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terça-feira, 18 de junho de 2013

QUE SAUDADES DOS MEUS "CINQUENTA" ANOS!




Certa feita Charlie Chaplin, o herói trapalhão, um dos atores mais conhecidos da época do cinema mudo, incorrigível galanteador e mulherengo inveterado, do alto de seus 86 anos de idade, segurando uma mulher cinquentona pelas mãos e olhando bem no fundo de seus olhos disse a célebre frase:
- Que saudades dos meus 60 anos!  

Pois neste fim de semana, dando uma campereada pelo face book, me deparei com duas postagens do poeta e irmão Antônio Carlos Barros, lá de Rosário do Sul, onde este amigo colocou a capa e a contra-capa de um antigo CD com canções de minha marca, gravadas por diversos artistas. Uma coletânea da Gravadora ACIT.

Vocês não imaginam a nostalgia que tomou conta de mim. O título do CD diz tudo: RELEMBRANÇAS.

Aí, então, me veio em mente a frase do artista Charlie Chaplin. Não que eu tenha sido um namorador, longe disto, mas que a juventude nos traz boas recordações, ah... isto traz!  

Antigamente, quando moço, nunca me queixei dos invernos sulinos. Quebrava geada indo para o colégio na velha e legendária Aratinga, e tudo era farra.

Quantas e quantas cavalgadas fizemos junto dos Cavaleiros da Neve (o próprio nome retrata) abaixo de chuva guasqueada, frio de renguear cusco, cerração, dormindo no molhado...

Em relação ao trabalho, não posso me queixar pois, enquanto muitos lidavam no pesado, na rua, nas roças, curtidos de frio, sempre labutei em ambientes confortáveis.

Mas a verdade é que os invernos da vida me fizeram mal.

Até para as minhas caridades eu tinha mais disposição.

Ali por 2006 / 2007, levantava, no forte do inverno, ás 5 horas da manhã, todos os sábados, para levar chocolate quente e sanduíches, previamente preparados, para os moradores de rua na frente do Excelcior Pneus, ali na Ipiranga, no centro (rua Riachuelo) e perto da estação rodoviária, na antiga rede ferroviária federal.

Fazíamos duas bambonas de chocolate quente e 150 sanduiches.

Apenas quatro pessoas davam um pouco de calor humano a dezenas de deserdados da sorte. O João Alberto Rebelo, seu filho Carlos, o Giovani Brasil e eu.

Nesta convivência em um mundo que não desejo para ninguém conhecemos histórias que dariam para compor um livro, como a do Gringo (apelido nosso), um agricultor que, após ter sua mulher e filhos atropelados, no acostamento de uma rodovia em Santa Catarina, veio ser morador de rua em Porto Alegre. Gente boa, honesta, mas desiludido da vida. Ou a Vó, uma senhora com mais de 70 anos que dormia na calçada para fugir dos filhos que batiam nela e pegavam seu dinheiro da aposentadoria. E assim vai... 

Hoje, é uma briga para eu sair de casa.

Não vou na metade das atividades que me convidam e não é por desdém, é porque estes invernos me fizeram mal ao corpo.

Cavalgadas? Uso a desculpa de que meu mouro velho está alquebrado para eu também não ir.

Só nós, gaúchos, para viver aqui e se aclimatar num inverno tão rigoroso. Talvez por isso que tenhamos se forjados tão fortes.  

Mas o que realmente me incomoda de tudo isto é passar ali pela Excelcior Pneus, ver as pessoas deitadas em papelões, enquanto eu não tenho mais ânimo para ajudá-las...

Por isto que, parafraseando Chaplin, eu digo: - Que saudades dos meus cinquenta anos!