RETRATO DA SEMANA


Para quem começou este blog há 16 anos atrás com 40, 50, acessos diários, terminar o mês de junho com 99.429 acessos (somente no dia 01 já tivemos 10.040 visitas) só aumenta nossa responsabilidade. Continuamos peleando apenas pelo prazer de ser mais um guardião da cultura regional gaúcha.

segunda-feira, 25 de janeiro de 2016

MATE DO ESTRIBO



Muitos leitores do blog querem saber a origem desta música que postamos ontem no espaço COMEÇANDO A LIDA BLOGUEIRA. Pois bueno:

Meu grande amigo Adão Quevedo, homem que admiro como artista por seu talento e como pessoa por sua personalidade, pediu-me uma letra para o disco de seu conterrâneo de São Lourenço do Sul e grande intérprete nativista Pandiá Cardoso. O pedido do Adão é uma ordem, mas preocupou-me, por seu estilo primoroso, detalhista e perfeccionista em seus trabalhos. Comigo, a coisa já é mais aos encontros do cavalo.... 
 
Mas não podia deixar meu parceiro na mão e compus a letra Mate do Estribo. Resumo da história: Em meio a tantos compositores de renome como Paulinho Pires, Telmo de Lima Freitas, Simão Goldmann, Mário Barros, Elton Saldanha, Tito Made e o próprio Adão Quevedo, ou seja, dentre verdadeiros clássicos do regionalismo gaúcho a minha letra acabou no agrado dos produtores que, com a belíssima melodia do Adão Quevedo, a música acabou sendo escolhida para abrir o CD e emprestou nome ao disco. Eu, é claro, fiquei mais bobo do que já sou.

A bela obra será lançada em São Lourenço do Sul no início de março.  
 
A letra está abaixo e o vídeo aí em riba, já anda circulando pela internet com enorme sucesso.


MATE DO ESTRIBO
Letra: Léo Ribeiro
Música: Adão Quevedo
Interpretação: Pandiá Cardoso

Sorvo do estribo o último mate deste domingo
que foi bem lindo, de prosas brandas e sem alarde.
O sol se pondo, as carucacas vindo pras casas,
tropéis de asas sonorizando um fim de tarde.

O teu silêncio é quase um grito pra que eu não vá
e vem de lá da estrada longa rojões de ventos.
Tudo se aninha pra que eu apeie e solte o pingo.
porque um domingo pra tanto amor é pouco tempo.

Mate do estribo (mate do adeus) é o mais amargo,
em tragos largos eu vou sorvendo bem aos pouquinhos.
Tal qual a seiva que agora mata a minha sede
teus olhos verdes eu vou levar pelos caminhos.

Por estes dias só vou beber mates de espera,
pelas tigüeras, pelos varzedos, pelos galpões,
e um mate doce com a vó bugra, só por lembrança,
da minha infância que foi embora com as ilusões.

E quando a noite se vier pro rancho com seu negrume
tendo por lume um fogo grande que sobe a esmo
na solitude que me arrincona onde nasci
pensando em ti vou chimarrear comigo mesmo.  
Mates do estribo... já sorvi muitos por toda a vida
as despedidas andam comigo desde menino
porém agora que encontrei  a flor-do-campo
os seus encantos hão de mudar o meu destino.

Que passe logo esta semana cá nestes fundos
onde meu mundo não vai além deste horizonte
porque o domingo é o dia santo que me acalma
bebendo a água mais clara e pura de tua fonte.