RETRATO DA SEMANA

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segunda-feira, 25 de janeiro de 2016

MATE DO ESTRIBO



Muitos leitores do blog querem saber a origem desta música que postamos ontem no espaço COMEÇANDO A LIDA BLOGUEIRA. Pois bueno:

Meu grande amigo Adão Quevedo, homem que admiro como artista por seu talento e como pessoa por sua personalidade, pediu-me uma letra para o disco de seu conterrâneo de São Lourenço do Sul e grande intérprete nativista Pandiá Cardoso. O pedido do Adão é uma ordem, mas preocupou-me, por seu estilo primoroso, detalhista e perfeccionista em seus trabalhos. Comigo, a coisa já é mais aos encontros do cavalo.... 
 
Mas não podia deixar meu parceiro na mão e compus a letra Mate do Estribo. Resumo da história: Em meio a tantos compositores de renome como Paulinho Pires, Telmo de Lima Freitas, Simão Goldmann, Mário Barros, Elton Saldanha, Tito Made e o próprio Adão Quevedo, ou seja, dentre verdadeiros clássicos do regionalismo gaúcho a minha letra acabou no agrado dos produtores que, com a belíssima melodia do Adão Quevedo, a música acabou sendo escolhida para abrir o CD e emprestou nome ao disco. Eu, é claro, fiquei mais bobo do que já sou.

A bela obra será lançada em São Lourenço do Sul no início de março.  
 
A letra está abaixo e o vídeo aí em riba, já anda circulando pela internet com enorme sucesso.


MATE DO ESTRIBO
Letra: Léo Ribeiro
Música: Adão Quevedo
Interpretação: Pandiá Cardoso

Sorvo do estribo o último mate deste domingo
que foi bem lindo, de prosas brandas e sem alarde.
O sol se pondo, as carucacas vindo pras casas,
tropéis de asas sonorizando um fim de tarde.

O teu silêncio é quase um grito pra que eu não vá
e vem de lá da estrada longa rojões de ventos.
Tudo se aninha pra que eu apeie e solte o pingo.
porque um domingo pra tanto amor é pouco tempo.

Mate do estribo (mate do adeus) é o mais amargo,
em tragos largos eu vou sorvendo bem aos pouquinhos.
Tal qual a seiva que agora mata a minha sede
teus olhos verdes eu vou levar pelos caminhos.

Por estes dias só vou beber mates de espera,
pelas tigüeras, pelos varzedos, pelos galpões,
e um mate doce com a vó bugra, só por lembrança,
da minha infância que foi embora com as ilusões.

E quando a noite se vier pro rancho com seu negrume
tendo por lume um fogo grande que sobe a esmo
na solitude que me arrincona onde nasci
pensando em ti vou chimarrear comigo mesmo.  
Mates do estribo... já sorvi muitos por toda a vida
as despedidas andam comigo desde menino
porém agora que encontrei  a flor-do-campo
os seus encantos hão de mudar o meu destino.

Que passe logo esta semana cá nestes fundos
onde meu mundo não vai além deste horizonte
porque o domingo é o dia santo que me acalma
bebendo a água mais clara e pura de tua fonte.