Mês desculpem os leitores mas estou
sem ânimo para falar em tradicionalismo após os significativos acontecimentos
do fim de semana. Não posso dar uma de avestruz ignorando o mundo em minha
volta até porque os movimentos sociais que estão ocorrendo são deveras
preocupantes.
Sempre fui contra a realização da
Copa das Confederações, Copa do Mundo e Olimpíadas no Brasil porque acho que
antes destes eventos teríamos que olhar para nossos presídios, estradas,
educação, segurança, fome, drogas, desemprego, corrupção e sei que há muitos que pensam como eu.
Vejam o que diz, por exemplo, o ilustre professor
Jorge Luiz Souto Maior, livre-docente
da Faculdade de Direito da USP sobre os acontecimentos:
"Não há normalidade alguma em impedir, pela força, uma manifestação política, que era pacífica e não infringia nenhum dispositivo da Constituição brasileira. Até porque é mesmo necessário que a população brasileira, que gosta de futebol, mas que antes de tudo ama este país, tenha o direito de se indignar e de revelar as mazelas que giram em torno da Copa, sobretudo no que se refere à utilização do patrimônio público, o dinheiro do BNDES, do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS), do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT) e do PIS/PASEP, para o financiamento das construções dos estádios, palcos de eventos privados na Copa e depois dela, mediante concessões
Não se podem transferir para a esfera pública urbana, com repercussão na ordem jurídica e nas relações sociais, a lógica financeira, vinculada aos interesses de alguns, e as diretrizes organizacionais de uma entidade privada estrangeira, como, ademais, já se evidencia. Verifique-se, a propósito, o quanto o Presidente da FIFA parece estar à vontade para ditar os rumos do Brasil. Na abertura do jogo de hoje o referido senhor chegou mesmo a suprimir, de forma constrangedora, a fala da Presidente Dilma ao dar “uma bronca” na torcida que estava no estádio."
Estive no jogo Brasil e França, aqui em Porto Alegre, pude conferir de perto e concordo, também, com o jornalista Juca Kfouri quando este afirma que
"houve uma elitização do futebol, pois este passou, definitivamente, a ser visualizado como um negócio altamente lucrativo, provocando, inclusive, um branqueamento dos torcedores. No estádio em Brasília não havia, em geral, pobres e negros. À população pobre foi reservado o resquício ditatorial de telões em praças públicas, com festejos típicos da estratégia pão e circo…"
Até mais, com indignação e tudo!