NOVE ANOS DA GAÚCHOS TEMPLÁRIOS
NOVE ANOS DA GAÚCHOS TEMPLÁRIOS
INJUSTIÇAS DOMINICAIS
Este ano, após meio século, parei de assinar e receber na porta do rancho o jornal Zero Hora. Como disse a três ontontes o periódico está mais fino que assovio de papudo, retransmitindo notícias dormidas e com poucos colunistas de real valor.
Desde então, garrei a balda de, ao acordar, recorrer os aguapés para me inteirar do mundo através do celular.
Hoje, domingo (07), abri e fechei o aparelho em seguida. Duas postagens carregadas de injustiças me taparam de nojo.
A primeira foi o embarque da delegação da RBS (a Emissora dos Casais) para a copa do mundo. Gente com pouca ou nenhuma expressão viajando e deixando aqui, no esquecimento, o melhor repórter de todos, ou seja, o José Alberto Andrade. Que baita injustiça.
Dizem que o manda chuva da rede é um mineiro. Não sei quem é mas, com certeza, um grande desconhecedor do que faz além de andejar, possivelmente, pelos caminhos do compadresco.
A segunda grande injustiça, em outro nível é óbvio, foi o julgamento do menino Henry Borel aonde a juíza Elizabeth Machado Louro absolveu a mãe (para mim uma assassina) citando os termos "misogenia" e "cultura patriarcal" para justificar o perdão judicial a Monique Medeiros. Nos tempos modernos digo que isto é lacração sendo usada em âmbito judicial para livrar uma criminosa.
O negócio, para não me irritar já de manhã, foi desligar o celular, virar para o lado e dormir até as 10h para ver a fórmula 1, pois me parece que está surgindo um Airton Senna italiano.
UM BELO PROGRAMA PARA ESTA SEMANA
Trilogia sobre guerra gaúcha que mudou o Brasil terá sessões de graça em Porto Alegre. Documentários de Henrique de Freitas Lima sobre a Revolução de 1923 serão exibidos e debatidos na Cinemateca Paulo Amorim nos dias 9, 10 e 11 de junho. Entrada franca.
Henrique de Freitas Lima
tem mais de 40 anos de cinema, e boa parte desse caminho foi dedicada a filmar
o Rio Grande do Sul. Não o Estado de cartão-postal, mas aquele que aparece nos
campos, nos conflitos, nos personagens históricos e nas histórias que muitas
vezes ficam restritas aos arquivos, às famílias e aos municípios onde
aconteceram.
Agora, o cineasta chega a
um dos projetos mais ambiciosos de sua carreira com Ecos de 1923: A Última
Guerra dos Gaúchos.
A programação reúne três
documentários de cerca de 70 minutos sobre a Revolução de 1923, guerra civil
gaúcha que opôs forças ligadas ao governo de Borges de Medeiros e
revolucionários contrários à sua permanência no poder. Para Henrique, reduzir o
episódio a uma disputa regional é perder a dimensão do que estava em jogo.
— Não é um troço de
gaúcho para gaúcho. A gente está fazendo com uma linguagem para o Brasil, para
quem quiser ver, para poder entender esse processo — afirma o diretor, que tem
no currículo Tempo Sem Glória (1984), Lua de Outubro (1998) e Concerto
Campestre (2005).
O projeto nasceu de uma
pesquisa sobre Zeca Netto, caudilho ligado a Camaquã. Henrique havia sido
provocado a escrever um roteiro sobre o personagem, mas logo percebeu que
aquela trajetória abria uma porta maior. Ao mergulhar nas memórias de Zeca
Netto, surgiram Honório Lemes, Assis Brasil, Flores da Cunha, Borges de
Medeiros e outros nomes que atravessaram a política gaúcha na virada do século
19 para o século 20.
A ideia cresceu até se
transformar em Os Caudilhos, projeto dividido em etapas. A primeira resultou em
filmes locais de 30 minutos, produzidos nos municípios participantes. A segunda
aparece agora na mostra Ecos de 1923, com três longas reorganizados para formar
um painel mais amplo do conflito. A próxima será uma série de televisão em
formato de docudrama, com cenas ficcionais de recriação histórica.
