RETRATO DA SEMANA


Para quem começou este blog há 16 anos atrás com 40, 50, acessos diários, terminar o mês de junho com 99.429 acessos (somente no dia 01 já tivemos 10.040 visitas) só aumenta nossa responsabilidade. Continuamos peleando apenas pelo prazer de ser mais um guardião da cultura regional gaúcha.

terça-feira, 24 de novembro de 2015

EDITORIAL DO PRESIDENTE DO MTG


O Chefe é o responsável 

O chefe é o responsável. Esta é uma afirmação muito ouvida, sempre repetida, correta, me parece. Existe o chefe porque é necessário que alguém tenha a última palavra, que possa responder, que corporifique a instituição.

No MTG não é diferente do restante da sociedade. O responsável pelo que ocorre no CTG é o Patrão. Na Região é o Coordenador. No MTG é o Presidente. Em última análise é isso. De pouco ou de nada adianta mostrar que tal fato ou determinada falha não foi cometida pelo chefe. Pouco importa se foi a cozinheira que deixou o feijão queimar, se foi o capataz que não cumpriu o regulamento, se foi uma empresa contatada que errou a soma das planilhas. O responsável será o chefe.

Quem se dispõe a ser o primeiro da fila, o chefe, sabe que está sujeito a responder por coisas que ele não fez, mas que algum subordinado ou vinculado a ele fez. A chefia é para o bem e para o mal, para os elogios e para as críticas, para a fotografia e para o isolamento. Aliás, na escola da caserna se aprende que a função de comandante é solitária e que as decisões que ele adota repercutem e atingem a toda a corporação.

Claro que na cadeia de comando, há, normalmente, o exercício de chefias intermediárias e que cada chefe responde no seu nível de responsabilidade, mas sempre será o chefe maior o responsável. Em razão disso há, direta ou indiretamente, o deseja de que o chefe maior seja afastado. Aparentemente isso é injusto, mas esse conceito está cristalizado na sociedade e, portanto, deve ser entendido como uma coisa necessária para acalmar os ânimos, para purgar os “pecados”, para dar esperança e nova vida às instituições.

Neste último ENART, o de número trinta, comemorativo, ocorreu um erro que não podia ter ocorrido. Foi um fato que será lembrado por muito tempo. Foi um equivoco simplesmente lamentável e inadmissível para as condições tecnológicas modernas e investimentos que realizamos para contar com uma condição confiável e isenta de erros. Quem errou? Para a sociedade pouco importa. Para os tradicionalistas, também pouco importa. O que interessa? Houve um erro no ENART, o evento é de responsabilidade do MTG, e o presidente do MTG é o responsável. Simples assim. Pois assumo a responsabilidade. Assumo a culpa.

Não era essa a forma que eu tinha imaginado me despedir da direção do MTG. Não era isso que eu queria quando assumi pela sétima vez a chefia do Movimento. Não era isso que eu queria para a imagem do ENART. Não era por isso que eu queria ser lembrado.

Peço desculpas aos meus amigos. Peço desculpas à diretoria do Movimento. Peço desculpas à minha família. Agradeço a todos que estivaram ao meu lado neste momento de desconforto e digo a todos que ofenderam, que agrediram, que destilaram seu fel contra o Movimento e contra mim: não sejam injustos com o MTG (que somos todos), agridam somente a mim e quando forem chefes tenham a felicidade de não precisar responder por aquilo que não fizeram.

Em 10 de janeiro de 2016, no final do Congresso, em Bento Gonçalves, deixo a chefia e voltarei a ser somente um peão apaixonado pela tradição gaúcha, comprometido com o Movimento, disponível para ajudar. O novo presidente do Movimento é um amigo, um homem de bem, um homem honesto, o que não o livrará de passar por situações que só cabem ao chefe.

Manoelito Carlos Savaris
Presidente