RETRATO DA SEMANA


JuanMa Gutiérrez

sábado, 1 de agosto de 2026

 


MORREU ADÃO QUINTANA VIEIRA




Os festivais nativistas e a musicalidade gaúcha de um modo geral perderam no dia de ontem (31) o uruguaianense Adão Quintana Vieira, 70 anos, fundador com seu irmão João Quintana Vieira do Grupo Parceira, com centenas de participações em praticamente todos os eventos do gênero no Rio Grande do Sul com incontáveis premiações. 

Adão Quintana morreu em Porto Alegre e as cerimônias de despedidas acontecerão neste sábado, 1º de agosto, a partir das 16h, na Sala 1 do Complexo Ângelos Oeste, em Uruguaiana. O sepultamento acontecerá amanhã, domingo, as 10h, no Cemitério Municipal Nossa Senhora de Santana.  


 


REPONTANDO DATAS - 01 DE AGO


 Aureliano de Figueiredo Pinto, ao centro, de óculos,
nos seus tempos na Escola de Medicina

Na data de hoje, dia 1 de agosto, do ano de 1898 nascia aquele que, para mim, foi o maior poeta gauchesco, ou seja,  Aureliano de Figueiredo Pinto. 

Com seu vigoroso regionalismo, o nosso idioma, longe de empobrecer-se, adquiriu novas e cintilantes riquezas. Seus poemas, nascidos das vivências campeiras, com invernos, tropeadas, rondas, noites longas, chimarrão, e outros temas rudes e belos. São sempre, impregnados de comovente humanismo e iluminados pelo sol de sua fulgurante cultura. A divulgação de seus versos magistrais é, pois, exigência imperiosa de todos os que cultuam as letras pampeanas e que amam nossa Querência.

Nada, nos seus versos, do apenas fácil e pitoresco que caracteriza uma boa parte de poesia gauchesca. A poesia de Aureliano Figueiredo Pinto, profundamente ligada a terra, tem uma extraordinária densidade humana, assumindo sua temática, em muitos passos, o sentido de um canto geral que transcende o mero regionalismo. Poucos livros refletem com mais autenticidade o homem e a paisagem do Rio Grande do que estes "Romances de Estância e Querência".

Aureliano de Figueiredo Pinto nasceu em 1º de agosto de 1898, na fazenda São Domingos, município de Tupanciretã, filho de Domingos José Pinto e de Marfisa Figueiredo Pinto. Exerceu o ofício de médico, mas por essência foi poeta e escritor.

O processo de alfabetização inicia-se em 1904 quando recebeu aulas de sua mãe. Quatro anos depois no colégio Santa Maria em Santa Maria, seguiu seus estudos, de onde enviou a sua mãe seus primeiros poemas. Aureliano inicia ali seu martírio, sua ressurreição e sua glória. 

Aos 17 anos, nasceu uma grande amizade com Antero Marques. Antero seria, pela vida afora companheiro, crítico e confidente a dividir aulas, pensões, ruas, e uma infinidade de cartas. Iniciam as discussões políticas, literárias e filosóficas, que os levariam a participar da Revolução de 30. Passou a residir em Porto Alegre 3 anos mais tarde, onde prepara o vestibular para Direito, que trocaria mais tarde pela Medicina. Os poemas escritos em meio às anotações escolares antecediam sua estreia com poemas publicados no jornal Correio do Povo, com pseudônimo e nome próprio e nas revistas Kodak e A Máscara, um ano mais tarde.

Amigos passam a classificar seus poemas entre as correntes simbolista e parnasiana. Entre as anotações de aula, Aureliano escreve o poema Gaudério, que marcaria sua vinculação com o nativismo. Anos depois, Gaudério e Toada de Ronda seriam musicados por João Fischer. Segundo testemunhas de Antero Marques, Raul Bopp, entusiasmado com a produção do poeta diria que "Bilac assinaria estes versos" O poema Toada de Ronda é considerado o marco inicial da poesia nativista no Rio Grande do Sul.

Em 1924, parte para o Rio de Janeiro estudar Medicina, lá cursa o primeiro e o segundo ano e retorna a Porto Alegre. Lê Paja Brava, do Viejo Pancho, que marcará sua produção artística, e também livros de poetas regionalistas uruguaios e argentinos, que o influencia a escrever poemas em espanhol. Em 1926, volta aos estudos de Medicina no Rio de Janeiro, mas no mesmo ano retorna a Porto Alegre. Somente em 1931, conclui o curso de Medicina, e logo abre seu consultório em Santiago. Abre o coração aos campos e aos tipos humanos que o povoam.

A partir dali o trabalho de médico rouba-lhe o tempo de leitura e criação. Passa a fazer viagens ao interior do município, atendendo a chamados médicos e fica com os peões tomando mate e ouvindo causos.

