RETRATO DA SEMANA

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segunda-feira, 21 de setembro de 2015

CHAMA CRIOULA QUE NÃO SE APAGA




Aproveitando a bonita chapa aí de cima, enviada por nossos amigos Cavaleiros do Planalto Médio, postamos, também, este texto do Irmão Nivaldo Brum, reafirmando a importância de mantermos viva esta chama nos 365 dias do ano. 

O fogo do Tradicionalismo que ainda arde no RS  
 
Os “causos” do legado em torno da epopeia Farroupilha, e depois dela, é de uma riqueza vasta, como os campos da nossa Fronteira. Os heróis que ajudaram a impregnar  a tradição até os dias atuais, não foram poucos. A herança que o povo gaúcho herdou será contado pela história, quiçá, por séculos.
 
Nosso clamor cívico teria de ser ilustrados não só pelo sangue regional, mas também, representado em símbolos, como ensinam nas Escolas, que são: o hino, a bandeira, o brasão, clamados pela não destruição em plena ditadura Vargas.
 
Não queime nossa herança Farroupilha!
 
Como conta o historiador Décio Freitas, logo após a decretação do Estado Novo, em dez de novembro de 1937, o próprio Getúlio Vargas, perante uma arquibancada lotada e atenta, imbuída de fervor cívico, presidiu a chamada cerimônia da queima das bandeiras. As flâmulas estaduais eram, uma a uma, incineradas numa grande pira erguida em meio a pista do estádio. Cada pano colorido devorado pelas chamas, que supunham estar a queimar a serviço de uma pátria unida, colhia os aplausos da multidão. Nenhuma parte da federação teria mais a sua bandeira. Apenas a do Brasil imperaria. Só o chefe da nação, o presidente Getúlio Vargas, mandaria. Afinal, na prática, também não existia mais a federação, pois cada estado estava em mãos de um interventor e cada município a mando de um intendente.
 
Porém, a gauchada presente ao espetáculo pediu ao presidente Getúlio Vargas que a bandeira do nosso estado, a tricolor herança dos farroupilhas, não sofresse o destino das demais. Getúlio Vargas poupou-a. Mas não salvou nossa história regional. Ela foi banida dos livros escolares, à épocaNesse período do Estado Novo, que se estendeu até 1945, por certo, até o Movimento Tradicionalista Gaúcho também morreria, já que era proibido qualquer manifestação cultural dos Estados
 
Símbolos e tradições gaúchas; de João Cezimbra Jacques à Paixão Côrtes
 
Dez anos mais tarde, o jovem  João Carlos D'Ávila Paixão Côrtes, então, estudante do Colégio Estadual Júlio de Castilhos de Porto Alegre, atravessa a rua em frente à escola para tomar um cafezinho. Naquele momento, contempla um pano vermelho tapando um buraco na janela do bar e perguntou para o dono do boteco: Que pano é aquele? E ele respondeu que se tratava apenas de um pano vermelho.  Tu não conhece? Indagou, Côrtes. Este é o pano do Rio Grande do Sul, afirmou com veemência. E fica indignado com o descaso para com a bandeira do RS.
 
Não se deu satisfeito, Côrtes, foi até Barbosa Lessa e outros colegas de aula, que também tinha vindo de Santana Livramento para estudar, resolvem resgatar as raízes e costumes regionais fundam o DTG - Departamento de Tradições Gaúchas Júlio de Castilhos.
 
O resgate das raízes começa a partir daí a se espalhar como fogo. Um grupo de cavalarianos é autorizado a acompanhar o trajeto dos restos mortais do líder revolucionário David Canabarro, de Santana do Livramento à Porto Alegre. Nos bairros de capital gaúcha, eles conseguiram oito, assim, deram início à formação de um piquete da tradição. Dia 7 de Setembro, os cavalarianos desfilaram com autorização e muita emoção pelo resgate do tradicionalismo.
 
Chama Crioula que não se apaga
 
Próximo da meia-noite, Paixão Côrtes, em posse de um cabo de vassoura e um pano enrolado embebido em querosene, desceu do cavalo, se dirigiu até a pira da Pátria e retirou uma centelha do fogo simbólico, gritou:  “Esta criada a chama crioula!”
 
Em seguida, desceu do altar da Pátria, subindo em seu cavalo.  Dirige-se até o colégio Júlio de Castilhos e fazem uma ronda. A primeira ronda que foi a mais longa das rondas, conforme diz o poeta Wladimir de Melo Walerko. “Longa Ronda”, doze noites e doze dias homenageando os heróis da epopeia Farroupilha.
 
Certa feita, no dia 20 de setembro, data da Revolução Farroupilha, organizaram outro desfile com a mobilização de um grande público, desde então, o tradicionalismo foi aceso novamente no coração dos gaúchos. Os DTGs e CTGs reabrem suas atividades comprovando o amor, o orgulho que o povo gaúcho tem pela sua cultura. No entanto, o resgate dos costumes gaúchos se deu pelo militar e historiador João Cezimbra Jacques, no livro”Ensaios Sobre os Costumes do Rio Grande do Sul”(1883). Outra ação de fundamental importância para nosso legado criado por Cezimbra, foi a fundação do Grêmio Gaúcho, em 1898, localizado na avenida Carlos Barbosa, 1525, Porto Alegre, até hoje. Era um mais ou menos um projeto que veio a ser, mais tarde, um Centro de Tradições Gaúchas- CTG, onde se recuperavam as tradições num ambiente familiar tal como as cerimônias brancas maçônicas, que valoriza o esteio Familiar. O argentino  José Hernández, autor da obra Martim Fierro (1872). Ele  foi um expressivo pioneiro do registro textual da cultura gaúcha (gáutchia) pelos pagos da região do Plata, onze anos antes do nosso Cezimbra.
 
Hoje,  Porto Alegre com sua 1° Região tradicionalista tem cerca de 118 Centros de Tradições Gaúchas (CTGs) filiadas ao Movimento Tradicionalista Gaúcho (MTG), mais 50 entidades tradicionalistas não-filiadas, entre as quais,  estudantis, piquetes e departamentos de tradições. Tais legados foram deixados por nossos intelectuais e aguerridos filhos de nossa terra, terra da bombacha, espora, chimarrão e muita luta. Salve a Revolução Farroupilha.
 
 Texto: Nivaldo Brum, presidente da Fundação Maçônica Educacional do RS, ano 2015
Colaboração: Leonardo Redaelli