RETRATO DA SEMANA


Para quem começou este blog há 16 anos atrás com 40, 50, acessos diários, terminar o mês de junho com 99.429 acessos (somente no dia 01 já tivemos 10.040 visitas) só aumenta nossa responsabilidade. Continuamos peleando apenas pelo prazer de ser mais um guardião da cultura regional gaúcha.

domingo, 12 de junho de 2011

CAUSO DE GALPÃO

Nosso blog deseja a todos que se amam um belo Dia dos Namorados.

A minha sempre namorada, o meu carinho.

Mas como hoje é domingo, dia de alegria, nosso blog já pegou a “balda” de trazer aos leitores alguma piada, algum causo de galpão, alguma coisa engraçada. Sendo hoje Dia dos Namorados, trouxemos um causo de muita ternura para os nossos leitores, intitulado:

A CREMAÇÃO DA SOGRA


O Nicácio Rodrigues, índio velho lá das bandas de Jaguari, chiru de quatro costados, já estava aquerenciado a um certo tempo pelas voltas de Novo Hamburgo. Além de grande gaúcho, pois não tirava as bombachas nem para o sono, andava bebendo uma coisa por demais. Se queriam achar o Nicácio era ir até a venda mais próxima de seu rancho que ele, com certeza, estaria por ali, escorando o balcão. Encostou-se por "doente" na firma calçadista onde trabalhava e passava o dia empinando uma pura e proseando com o bolicheiro.

No dia em que morreu a sogra do Nicácio, Dona Ermelinda, o vivente estava em seu normal, ou seja, gambá. Os filhos já tinham decidido que o corpo ia ser cremado ali mesmo, no crematório da cidade.

E assim estavam, depois de uma noite emotiva e cansativa de encomendações de Dona Ermelinda, os filhos, filhas, genros, noras, netos e netas, consternados em volta da urna funerária onde estavam depositados os restos mortais da Dona Ermelinda antes de partir para os atos crematórios.

O responsável pela cremação era o Tenório, um alemão gordo e sisudo já conhecido de muitos pois, sempre que alguém era cremado o Tenório era quem buscava o ex-vivente. E já estava, o Tenório, na cabeceira do caixão, esperando ás derradeiras homenagens para levar o corpo.

Foi neste momento que o Nicácio Rodrigues, que recém havia dado um gole na boteja de canha escondida no porta-malas do carro, já sem disfarçar a borracheira, subiu em cima duma cadeira, quase caindo, e solicitou a atenção de todos, pois queria render uma última homenagem aquela que outrora fora sua adorada sogra.

Todos ficaram espantados com a atitude abagualada do Nicácio, porém permitiram que ele fosse em frente, total, realmente, era aquela a última oportunidade de despedidas.

Foi quando ele com aquele ar solene de quem vai fazer o mais belo dos discursos, estufou o peito e apontando para o alemão Tenório atracou:

- Bueno indiada, aproveito este momento ímpar e peço a todos uma salva de palmas pro "ASSADOR"!

Causo recolhido e adaptado por: Léo Ribeiro
Gravura: Diemer