Três anos mais tarde por falta de dinheiro dos clientes para compra de remédio, suas práticas médicas são interrompidas. Aureliano cria um código que é colocado nas receitas, para que fossem debitadas para alguns de seus amigos. Nessa época, seus poemas são datilografados por Túlio Piva, para quem produz textos para serem lidos na rádio local.

Em 1937, já com quase 40 anos, passa a dirigir o Posto de Higiene de Santiago. Anos mais tarde, seria o fundador do Hospital de Caridade. Casa com Zilah Lopes, em 29 de dezembro de 1938 com que tem 3 filhos. Em 1941, troca Santiago por Porto Alegre, assume a subchefia da Casa Civil do interventor Cordeiro de Farias. Fica poucos meses no cargo e retorna a Santiago.

Em 1956 inicia a reunir e selecionar seus poemas, espalhados entre amigos, para publicá-los em livros. Seu filho José Antônio vai à Editora Globo e ali espera até ter em mãos dez volumes de Romances de Estância e Querência – Marcas do Tempo o primeiro livro publicado de Aureliano de Figueiredo Pinto.

Aureliano vem a falecer em 22 de fevereiro de 1959 com câncer. Em 1963, é publicado "Ad Sodalibus" pela Livraria Sulina, seu segundo livro de poesias Romances de Estância e Querência – Armorial de Estância e Outros Poemas. Em 1974, é publicada pela Editora Movimento, a novela Memórias do Coronel Falcão. Em 1975, Noel Guarany recebe autorização dos familiares do poeta para musicar Bisneto de Farroupilha e Canto do Guri Campeiro.




sexta-feira, 31 de julho de 2026

 


REPONTANDO DATAS - 31 DE JULHO


Dia da Congada

A congada ou congado é uma manifestação cultural e religiosa afro-brasileira. Constitui-se em um bailado dramático com canto e música que recria a coroação de um rei do Congo.

Trata basicamente de três temas em seu enredo: a vida de São Benedito; o encontro da imagem de Nossa Senhora do Rosário (dois santos negros) e a representação da luta do cristão Carlos Magno contra as invasões mouras. 

Embora tenha surgido em Pernambuco, a congada é mais praticada em estados como São Paulo, Minas Gerais e Rio Grande do Sul. Em nosso estado a cidade de Osório é mais algumas localidades litorâneas ainda cultuam a congada.

 

Incorporação do Uruguai ao Brasil 

A Província Cisplatina, em 1820, estava devastada pela guerra entre caudilhos e desordens, e os campos despovoados de gado. A população estava disposta a aceitar uma solução salvadora e nessas condições se deu a incorporação ao Brasil.

Lécor reuniu um Congresso que sancionou a anexação da "Província" ao Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves, por Tratado de 31 de julho de 1821. A província anexada é referida como "Província Cisplatina" pelos portugueses (prefixo cis, do mesmo lado — e raiz platina, Rio da Prata): do mesmo lado do Rio da Prata que o Brasil. Tal anexação teve o apoio inicial de próceres da nova província, que, posteriormente, contudo, procurariam a independência da região.




quinta-feira, 30 de julho de 2026

 


74° CONGRESSO TRADICIONALISTA GAÚCHO

 



PROGRAMAÇÃO 

31 DE JULHO (SEXTA-FEIRA)

14h – Credenciamento.

17h – Chegada da Chama Crioula: percurso pela Travessa Missioneira, passando pelo Arco dos Povoados Jesuítico-Guaranis, com chegada à fonte em frente à Catedral Angelopolitana, na Praça Pinheiro Machado, onde ocorrerá a recepção pelo prefeito municipal.

17h30min – Desfile do Grupo de Cavalgadas das 30 Regiões Tradicionalistas, cada uma com sua bandeira, com destino ao CTG 20 de Setembro.

18h – Ato solene de entrada das 30 Coordenadorias das Regiões Tradicionalistas, empunhando suas bandeiras, na sede do 74º Congresso Tradicionalista, no CTG 20 de Setembro.

18h30min – Sessão preparatória.

19h – 1ª Sessão Plenária: apresentação e análise das proposições nº 1, 9 e 10.

20h – Momento cultural com Patrício Maicá, filho de Cenair Maicá.

21h – Jantar e momento nativista com Eva Sofia, Lourenço Copetti e Joaquin Trintináglia.

 

1º DE AGOSTO (SÁBADO)

7h30min – Credenciamento.

8h – Café de Cambona e sua história.

8h30min – Bênção ao Congresso Tradicionalista, proferida pelo padre da Catedral Angelopolitana.

9h – Sessão solene de abertura.

10h – 2ª Sessão Plenária: apresentação e análise das proposições nº 4, 5 e 6, além da apresentação das propostas para sediar o 75º Congresso Tradicionalista.