— Foi uma costura de
produção absurda. Foram nove municípios diferentes, com produtores locais que
precisei localizar, além de uma parte filmada no Uruguai — conta Henrique.
As filmagens passaram por
Uruguaiana, São Gabriel, Caçapava do Sul, Camaquã, São Francisco de Assis,
Rosário do Sul, Alegrete, Santana do Livramento e Pedras Altas. Também houve
gravações em Porto Alegre e no Uruguai. Segundo o diretor, a circulação pelos
territórios foi decisiva para que os filmes não ficassem presos apenas à fala
dos especialistas.
— Esses filmes mostram
uma realidade muito curiosa, no sentido de ver quem são os guardiões da nossa
história nesses municípios. Algumas vezes, pessoas que estão isoladas, que já
são idosas e que mantêm essa memória — diz.
Um dos achados mais
importantes do projeto é o uso de imagens de Revolução no Rio Grande, longa
filmado em 1923 por Benjamin Camozato, dentista de Cachoeira do Sul que se
aventurou pelo cinema. Do material original, sobreviveram pouco mais de 50
minutos. Para Henrique, a presença dessas imagens muda a relação do espectador
com a história.
Camozato conseguiu
autorização para filmar acampamentos dos dois lados do conflito. Em alguns momentos,
aparecem figuras como Honório Lemes, Zeca Netto e Estácio Azambuja. Não são
atores tentando representar a Revolução: são os próprios personagens históricos
diante da câmera, em um registro feito enquanto a guerra ainda acontecia.
— Foi emocionante ver o
próprio Honório Lemes na tela. Não é um ator, é ele mesmo — enfatiza.
Henrique lembra que o
material também servirá para a futura etapa ficcional do projeto. A equipe pretende
usar as imagens para observar roupas, armas e modos de organização das colunas
revolucionárias.
— A gente convive com o
projeto hoje em cada detalhe. É incrível, porque vai ser muito útil também
agora na recriação, na parte de ficção, para ver como é que os caras se
vestiam, as armas que usavam, aquela coisa toda — diz.
A mostra foi organizada
em três movimentos. O primeiro documentário apresenta o contexto da Revolução e
passa por Uruguaiana, São Gabriel e Caçapava do Sul. O segundo entra no trecho
mais duro da guerra, com Camaquã, São Francisco de Assis e Rosário do Sul. O
terceiro observa a permanência dessa história em Alegrete, Santana do
Livramento e Pedras Altas.
Henrique resume de forma
simples:
— O primeiro é um pouco
mais contemplativo. O segundo é pau puro, porque é guerra mesmo. E o terceiro
aponta para a permanência desse universo.
A parte sobre São
Francisco de Assis é uma das que mais impressionaram o diretor durante o
processo. Em 1923, a cidade foi palco de um combate urbano que, segundo relatos
recuperados pelo filme, deixou quase cem mortos no centro do município. Mais de
um século depois, as marcas ainda aparecem na paisagem e na memória local.
— Dizem que morreram
quase cem pessoas no centro, na praça da cidade, que eram parentes entre elas.
Isso causou um trauma nessa comunidade que existe até hoje. Tu vai lá e ainda
tem buraco de bala nas árvores, na prefeitura — relata.
O encerramento em Pedras
Altas tem outro tom. Foi na residência de Assis Brasil que o pacto responsável
pelo fim do conflito foi assinado. O castelo, hoje em processo de restauração,
aparece como símbolo de uma memória que tenta sair da ruína. Para Henrique,
esse desfecho permite que a mostra não termine apenas olhando para trás.
A importância do Pacto de
Pedras Altas vai além do fim da guerra. O diretor lembra que ali surgiram bases
para mudanças que ajudariam a moldar o sistema eleitoral brasileiro. A Justiça
Eleitoral só seria criada em 1932, mas a necessidade de uma instituição capaz
de cuidar das eleições já aparece naquele contexto.
— São histórias
desconhecidas, que são chave para entender o Brasil moderno — diz Henrique.
Para o cineasta, os 10
meses da Revolução de 1923 ajudam a explicar a crise da República Velha e
preparam o caminho para a Revolução de 1930. O conflito não terminou com uma
vitória militar dos revolucionários, mas enfraqueceu a permanência de Borges de
Medeiros no poder e abriu espaço para a ascensão de Getúlio Vargas.
