RETRATO DA SEMANA

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domingo, 19 de junho de 2016

REPONTANDO DATAS / 19 JUNHO


COMBATE DA PONTE DO RIO IBIRAPUITÃ
 
 

No Inverno de junho 1923, ocorreu um dos principais conflitos da Revolução de 23, o combate na ponte do rio Ibirapuitã na cidade de Alegrete. De um lado os Maragatos comandados pelo General Honório Lemes, o Leão do Caverá; a frente do 2º Corpo do Exército Libertador tendo a seu comando entre outros, Batista Luzardo, o ultimo Caudilho e os irmãos Timbauvas, que criaram fama pela sua coragem. De outro lado os Chimangos comandados pelo então Coronel Flores da Cunha, a frente da “Brigada do Oeste”, entre seus subordinados estavam Nepobuceno Saraiva, filho de Aparício Saraiva, o qual havia sido contratado com a sua tropa constituída de Uruguaios pelo governo de Borges de Medeiros para reforçar as tropas chimangas, o alegretense Tenente-coronel Osvaldo Aranha, os santanenses, Coronéis Sinhô Cunha e Pequeno Pedroso, assim como vários outros santanenses, civis e componentes do 2º de Cavalaria da Brigada Militar. Após vários combates, entreveros e chamuscadas, entre as tropas governistas e revoltosas, num inverno muito frio e chuvoso, as tropas de Honório Lemes, chegam a Alegrete, em 18 de junho, onde são recebidos pelo comandante da 2ª Divisão de Cavalaria do Exército Brasileiro, o qual mostra as áreas neutras em caso de conflitos. Os seus oficiais são recebidos com festas, bailes e jantares pela comunidade alegretense declarada de maioria maragata, ficando a sua tropa acampada no Capão do Angico. Durante a noite o General Honório Lemes recebe um chasque informando sobre a aproximação em marcha forçada das tropas do Coronel Flores da Cunha de imediato mandou reunir suas tropas no acampamento. Durante a discussão do emprego da tática a ser empregada, foi proposto a destruição da ponte, o que não foi aceito pelo General Honório Lemes que queria inicialmente apenas atrair as forças governistas para a Serra do Caverá, onde era profundo conhecedor do terreno, devido a sua vasta experiência como tropeiro naquela região, resolveu então colocar na vanguarda uma força simbólica comandada pelos irmãos Timbauvas, na entrada da cidade. 


De um outro lado, o Coronel Flores da Cunha, após combater na Picada do Aipo, em campo Osório na cidade de Santana do livramento, onde utilizou pela 1ª vez o emprego de metralhadoras da Brigada Militar, desloca-se com a Brigada do Oeste para a cidade de Quarai e em seguida para Alegrete para a Coxilha do Combate, enviando a sua vanguarda para a cidade a comando de Nepobuceno Saraiva, para ocuparem a mesma, porém acabaram tiroteando próximo ao cemitério com a vanguarda da tropa do General Honório Lemes. Ao chegar na cidade o Coronel Flores da Cunha foi de encontro ao Comandante da 2ª Divisão de Cavalaria do Exército Brasileiro, onde foi orientado a respeito das áreas neutras. Na seqüência foi direto a várzea verde, ficando a 700 metros da ponte. Em 19 de junho inicia o combate, a vanguarda do General Honório Lemes, que estava próximo ao cemitério tentou retardar a vanguarda de Coronel Flores da Cunha, tiroteando com a mesma, durante a fuga atraíram para a ponte a vanguarda chimanga, atravessaram a ponte e juntaram-se ao grosso da tropa maragata. Logo em seguida, Flores mandou uma seção de metralhadoras do 2ª R C da Brigada Militar fazer fogo sobre o inimigo, o qual estende praticamente toda sua força do outro lado da ponte, tornado quase impossível a sua travessia. Restando ao Coronel Flores da Cunha, apenas a realização de cargas de lanças, tenta pela 1a vez, arrancando sua espada e bradando “os que tiverem vergonha na cara que me acompanhem!”, foi em direção ao inimigo, levando consigo alguns valorosos componentes de sua Brigada, porém o máximo que conseguiu foi aproximar-se um pouco mais da ponte. Logo após o Major Guilherme Flores da Cunha, irmão de Flores, junto com o Capitão santanense, Luiz Rubim, e mais alguns realizam uma carga sobre a ponte, sendo que apenas 5, conseguiram passar, logo após foi ferido o capitão Rubim e ferido mortalmente o Major Guilherme, nesta batalha pelo lado governista foram baleados o próprio Coronel Flores da Cunha e o Tenente-Coronel Osvaldo Aranha, do lado dos maragatos Teco Timbauva e o Ten-cel Mauricio Abreu representaram as grandes perdas. Ainda como a ultima tentativa General Honório Lemes tentou uma carga a lança seca. Porém o desgaste de sua tropa o levou o a realizar uma retirada em direção a Serra do Caverá. Nesta batalha foram empregados uma media de 1.500 homens por Exército, mas a logística superior das tropas governista, foi decisiva. Logo após o combate continuou a perseguição dos chimangos do Coronel Flores da Cunha aos desgastados maragatos do General Honório Lemes.
 
Paulo Mena - Pesquisador