11h – 3ª Sessão Plenária: Entrega da placa de Conselheiro Honorário do MTG ao Sr. Eduardo Loureiro, prestação de contas e apresentação do relatório anual, seguida da cerimônia de entrega de plaquinhas à Gestão Estadual de Prendas e Peões 2026/2027.

12h – Almoço.

13h30min – Momento cultural na Praça da Catedral e visitação ao Museu Regional das Missões.

15h – 4ª Sessão Plenária: apresentação e análise das proposições nº 11, 2 e 7, além da escolha da cidade-sede do 75º Congresso Tradicionalista.

18h – Sessão de encerramento.

18h30min – Café colonial.

19h – Momento cultural com trovadores.

19h30min – Momento nativista: show musical com Cambará.

 

2 DE AGOSTO (DOMINGO)

9h – Passeio turístico: saída do CTG 20 de Setembro para visitação às Ruínas de São Miguel Arcanjo.




quarta-feira, 29 de julho de 2026

 

REPONTANDO DATAS - 29 DE JULHO

Nasce Joaquim Francisco de Assis Brasil 


Assis Brasil (a direita da foto) no momento da assinatura
do Tratado de Pedras Altas que pôs fim a Revolução de 1923

Joaquim Francisco de Assis Brasil foi o mais importante teórico de sistemas eleitorais do Brasil entre o final do século 19 e o início do século 20. 

Nascido em São Gabriel, em 29 de julho de 1857, fez parte da primeira geração de republicanos gaúchos na chamada "Geração de 1870". Desiludido com os rumos da república no Rio Grande do Sul, passou a dedicar-se à diplomacia e aos estudos sobre os sistemas eleitorais. Ainda encabeçaria a Revolução de 1923, como líder Maragato quando a oposição gaúcha se revoltou contra o quinto mandato consecutivo do Chumango Antonio Augusto Borges de Medeiros. Com o Estado pacificado, em 1930, apoiou Getúlio Vargas na revolução vitoriosa.

Fruto do trabalho de uma comissão composta, ainda, pelo ministro da justiça Maurício Cardoso, o Código Eleitoral de 1932 foi a última grande contribuição de Assis Brasil à política nacional. Por meio do Decreto nº 21.076, de fevereiro de 1932, surgia o primeiro Código Eleitoral brasileiro. Entre as suas novidades, a criação da Justiça Eleitoral, a instituição do voto feminino, o voto secreto e o sistema de eleição proporcional para os cargos de vereadores e deputados, estaduais e federais.

Tendo sido eleito em 1933 para a Câmara Federal, Assis Brasil representou o país em nova missão diplomática, desta vez na Inglaterra. Retribuía, na ocasião, a visita feita pelo Príncipe de Gales ao país, ocorrida poucos meses antes. Ao retornar ao Brasil, abandonou os cargos públicos e retornou à vida do campo em Pedras Altas. Foi lá que, na véspera de Natal do ano de 1938, faleceu, aos 80 anos.


Castelo que pertenceu a Assis Brasil, em Pedras Altas





terça-feira, 28 de julho de 2026

 


QUE RICO SONETO




segunda-feira, 27 de julho de 2026

 


CARIDADE VIROU CRIME



Tem um ditado muito conhecido que diz assim: Quer conhecer alguém, dê poder a esta pessoa.

Isto ocorre em qualquer setor aonde encontrarmos viventes ressentidos. A farda, por exemplo, por mais simples que seja, reveste algumas pessoas de uma autoridade insuportável. 

Na minha mocidade eu tinha um amigo lá em São Chico de Paula que era um doce de criatura. Buenacho umas quantas vezes. Ele sumiu por uns tempos e voltou como soldado da brigada. Benza deus. O rapaz se transformou. Nariz empinado, parecia o dono do mundo. Nem cumprimentava mais os antigos parceiros de farra. 

Em contraponto temos comandantes, chefes, gerentes, que possuem altos cargos mas são seres humanos humildes, educados, de fino trato. Não são todos os que precisam descontar suas mazelas da vida através da posição que ocupam no meio social.  

Toco neste assunto justo numa segunda-feira que sempre gosto de postar alguma mensagem de alento aos leitores para o resto da semana. Mas o que aconteceu ontem a noite aqui em Porto Alegre foi entristecedor. 

A Guarda Municipal da Prefeitura de Porto Alegre achou de proibir que os Cozinheiros do Bem distribuíssem suas marmitas aos moradores de rua. Coisa que fazem todos os domingos, há onze anos, ali embaixo do viaduto da Conceição. A confusão foi grande com mais de trinta integrantes da guarda armados até os dentes tendo a frente uma pessoa prepotente e totalmente despreparada (não é o que aparece na foto acima). 

