mão e termos uma noção de onde a nossa musicalidade vai chegar.
 
Mas que é preocupante, ah, isto é, pois parece não haver luz no fim do túnel e nem um movimento organizado por parte das pessoas envolvidas. É meio cada um por si!