RETRATO DA SEMANA


Para quem começou este blog há 16 anos atrás com 40, 50, acessos diários, terminar o mês de junho com 99.429 acessos (somente no dia 01 já tivemos 10.040 visitas) só aumenta nossa responsabilidade. Continuamos peleando apenas pelo prazer de ser mais um guardião da cultura regional gaúcha.

terça-feira, 9 de agosto de 2011

"SECRETÁRIO DE CULTURA,

NÃO MEXA NO QUE ESTÁ CERTO"

Recebi este e-mail do meu amigo e irmão Luciano Kelbouscas. Segundo ele, Luiz Antônio de Assis Brasil, Secretário de Cultura do Estado, fez um pronunciamento em dezembro de 2010 que originou a presente resposta do cantor João de Almeida Neto.

Até para poder opinar, procurei o tal pronunciamento e não achei. Se alguém souber a data exata eu agradeceria.

Abaixo da foto do escritor e secretário, está o transcrito de João de Almeida Neto.

Coluna do João de Almeida Neto: “Secretário de Cultura, não mexa no que está certo”
Publicado em 25 de julho de 2011

O secretário estadual de Cultura, Luiz Antônio Assis Brasil, em entrevista publicada na edição de sábado do jornal Zero Hora, afirmou que o “estado não é só cultura campeira”. E quem disse que é???? De onde o secretário tirou essa???? O Rio Grande do Sul é ricamente diversificado, seja por raças, etnias, religiões, regiões. Todas essas manifestações compõem um mosaico cultural riquíssimo, juntamente com a cultural rural, integrativamente, somativamente.

Revela o secretário que, para atender reivindicações pontuais de outros setores culturais, está redigindo um documento em que propõe discutir questões como a “hegemonia da cultura do homem do campo”, que, segundo ele, é metonímia.

Barbaridade! O raciocínio de que eventual obscuridade de outras linhas é culpa de quem fez o que tinha que ser feito para defender o que gosta é completamente equivocado. Não é prudente que a administração pública, por seu agente da área cultural, culpe a cultura campeira pelas dificuldades de outros segmentos. Não é aceitável que o secretário venha a público, em jornal de grande circulação, lançar censuras e jogar a opinião pública e a comunidade cultural contra as pessoas que operaram de forma produtiva.

A notoriedade da cultura campeira, seja pelas artes ou pelas festividades (rodeios, festivais, feiras) se dá em virtude da competência dos artistas e administradores dessa área. Houve tempo em que essa manifestação agonizava no ostracismo. Face ao trabalho competente e belo de artistas, intelectuais e abnegados, o que era considerado “coisa de grosso” ganhou os palcos e as ruas e hoje acompanha uma multidão de pessoas que assumem e vivenciam o nosso folclore. No artesanato, na pintura, nos carros – ouvindo música gaúcha -, nos bailes, ou nos shoppings – tomando mate.

A cultura rural não tomou espaço de ninguém. Conquistou o seu. Com talento e eficiência. Não há hegemonia nem metonímia. Há trabalho, dedicação e aceitação popular. E esse trabalho que tanto frutos trouxe à cultura rural deve servir de exemplo. Os resultados positivos devem causar orgulho, não ressentimentos e suposições de antagonismos.

O que realmente é necessário, e o Rio Grande do Sul há muito clama por isso, é o surgimento, na administração pública, de pessoas competentes e de visão larga que, sem mexer no que está dando certo, encontrem soluções para as áreas desprestigiadas ou em dificuldades. Para plantar açucenas não é necessário pisar nas rosas.