Gostaria que eles tivessem a mesmo "zelo" com a vagabundagem nas praças, com os que roubam fios e queimam para extrair o cobre e trocar por droga a poucos metros dali, com os pichadores, com quem (a luz do dia) roubou as placas de quase 200kg do Monumento a Bento Gonçalves....

Não fosse a intervenção de um superior o arrogante Guarda Municipal de Porto Alegre teria levado preso os próprios cozinheiros que estavam ali prestando um serviço beneficente e voluntário.


                 


domingo, 26 de julho de 2026

 


REPONTANDO DATAS - 26 DE JULHO


João Pessoa

No dia 26 de julho de 1930, o político paraibano João Pessoa é assassinado. João Pessoa Cavalcanti de Albuquerque foi um advogado, militar e político nascido em Umbuzeiro (PB) em 24 de janeiro de 1878. Ele atuou como presidente da Paraíba e candidato a vice-presidente na chapa de Getúlio Vargas nas eleições presidenciais do Brasil em março de 1930.

A vitória do governista Júlio Prestes que manteria a política do “café-com-leite” aonde São Paulo e Minas Gerais se alternavam no poder da nação causou a união da oposição, que culminou na Revolução de 1930. João Pessoa, assassinado num dia 26 de julho deste mesmo ano tornou-se mártir do movimento que deu início a Revolução de Trinta colocando Getúlio Vargas no poder.



 


TERTÚLIA MAÇÔNICA DA POESIA CRIOULA

ATENÇÃO - FALTAM 5 DIAS

As inscrições encerram-se em 31 de julho




Inscreva seu poema pelo e-mail:

tertulia@fraternidadegaucha.com.br 

Regulamento e Fichas de Inscrições estão site:

www.fraternidadegaucha.com.br



 


ESTÂNCIA DA POESIA CRIOULA



Aconteceu na tarde de ontem (25), no Plenário Ana Terra  da Câmara de Vereadores de Porto Alegre o 68º Rodeio de Poetas da Estância da Poesia Crioula, a Academia Chucra do Rio Grande, entidade que congrega os vates de temática regionalista do Estado.

Nesta edição foi comemorado o Centenário de Nascimento do poeta Dimas Costa, um dos fundadores da EPC, foram concedidas a Medalha Vargas Neto a poetisa Jurema Chaves e ao poeta Maxsoel Bastos de Freitas, além de diversas apresentações musicais e poéticas. Tudo sobre a egrégora do Patrono Espiritual do evento o saudoso poeta Paulo Zeni Araújo.

Hoje a programação continua com a Romaria da Saudade, diante da Sesmaria do Infinito, local no Parque da Harmonia aonde os Estancianos reverenciam os poetas mortos. Logo após, no mesmo local (Harmonia), um suculento almoço no galpão da Rede Pampa aonde acontecerá a diplomação dos novos associados, posse da nova diretoria para o biênio 2026-2027, seguido de muita cantoria e recitações de poemas.     






sábado, 25 de julho de 2026

 

OS QUATRO BRAÇOS DA CRUZ



Neste 2026 comemora-se os 400 anos da chegada dos padres jesuítas ao Rio Grande do Sul dando origem as primeiras fundações de povos missioneiros. Entre diversos questionamentos muitas pessoas se perguntam sobre o significado dos quatro braços da Cruz Missioneira, ou Cruz de Lorena.

 

PRIMEIRAS REPRESENTAÇÕES

Encontram-se representações da cruz dupla em La Ferrasie, na Dordonha e em Las Batuecas, na Espanha, desde a era pré-histórica.

Na interpretação de alguns, o montante vertical é um meridiano e localiza o Norte e o Sul; a barra horizontal mais curta, representa o solstício de inverno, e a mais longa, o de verão; o conjunto simboliza, portanto, o percurso do sol durante um ano.

 

A CRUZ DUPLA NA HISTÓRIA

É em Jerusalém que se identificam os primeiros vestígios da cruz dupla. Desde o século IV é sob a forma da cruz dupla que são representadas as relíquias da Cruz Verdadeira utilizada na Paixão de Cristo, reencontrada por Santa Helena sobre o Monte das Oliveiras. Esta representação foi adotada porque seria o símbolo do poder dos Patriarcas de Jerusalém, guardiões da Cruz Verdadeira.