— Eles não ganharam a
revolução, porque houve paz, porque o governo federal resolveu finalmente
intervir, mandou um pacificador. Mas eles mudaram o Brasil — afirma.
A dimensão
cinematográfica da história também passa pelos detalhes concretos da guerra.
Henrique cita as colunas em deslocamento, a alimentação improvisada, o frio e a
precariedade dos combatentes. Em determinado momento da pesquisa, uma pergunta
aparentemente banal ajudou a dar corpo ao passado. Como alimentar centenas de
homens em movimento?
— Vocês sabem como é que
essa coluna se alimentava? Precisava de seis bois por dia. Tinha que matar seis
bois por dia, carnear, dividir a carne, assar o churrasco. Imagina a coluna do
Honório, que tinha 2 mil. Quantos bois por dia, quando dava para comer, quando
eles não estavam fugindo dos outros? — especula o diretor.
Essa atenção à matéria
bruta da história, para Henrique, é o que permite ao cinema tirar 1923 do
resumo escolar. Os filmes combinam entrevistas, arquivos, imagens de paisagens,
cemitérios, estâncias, documentos e cenas preservadas do longa de Camozato. O
diretor destaca ainda o trabalho gráfico aplicado ao material de época e a
trilha de Sérgio Rojas, parceiro de longa data.
Embora reconheça que a
história do Rio Grande do Sul muitas vezes fica confinada ao próprio Estado,
Henrique rejeita a ideia de que um filme ambientado no universo gaúcho precise
nascer condenado ao nicho. Para ele, a oposição entre regional e universal
empobrece a discussão.
— Não tem nada que seja
regional nem universal. O que importa é contar uma história boa com um ponto de
vista original — diz.
O diretor compara o
potencial dramático da história gaúcha ao que os Estados Unidos fizeram com o
faroeste. A diferença, para ele, é que o Rio Grande do Sul ainda explorou pouco
esse repertório no cinema.
— Os americanos
reconstruíram a história deles a partir da dramaturgia, do cinema. Nós não
precisamos nem reescrever a nossa, porque ela está aí. É só adaptar.
Depois da mostra, a ideia
é que os três filmes sigam carreira em plataforma de streaming. Antes disso,
Henrique quer ver o público reunido na Casa de Cultura Mario Quintana para
assistir aos documentários e participar dos debates.
— Vai ser uma confraria
de quem ama a história do Rio Grande do Sul.
Programação da mostra
"Ecos de 1923"
9 de junho, terça-feira,
às 19h
A deflagração do
conflito: contexto, adesão e consciência política
Debate com Miguel do
Espírito Santo e João Aloísio Degrazia
10 de junho,
quarta-feira, às 19h
O corpo da guerra:
trauma, violência, cicatriz
Debate com Coralio Cabeda
e Fernando Azambuja
11 de junho,
quinta-feira, às 19h
Elaboração simbólica:
memória, política, conciliação e legado
Debate com Marcos
Hernandez e Rodrigo Aguiar
TEMPOS DIFÍCEIS
O mundo passa por uma instabilidade preocupante. Cruzamos tempos difíceis. Talvez agora comece a surgir uma safra de seres humanos fortes. Minha esperança se debruça no pensamento do escritor norte-americano G. Michael Hopf publicado em seu livro de ficção pós-apocalíptica "Those Who Remain", de 2016 no qual expressa o seguinte:
Homens fortes criam tempos fáceis. Tempos fáceis geram homens fracos. Homens fracos criam tempos difíceis. E tempos difíceis, por sua vez, formam homens fortes.
Traduzindo para o nosso Rio Grande velho (e Brasil como um todo) eu diria que os tempos difíceis das revoluções formaram uma geração de homens virtuosos. Com o fim destas (revoluções) criou-se uma geração de homens de gabinetes, incapazes, que entre corrupções e protecionismos levaram nossos poderes constituídos a uma situação vexatória criando, como disse, tempos difíceis para todos nós. Por isso, quem sabe agora, não apareça um plantel de homens fortes novamente.
Corpus Christi (expressão latina que significa Corpo de Cristo) é uma festa que celebra a presença real e substancial de Cristo na Eucaristia.
