RETRATO DA SEMANA

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quinta-feira, 4 de fevereiro de 2016

MAL COMPARANDO...


"PODE COMPARAR! NÃO TEM CARNAVAL IGUAL AO DO BRASIL" Com esta frase, ilustrada pelo vídeo acima, a Rede Globo de televisão inicia suas chamadas para o carnaval 2016.
 
Não sou publicitário mas sinto quando uma coisa soa mal aos meus ouvidos e confunde as vistas. Acho que foi tiro no pé.
 
Se comparassem com outras festas similares em outros cantos do planeta, como por exemplo o carnaval de máscaras de Veneza, o mais antigo do mundo, tudo bem, mas tecer comparações com gente de outros países TRABALHANDO?... Tenho minhas dúvidas...
 
Botar o bloco na rua, no Chile, é pessoas fazendo calçamento; Harmonia nota 10, no Japão, é uma fábrica de automóveis toda automatizada; Carro Abre Alas, no Canadá, é um caminhão limpando a nevasca das ruas; Trio Elétrico, no México, mostra três operários trabalhando na rede de eletricidade.... E no Brasil a tradicional mulata seminua sambando. Diversão é diversão, trabalho é trabalho. Não tem como comparar até porque todos os países citados estão em situação econômica muito melhor do que a nossa.

Sempre gostei de carnaval. Quando moço fiz parte de blocos na legendária Sociedade Cruzeiro, em São Francisco de Paula. Hoje, gosto de olhar, pela televisão, os desfiles das escolas de samba. Contudo, esta propaganda me fez lembrar do poema O MEU PAÍS - que muitos pensam, erradamente, ser de autoria de João de Almeida Neto - dos autores Orlando Tejo, Gilvan Chaves e Livardo Alves.  
 
Um país que crianças elimina;
E não ouve o clamor dos esquecidos;
Onde nunca os humildes são ouvidos;
E uma elite sem Deus é que domina;
Que permite um estupro em cada esquina;
E a certeza da dúvida infeliz;
Onde quem tem razão passa a servis;
E maltratam o negro e a mulher;
Pode ser o país de quem quiser;
Mas não é, com certeza, o meu país.

Um país onde as leis são descartáveis;
Por ausência de códigos corretos;
Com noventa milhões de analfabetos;
E multidão maior de miseráveis;
Um país onde os homens confiáveis
não têm voz, não têm vez, nem diretriz;
Mas corruptos têm voz, têm vez, têm bis,
E o respaldo de um estímulo incomum;
Pode ser o país de qualquer um;
Mas não é, com certeza, o meu país.

Um país que os seus índios discrimina;
E a Ciência e a Arte não respeita;
Um país que ainda morre de maleita,
Por atraso geral da Medicina;
Um país onde a Escola não ensina;
E o hospital não dispõe de Raios X;
Onde o povo da vila só é feliz;
Quando tem água de chuva e luz de sol;
Pode ser o país do futebol;
Mas não é, com certeza, o meu país!

Um país que é doente; não se cura;
Quer ficar sempre no terceiro mundo;
Que do poço fatal chegou ao fundo;
Sem saber emergir da noite escura;
Um país que perdeu a compostura;
Atendendo a políticos sutis;
Que dividem o Brasil em mil brasis;
Para melhor assaltar, de ponta a ponta;
Pode ser um país de faz de conta;
Mas não é, com certeza, o meu país!

Um país que perdeu a identidade;
Sepultou o idioma Português;
Aprendeu a falar pornô e Inglês;
Aderindo à global vulgaridade;
Um país que não tem capacidade;
De saber o que pensa e o que diz;
E não sabe curar a cicatriz;
Desse povo tão bom que vive mal;
Pode ser o país do carnaval;
Mas não é, com certeza, o meu país!