A mesma figura se encontra sobre todos os túmulos de Patriarcas, de Byzance até o Monte Athos, em Attica e a partir dessa região difundiu-se na Rússia, onde foi chamada “Cruz Russa” e na Hungria, onde se tornou “Cruz de Hungria”, passando a ser um emblema da realeza. A cruz dupla chegou ao Ocidente com o comércio de relíquias, à época dos merovíngios. No século VI, o Imperador de Byzance, Justino II ofereceu uma relíquia a Santa Radegonde. Chegando a Tours dentro de um magnífico relicário esmaltado esta relíquia foi festejada com euforia por uma multidão entusiástica ao som do hino “Vexila Regis prodeunt”, composto especialmente pelo poeta Fortunat e está, atualmente, guardada na Igreja da Santa Cruz de Poitiers. Existem relicários semelhantes, cada qual mais ricamente adornado, em muitas partes da Europa e, naturalmente, na França, em Eymoutiers na Haute-Vienne.

Também conhecida como “Cruz de Santo Eloi” ou de “São Luis da Santa Capela”, este símbolo está relacionado às Cruzadas e, até mesmo, atribuem-lhe poderes mágicos. Sua forma serviu de modelo para a planificação de belas igrejas e catedrais: na Inglaterra, em Lincoln, Rochester ou Worcester e na França, como é o caso das igrejas da Abadia de Cluny, de Saint Benoît no Loire, e Saint Quentin.

A cruz dupla aparece também nas moedas e nas insígnias dos cruzados, iniciando com os Templários, desde que estes foram constituídos como Ordem pelo Patriarca de Jerusalém, Guarimond, em 1119. Deu-se o mesmo com a Ordem dos Hospitaleiros do Espírito Santo ou de Saint Géréon, na Palestina e depois com a Ordem da Cruz de Anjou.

 

A CRUZ DE ANJOU

Em 1241, o bispo Thomas de Hierapetra, em Creta, doou uma relíquia da Verdadeira Cruz de Cristo, que teria pertencido anteriormente a Gervais de Comène, patriarca de Constantinopla, a Jean de Allaye, cavaleiro angevino que retornava ao seu país, de volta da Terra Santa. Jean de Allaye doou-a, por sua vez, para a Abadia Bernardina de La Boissière, em Anjou. Esta relíquia, é feita de uma madeira dura, provavelmente cedro e composta de três ramos: um vertical com 28 cm, e dois atravessados, um com 8 cm e o outro com 11 cm. Em 1357 foi colocada sob a proteção dos Jacobinos de Angers e durante a Guerra dos Cem Anos, em 1379, guardada em segurança no Castelo de Angers por Luis I de Anjou que criou, nesta ocasião, a ordem de cavalaria, “Ordem da Cruz de Anjou”. Ao fim da Guerra dos Cem Anos, em 1456, a relíquia retornou para a Abadia de La Boissière. Em 1790, foi transferida para o Hospício dos Incuráveis, de Baugé e escapou miraculosamente às destruições revolucionárias. Em Heráldica, a Cruz de Anjou é negra e a Cruz de Hungria é branca.

A Cruz de Anjou foi reconhecida como Cruz de Lorena, apenas no século XV, graças a René I de Anjou, o Bom, Duque de Lorena de 1431 a 1453 que a difundiu pelos seus estados. Seu neto, René II, Duque de Lorena de 1473 a 1508, utilizou-a para atestar ser herdeiro direto de Godofredo de Bulhões e, portanto, do Reino de Jerusalém e para justificar suas pretensões sobre o Reino da Hungria, como herdeiro da Rainha Joana II. René II escolheu como divisa para seu selo real : “Rinatus Dei Gratia Hungria Ierusalem et Siciliae Rex.” “René pela graça de Deus, rei de Hungria, de Jerusalém e da Sicília.”

 

SIGNIFICADOS DA CRUZ DE LORENA

A Cruz de Lorena, simbolizava que os Duques de Lorena eram duplamente cristãos: por serem príncipes de um Estado cristão e como os conquistadores de Jerusalém.

• É uma representação cristã de uma cruz comum de suplício com a tabuleta de inscrição, escolhida como símbolo da Paixão de Cristo.

• É uma afirmação do poder dos Patriarcas do Oriente nos tempos de perseguições e da resistência da Fé contra todos os ataques.

• É um símbolo das Cruzadas e da Cavalaria e, portanto, sempre da resistência e da honra da Fé.

• É um símbolo dos direitos dos duques de Lorena sobre seus diversos estados e de suas pretensões sobre os reinados de Jerusalém e da Hungria.

• É um símbolo da resistência da Lorena e do direito de permanência dos seus habitantes em sua terra, contra todos os seus inimigos.

Na Batalha de Nancy, contra Carlos O Temerário que nela perdeu a vida, René II de Anjou fez suas tropas portarem a cruz dupla para se distinguirem dos borgonhenses, que ostentavam a Cruz de Santo André.