É realizada na quinta-feira seguinte ao domingo da Santíssima Trindade que, por sua vez, acontece no domingo seguinte ao de Pentecostes. É uma festa de 'preceito', isto é, para os católicos é obrigatório participar da Missa neste dia, na forma estabelecida pela Conferência Episcopal do país respectivo.
A procissão pelas vias públicas, quando é feita, atende a uma recomendação do Código de Direito canônico (cân. 944) que determina ao Bispo diocesano que a providencie, onde for possível, "para testemunhar publicamente a veneração para com a santíssima Eucaristia, principalmente na solenidade do Corpo e Sangue de Cristo." É recomendado que nestas datas, a não ser por causa grave e urgente, o bispo não se ausente da diocese (cân. 395).
No Rio Grande do Sul, principalmente na região serrana, de colonização italiana, como Flores da Cunha, a comunidade se une na confecção de tapetes de serragem por onde passará, em procissão, o sacerdote conduzindo o Santíssimo Sacramento.
INJUSTIÇA OU INGRATIDÃO?
(OU AS DUAS COISAS?)
NAS COXAS
"Nas coxas" é uma terminologia popular brasileira que significa algo mal feito, sem capricho, sem esmero.
Tal dito tem origem do tempo da escravatura aonde os negros faziam telhas moldando o barro nas pernas. Como as coxas dos escravos eram diferentes umas das outras, maiores, mais magras, mais grossas... as telhas também não ficavam harmônicas.
Um exemplo de uma atividade feita nas coxas aconteceu no fim da tarde de ontem (31), antes da partida da seleção quando da interpretação do hino brasileiro pela cantora Alcione e pelo cantor Belo.
Faltou harmonia com a música (da metade em diante retiraram a música e ficou a capela), desencontro ente os cantores, e até a letra deste símbolo nacional conseguiram errar. Parecia algo sem ensaio, tudo no improviso. Um constrangimento ao vivo transmitido pela Globo.
DESTAQUES DO 39º CARIJO DA CANÇÃO GAÚCHA
Neste domingo meio carrancudo aqui pela capital vamos compartilhar a postagem do blog Ronda dos Festivais do meu amigo Jairo Reis, um abnegado em divulgar as atividades musicais do Estado e que hoje nos traz os destaques do 39º Carijo da Canção Gaúcha, de Palmeira das Missões, ocorrido neste final de semana, festividade que já tive a honra de ser avaliador em duas ocasiões.
Pessoalmente considero o Carijo o maior festival nativista do Rio Grande do Sul (e fora dele). É algo impressionante. A cidade abraça o evento como em nenhum outro lugar. Palmeira das Missões simplesmente se muda de mala e cuia para o Parque de Exposições aonde o festival acontece. É uma semana de pura cultura que andeja da poesia à musicalidade num manancial de puro nativismo.
O resultado foi o seguinte:
Primeiro Lugar: NA CASA DO MATE
Letra: Sabani Felipe de Souza
Melodia: Pedro Flores
Interpretação: Nilton Ferreira
Segundo Lugar: GOSTO DE FALAR DE CAMPO
Letra: Ramires Monteiro
Melodia: Ramires Monteiro
Interpretação: Igor Tadielo
Terceiro Lugar: A VOZ DA PALMEIRA
Ritmo: Milongão
Letra: Ramiro Grethe
Melodia: Marcelo Grethe
Interpretação: Cristiano Sonntag e Edu Dall'Osto
Recitado: Ramiro Grethe
Melhor Intérprete: TAINE SCHETTERT
Música: No Carijo da Alma
Melhor Instrumentista: RONISON BORBA
Música: A Casas do Mate
Instrumento: Acordeon
Melhor Arranjo Instrumental: NA CASA DO MATE
Letra: Sabani Felipe de Souza
Melodia: Pedro Flores
Interpretação: Nilton Ferreira
Arranjo: Ronison Borba
Melhor Arranjo Vocal: TEMPERANÇA
Ritmo: Vaneira
Letra: Alixandre Lima
Melodia: Gabriel Gariba
Interpretação: Gabriel Nascimento, Roberta Soarez e
Cristiano Sonntag
Melhor Melodia: HOJE
Autor: Felipe Goulart
