A FALSA CARTA DE CAXIAS
O então Barão de Caxias
Está perto de ser tombado como Patrimônio Nacional o Cerro dos Porongos, em Pinheiro Machado, na região da campanha, local aonde teria acontecido o massacre dos Lanceiros Negros no ano de 1844 durante a Revolução Farroupilha.
O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) está em processo final do tombamento que começou lá em 2000 após iniciativa de movimentos negros apoiados pela Fundação Cultural Palmares. A ideia é levantar um memorial no local.
Pessoalmente concordo com a iniciativa pois acho que os Lanceiros Negros, comandados pelo coronel Joaquim Teixeira Nunes, o Gavião, foram os grande heróis deste decênio épico e são pouco lembrados nos bronzes de praças e livros de história.
O que não concordo, de forma alguma, é com o argumento usado para este tombamento de que os negros que buscavam sua liberdade ao fim do conflito foram traídos pelo general farrapo David Canabarro em conluio com o então Barão de Caxias.
Se houve traição foi por parte do imperialista Chico Pedro, o Moringue, ambicioso, mau caráter, sem governo, que não respeitou as tratativas de paz então sendo discutidas e atacou o acampamento.
Um dos argumentos dos que defendem a traição de Canabarro seria uma carta escrita por Caxias mandando Moringue atacar os republicanos porque estava tudo acertado entre os comandos.
Ocorre que esta carta não é verdadeira. Os originais não existem. Procurei-a no Arquivo Histórico e Geográfico aqui em Porto Alegre e pessoas que trabalham lá, há anos, dizem que vários historiadores a procuram mas ninguém encontra tal documento. Da mesma forma tive em mãos, no Rio de Janeiro, toda os anais da vida de Caxias e não encontrei nada a respeito.
Na verdade tal carta foi escrita após a batalha na cidade de Piratini com o intuito de denegrir a imagem de David Canabarro.
Vejam o que escreveu o imperialista remanescente da guerra dos farrapos Felix de Azambuja Rangel, no dia 22 de agosto do ano de 1900, na cidade de Rio Pardo:
"É verdade que o documento que acusa David Canabarro de traidor foi lavrado em minha presença após o combate de Porongos por machinação de Francisco Pedro de Abreu que o mandou escrever por seu major de brigada João Machado de Morais, o que afirmo sem receio de contestação e sendo igualmente verdadeiro tudo quanto diz em seu opusculo o incançavel e ilustre senhor Alfredo Ferreira Rodrigues referente as informações da memoria que lhe mandei. Félix de Azambuja Rangel."
Que se ergam monumentos aos Lanceiros Negros, que sejam reconhecidas as suas façanhas, mas com argumentos sólidos caso contrário todo este trabalho será posto em dúvidas.