 

O SIMBOLISMO CRISTÃO 

DA DUPLA TRAVESSA

 

O símbolo da cruz, uma trave vertical com uma transversal, representa a Paixão de Cristo e o instrumento de tortura sobre o qual Jesus foi crucificado. Então por que se juntou a esta uma transversal menor? Era costume dos romanos escrever em uma prancheta (chamada titulus ou superscriptio) e colocá-la sobre a cabeça do crucificado com o seu nome e o motivo de sua condenação. Assim foi colocada sobre a cabeça de Jesus a prancheta com a inscrição “I.N.R.I”: Iesus Nazarenus, Rex Iudaecorum (Jesus de Nazareth Rei dos Judeus)! Pilatos usou este costume, para humilhar e ridicularizar um pouco mais o povo colocando em subentendido à expressão "rei dos judeus", ou "aquele que se pretendia...". Nessa ocasião, em resposta aos protestos do povo, depois do “eu lavo as minhas mãos”, ele pronunciou a famosa frase: " o que está escrito está escrito!".

Esta prancheta nominativa teria se desenvolvido, na segunda travessa horizontal da cruz dupla, pois, os romanos costumavam repetir a inscrição em latim, grego e hebraico nos títulos, o que torna o texto, longo o suficiente para justificar a utilização de um pedaço de madeira com um bom tamanho.

Os historiadores se esforçam para comprovar como verdadeira a relíquia de Santa Helena mantida na Basílica Santa Cruz, em Roma. Encontrada por acaso em 01 de Fevereiro de 1492, dentro de uma caixa de chumbo escondida em um nicho da igreja, a relíquia seria um grande pedaço da tabuleta da "Verdadeira Cruz" descoberta por Santa Helena no Calvário em 326 .

Desde essa época, a cruz dupla aparece nas armas das cidades que pretendem demonstrar o seu apoio à Lorena. Ela também servirá como símbolos dos restabelecimentos católicos durante muitos anos.


 

sexta-feira, 24 de julho de 2026

 


TERTÚLIA MAÇÔNICA DA POESIA CRIOULA

ATENÇÃO - FALTAM 8 DIAS

As inscrições encerram-se em 31 de julho




Inscreva seu poema pelo e-mail:

tertulia@fraternidadegaucha.com.br 

Regulamento e Fichas de Inscrições estão site:

www.fraternidadegaucha.com.br


Avaliadores da Tertúlia Maçônica


Arabi Rodrigues: Poeta e pajador


José Luiz dos Santos: Poeta e escritor


Carlinhos Lima: Poeta e tradicionalista


quinta-feira, 23 de julho de 2026



 FESTIVAL VIRADA - DEPOIS DAS ÁGUAS

O Festival Virada - Depois das Águas, que findou ontem (22) na Casa do Gaúcho, em Porto Alegre, após percorrer 5 cidades que foram atingidas pelas enchentes de 2024, com certeza foi o maior evento festivaleiro deste ano de 2026. Excelentes ajudas de custo pagas antecipadamente, hotéis e transportes a disposição dos que trabalharam no evento bem como aos organizadores, bons prêmios aos vencedores, enfim, um primor de organização. Falo isso numa forma de agradecimento por ter sido avaliador em uma das etapas (Gramado) e também como reconhecimento a Caminha Produções pelo trabalho desenvolvido. 

O resultado abaixo extraí do Blog do Jairo Reis, Ronda dos Festivais, o grande canal de comunicação voltado para a comunidade nativista do Rio Grande do Sul.  


integrantes da composição vencedora

O Festival da Virada - Depois da Águas, mostra competitiva de canções inéditas, que promoveu etapas classificatórias em cinco das tantas cidades gaúchas atingidas pela enchente de 2024, foi finalizado na noite de ontem, quarta-feira, 22 de julho, na Casa do Gaúcho, em Porto Alegre, com a apresentação de15 (quinze) musicas finalistas.  A comissão avaliadora da última etapa, formada por Adriana Sperandir, Fabrício Harden, João Bosco Ayala, Telmo Jaconi e Vaine Darde, definiu a seguinte premiação:

 

PRIMEIRO LUGAR: TAPERAS

Ritmo: Canção

Letra: Leonardo Quadros

Melodia: Guilherme Castilhos

Interpretação: Vinícius Brum

Violão: Leonardo Quadros

Violão: Guilherme Castilhos

Violão: Érlon Péricles

Flauta: Texo Cabral

Viola: Gustavo Brodinho

Contrabaixo: Cássio Castilhos 

 

SEGUNDO LUGAR:  MENINA DOS TEUS OLHOS

Ritmo: Toada Milonga

Letra: Sandro Souza

Melodia: Sandro Souza

Interpretação: Cairon Silva

Violão e Vocal: Sandro Souza

Violão Aço e Vocal: Gustavo Ortácio

Contrabaixo e Vocal: Gustavo Brodinho

Teclados: Calil Souza

  

MELHOR TEMA AMBIENTAL: A INSÔNIA DA AMAZÔNIA

Ritmo: Milonga

Letra: Dilan Camargo

Melodia: Everson Maré

Interpretação: Alex Moreira, Robledo Martins e Everson Maré.