Melhor Trabalho Poético: O CAMPO NÃO É UMA ESTRADA
Autor: Rômulo Chaves
Melhor Tema Ecológico: LIÇÕES DA TERRA E DO MATE
Letra: Luís Fernando Gastaldo
Melodia: Arison Martins
Interpretação: Maria Alice
Música Mais Popular:
VELHA PALMEIRA
Letra: José Ricardo Nerling/José Arthur Nerling
Melodia: José Ricardo Nerling
Interpretação: José Ricardo Nerling e João Quintana
Melhor Composição Sobre Erva-Mate: DOS MATES QUE A VIDA
SERVE
Ritmo: Milonga Canção
Letra: José Ricardo Nerling
Melodia: José Ricardo Nerling
Interpretação: José Ricardo Nerling
Melhor Trabalho Sobre Palmeira das Missões: A VOZ DA PALMEIR
Ritmo: Milongão
Letra: Ramiro Grethe
Melodia: Marcelo Grethe
Interpretação: Cristiano Sonntag e Edu Dall'Osto
Recitado: Ramiro Grethe
Destaque Feminino:
ANA CLÁUDIA RIZZATO
Música: Na Casas do Mate
Instrumento: Flauta
Melhor Trabalhos Sobre Os 400 Anos das Missões: PELA MÃO DO
JESUÍTA
Letra: José Augusto Fiorin
Melodia: José Augusto Fiorin
Interpretação: Vinícius Bala
Recitado: Jarbas Nadal
CHARQUEADAS
da opulência às revoluções
Viramos o século e aqui pelo Rio Grande do Sul se acredita em Lobisomem. Tal mito é basicamente a crença que determinados homens podem se transformar em um monstro meio lobo meio homem.
Já na Grécia clássica se conhecia o Licantropo, literalmente lobo-homem. Deve-se aos gregos a expressão licantropia, usada para designar o fenômeno. Na Roma dos Césares, era o Versipélio, o Lobisomem latino.
O mito no Rio Grande do Sul sustenta que o sétimo filho homem de uma família será fatalmente Lobisomem - a menos que seja batizado pelo irmão mais velho. Há, também, uma forma folclórica de se transmitir o fado: quando um velho que é Lobisomem sente que ai morrer, ele fica sofrendo muito a alguém mais moço. E não consegue morrer antes disso. Se tem algum guri ou moço por perto ele simplesmente pergunta: "Tu queres?". O ingênuo normalmente acredita tratar-se de algum presente e responde: "Sim". Aí o velho morre feliz porque transmitiu o fado.
O homem que tem o fado de Lobisomem é sempre de raça branca, pelo duro (ou seja, não há Lobisomem negro, alemão ou gringo), magro, de olhos no fundo, dentes salientes e cara de cor amarelada, muito pálido. Quase sempre mora sozinho. Mais raramente vive com a mãe, uma velha muito estranha. Mais raramente ainda é casado e a mulher ignora o fato.
Mora sempre em um rancho o mais isolado possível, obrigatoriamente com um galinheiro nos fundos.
O fado do Lobisomem é uma cruz que ele carrega. Não fazendo mal a ninguém, ele é mais uma vítima do que um carrasco. Se é atacado, reage. E morde cachorros e até pessoas, mas se puder evitar isso ele evita. O lobisomem tem que cumprir o seu fado , que é correr nas sextas-feiras de lua cheia, da meia noite ao clarear do dia.
À meia-noite ele se rebolca no sujo das galinhas, rolando no chão e se transforma. Quando vai amanhecer ele retorna ao galinheiro, se rebolca novamente e volta a ser gente.
Durante sua ronda fatídica, se ele é ferido por arma branca, transforma-se e aí, já como homem, mostra o mesmo ferimento no mesmo lugar em que, como monstro, foi ferido. Se alguém atira sal nele enquanto Lobisomem, no outro dia, como homem, ele virá a casa da pessoa que atirou o sal, devolvendo um punhado, como se tivesse recebido por empréstimo.
Em cada cidade gaúcha correm histórias envolvendo o velho mito do Lobisomem. Cuidem-se, portanto.
Do livro Mitos e Lendas do Sul - Antônio Augusto Fagundes
A ingratidão, meu rapaz,
mando pra longe e te digo:
- Se algo me tira a paz
não merece andar comigo!
Uma boa semana a todos.
REPONTANDO DATAS - 25 DE MAIO