Acordeon: Geovane Marques

Violão: Everson Maré

Contrabaixo: Ricardo Silva

Percussão: Matt Thofehrn

Flauta: Gil Soares 

 

MELHOR INTÉRPRETE: ARIANE WINK

Música: Desculpa. 

 

MELHOR INSTRUMENTISTA:

DANIEL ZANOTELLI

Instrumento: Sax

Música: Aquarela do Amanhã 

 

MELHOR LETRA: MENINA DOS TEUS OLHOS.

Autor: Sandro Souza 

 

MELHOR MELODIA: TAPERAS

Autor: Guilherme Castilhos 

 

Festival da Virada - Depois das Águas

Produção: Caminha Produções Artísticas e Pandorga Produtora Cultural

Patrocínio: Petrobras

Realização: Lei Rouanet e Ministério da Cultura



 


REPONTANDO DATAS / 23 DE JULHO



Num dia 23 de julho, do ano de 1901, morria em Montevidéu Gaspar da Silveira Martins, pai dos maragatos de 1893. Advogado, fazendeiro, político, conselheiro do Imperador D. Pedro II e excelente orador. 



Fragmentos do texto de Walter Spalding sobre Gaspar Silveira Martins, líder Maragato da Revolução de 1893, que morreu num dia 23 de julho, do ano de 1901

Gaspar Silveira Martins nasceu em Cerro Largo, República Oriental do Uruguai, a 5 de agosto de 1834, na estância avoenga, sendo batizado a 5 de março de 1835.

O Correio do Povo de 25 de julho de 1901 estampava, em destaque a seguinte notícia: -"Tivemos ontem, pelo telégrafo, a triste notícia do falecimento, em Montevidéu, do Dr. Gaspar Silveira Martins. O patrício ilustre, cuja morte o Rio Grande deplora, tem o seu nome vinculado de modo imperecível à história do nosso Estado, que ele muito amou e por cujo progresso moral e material, muito se esforçou. O Rio Grande do Sul chora a morte de Silveira Martins que, com justa razão, figurará na galeria dos nossos varões ilustres como um grande patriota. A notícia da sua morte, espalhou-se ontem rapidamente pela Capital e, desde logo, os escritórios dos jornais foram procurados por grande número de pessoas que, pesarosas, pediam informações a respeito. O Dr. Gaspar Silveira Martins devia completar no dia 5 de agosto próximo, 66 anos de idade".

Silveira Martins estava, ainda, no exílio em Montevidéu, apesar da paz de 1895, assinada em Pelotas, pondo fim à Revolução Federalista de que fora o chefe civil. Sua morte, ocorrida a 23 de Julho, treze dias antes de completar 66 anos de idade, em verdade muito abalou o mundo político brasileiro, principalmente o ligado ao federalismo, e sobremodo escandalizou a sociedade em virtude da situação em que se dera o falecimento do grande tribuno.

Só, longe do lar, vivendo em hotel na capital uruguaia, homem fogoso, bastante dado a mulheres, jamais se negou aos prazeres da carne de que ele usava e abusava e foi por isso que sua morte, ao lado de uma dessas vivandeiras, à meia tarde, escandalizou, lamentando-se, porém, tenha sido esse o fim do grande orador que fazia temer o adversário desde a sua juventude, quando subiu pela primeira vez à tribuna parlamentar, ou quando, em 1869, proferiu aquela sua conferência clássica sobre o Radicalismo, abalando consciências e arrastando multidões.

Era, na realidade, um fim muito triste, esse do ex-Ministro da Fazenda do Gabinete de 5 de janeiro de 1878, que havia proposto o voto aos católicos, exigindo reforma da Constituição, e que por não ser atendido, rompeu, não apenas com o Presidente do Conselho Cansanção de Sinimbu (gabinete formado pelo Partido Liberal), mas com seu próprio companheiro Ministro da Guerra, senador Marquês do Erval.

Entretanto, esse final melancólico da grande vida em nada afetaria as suas ideias, as suas atividades de patriota e progressista que jamais recuou. Foi um homem de pensamento, como poucos tem tido o Brasil nestes seus mais de quinhentos anos de História, no terreno político principalmente. E nem mesmo atingiu a integridade do homem que foi, durante sua vida, exemplo de dignidade, de dedicação, de honradez de homem público, líder inconteste do liberalismo brasileiro a partir do dia em que se apresentou na vida política da Nação. Iniciando-se na política, logo após sua formatura na Faculdade de Direito de São Paulo, em 1855, contando, pois, 21 anos de idade Gaspar Silveira Martins foi subindo, à custa de sua inteligência, de seu talento, de sua cultura. Degrau por degrau, chegou a Ministro, em 1878, com apenas 44 anos.

Era Silveira Martins o tribuno máximo do Brasil Império, que entraria pela República, coerente com seus princípios, combatendo oligarquias e ditaduras, exigindo liberdades e direitos que se vinham conculcando, no Rio Grande do Sul, através de leis, de conchaves e de ordens subterrâneas, num desrespeito integral à dignidade humana do adversário. Nasceu dai a Revolução, revolução que ele, Gaspar Martins, não queria, mas teve que aceitar porque o povo, aquele mesmo povo que ele conduziu e educou nos princípios da liberdade que sempre pregou, o quis e o obrigou a presidir, como chefe civil.

Mas não foi possível evitar a luta. As provocações foram excessivas e Joca Tavares com Gumercindo Saraiva, invadiram o Rio Grande do Sul pensando calarem de imediato as diatribes e arbitrariedades que campeavam pelo Estado, ordenadas, provocadas, consentidas pelo governo de Júlio de Castilhos. Paulo José Pires Brandão, neto materno e afilhado do Conselheiro Antonio Ferreira Viana, conheceu Silveira Martins em casa do avô. Em seu livro Vultos do Meu Caminho, assim descreve o imortal conselheiro: "Alto, corpulento, grandes óculos, barba toda aberta e branca, pele muito vermelha. Voz de trovão, gesto largo, não sabia falar baixo, e mesmo quando palestrava era em tom de discurso, e a sua voz clara, sonora e forte invadia a sala onde estava, os corredores, o hall, a casa inteira, atravessando a rua. Não falava ao ouvido de ninguém, não dizia segredos, nem os tinha, mesmo porque a sua voz não dava diapasão para sussurros, não murmurava: tonitroava".

Com a Proclamação da República, estando Gaspar Martins na Presidência do Rio Grande do Sul, foi preso e deportado.

Pouco antes do 15 de novembro de 1889, fora Gaspar chamado à Corte para formar novo Ministério, com intenções de evitar a queda fatal. Foi tarde, porém. Ao chegar no porto de Desterro (depois Florianópolis), já a República havia sido proclamada e Gaspar Martins aprisionado. Seguiu para a Europa.

Lá o encontrou Pires Brandão, que viajava com o avô, também deportado. E conta que, ao atravessar o Canal da Mancha, encontra a bordo o diplomata e jornalista francês Tachard, a quem foi apresentado. Diz Pires Brandão: "Falou Silveira Martins toda a travessia. Ao desembarcar na Inglaterra, disse Tachard a meu avô: Não há no mundo governo e instituições que possam resistir a um homem como este, que atravessa a Mancha discutindo Renan! Um país que deporta um homem desses, ou é um país de sábios ou de ignorantes". 


quarta-feira, 22 de julho de 2026

 


RECURSOS IMPRESSIONANTES


Essa tal de Inteligência Artificial, para quem sabe lidar com ela, é algo impressionante. 

Quando falo em "saber lidar" me refiro não somente a tecnologia bem como ao uso adequado da mesma, ou seja, para o bem ou para o mal.

Tenho pouquíssimas fotos de meus pais. Naqueles tempos, lá na Aratinga, quando aparecia algum retratista, era motivo de festa. 

Duas fotos deles que trago comigo são estas em preto e branco, sendo que a do meu pai já com as marcas do tempo. 

Pois um amigo (Paulinho Gomes) que entende do riscado de IA, coloriu e ainda juntou os dois em uma mesma chapa. Sensacional. 

Mil Gracias, Paulinho Gomes, por colorir lembranças e renovar minhas saudades. 


Foto original de meu pai Bernardino Souza


Foto colorizada por IA


Foto original de minha mãe Doralice Ribeiro de Souza


Foto colorizada por IA


Os dois juntos em uma montagem produzida pela Inteligência Artificial 


 

     

terça-feira, 21 de julho de 2026

 

DECLARADA A GUERRA DE BUGIOS 


Ontem (20) começou oficialmente as eleições de 2026 ao se abrir o prazo para as convenções partidárias. A jornalista Rosane de Oliveira postou em sua coluna de Zero Hora uma instrutiva matéria sobre como o eleitor deve preencher seu voto de maneira correta sob a seguinte chamada: Já tem sua "colinha"? Veja a ordem de votação na urna para as eleições

A jornalista adianta o passo a passo e a posição correta dos cargos na urna eletrônica para evitar anulações mostrando o que digitar e em qual sequência. Isso é muito importante para milhares de pessoas. 

Como brincadeira ilustrativa eu diria que serviria muito bem ao Macanudo Taurino, personagem do cartunista Santiago, como mostra a charge abaixo:


Santiago